quarta-feira, agosto 12, 2009

Terrorismo Monárquico


Parece que agora em Portugal também temos terrorismo monárquico. Muito pior que o terrorismo islâmico, por ser mais estúpido e ainda mais absurdo, tem como vantagem não aleijar ninguém e investir em bandeiras azuis e brancas em vez de cintos de explosivos.
Aparentemente, existe toda uma maioria silenciosa, de cerca de 20 pessoas, incluíndo D. Duarte, a sua esposa, 8 toureiros e 4 betos marialvas, que defende a restauração da monarquia em Portugal. O seu argumento? Pois que não têm argumento, mas não deixam de achar que seria uma bela ideia.
Eu sugiro que além da questão da monarquia podiamos também retoceder em outros avanços civilizacionais, referendando também, por exemplo, o regresso da inquisição e da escravatura, a abolição da medicina e das leis laborais. Já agora, por que não proibir também o uso da electricidade e da própria agricultura. Aliás, sugiro mesmo que voltemos a viver em cavernas, que caçemos mamutes para o jantar e que façamos belas ilustrações em rochas da zona de Foz Côa.
A monarquia é um conceito obsoleto, uma ideia que parte do principio básico dos seres humanos não serem todos iguais. Nasceu numa sociedade primitiva em que aos nobres era assumido o dever divino de porem e desporem sobre o resto da população, pela simples razão de terem nascido em berço de ouro. Conceptualmente não tem qualquer diferença da ideia de escravatura e é abertamente contrária à ideia de uma sociedade democrática e equalitária.
Trazer a público a mera ideia de um retrocesso à monarquia devia ser visto como um crime contra a humanidade e a defesa dessa ideologia devia ser tão proibida como a defesa do Nazismo.

Nota: o brasão que apresento aqui é o brasão da República Portuguesa. Como cidadão zeloso da nossa república seria incapaz de apresentar aqui qualquer símbolo monárquico!

35 comentários:

Nuno Castelo-Branco disse...

é isso mesmo que queremos que pense. Comete assim, o mesmíssimo erro dos partidos que há 130 anos consideravam - com razão - os republicanos como um grupo de meninos ricos que parasitavam o sistema. Subestimaram e pagaram por isso. O mesmo vos acontecerá.

Pedro disse...

Limito-me a citar a Declaração dos Direitos do homem: "Artigo 1:
Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade."

A monarquia vai abertamente contra este principio básico da sociedade moderna...

Joaninha disse...

Pedro, estiveste muito bem, já me fartei aqui de rir. Gostei particularmente da "maioria silenciosa de 2O pessoas, D. Duarte, a esposa, 8 toureiros e 4 betos marialvas". Muito bem mesmo! Alto nível!

João Amorim disse...

caro Pedro Lourenço

A sua ideia de Monarquia é tão primária, tão temerosa, tão faciosa que eu apenas posso desejar-lhe muitos anos de tratamento anti-propaganda-republicana (que pelo que vejo é muito eficiente).

cumprimentos,
João Amorim

Pedro disse...

Caro João, a monarquia é o que é, não fui eu que a inventei. Mas garanto-lhe que nunca aceitarei (assim como a grande maioria da população portuguesa) ser governado por alguém que tem como unica credencial ser filho de determinada pessoa. Independetemte da retórica que os novos monarquicos queriam fazer, essa é em ultima análise a definição de monarquia que realmene interessa.
podemos odiar os nossos políticos, mas ao menos podemos votar contra eles ao fim de 4 anos... o que fazemos se não gostarmos da política do rei? Uma revolução? Acho mais facil por uma cruz num papel que fazer o sangue correr nas ruas para mudar de política!

Não sejam ridículos.

NoKas disse...

GENIAL!!!! Esta' tao genial que os betos ja comecaram todos a atacar!!!!! Fixe! Haja alguem iluminado. La por a monarquia ser uma tradicao, tal como a tourada ou a crucificacao, nao quer dizer que seja "boa". Prefiro mil vezes a complexidade de uma republica democratica (e as suas falhas) do que uma monarquia "ditaturial" perfeita.

Bjokas

SCOT disse...

Relamente Pedro!! Como pudeste ser tão faccioso , tão demagógico, tão primário a usar como argumentação a Declaração Universal dos direitos do Homem. Basta olhares para os argumentos tão bons, tão sólidos, tão crediveis, tão, tão...bons, que os monárquicos defendem para teres vergonha. Espera aí! Mas afinal quais são os argumentos pró-monárquicos?! É que além do tradição serôdia, dos roubos de bandeiras e ressabianços colectivos afins, parece que ainda não ouvi argumentos deste grupo de cidadãos. (Os mesmo que se candidatam, de quando em vez, à Assembleia da REPÚBLICA). Gente coerente esta.

