quinta-feira, setembro 07, 2006

Quintas-feiras culturais XXVIII

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

5 comentários:

Aisling disse...

Ah... Não há nada como a poesia de Fernando Pessoa, eu gosto especialmente do ortónimo:

'Dorme enquanto eu velo...
Deixa-me sonhar...
Nada em mim é risonho.
Quero-te para sonho,
Não para te amar...'

Desculpa a invasão, mas não resisti! ;)

Pedro disse...

invade quando quiseres

Kaya Barros disse...

muito lindo mesmo... :-) Voltarei aqui mais vezes!

beijos

www.kaya-barros.blogspot.com

magarça disse...

O poema oportuno para o meu domingo.

Zorze disse...

Bonito, amigo. Boa escolha, aliás, como sempre! Abraço alienado!!!