sexta-feira, junho 26, 2009

Barcelona



Já agora, convém explicar que a partir da semana passada tornei-me habitante desta extraordinária cidade que é Barcelona. Que diferença para o desterro em Groningen, agora sim voltei à civilização!

San Juan

Tenho de fazer a minha mea culpa. Nunca tinha visto o S. João bem como uma festa civilizada, como o S. António em Lisboa, mas como uma cena barbárica lá dessa terra no Norte habitada por super-dragões e avantesmas acessórias vestidas de azul e branco. Imaginava aquilo como uma segunda parte da festa de celebração do título dessa gentalha que tão bem denominou a sua igreja como a "das Antas". Que lá isso eles são.
Mas ter uma namorada nortenha e Benfiquista ajudou a abrir a minha mente, celebrar o S. João, aliás S. Juan, em Barcelona ainda mais ajudou para entrar no espírito.
Também me agrada o facto de a festa por aqui pouco ou nada ter que ver com santos. Aqui o San juan é a celebração do solstício de verão.

Os espanhóis, como é habitual, levam a coisa muito mais longe que nós. Em vez de martelinhos e balões com velas e paneleirices afins, os gajos é logo bombas. E vou chamar-lhes bombas e não bombinhas, pois a noite de dia 23 de Junho por aqui mais parecia uma noite passada em Bagdad. Ele eram bombas e bombinhas, estalinhos e fuguetes, muitos foguetes. Parecia mesmo um cenário de guerra com explosões estoiros e rajadas a fazerem tremer a cidade inteira até altas horas da madrugada.
Fomos celebrar o S. Juan com mais portuguese, e com irlandeses, e dois catalões à mistura. muitos copos até às tantas, mas depois falta o ex lybris da noite Barcelonesa. A partir das 2h ou 3h da manhã tod a gente se começa a concentrar nas praias. A festa recomeça e continua até de manhã.

Para mim o ponto alto foi sem dúvida o meu primeiro mergulho nocturno no mar. Não era possível resistir. A água assim negra mete algum respeito, mas a noite estava fantástica e a água uma delicia, lá fomos ao mergulho e até deu para dar umas braçadas. foi excelente. Algo me diz que me vou adaptar rapidamente á vida na capital catalã...


quarta-feira, junho 17, 2009

Fairplay against racism...

Eu estava aqui a pensar escrever qualquer coisa sobre os rídiculos 42 centimos por segundo que o Cristiano Ronaldo vai ganhar no Real Madrid, que é como quem diz 35000 euros por dia, ou um valor próximo do PIB de três países africanos juntos por ano. Mas felizmente o mundo do futebol está sempre cheio de coisas extraordinárias, e eis que me deparei com algo ainda mais extraordinário:


Dentes traem Cissokho
Um problema nos dentes de Aly Cissokho está a atrasar a transferência do jogador para o AC Milan, segundo notícia avançada pela Sky Itália.



Segundo a notícia, o lateral esquerdo que o FC Porto está a negociar por 15 milhões de euros terá reprovado nos testes médicos devido a um problema dentário. O episódio está a ser estudado pelo AC Milan, que pretende resolver a questão antes de o jogador viajar para o Senegal.


in Publico


Esta notícia fez-me lembrar o velho ditado "A cavalo dado não se olha os dentes"... como neste caso o gajo foi comprado, olha-se... Também me fez lembrar outra coisa. Nos filmes, no tempo da escravatura, quando alguém comprava um escravo também examinava primeiro os dentes. Isso e o facto de o jogado ser Senegalês, e preto como o carvão, fez-me lembrar outra coisa. O AC Milan é o clube do senhor Silvio Berlusconi, esse grande estadista, que é como quem diz racista. Cá para mim o lema que o Berlusconi deu à equipa médica do Milan foi algo como: Quando compramos um preto vejam-lhe bem os dentes, que é o que o meu avô, e amigo pessoal do meu grande idolo Benito Mussolini, sempre disse".