Uma semana é uma sondagem que uns se querem juntar a Espanha; na outra aparecem estes com a história do Rei; mais dia menos dia aparecem os Salazaristas. Não acham que temos problemas mais graves do que andar a aturar estas patetices? Sim, são patetas quem acha que o Labrego de Bragança é mais importante do que qualquer outro português só porque tem "sangue real". Haja paciência!

PS:acho que me borrei de medo com esta ameaça do Nuno Castelo-Branco. "O mesmo vos acontecerá". Tenho que ir trocar de calças.

João Amorim disse...

cara Nokas e caro Pedro

Devem estar a confundir o regime com o sistema, devem estar a confundir idade média com o século XXi, devem estar a confundir betos com berloques, devem estar na escuridão a ver filmes de baixo nível.

Informem-se, cultivem-se por favor. Ao menos sejam "Republicanos" informados.

cumprimentos
João Amorim

SCOT disse...

Pois é João Amorim, nós (os Republicanos) somos todos ignorantes e vocês (monárquicos?) são todos dotados de uma cultura e inteligência superior. Por isso é que de um lado se ouve argumentos (leiam-se os comentários e post do Pedro) e do outro se lê pequenas ofensas. Por favor digam meia dúzia, aliás, digam um bom argumento para a monarquia. Um argumento que tenha em conta o séc. XXI, a democracia, a igualdade entre cidadãos e tudo aquilo por que uma moderna sociedade se rege. Digam como é que se enquadra a monarquia no meio disto tudo. argumentem, sff!

De facto, no meio disso tudo, só têm razão numa coisa: os betos não têm nada que ver com o assunto. Eu sou beto e antes um pontapé nos testículos do que ter como representante da nação um figurino como aquele ser de Bragança.

Ju disse...

Ena que a discussão tá avançada! Eu cá gosto muito da monarquia e até ia no plano do Pedro, o problema é que já não há mamutes... e acho que iamos morrer à fome! Podiamos sempre comer o rei, que pela tradição fica anafadinho com os anos de "serviço"...

Pedro disse...

Obrigado a todos pelas visitas ao blog. É sempre bom ver as nossas opiniões serem discutidas. Só é pena que, como o Scott notou, só um dos lados da discussão apresenta argumentos, o outro não os tem...
Felizmente a Republica, a Democracia e a Liberdade e a sociedade equalitária estão em Portugal para ficar!!

Sérgio Veludo disse...

Bom Dia

Peço, encarecidamente, que me expliquem quais as vantagens da república. Outra pergunta - Mas quem disse que somos todos iguais? Acham que quem trabalha e contribui com o seu esforço para o país é igual aos que se arrastam por cafés e esquinas a receber o RMI e que não querem mexer uma palha? Desde quando é que a república serve para justificar a preguiça alheia? Mas que espírito de fraternidade é esse? Concordo que nasçamos iguais, mas chega-se a uma altura em que se têm que fazer opções conscientes e é o que vemos - crime, homícidio e as leis da nossa querida república, que no seu "humanismo" e "consciência social" dão a primícia da razão ao criminoso - estou a dizer alguma mentira?
E as élites da república, onde estão? Que referências descomprometidas temos como modelo de actuação face ao País? Que élites temos? Não confundam Jet-Sets bacocos da Caras com os monárquicos. Esse Jet-St vive bem à sombra das benesses republicanas.
Onde é que a república é patriota e defende os valores básicos da nação? A última vez que o fez, foi para se justificar como regime frente aos Aliados e praticmente obrigou os Franceses e os Ingleses a aceitar 55000 Portugueses na frente Ocidental em 1917. Estão 1387 campas no Cemitério Português de Richebourg a aplaudir o "patriotismo" da I república - eu vi-as pessoalmente. Graças aos torcionários de 1910, que souberam tão bem gerir a Nação, levamos com uma ditadura corporativa que fez atrasar anos em relação à nossa matriz Ocidental Europeia.
Pergunto-me se muitas da vozes que se levantam contra a Monarquia, defendendo as benesses da república, pegariam em armas para defendê-la.

Pedro disse...

