sábado, setembro 03, 2005

O mar


Estava à beira-mar, com o espraiar das ondas a varrer suavemente os meus pés, quando me interrogei, qual será esse fascinío provocado em nós pelo mar. A verdade é que o mero acto de olhar para o oceano faz-me sentir bem, é como que um bálsamo para os stresses da vida, ou talvez para a vida dos stresses.
Poderá ser o seu infindável movimento, as ondas incessantes que não param de mudar o mesmo cenário azul, dando-lhe mil formas diferentes? O lento murmurar das marés, que nos fascinam pela lenta certeza com que regulavam a vida à beira-mar? Talvez sejam as velas que avistamos no horizonte, promessas de viagens e de locais exóticos?
Provavelmente é tudo isso, como pode ser nada também. Acho que é a sua mera grandiosidade, a enormidade de uma massa de água revolta que nos ocupa todo o horizonte, mesmo sabendo nós que ele se prolonga muito mais além. É a ideia da sua profundidade, a sensação clara de que o seu leito poderia engolir mil orgulhosas civilizações. E é também o respeito, o respeito dos jovens pelos idosos, o respeito, talvez, da presa pelo seu predador, é o saber que ele ainda ali estará muito depois da nossa morte, sempre igual, sempre diferente. É a nossa própria pequenez gritado em estado líquido. Porque o mar é vida, sempre em movimento.

6 comentários:

Ana disse...

Curiosamente, eu sinto mais a minha pequenez na terra da minha mãe, quando me sento na erva e contemplo os montes que me rodeiam e o silêncio que os habita... But it's the same feeling exactly.

NoKas disse...

uau! é mesmo isso! é um fascínio que não se explica! eu sou uma apaixonada pelo mar, e não consigo explicar porquê! mas tb me apaixonei pelas planícies do alentejo! mmmmm memso assim o meu mar ganhou!

Tripeiro de Roterdao disse...

Pelos vistos ninguém sabe explica ro fascínio pelo mar...
Será tb porque este se nos apresenta tal como a vida? Um dia calmo, noutro dia furioso, um dia connosco a saborear a onda, no outro a ser engolido por ela?
Nao sei, mas aki de Roterdao é difícil nao conviver tanto com o mar. A depressao aproxima-se mais facilmente e se nao corremos até ao mar (mesmo que seja em dias cinzentos), corremos o risco de nos deixar engolir pelas ondas da vida...

Obrigado pela tua visita!

Pedro disse...

Engraçado como todos parecemos sentir o mesmo perante o mar.
Uma vez passei um mês no Uganda, que não tem mar, mas não fazemm ideia como me senti bem ao visitar, já no final desse mês, o Lago Vitória, que por ser enorme dá a ilusão de ser o mar.
Claro que quando voltei a Portugal fui logo à praia!

NoKas disse...

bem, ainda n passou o spam por aqui! cuidado... ele anda aí! ai socorrroo.... daqui a nada aí vem ele!

Pedro disse...

pois... por enquanto tenho tido sorte!
Eu só descobri que já havia Spam nos blogs à pouco tempo, quando começou a aparecer às carradas no blog do Zorze.