quarta-feira, outubro 12, 2005

Brave New World

Estive uns tempos por fora, primeiro em Sagres, depois na Irlanda, sem acesso à net, de maneira que foi impossível actualizar o blog. Por acaso foi optimo estar relativamente afastado do mundo nestas duas semanas (por motivos de trabalho), porque escapei quase por completo à recta final da campanha eleitoral das autárquicas. Pior que isso só mesmo ser obrigado a ver o programa do Goucha todas os dias durante um ano consecutivo!
Resta-me agora apreciar os resultados. Como seria de esperar em Portugal, o pesadelo comando a vida, pelo que, naturalmente, o Isaltino, o Major e a Fátima ganharam com naturalidade as suas autarquias. Espera-se ansiosamente pelas candidaturas de Charlie Manson, Adolf Hitler e George Bush Jr. nas principais cidades portuguesas, lá para 2009.
Uns grandes, grandes, grandes parabéns aos eleitores de Amarante que deixaram um leve aroma de democacria transparecer em portugal ao trucidarem a avantesma do Avelino Ferreira Torres nas autárquicas.

Lembrando a minha recente estadia na Irlanda, pensei na introdução da crença nos lepricons (pequenos duendes vestidos de verde que prometem ouro a quem os vê, mas em geral aldrabam toda a gente) em Portugal. Na verdade, tirando a parte do tamanho e das vestes verdes, fazem-me lembrar um pouco os nossos políticos. Mas claro que os lepricons não existem...






Ah! A chuva voltou e parece que agora também já temos furacões em Portugal.

It's a brave new world, but it so much resembles the old one...

11 comentários:

Paulo disse...

o povão é que sabe! fátinha ao poder! major ao poder! isaltino à presidência da associação de taxistas!

tristeza... como é possível votar naqueles anormais? uma coisa é certa, a presunção da inocência é muito apreciada pelos eleitores...

NoKas disse...

Tiveste num congresso? Tive uma amiga q aí teve, mas foi no curso do Underwood (estatística, ANOVAS e afins). Ela estava super contente com o país. Tenho k dar um salto à ilha esmeralda um dia destes! :)

Zorze disse...

Gostava que o Carlos Cruz ganhasse em Lisboa

Filipe disse...

Tu e os outros que criticam estes resultados são é uns fascizóides! Acreditam que sabem quem deveria ganhar as eleições e isto dá origem a uma coisa chamada ditadura!
O que é que vocês querem? Limitar os votos a determinadas classes sociais? Já agora porque não deixar apenas os homens votar, ou então só as mulheres, ou só os empregados, ou apenas aqueles que não vêem a tvi...
Felizmente em Portugal ainda se vive em democracia, o que implica que todos os portugueses têm o direito ao voto e a expressar o que querem e acham melhor. Os resultados, sejam eles quais forem, foram decididos por votação livre da população portuguesa e têm de ser aceites como a vontade da maioria!
Nem tu nem ninguém pode dizer que a escolha deles foi certa ou errada! É uma escolha de entre várias possíveis e ninguém sabe se irão giovernar melhor ou pior do que os outros candidatos se tivessem sido eleitos.
Façam um favor à democracia e deixem-se de críticas ao resultado das eleições, ou então afirmem-se como fascistas de uma vez!
E já agora, em resposta ao Zorze, se o Carlos Cruz fosse candidato teria o mesmo direitos que qualquer outro candidato a ganhar.

NoKas disse...

Bem, a democracia é uma ditadura, porque uma aparente maioria (muitas vezes nem a metade chega) obriga outros tantos a viver segundo as condições que eles querem.... teriamos aqui discussão até ao fim da vida... Não é este o caminho que quero tomar....

O que eu gostava de "expressar" é que os políticos que temos não são culpados absolutamente de nada. Pensando de um modo um pouco estatístico, eles são um pouco como uma amostra aleatória da sociedade que temos, e têm um valor representativo. São feijões tirados de uma saca, ao acaso! Nós somos todos como eles! O que acho que está a acontecer é um fenómeno muito estranho, em que os feijões se estão a uniformizar e pura e simplesmente não se preocupam. Mas o povo sempre assim foi, sempre se contentou com um reboçado na boca, os romanos davam-lhes circo para eles se esquecerem, nós temos o futebol... Pfuuu... Se até um país tão grande e "evoluido" como os states elege quem elegeu... Bem, a malta pode sempre contestar, importa é não ficar calado para gerar discussão e daí pode ser que venha luz. Pode até ser que eu esteja errada e que a Fátinha Felgueiras seja mto boa pessoa e não tenha sacos azuis ou que o Isaltino não tenha contas na Suiça. Às tantas... sei lá! O bom da democracia é que toda a gente pode gritar, eles podem ser eleitos, mas nós não temos que ficar calados a mirá-los. Podemos sempre contestar. Mas assusta perceber que mesmo existindo tanta informação as pessoas se deixem facilmente manipular pela emoção. Os políticos usam isso cá com uma pinta!!!!

