sábado, agosto 29, 2009

Mas que vem a ser isto?

Ontem abri a caixa do correio, aqui em minha casa em Barcelona, e qual não foi o meu espanto quando encontro uma carta do PSD. Sim esse partido que não sabe se é de centro, se de direita, se de esquerda, e que sonha um dia voltar ao poder aí no burgo.
Depois do primeiro choque, veio o segundo choque, no interior havia uma fotografia de Manuela Ferreira Leite. Quase caí, fulminado no chão de horror, mas depois de uma visita rapida à casa de banho e de ter confiado ao esgoto o conteúdo do meu estomâgo consegui voltar a mim.
Começei a pensar, mas que vem a ser isto? Mas como chegou esta merda (sim MERDA) aqui. Depois lembrei-me, claro, obtiveram as moradas dos portugueses no estrageiro através dos consulados. Em primeiro lugar, isso significa que os meus dados pessoais, que eu esperava seguros nos sistemas consulares estão na verdade disponíveis para qualquer seita ou facção de loucos em Portugal. Convenhamos que o PSD não está sequer no governo, porque raio haviam de ter acesso às moradas dos portugueses no estrangeiro? Em segundo lugar: que nojo, que nojo, que nojo, sinto-me sujo, violado, quem raio pensam que são os gajos do PSD para mendar esta merda para minha casa? Para a minha privacidade?
E já agora, gostava também de saber quem foi que investiu o dinheiro necessário para mandar uma carta para cada um dos milhões de portugueses que vivem fora do país? Será gasto do partido em causa ou será que o fazem via consulados através dos boys que por lá meteram quando estavam ainda no governo? O dinheiro saiu dos cofres do partido ou do bolso de todos nós? Seria talvez bom haver uma boa investigação sobre isso...

Sinto-me repugnado e enojado, e não só por causa da fotografia daquila criatura do Inferno! Queria só agradecer porque me ajudaram finalmente a decidir em quem vou votar nas legislativas. Ainda não tinha a certeza em que partido de esquerda votaria, ou se votaria até em branco. Agora está decidido: voto PS para exterminar qualquer hipotese dessa gentalha repugnante voltar ao poder. Para mim, abriu a época de caça à laranja!

12 comentários:

Princesa Canela disse...

Isso de chamares ao PS partido de esquerda é capaz de ser um efeito secundário do choque, não? Vou tendo sólidas certezas de que este governo PS conseguiu ter medidas sociais mais à direita que os governos PSD anteriores (está à vista). Vá, recompõe lá o estômago convenientemente que isso vai passar e tudo será claro. ;) Ah, e não queres ponderar fazer uma denúncia à Comissão Nacional de Protecção de Dados? Bom fds!

Maria João Pereira disse...

Concordo com o comentário anterior. É melhor refazeres-te calmamente do choque e pensar bem no que pode ser um voto útil. Ainda não sofreste a mesma invasão da parte do PS porque ou estão distraídos ou a carta extraviou-se...

Nuno Castanheira disse...

Caro, quando toca ao voto, lembro-me sempre do Herman: as opiniões (no caso, os votos) são como as vaginas, quem quer dá-la, dá-la. Eu acrescento: a quem lhe apetece. Mas deixo-te um conselho: toma um Gurosan, dorme um pouco, come qualquer coisa e, depois, pensa melhor nisso. Sabes que é tua, podes dá-la a quem quiseres, mas... padrõezinhos upa, upa, por favor!!! :D. Grande abraço.

Pedro disse...

Possivelmente têm razão... por outro lado cada vez suspeito mais que o risco de voltar a ter o PSD no governo justifica um voto no PS. Mesmo que não partilhe a minha posição política com esse partido e mesmo que por vezes fujam para a direita.
Utilizaria uma analogia matemática. O 0 pode não ser um numero positivo, mas sempre é menos negativo que o -1...

Aceito que escrevi o post num momento de furia. Ver nas mãos uma foto da Manuela Ferreira Leite pode deixar marcar para o resto da vida. Mas foi mais um passo na decisão de escolha de voto numa eleição em que me parece muito dificil, ainda que importantissimo, escolher em quem votar!

Anónimo disse...