Curioso... a republica portuguesa parace ter-se limitado aos tempos duros da 1a republica...
Então e o passado mais recente, a nova republica, a nova constituição, a construção nos ultimos 35 anos de um Portugal moderno, livre, aberto ao mundo e membro de pleno direito da União Europeia?
Claro que não vivemos numa sociedade perfeita, essa aliás tem um nome, o Socialismo, mas possivelmente é impossivel. Claro que existem injustiças e diferenças sociais, mas ao menos nascemos iguais, temos igual acesso á educação e plenos direitos individuais para fazermos da nossa vida aquilo que quisermos.
Arpoveito para lembrar que hoje temos a governar a nação, com todos os seus eventuas defeitos, um mero engenheiro nascido e criado numa cidade pequena do interior. Se chegou á posição que está não foi por ser filho de nobres mas por ter lutado parra lá chegar. Aliás o mesmo se aplica a vários dos lideres do maiores partidos portugueses.

Só porque tem inveja dessas pessoas não se justifica que queira mandar abaixo a republica e por no governo uma corja de gente que nada fez para governar o país além de ser filho de alguém. Já vivi em duas monarquias, na Holanda e em espanha e em ambos os casos veêm a monarquia como um facto, mas vêm os seus monarcas como um despendio de dinheiro inusitado, uma velha tradição que se vêm obrigados a manter, mas sem trazer beneficios à população, para lá de um ou dois feriados por ano para celebrar o aniversário do rei ou rainha...

E repito-me, não sejam ridículos.

rc disse...

"Nota: o brasão que apresento aqui é o brasão da República Portuguesa. Como cidadão zeloso da nossa república seria incapaz de apresentar aqui qualquer símbolo monárquico!"

No centro (o escudo) do brasão republicano que apresenta, por ser incapaz de colocar no seu blog qualquer símbolo monárquico, está um símbolo monárquico desde, pelo menos, 1139 (data da inclusão das cinco quinas - ou besantes - na segunda bandeira real e nacional de D. Afonso Henriques).

Pedro disse...

well duhhhh. Claro que alguns simbolos nacionais remontam ao tempo da monarquia, e depois?
Também quer sugerir que a forma rectangular do pais é um simbolo da monarqui por vir desse tempo?

As 5 quinas repesentam as 5 chagas de Cristo representando a religião catolica maioritária em Portugal, não representam nenhuma monarquia.

É que nem vou perder tempo a responder a mais comentários tão estupidos...

rc disse...

Apenas comentei a sua nota que, quanto a mim, contém incorrecções.
Quanto às discussões anteriores, tenho a minha própria opinião.

Obrigado por ter publicado o meu comentário!

Pedro disse...

Sempre às ordens... Se calhar a respota brusca foi demasiada, peço desculpa

Anónimo disse...

"A monarquia é um conceito obsoleto, uma ideia que parte do principio básico dos seres humanos não serem todos iguais."

Julgo que está profundamente equivocado nesta asserção. Repare que vivemos num país criado em monarquia, com uma cultura matricialmente cristã, na qual todos são considerados como iguais.

Ao longo dos séculos, houve várias teorias de legitimação da monarquia. Entre nós, houve até um marquês de Pombal que, influenciado pelo protestantismo, dizia que os reis eram de "direito divino". Não foi essa no entanto a tradição portuguesa, em que até se elegeram reis para fundar dinastias (Avis e Bragança). Em Portugal, o rei foi sempre entendido como o garante da independência nacional, impondo-se até, depois de 1640, que tenha que ser português de nascimento. O que o ideário monárquico defende hoje é fundamentalmente o seguinte: a chefia do Estado é melhor servida por alguém que esteja devidamente preparado para a função, que não fique na dependência dos financiadores que garantiram a sua eleição, que não represente apenas uma parte da nação contra a outra parte. O problema português é hoje muito semelhante ao da Noruega em 1905, ao proclamar a sua independência e ao escolher a monarquia: por via das eleições presidenciais, uma potência estrangeira (no caso da Noruega, o perigo era sueco) podia simplesmente comprar / subsidiar um candidato ganhador...

Pedro disse...

Mas isso são tudo problematicas politicas do passado. Vivemos num mundo muito mais evoluido, e qualquer função que a monarquia tivesse estão ultrapassadas. Vivemos numa sociedade de informação, as pessoas cada vez estão mais informadas e cada vez mais a decisão política tem de se basear na participaçãpo publica pois todos temos a formação necessaria para tomar decisões informadas.