Quanto ao voto... Usem-no. A maioria dos treinadores de bancada na política falam falam falam, mas NÃO VOTAM. O voto é um direito, conquistado por alguns a muito custo. Se querem fazer a diferença... votem, em vez de irem à praia ou ficarem em casa.

Que cena meu! :p


Conclusão: Portugal é algo semelhante à 5ª Dimensão. E desse estado de semi-hipnose ninguém nos tira!

Pedro disse...

Tens toda a razão Filipe, num estado emocratico temos de aceitar os resultados eleitorais, por muito absurdos que nos pareçam.

Agora que os resultados em alguns concelhos do país pareçam mais do foro da psiquiatria do que das ciências políticas, lá isso não podes negar. De qualquer forma, quem tem de ser criticado aqui é o sistema judicial português. Se o Isaltino, o Major e a Fátima estivessem presos, como deviam estar, a questão nem sequer se punha.
E que raio de legislação é esta que permite a esta gente concorrer a lugares publicos depois de serem acusados, mesmo que fujam do país para evitar julgamento? Isto é que eu não admito num estado de direito como era suposto ser o nosso.

Já agora: O Carlos cruz poder-se-ia candidatar á câmara só se e quando for completamente ilibado das suas acusações. Só nesse caso se puderia sequer admitir tal candidatura. Agora pessoas acusadas, ou mesmo só indiciadas nunca poderiam candidatar-se até as suas contas com a justiça estarem resolvidas. Se forem inocentes, optimo, ficam cá fora e candidatam-se para a próxima. Se forem culpadas vão presas sem poderem recurrer a imunidades políticas vergonhosas.

Já agora, gostaria de lembrar que uma democracia é o poder do povo, pelo menos era o que os gregos queriam dizer com a palavra. Ninguém me vai dizer que acredita realmente que o povo tem poder em Portugal. Os media têm poder, os lobbies económicos e religiosos têm poder e os partidos têm poder, quanto ao povão, esse não é tido nem achado, só lhe ligam nas duas semanas imediatamente antes das eleições, depois adeusinho que temos um país para chular.
Vivemos numa partidocracia.

Andem a ler umas coisas sobre sistemas políticos e sabem a que conclusão cheguei: o sistema político mais parecido com a verdadeira democracia é algo bem conhecido e odiado por todos os governantes, chama-se anarquia! Vão ler as definições e as principais correntes de pensamento sobre o assunto antes de criticarem o que acabei de dizer aqui...

Filipe disse...

Não critico e acho que tens razão. Já sabia desses factos e tenho perfeito (pelo menos umas ideias) conhecimento acerca de várias correntes políticas.
Tens razão no que dizes. A mim os resultados das eleições podem ou não ter agradado, mas quer tenham quer não temos de aceitar pois todos vivemos com este modelo da democracia, por melhor ou pior que seja.

Lótus Azul disse...

Olha Filipe, eu não aceito. Não aceito, não aceito e não aceito. Pelo andar da carruagem acho até que houve pessoal que não exerceu o direito de voto porque não estava cá o Padre Frederico para se candidatar... e era só nele que queriam votar. Outro pessoal não foi votar em branco porque é racista e queria que os papeis fossem pretos. O Pessoal que não votou, foi porque não aceita. Não acredita no sistema político. E quem exerce o direito de voto está implicitamente a acreditar na democracia. Já vai o tempo em que a democracia fazia sentido... era naquele tempo em que a democracia era democrática. Adiantou o outro gajo prometer nas eleições que não aumentava os impostos? O voto foi democrático não foi? Olha o que temos agora!
Desculpa Filipe, hoje estou mal disposta... mas isto amanhã passa-me e venho cá deixar-vos um beijinho a todos

Pedro disse...

Gostei do "pessoal que não foi votar em branco porque é racista e queria que os papeis fossem pretos". Gostei mesmo dessa frase!

Lembrem-se todos: o mundo é aquilo que fazemos dele!

Filipe disse...

Ok, agora estou para aqui à espera dos beijinhos e nunca mais...

Lótus Azul disse...

Eu também tenho estado à espera que a minha boa disposição regresse para vos vir dar uns beijinhos como deve ser.

É hoje: Beijinhos sinceros a todos, e um mais repenicado para ti, Filipe