Achar que este governo é de direita é, como se diz na minha terra, de uma ignorância do Caralho! Vão-se lá informar um bocadinho sobre todas medidas sociais que este governo tomou, vão lá consultar umas estatísticas ao INE ou vão ao blog Simplex (http://simplex.blogs.sapo.pt/ - uma perspectiva facciosa alguns dirão) aprender uma coisas,epá, enfim, informem-se. Critiquem este governo como quiserem porque tem inúmeras coisas para se criticar. Demasiadas para o meu gosto. Mas achar que é um governo de direita no que toca às medidas sociais é pura e simplesmente estúpido e ignorante. Da mesma maneira que conisderar que o PS não é um partido de esquerda. Interrupção voluntária da gravidez, por exemplo. Conhecem muitos partidos que não sejam de esquerda a "pegar" neste tipo de temas e a fazer a mudança que se fez em Portugal nos últimos anos? Digam mal do Governo pelo que fez de mal ou não fez, mas não digam coisas só porque no café agora é moda dizer que isto é um governo de direita.

Pedro disse...

Calma lá. Nem o PS é o maravilhoso partido de esquerda que toma sempre as melhores decisões em prol do povo portugu~es do An+onimo, nem tão pouco é um partido de direita trauliteiro e ultrapassado como os restantes comentários sugerem!

Tem feito muito bom trabalho em areas como as energias renovaveis e a justiça social e provavelmente as medidas economicas que tomaram tanto antes como depois do inicio da "crise" foram as mais acertadas para segurar a economia portuguesa. Tb têm feito muita asneira, na justiça, na educação (as propinas das universidades publicas triplicaram!!) e noutras areas da politica ambiental...

Tudo resumido são muito preferiveis aos verdadeiros partidos de direita... mas têm uns quantos tiques de direita que podiam ser acalmados num parlamento com forte presença daqueles que lhes ficam mais à esquerda (sobretudo estando quase certo que o proximo governo do pais será minoritário).

Para mim a escolha entre o PS e um voto mais à esquerda não é nem obvia nem simples. É uma decisão extremamente importante para o país e tem de ser tomada cautelosamente e ponderando bem os possiveis resultado eleitorais.
Neste momento a minha tendencia de voto está a tender mais para o PS, mas pode ainda virar à esquerda até às eleições. Acima de tudo o importante é manter a direita longe do governo, para bem de todos nós!

Anónimo disse...

À excepção do código de trabalho, onde melhor podia ter sido feito, diz lá 2 ou 3 exemplos de politicas de "direita"(*) deste governo?

Pedro disse...

Os ditos aumentos das propinas nas universidades...
A redução do numero de centros de saude no interior...
E sobretudo o dinheiro estourado a salvar bancos. Podem dizer que é para salvar o dinheiro do povinho que lá tem uns trocos, mas queles milhões todos acima de tudo salvam os mesmissimos cabrões que causaram a situação toda e que entretanto já puseram ao bolso uma boa parte desse dinheiro... O tal povinho continua sem ver o seu!

Claro que isto comparado com as politicas de um eventual governo da Manelinha é um balsamo...

Anónimo disse...

Vê quantas unidades de saude familiar novas abriram. A restruturação dos serviços de saude resultou em mais população servida com centros de saude e a menos de 30 min de urgencias hospitalares. Por isso foi uma reestruturação baseada num documento feito por especialistas independetes. O serviço de saude melhorou. Mesmo com alguns centros de saude fechados. Só as camaras municipais que se recusaram a fazer acordos com o governo (caso daquela no Norte que nao me recordo do nome, cujo presidente era o maior labrego à face da terra) é que ficaram pior.

A cena dos bancos é pura demagogia tua. Não foi para salvar o dinheiro do zé povinho, foi para evitar o colapso do sistema financeiro português. Se não se salvasse os bancos, quanto é que o estado teria que gastar em ressarção de depósitos e acudir outros fogos? Não concordo com a medida, mas se fosse eu a decidir teria feito o mesmíssimo.
O zé povinho que tu dizes que ainda não viu o seu, são zés com depósitos de dezenas de milhar de euros e investimentos vários. Não lhes chamaria propriamente zé povinho. E o problema no meio disto tudo está na justiça. Olha o madoff: crime, acusado, julgado, choldra.Nós só daqui a 2 ou 3 anos é que se calhar temos veredicto. O probelma da justiça não é ser direita ou esquerda: é um problema que tem que ser resolvido.