Ja não precisamos de um rei para assegurar a independencia, alias, o proprio conceito de independencia irá evoluir na actual sociedade globalizada, todas estas discussões sobre a monarquia estão totalmente deslocalizadas no seculo XXI.
Tudo o que as monarquias nos trouxeram foram guerras, miséria, lutas de poder entre familias, em que era o povo que tinha de sangrar nos campos de batalha.

Acima de tudo não faz sentido alguém governar sem se ter demonstrado capaz disso. E sim, continuo a achar que o conceito de monarquia é filosoficamente identico ao conceito de escravatura, aliás só fazia sentido num conceito primitivo de feudalismo, em que os nobres eram necessarios para garantir a soberania nacional fora dos centros urbanos.

Como é possivel haver pessoas assim tão pessoal e civicamente atrasadas?

Anónimo disse...

Pela sua resposta, depreendo que reconhece algo de muito importante: o interesse da continuidade da família real identifica-se com o interesse da comunidade nacional que serve; se um rei actuar fora do interesse nacional, é a sua descendência a sofrer as consequências. E qual é o pai que não quer o melhor para os seus filhos?.. O bem da família real depende na verdade do bem nacional.
E é por isso que contrapõe que a comunidade é actualmente capaz de se defender sozinha, no quadro da actual “sociedade da informação”. Direi que isso pode ser verdade, mas apenas se a comunidade nacional tiver recursos materiais para deter os meios globais de informação. Não é o caso português, apesar da promessa de união de esforços de uma Comunidade Lusíada (de países de língua portuguesa).
Mas, ainda assim, duvido que a “sociedade da informação” nos possa tornar a todos capazes de tomar decisões informadas, tornando desnecessária a monarquia como instituição de segurança. As campanhas de eleição dos presidentes atingem hoje somas astronómicas. Em países como os EUA, as somas atingiram já o grau da obscenidade, sendo ali apenas largamente conhecidos, e por isso eleitos, os candidatos que beneficiam do apoio de poderosos sindicatos financeiros. Os mesmos sindicatos que, hoje, já são capazes de fazer eleger governos em qualquer ponto do planeta. Esse é alias um dos segredos do poderio Americano no mundo.
Mas ainda há quem resista. Em 1905, os noruegueses conseguiram resistir aos suecos, como referi. Recentemente, e já perante os desafios da globalização, também os espanhóis conseguiram resistir, referendando a Monarquia, que até lhes trouxe a democracia. E os australianos fizeram recentemente o mesmo, em referendo, confirmando a Monarquia. E porque é que acha que tantos povos desenvolvidos continuam a preservar a sua instituição de segurança – a Bélgica, a Grã-Bretanha, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a Austrália, o Canadá, a Holanda?... Pela minha parte, acho que esses povos insistem na Monarquia porque ainda não desistiram de querer ter a última palavra acerca do seu destino colectivo.

Scott disse...

É engraçado como para algumas coisas os exemplos que dá são povos tão civilizados e para outras, por exemplo a interrupção voluntária da gravidez, não são exemplo para ninguém. Bem sei que o assunto não tem nada a ver com a monarquia, mas é tão engraçado discutir estas coisas com conservadores.

Portanto, um Rei é bom porque é criado para ser "Líder" da nação, tem formação/educação especifica para isso, e quererá sempre o bem para os seus filhos (a nação). O passado e o presente estão cheios de reis plenos de virtudes e exemplares em todas as suas acções.
As eleições são despesistas (adoro este argumento aplicado ás democracias). Portanto a CAsa real não gasta um tostão ao erário público. O passado e o presente estão cheios de exemplos disso.
A parte da livre vontade dos povos de escolher quem os representa por via de eleições democráticas é apenas um pormenor em todos os aspectos virtuosos de uma monarquia vs república.

Moral da história (na perspectiva de um monárquico): mais vale uma pessoa educada para ser Rei sem nunca ter sido eleita; do que um presidente sem educação, mas eleito por maioria.

Lutarei até à morte para vivermos num estado democrático onde pessoas como vocês possam exprimir essas ideias absolutamente antidemocráticas. Mas esse estado será Republicano.

Pedro disse...

Obrigado Scott, nada mais há a acrescentar. Aliás, dizia um cientista americano, o Stuart Pimm, que não certos assuntos nem merecem ser discutidos, pois não merecem sequer a atenção que uma discussão lhes trás. Obviamente é o caso da monarquia.
Fico muito infeliz por saber que ainda existem pessoas dessas em Portugal, mas afinal, também exite o PNR... resta-nos a satisfação de saber que são poucos!

