terça-feira, setembro 13, 2005

Às Páginas Tantas


Ontem já é tarde, deixei para amanhã
Amanhã ainda é tarde, não digas a ninguém,
Dizes verdades ditas ao ouvido de alguém,
A tarde já se fez noite, e é já quase manhã

Um dia acordei na manhã do mundo. Os mares estavam ainda meio cheios, as montanhas ainda meio erguidas. Até o céu estava ainda a meio caminho do firmamento. Todo o mundo estava incompleto, inacabado, até eu estava ali meio, faltava-me ainda metade, um meio pra lá chegar.
Corri como louco, por florestas de meias árvores, corri por prados onde meias vacas pastavam as ervas meias. No céu duas meias aves gritavam, chamando a minha atenção para uma raposa. Uma raposa inteira. Ela chegou-se a mim e disse apenas:

Ontem já é tarde, não digas a ninguém
Dizes verdades ditas, e é já quase manhã

6 comentários:

Freaky disse...

Aaaaaah, Dali... Que bom.

Pedro disse...

Estava a ter uma manhã surreal... saiu isto!

Freaky disse...

E saiu-te lindamente. O Kundera também se safou bem no inevitável, uma das minhas obras eleição, nada mais dele consegui gostar, "que nem hermafrodita, dividida em duas partes, procuro errante a outra metade de mim" ;)

Pedro disse...

Enfim... Comparar isto ao Kundera é ridicularizar o que eu escrevi. Não está sequer no mesmo Universo!
Mas obrigado!

Paulo disse...

surrealmente bom, diria

Freaky disse...

De todo, está apenas a fazer uma referância ao nome do teu blog, tlavez tenha feito uma má analogia, nevermind!!!... Estava longe de ser um exercício de comparação. De nada!