As instituições de ensino superior têm autonomia financeira. Ou seja são elas que decidem o valor das propinas, não o estado. O governo poderá indirectamente condicionar esse valor ao diminuir o montante atribuído pelo orçamento de estado. As propinas nas universidades são elevadas porque a grande maioria tem uma gestão incompetente, onde abunda desperdício de recursos, principalmente em salários de pessoal docente que não faz puto da vida mas que, de acordo com o estatuto da carreira docente, não pode ser despedido. Fossem os reitores capazes de despedir uns quantos docentes e algumas Universidades entravam nos eixos. Veja-se o caso da Univ de èvora há 1 ou 2 anos.

É de tanto de se dizer que a terra é quadrada a malta acredita mas ninguém pára para pensar se será mesmo assim. Agora é moda dizer que isto é um governo de direita, e pronto, diz-se sem se pensar. Aliás, esse discurso vem do PCP e do Bloco para quem, claro está, além deles é tudo direita.

Pedro disse...

Ok, fiquei mais ou menos convencido nessas questões. Mas então responde só a mais uma?

O governo PS, assim como a grande maioria dos governos europeus, para não dizer todos, acredita numa economia baseada no tristemente famoso neoliberalismo economico. A mesma visão manietada do mundo que levou à crise actual e que levará a mais crises, possivelmente com frequencias e gravidades cada vez maiores à medida que o objectivo impossivel do crescimento economico positivo eterno, choca de frente com o facto obvio de que os recursos não são ilimitados e a economia, na sua base, dependerá sempre desses recursos.
Do meu ponto de vista enquanto não houver uma clara mudança civilizacional que tenha este facto em conta continuaremos a dirigirnos inevitavelmente para o abismo, quer financeiro quer ecologico.

Posso (e possivelmente irei) dar o meu voto a esse governo numa prespectiva de 4 anos, de curto prazo e de vistas curtas, mas no fundo sei, e sei-o demasiado bem até que será sempre um mero adiar do problema por mais 4 anos, um atrasar uma decisão que já devia ter sido tomada. Assim, do meu ponto de vista, é no fundo uma imensa irresponsabilidade moral e civica da minha parte continuar a votar neste tipo de politicas quando sei com base tanto nos meus conhecimentos como no que sinto no meu amago que a única solução seria um corte raso com a realidade actual.

Se me disseres que deste ponto de vista profundamente ideologico não existem alternativas viáveis entre as forças que irão a votos dia 27, terei de concordar contigo. Mas terei também de fazer constatar que é foi esse mesmo eterno e constante apostar no mal menor e fugir a uma quebra real com principios que estão errados que nos trouxe até onde estamos...
No fundo, nas palavras do eterno João Pinto, "estavamos à beira do precipicio, mas demos uma volta de 360º"

Anónimo disse...

Não é verdade que este seja um governo neoliberal. Percebo o teu ponto de vista e o que queres argumentar, mas isto não é um governo neoliberal. E os governos europeus variam muito entre eles para serem todos considerados neoliberais.

Eu acho que do ponto de vista ideológico não poderia haver maior diferença e alternativa entre todos os que vão a votos no dia 27-

Um PCP decrepito e a viver no século passado, cujo líder da bancada parlamentar tem dúvidas que Cuba seja um ditadura.

Um BE altamente demagógico e completamente afastado do que é a acção governativa. Veja-se o caso do vereador Sá Fernandes.

Um PSD cujo programa de "página A4" não tem uma ideia/pensamento para o futuro do país, cuja lider acha que o csaamento é para ter filhos; que as obras publicas só dao trabalho a cabo-verdianos; e que se devis suspender a democracia por 6 meses.

Um CDS a agitar as bandeiras demagógicas do desemprego/criminalidade/emigração.

Um PS cheio de defeitos mas com uma visao moderna do pais do seu futuro, com um ímpeto reformista e progressista.

Para mim não podia haver maior diferença.

SCOT disse...

sobre a carta da Manela, vê o

"...ponto 2 do artigo 4º do decreto lei nº95-C/76 de 30 de Janeiro referente à organização de processo eleitoral no estrangeiro..."