quarta-feira, agosto 26, 2009

Epidemias

E se amanhã a TV anunciasse uma doença que se espalha como fogo em erva seca. Se pudessemos ser contaminados tão simplesmente pela picada de um insecto. Se nos informassem que em média 2 milhões de pessoas morreriam dessa doença por ano em todo o mundo.
Pois se o fizessem não estariam a noticiar algo de novo. Essa doença já existe, chama-se malária e ao contrário da tenebrosa gripe A que assuta, assusta, mas não fez mais que matar algumas centenas de pessoas que já tinham outros problemas de saúde subjacentes, a malária mata de facto 2 milhões de pessoas por ano. Se a gripe A pode taqlvez ser controlada por medidas de hegíene cuidadosas e pela distribuição de máscaras faciais, a malária pode ser controlada tão simplesmente pela distribuição de redes mosquiteiras e repelentes de insectos. Contudo, a malária só afecta pessoas em países de terceiro mundo, pois está aí cofinada a área de distribuição do mosquito Anopheles que a distribui. Deixemos o politicamente correcto e falemos nas coisas como são. A malária é uma doença de pretos e por isso não preocupa nem incomóda os povos dos países desenvolvidos. Já a gripe A anda a infectar bebés lourinhos e pessoas que vivem aqui no mesmo sítio que nós, por isso é notícia todos os dias.
Por uma parte infinitésimal do custo da produção do famigerado Tamiflu, o tal medicamento que possivelmente já causou uma série de mortes por suicídio devido aos seus ocasionais efeitos secundários psiquiátricos, podiamos ter comprado 10 redes mosquiteiras e um caixote de repelente de insectos para cada família nas regiões endémicas da malária. Por uma porção ridícula da tão desejada nova vacina contra a gripe A, já teriamos comprado e distribuído anti-maláricos por todos os hospitais, centros de saúde e médicos de aldeia das regiões afectadas pela doença.

Mas o Mundo é como ele é. Os pretos não têm dinheiro. Se morressem árabes ou japoneses, já para não dizer americanos nem europeus lourinhos, já a malária teria sido debelado, assim como a desinteria, a febre amarela e tantas outras doenças do terceiro mundo. Mas como a gripe A afecta o mundo branco, e como há muito, mas mesmo muito dinheiro a ganhar pelas farmaceuticas se o mundo tremer de medo da gripe, a gripe vai continuar nas noticías, o mundo vai continuar a exigir vacinas e "medidas urgentes" contra uma gripe que até agora não demonstrou ainda ser de qualquer forma mais grave do que a habitual gripe sazonal a que já todos "sobrevivemos" umas quantas vezes...

1 comentário:

Ju disse...

Plenamente de acordo!