Democracia e liberdade para sempre. E sim, era capaz de dar a minha vida para garantir que Portugal continuará a ser um país regido por esses dois valores maximos no futuro.

rc disse...

Acho que estão todos a exagerar e muito.

Nem um estado republicano é um modelo de virtudes (por oposição à ideia de que um monárquico não o é) ou exemplo de democracia (a nossa, a portuguesa, não é com certeza uma república decente neste aspecto), nem uma monarquia é igual à falta de liberdade ou à falta de democracia representativa. Nem um presidente se sustenta a si próprio ou à sua família, nem um rei vos obriga a ajoelharem-se. Estão a confundir tudo, a usar modelos de monarquias e repúblicas absolutamente primários...

Há muitos exemplos de monarquias que funcionam bem melhor que a nossa república manhosa, assim como há exemplos de monarquias que não fazem falta nenhuma a ninguém. (se bem que eu arriscaria dizer que neste momento há muitas mais repúblicas piores do que monarquias piores, mas enfim...)

Eu gostava é que me explicassem essa treta do "lutar até à morte" ou de "dar a vida" por manter uma república democrática como a portuguesa actual, que tem de ser mudada e muito. É aí que eu adorei a ideia de "Restaurar a monarquia", dos 31 da Armada: abrir o espaço de debate sobre estas questões, e não o dizer que há assuntos que não merecem ser discutidos.

Rui Tavares disse...

O título despertou-me a atenção, e o texto confirmou que estamos aqui no domínio do inenarrável. As ideias que aqui se têm exprimido contra a monarquia são na verdade muito primárias, revelando uma grande falta de formação cultural e histórica. Resta-me felicitar a pachorra pedagógica de alguns dos monárquicos que aqui vieram. Mas, perante conteúdos e argumentos deste calibre, não sei se não será tempo perdido...

SOTT disse...

A coisa é tão simples, que se torna confrangedor estar a discutir. Um ponto tão simples:
República: elege-se pessoas/representante supremo do estado.
Monarquia: a pessoa é seleccionada com base na família.

Para além disto, é inútil discutir virtudes e defeitos da república e da monarquia. Só este ponto basta para eu, e só exprimo a minha opinião, não há mais nada a discutir.

E para esclarecer: dou a vida não pela república, mas podermos viver numa democracia em que todos (incluindo os monarquicos) possam exprimir a sua opinião.

E como já começo a ficar farto que me chamem estúpido, a todos vós que se sentem intelectualmente superiores e cheios de argumentos (ainda não ouvi nenhum, excepção feita ao comentário anónimo) cito as imortais proferidas na varanda de S.bento: vão todos bardamerda!

Anónimo disse...

Nos países desenvolvidos, e em termos de resultados práticos, o que hoje distingue as comunidades políticas com instituições reais das que têm presidentes na chefia do Estado, creio que é fundamentalmente o seguinte: com a Instituição Real, as comunidades estão melhor protegidas contra a tendência para o poder ilimitado das oligarquias financeiras.

As chamadas "Republicas" são, desde a Antiguidade (República romana, como modelo de referência) os regimes da aristocracia, que já foi terratenente e hoje é sobretudo financeira. Antes, as aristocracias terratenentes preferiam que o poder estivesse no Senado, enquanto hoje preferem que o poder esteja no presidente, precisamente porque através da sua eleição por sufrágio universal, ganha quem maior capital e meios de propaganda conseguir mobilizar para arregimentar as massas ignaras. No actos eleitorais dos presidentes, é o poder financeiro quem garante às oligarquias a sua supremacia. A história das eleições presidenciais americanas - onde o moderno sistema de domínio das oligarquias financeiras se encontra mais avançado - demonstra-o plenamente.

E, isto tem pouco a ver com pedagogia, como sugeria Rui Tavares. Trata-se apenas de lançar aqui na discussão, conclusões que se podem retirar dos mais recentes estudos sobre as eleições contemporâneas. E, do modo como se exerce o poder das oligarquias financeiras no plano dos Estados...

Pedro disse...

Finalmdente vejo um ponto interessante.
O anónimo (peço desculpe mas não tenho outra forme de o nomear), levantou a questão de as republicas serem vitimas dos traficos de influencias oligarquicos. Obviamente é uma questão pertinente, trata-se de uma das formas de corrupção mais obvias nas democracias modernas.
Contudo, não vejo como uma monarquia é melhor nesse aspecto, pois também a nobreza é vitima das influencias economicas e quantas vezes nas histórias das monarquias estados inteiros foram vitimas de interesses economicos que só beneficiavam a sua nobreza, trazendo sempre prejuizo para o povo?

