segunda-feira, dezembro 26, 2005

Estamos chumbados


Falando em assuntos pesados, não existem muitas coisas mais pesadas que o Chumbo. Não estou a falar de um chumbo numa disciplina da escola, nem tão pouco em chumbar os dentes, até porque, felizmente, os dentistas já deixaram de usar Chumbo para preencher as cáries.
Quase toda a gente sabe que o chumbo pode ser altamente tóxico para o corpo humano, há até quem defenda que o império romano caíu devido aos efeitos nefastos do chumbo - que usavam, por exemplo, para perfumar o vinho - no sistema nervoso. O que talvez não saibam é que nós, homens e mulheres do início do séc. XXI temos no nosso sangue cerca de 600 vezes mais chumbo do que tinham os nossos descendentes no início do séc. XX.
Ao longo do último século fomos chumbados, em grande parte graças a um senhor, de seu nome Thomas Midgley, inventor de profissão, que descobriu que adicionando um composto de chumbo, o chumbo tetraetilo, à gasolina se evitavam a raras mas desagradáveis detonações dos motores de combustão. Aliás, este senhor está certamente bem posicionado na lista dos piores do séc. XX porque conseguiu poucos anos depois descobrir outra coisa altamente prejudicial ao nosso bem estar, os clorofluorcarbonetos, mais conhecidos pela sigla CFC, que têm vindo lenta mais eficazmente a destruir a camada de ozono, nossa única protecção contra a radiação letal proveniente do Sol.
O mais interessante é que, como é óbvio, não basta o produto ser inventado, alguém o tem de comercializar. Para vender o tal chumbo tetraetilo ao desbarato surgiu a famigerada Ethyl Corporation, que passou grande parte do último século a a encher os cofres enquanto escamoteava as dezenas de mortes de trabalhadores que morreram intoxicados pelos vapores do chumbo nas suas fábricas, pagava estudos que demonstravam - imagine-se! - os benefícios do chumbo na nossa saúde e fazia todos os possíveis para prejudicar, denegrir e difamar o cientista Clair Patterson, que além de ter sido a primeira pessoa a calcular com exactidão a idade do planeta Terra, foi dos primeiros a compreender a gravidade da intoxicação por chumbo a que toda a humanidade estava exposta devido à gasolina com chumbo da Ethyl Corporation.
O senhor Clair Patterson já morreu e o seu nome não mereçe sequer um lugar nos nossos livros escolares, apesar de tudo o que fez por todos nós em anos de luta contra a gasolina com chumbo. Quanto à Ethyl Corporation, já não factura tanto como noutros tempos, pois a gasolina com chumbo vai sendo proíbida em cada vez mais locais, mas tem como objectivos empresariais assumidos, a maximização do lucro das vendas do chumbo tetraetilo, vendendo tanto quanto possível o produto em países que ainda não aboliram os combustíveis com chumbo, enquanto continua a defenser a ideia de que não existem provas de que a gasolina com chumbo seja prejudicial à saúde ou ao meio ambiente.
Depois venham-me dizer que as grandes empresas trabalham em prol da humanidade...

5 comentários:

Queirosene disse...

Um dia gostava de fazer um post sobre a "MONSANTO". Grande parte das maleitas deste planeta são devidos a esses gajos. Pedro: quando nos quiseres brindar com um texto sobre o assunto, é muito bem-vindo!
www.monsanto.com

Lótus Azul disse...

Pedro, qual é a idade exacta do Planeta Terra?
É que dia é que faz "anos"?
Não devíamos comemorar isso?
Devia inclusivé ser feriado mundial.

Se me souberes dizer, marcamos o próximo jantar para esse dia. Condições para participar no evento: Conduzir carros movidos a gasolina sem chumbo, boa?

Beijinhos.

Pedro disse...

A Terra, diz o tal senhor, tem 4550 milhões de anos, mais ou menos 50 milhões que nunca se deve dizer com precisão a idade de uma senhora! Já existe um dia da terra, em Abril.


João, sobre a MONSANTO não bastava um post, eram precisos livros inteiros para listar toda a porcaria que os sacanas têm feito por esse mundo fora.

Pedro disse...

Já agora, obviamente, onde escrevo "os nossos descendentes do inicio do séc XX" queria dizer ascendentes... Mas voces percebem!

Lótus Azul disse...

Sim, nós percebemos...
Mas Pedro, de facto nunca se deve dizer com precisão a idade de uma senhora... mas arredondar para cima? Isso é maldade.

Eu por exemplo, não parece, mas sou miúda para 22 anos... ;)