terça-feira, fevereiro 14, 2006

De Humani Corporis Fabrica


No século XVI, Andreae Vesalii chocou o mundo com o seu livro de anatomia De Humanis Corpore Fabrica. Essencialmente conhecido pela descoberta da circulação sangínea, Vesalius foi na verdade um dos primeiros naturalistas a sugerir que o corpo humano funciona como uma máquina, uma máquina extramente complexa, mas limitada aos mesmo príncipios fisico-químicos que regem qualquer outra máquina.
Esta visão, tão contrastante com os ideais bem mais espitualistas da época, alida ao facto de o seu trabalho se ter baseado na cuidadosa dissecação de inúmeros cadáveres humanos, não o fez ganhar de certo muitos amigos, mas foi esta ideia que veio a servir de base para toda a medicina moderna, tendo os rápidos avanços da fisica e da química nos séculos subsequentes permitido à biologia compreender em grande medida o funcionamento destas nossas máquinas corporais.
Somos máquinas altamente sofisticadas e autosuficientes, capazes de garantir a nossa sobrevivência com base apenas em água, ar, nutrientes e uma temperatura relativamente amena. Depois, as miriades de células, corpusculos, vesículas, vasos, glândulas, orgãos, etc. garantem um funcionamento regular.

No entanto...
Se uma destas máquinas é deixada sozinha por muito tempo, rapidamente enlouquece, perde a razão e põe por vezes em causa a sua sobrevivência.
Muitas máquinas, sem que isso interfira com a sua sobrevivência, decidem exterminar a existencia de outras máquinas só porque sim.
As vezes, só porque uma máquina não está presente, outra destas máquinas deixa de funcionar correctamente. As papilas gustativas continuam lá mas a comida deixa de ter sabor, a retina continua lá mas as cores perdem intensidade, os termoreceptores da pele deixam de sentir o calor do Sol, a máquina continua viva, mas limita-se a sobreviver.

Podemos ser só máquinas, mas somos ainda muito mais complexos do que aquilo que muitas vezes pensamos.

3 comentários:

Nunp Carvalho disse...

Talvez seja preferível usar o nome em Português, como é tradição usar-se, há séculos, na nossa língua (e como se faz com praticamente todas as personagens históricas): Vesálio, André Vesálio.
Se consultarmos textos (de enciclopédias, de manuais de História, etc.), é sempre assim que ele é tratado.

Anónimo disse...

E de Medicina, também, e de História da Medicina e da Biologia, aliás...

Pedro disse...

Teria mais lógica usar o nome dele em Flamengo, se não me engano era esse o país de origem dele. Mas já que ele assinava em latim, fiz-lhe a vontade e deixei em Latim. Os nomes em latim têm um certo encanto...

André Vesálio não me soa muito bem...