Penso que as elições garantem sempre um nivel de controlo da população sobre esses mesmos interesses oligarquicos, sendo para isso necessario uma sociedade muito bem informada, bem educada e esclarecida. Sem eleições seriamos sempre reféns das opiniões de um monarca e da sua oligarquia nobiliárquica de estimação. Já um presidente terá sempre de enfrentar o julgamento das urnas passados 5 anos. É aí que reside o maior avanço que a humanidade efectuou desde os tempos das monarquias totalitárias. As monarquias modernas já incluem um governo independente, e sujeito a votos. Contudo, para completar esse avanço os estados podem acabar definitivamente com a monarquia e ter um chefe de estado também ele escolhido pelo povo, chegamos assim às democracias republicanas modernas. Não faria sentido voltarmos para trás neste passo decisivo. Passo que garantiu um governo, como dizem os americanos, do povo, pelo povo e para o povo. A única opção aceitavel numa sociedade moderna, equalitária, e livre.

Será mesmo coincidência que dos 13 estados mais importantes do mundo (o G13), só um é uma monarquia (o Reino Unido) e um segundo é também subdito da mesma monarquia (o Canadá)?

Estamos no seculo XXI, não no seculo XI!

Anónimo disse...

Para um monárquico, mais importante que o poderio económico ou a dimensão dos estados, conta muito mais o nível de desenvolvimento humano das sociedades, avaliado em termos de riqueza, educação e esperança média de vida (uma maneira padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população, segundo a ONU). E, por isso, respondendo à sua diatribe do G13, aí fica registada a lista dos 13 países no topo dos países de “alto desenvolvimento humano”, segundo esse critério em 2008:

High Human
 Development:
Iceland
Norway (Monarquia)
Canada (Monarquia)
Australia (Monarquia)
Ireland
Netherlands (Monarquia)
Sweden (Monarquia)
Japan (Monarquia)
Luxembourg (Monarquia)
Switzerland
France
Finland
Denmark (Monarquia)

Em termos de desenvolvimento humano, segundo os critérios da ONU (http://hdr.undp.org/en/statistics/ ), temos assim que, nos 13 primeiros lugares, figuram 7 (!) monarquias. E repare que nem vale a pena falar do recente colapso financeiro da Islandia, mostrando-nos a fraude em que tudo aquilo acentava - em relação à dimensão da sua economia, o colapso dos bancos da Islândia é o maior da história económica (
http://www.economist.com/world/europe/displaystory.cfm?story_id=12762027).

E, curiosamente, falou do Canadá, precisamente o país que detèm hoje, segundo muitos economistas, o sistema financeiro mais sólido do mundo: bem regulado e controlado, num Estado... que tem a Instituição Real está no topo da sua hierarquia.

Qualquer cidadão medianamente atento, sabe que têm sido as famílias reais da Europa a liderar e a lançar alguns dos movimento ambientalistas e ou de preservação dos patrimonios monumentais, culturais e artísticos dos seus países. Em Portugal, Dom Duarte de Bragança, não é pois uma excepção no quadro europeu. A atenção ao bem-estar das populações, passa também por aí.

Os reis preocupam-se com o património e com as pessoas, porque a sua posição na sociedade não depende do dinheiro, antes do bem comum que conseguem promover na sociedade. E isso é assim precisamente porque não dependem do voto e das oligarquias financeiras que o disputam em eleições gerais. Repare que os reis europeus são regra geral municipalistas, isto é, defendem as instituições onde os eleitos estão próximo dos cidadãos, e onde estes têm maior possibilidade de controlo sobre os eleitos. A democracia partidocrática em Portugal tem sido um travão ao desenvolvimento do municipalismo, e é por isso que D. Duarte não se tem cansado de apelar à eleição de cidadãos sem partido. Os reis dependem dos cidadãos e não das oligarquias, porque dependem das comunidades com História, representando um elo vivo de ligação entre as sucessivas gerações que estão unidas em torno do que amam - a sua PÁTRIA. E, nas sociedades humanas, a verdade é que ainda não se inventou melhor instituição no plano dos Estados, para as proteger.

Creio que valeria a pena interrogar-se, com sinceridade: porque é que são as Monarquias a deter os maiores índices de desenvolvimento humano?

