segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Memórias de infância

Lembram-se quando a 2, na altura RTP2, começou a transmitir semanalmente, aos domingos, a “Magia da NBA”? Penso que já lá vão pelo menos quinze anos… Ao domingo, depois de almoço, uma hora sagrada em que nós, pobres desgraçados de um país de fim do mundo, podíamos apreciar toda a habilidade das estrelas do campeonato norte-americano de basquetebol.
Comentado pela mítica dupla formada pelo Carlos Barroca e pelo prof. João Coutinho, o programa criou toda uma geração de fãs do basquetebol, num tempo em esse estava longe de ser um dos desportos mais populares em Portugal. O programa incluía sempre meia hora de diferentes rubricas com os melhores momentos da semana, os melhores triplos, os melhores afundanços, os melhores passes, os melhores desarmes de lançamento (ou seriam contras?), e depois seguia para um resumo alargado do melhor jogo da semana.
Acho que o sucesso do programa se deveu a duas coisas, por um lado não estávamos habituados a todo aquele espectáculo a rodear um evento desportivo, desde os separadores com música ao ambiente festivo dos jogos e até a cores berrantes dos equipamentos, bem diferentes dos equipamentos mais sóbrios usados na Europa; por outro lado, o programa apanhou um dos melhores períodos da NBA, em que coexistiram uma série de monstros sagrados do basquetebol.
Era o tempo dos LA Lakers do mágico “Magic” Johnson, os Chicago Bulls do incomparável Michael Jordan, os tão irlandeses Boston Celtics do Larry Bird e do John McLane, os Detroit Pistons do Isiah Thomas e dos seus colegas peritos na defesa que ficaram conhecidos como os “bad boys”, eram os Utah Jazz dos “mailman” Karl Malone e do mestre das assistências John Stockton ou os Portland Trail Blazers do extraordinário Derek Harper. Depois ainda militavam na liga o “one man show” Charles Barckley, então nos Philadelphia 76ers, o desvairado Dennis Rodman, o “almirante” David Robinson e o brilhante Reggie Miller.
Continuo a gostar de ver um bom jogo da NBA, mas já não tem a magia que tinha então, talvez porque grande parte destes nomes já fazem parte do passado do jogo, ou porque tudo aquilo tinha muito mais encanto quanto eu tinha 9 ou 10 anos. Ficou desse tempo o facto de eu ainda hoje tender a torcer pelos LA Lakers, mesmo que o “Magic” já tenha deixado de jogar à mais de uma década.

6 comentários:

Filipe disse...

Lembro-me, via e também eu torcia por eles, mas no meu caso eram os Chicago Bulls com a dupla Michael Jordan / Scottie Pippen.

Pedro disse...

Os duelos entre o "magic" e o Michael Jordan (como na foto) era algo de absolutamente extraordinário. Grandes tempos!

Lótus Azul disse...

Pedro, eu não me lembro... Não gosto de ver desporto na Tv. Dá-me fernicoques de estar sentada a ver as outras pessoas em movimento. Fico logo com vontade de fazer o mesmo.

Filipe disse...

[Lotus]
Se ao ver pessoas em movimento na tv te faz ficar com vontade de fazer o mesmo, nada de ver canais Hot! Juizinho.

Nuno Castanheira disse...

Bons momentos, esses! Não, Pedro, infelizmente a magia não era efeito da idade. Era, isso sim, efeito da qualidade inigualável do basquete praticado e, ainda mais importante, do fair play e educação desses grandes ídolos. Meus, pelo menos. Belos tempos!!!

Ana disse...

CÁ em casa lembrom-me tão bem do meu irmão, mais velho que eu, andar sempre equipado com camisolas e bonés dos Bulls e dos Lakers, ainda cá temos alguns. Eu também usava os bonés às vezes. Já sem falar quando saiu o filme Space Jam com o Michael Gordon, eu via aquilo vezes e vezes seguidas. Alguma vez nos passou pela cabeça sentirmos falta dos 90s?!