segunda-feira, agosto 14, 2006

Timing

Toda a gente já ouviu falar dos sete pecados mortais, quanto mais não seja por terem visto o filme "Se7en". Seriam aqueles pecados que nos garantiam automaticamente um bilhete directo para o Inferno. São eles a avareza, a gula, a luxúria, a preguiça, a ira, a inveja e a vaidade. Acho que não conheço nenhuma pessoa que não os tenha cometido já a todos, numa ocasião ou outra, por isso, se o catolicismo estiver certo, lá nos encontraremos todos no Inferno.
Menos conhecidas são as sete virtudes, que teriam como função manter os crentes fora do Inferno. São elas a generosidade, a abstinência, a pureza, a diligência, a paciência, a compaixão e a humildade. Mais uma vez, penso que todas as pessoas que conheço já demonstraram todas estas virtudes em algum ponto das suas vidas, talvez afinal vamos todos para o céu.
Abandonando esta visão tão medieval e católica da realidade, sugeriria uma outra virtude fundamental. A verdadeira virtude é o timing. Mesmo pegando nas quatorze atitudes antes referidas, e analisando-as numa prespectiva menos presa ao dualismo certo-errado, parece-me que em algumas ocasiões a atitude certa pode e deve ser um pecado capital, e nem sempre essas sete virtudes são a atitude mais virtuosa, tudo depende do timing. Há uma altura para ser guloso e uma altura para ser abstinente, uma altura para ser generoso e uma altura para ser aváro, uma altura para a luxúria e uma altura para a pureza, uma altura para a preguiça e uma altura para a diligência, etc. Deitando abaixo a dialética ultrapassanda do bem e do mal e olhando o mundo como ele é, um matizado de infinitos tons de cinzento, é o timing a verdadeira virtude, aquilo que nos faz tomar a atitude certa no momento certo. E isso aplica-se em todos os aspectos.
É o seu timing que faz do Jack Nicholson ou do Robert de Niro grandes actores, é o timing que define os grandes homens de negócios, é o timing a grande virtude dos diplomatas, até no desporto é o timing que distingue os melhores dos piores. É o nosso timing que define os momentos chave da nossa vida. O nosso timing, ou a falta dele.

2 comentários:

Filipe disse...

POr essas e outras é que eu não uso relógio.

Pedro disse...

Este foi dos melhores comments que já tive neste blog! A sério pá, mordaz e no ponto.