Anónimo disse...

Adenda: segundo muitos analistas, mas também segundo os critérios do FMI, o Canadá é o país com o mais sólido sistema financeiro do mundo...

ver ligação

http://macedoniaonline.eu/content/view/6867/52/

SCOT disse...

Ora, finalmente um monárquico interessante com argumentos. E argumentos interessantes! Bem-haja só por existir.
O mais curioso é que concordo com a análise geral que faz, incluindo oligarquias, estados corruptos, políticos de meia-tijela (sou eu que o digo), etc.
Só divergimos na resposta/solução ao mesmo problema.
Uma república, aliás, um estado, pode e deve ser melhorado com a participação dos cidadãos, com o fortalecimento do poder judicial, com a livre imprensa, e mais mil e uma coisas que qualquer bom democrata - como considero a maioria dos monárquicos sérios - conhece. Não me passa pela cabeça que para corrigir os defeitos referidos a solução seja eternizar no poder uma família. Que sejam os cidadãos a decidir quem lá querem. Esse e só esse é o argumento fulcral.
Quer a listagem do G13 quer a lista dos países de topo no índice de desenvolvimento humana pecam por tentarem fazer corresponder politicas económicas, sociais, ambientais, finananceiras, entre outras, ao regime. Em boa parte dos países, quer o Presidente da República, quer o Rei/Rainha, tem de facto poucos poderes legislativos, cabendo tal tarefa ao Governo (Primeiro-ministro). Ou seja e resumindo a coisa: podemos achar todos as coincidências do mundo em todos rankings e estatísticas, tentando comparar quem é quem em monarquia e República. Mas a verdade é que a maior parte dessas estatísticas e rankings tem que ver com politicas governamentais (membros eleitos)e com factores sociais, históricos etc.

Parece-me pouco ter como argumento para se instaurar uma Monarquia o facto de na República haver Oligarquias, corrupção e afins. Parece-me pouco porque tudo isso continuará a existir em monarquia. Porque tudo isso vive e depende do chamado "sistema" e não na figura suprema da nação. Se tal não fosse, todas as nações monárquicas seriam líderes do Desenvolvimento Humana, do G13, sem corrupção nem todas as maleitas que afectam uma República.
até tenho alguma simpatia pela figura do Sr. Duarte, é simpático.. e tem ajudado algumas causas, honra lhe seja feita. Não faz mais do que o dever de qualquer bom cidadão de uma República. Ele está a dar um excelente exemplo do que os cidadãos podem fazer para melhorar este Estado.

Anónimo disse...

Agradeço o cumprimento do Scott, que tomo como extensível à grande maioria dos monárquicos portugueses que conheço. Não a todos, bem entendido, porque sei que também há “monárquicos”, embora ínfima minoria, defendendo a ideia monárquica porque sonham vir um dia a eternizar os seus “berços de ouro”. Servem mal a causa real e, sobretudo, servem mal Portugal.

Sou monárquico, sim, mas não defendendo que “a solução seja eternizar o poder uma família”. Não é isso aliás o que define o ideário da monarquia, em especial a portuguesa, onde o princípio da deposição foi aceite e exercido várias vezes (D. Sancho II, D. Afonso VI, Filipe III), e até devia ter sido exercido pelo menos uma vez mais, na minha opinião, em D. José I. O principio da deposição, e não apenas da abdicação, foi aceite na tradição portuguesa porque, entre nós, sempre foi maioritária a ideia de que o rei é o primeiro servidor da República (coisa pública). Pelo mau exercício do poder, ou por manifesta incapacidade, o rei pode e deve ser deposto. E foi.

A regra, porém, deverá ser a da hereditariedade na transmissão do cargo régio. É aí que reside a força da Monarquia, pois é pelo principio da hereditariedade que se faz coincidir o interesse da dinastia com o interesse nacional. Referi atrás esse aspecto ao perguntar: “qual é o pai que não quer transmitir a melhor herança possível aos seus filhos?”

Ao reis, os antigos chamavam “o procurador dos descaminhos do reino”. Creio ser essa a sua função primacial. Insubstituível. E a qual os presidentes não estão em condições de cumprir. Fazem parte do jogo político. Pertencem a uma das equipas. Não podem ser árbitros.

A circunstancia dos países europeus com monarquias apresentarem tão elevados índices de desenvolvimento humano deve fazer pensar. Pela minha parte, também acho que isso sobretudo se deve às políticas dos governos. Mas, os eleitos não se podem separar dos eleitores. Ora estes não dispensam a suprema magistratura régia, como ainda recentemente se viu no caso da Austrália.

É uma questão cultural. Esses povos têm sido capazes de aliar tradição e modernidade.

A minha experiência de vida permitiu-me o contacto directo com a vida de alguns desses povos que não prescindem da monarquia. O que aqui posso dizer é o seguinte: o sentimento geral é o de que a família real é um património de que seria tolice desfazerem-se. No topo do estado, a sua independência é a sua maior força. E é por isso que são muito respeitados -não dependem dos partidos e dos votos. São factores de unidade nacional, tanto simbolicamente como e efectiva. Funcionam como cimento agregador.

Umas vezes agregam diferentes comunidades linguísticas e culturais (como na Bélgica e na Espanha), outras vezes ligam povos independentes em diferentes continentes (caso da família real britânica). Nós desperdiçamos estupidamente esse património, não tendo hoje, por exemplo, uma instituição real capaz de unir os povos de língua portuguesa.

Enfim, ouve-se por vezes dizer que os povos têm os governos e os regimes que merecem.
Não sou tão fatalista. Os portugueses têm que começar a pensar pela sua própria cabeça.
Será que seremos capazes de arrepiar caminho e emendar o erro? Creio que os portugueses teriam muito a ganhar com isso, se fossem capazes de ultrapassar um preconceito que interessadamente entre eles foi disseminado. O preconceito do voto. Que serve magnificamente à agiotagem politica – “quem vier atrás que feche a porta”.

Fui “republicano” até aos trinta e tais. Cheguei à monarquia pelo estudo e, sobretudo, pela experiência de vida, no contacto com diferentes povos.

Despeço-me, mantendo o anonimato. As boas ideias não precisam de autor. Valem por si. Se fiz pensar, mesmo que não tenha convencido, já fico muito satisfeito.

Pedro disse...

"Agregam diferente comunidades linguisticas e culturais, ex. a espanha"

Desculpe, mas alguma vez esteve em Espanha? A Espanha é dos países menos coesos da Europa, pois grande parte da população não se considera subdita do poder (monarquico) de Madrid... Não seja absurdo

Quanto à sua lista, está correcta, contudo está a confundir a causa e o efeito. Por esses países serem ricos, e pacificos é que a população não tem o estimulo para quebrar com o passado e acabar com as suas monarquias. Não são as monarquias que os fazem ricos e pacificos. Aliás isto está bem estudado por vários sociologos. Se é tão estudiosos talvez deve~se estudar isso também.

Mas se quer tanto lamber os pés a um Rei, porque não se muda para um desses países e nos livra das suas posições retrogradas e fascizoides em Portugal e nos deixa em paz com o magnifico país que temos?

Tenho dito!

P.S. Acha mesmo que numa eleição livre, D. Duarte teria mais que 1 ou 2% dos votos contra cavaco Silva ou Manuel Alegre?
Ora pois aí tem o principal argumento contra a monarquia!

Rui Tavares disse...

Caríssimo "anónimo",

Como se vê, eu tinha razão. V. perdeu o tempo e o feitio. Aqui, você está mesmo a lidar com um atrasado mental. O texto era um indicio. Os posts, confirmações. Este último post do Pedro, então, diz tudo quanto é preciso saber acerca dele.

Apenas um exemplo: Espanha mantém-se unida em torno da monarquia, mas isso que importa para este iluminado.

Portugal é realmente um "magnífico país". Com portugueses destes, temos o que merecemos, e a nada mais podemos aspirar. Mediocridade e apagamento. Os romanos já tinham conseguido dominar isto, porque não haviam de conseguir os americanos?

Francisco disse...

Sempre que há uma manifestação ou greve, milhares de portugueses, e o Estado, sofrem avultados prejuízos. Quando a extrema esquerda desenvolve acções de “insurreição civil”, partem-se montras, sujam-se fachadas de edifícios com “palavras de ordem”, em suma, prejudicam-se terceiros, muitas vezes que nada têm a ver com o que está em discussão.

O que enerva os republicanos, em especial da esquerda trauliteira é a constatação que os monárquicos são capazes de ser irreverentes, ganhando espaço comunicacional, com humor, fair play, e sem prejudicar ninguém.

Pedro disse...

Quantos mais comentários monarquicos aqui vejo mais me apetece rebolar no chão a rir!
Mas em portugal a noção de rídiculo é algo de desconhecido...

Com tanto beto neste país é uma diversão sem fim