E tenho dito!

segunda-feira, junho 08, 2009

Eleições europeias




Talvez seja uma boa ideia olhar bem para os resultados das eleições antes de começarem as habituais celebração e as universais declarações de vitória. Portugal tem quase 9,5 milhões de eleitores, dos quais 6 milhões ficaram pelo maior partido português desde o 25 de Abril, o ABSTENÇÃO.
Depois os outros partidos, os ditos "de assento parlamentar" andaram entre os 3,14% do CDS e os 11,87% do PSD, isto é, só 1 em cada 9 portugueses votaram no PSD, o partido que se declarou o grande vencedor, só 1 em cada 30 votaram no CDS, que também se declarou vencedor. pelo meio ficaram os três partidos mais à esquerda, que juntos atraíram o voto de um pouco mais que 1 em cada 6 portugueses.
As forças politicas seguintes foram os BRANCOS (e viva o Saramago!) e os NULOS, que juntos atrairam o voto de 235000 portugueses.Seguiram-se depois o MEP e uma revoada de outros partidos que nunca ninguém ouviu falar, cada um tendo sido o preferido de menos de 1 em cada 200 portugueses.
As vezes é bom por as coisas em prespectiva, e a matemática, essa nossa velha enimiga dos tempos de escola, pode dar-nos uma boa ajuda a reduzir os nossos políticos à sua insignificância. É a democracia que temos. Pessoalmente? Se estivesse em Portugal teria ido votar. Teria votado em BRANCO.

domingo, junho 07, 2009

Parabéns à SIC

Antes mesmo da noite eleitoral acabar, e independentemente de quem seja o vencedor, quero dar os parabéns à SIC. Apesar de estar aqui longe na Holanda, no site da SIC tenho acesso em tempo real a todos os resultados eleitorais. tenho acesso minuto a minuto aos resultados nacionais, por distrito, por concelho e até por freguesia!
Fantástico! Verdadeiramente de parabéns.

Aproveito para notar que na minha freguesia, de Nossa Senhora do Pópulo, nas Caldas da Rainha, às 21.22h (hora portuguesa) e com todos os votos contados os resultados são:

PSD 32.47%
PS 22.34%
BE 14.21%
CDS-PP 10.28%
CDU 6.72%
MEP 2.36%
MPT 0.93%
PCTP/MRPP 0.76%
MMS 0.69%
PH 0.54%
PPM 0.41%
PNR 0.24%
POUS 0.13%

Excelente resultado para o Bloco nas Caldas, péssimo para o PSD que geralmente ganha sempre por muito nas Caldas e para o PS que mal chega aos 20%. Assusta-me que 1 em cada 400 dos meus conterrâneos vote no PNR...

sexta-feira, junho 05, 2009

Vincent



For they could not love you
But still, your love was true
And when no hope was left in sight
On that starry, starry night
You took your life as lovers often do
But I could've told you, Vincent
This world was never meant
For one as beautiful as you

Don McLean "Vincent"

terça-feira, junho 02, 2009

Eddie Izzard

Imaginei um cómico, que é travesti, mas come gajas, e ainda consegue ser cómico... ele é Iddie Izzard!

quarta-feira, maio 20, 2009

EU Profiler

Recomendo a todos que visitem o EU Profiler, uma interessante aplicação na internet com um questionário que avalia as nossas posições polític as e que no final enquadra o nosso posicionamento no quadro político de Portugal e da Europa.
Descobri que os partidos que me são mais próximos em Portugal são, por esta ordem:

1. PH
2. BE
3. MEP
4. PS

O que até faz muito sentido, se bem que o MEP é um pouco à direita demais para o meu gosto. A nível europeu o partido que me é mais próximo é um partido liberal da Letónia!!!!

Soon in my own garden...

Our very own lemon tree!!!

domingo, maio 10, 2009

Cover Letter with Manuscript Revision

Dear friends who waste your lives working in what is usually miscalled "science". This will be a usefull standard cover letter for you future submisions of "revised manuscripts" (a.k.a. original manuscripts reduce a big pile of bullshit):

Dear Sir, Madame, or Other:

Enclosed is our latest version of MS #85-02-22-RRRRR, that is, the re-re-re-revised version of our paper. Choke on it. We have again rewritten the entire manuscript from start to finish. We even changed the goddamned running head! Hopefully we have suffered enough by now to satisfy even your bloodthirsty reviewers.

I shall skip the usual point-by-point description of every single change we made in response to the critiques. After all, it is fairly clear that your reviewers are less interested in details of scientific procedure than in working out their personality problems and sexual frustrations by seeking some sort of demented glee in the sadistic and arbitrary exercise of tyrannical power over hapless authors like ourselves who happen to fall into their clutches. We do understand that, in view of the misanthropic psychopaths you have on your editorial board, you need to keep sending them papers, for if they weren't reviewing manuscripts they'd probably be out mugging old ladies or clubbing baby seals to death. Still, from this batch of reviewers, C was clearly the most hostile, and we request that you not ask her or him to review this revision. Indeed, we have mailed letter bombs to four or five people we suspected of being reviewer C, so if you send the manuscript back to them the review process could be unduly delayed.

Some of the reviewers comments we couldn't do anything about. For example, if (as reviewer C suggested), several of my ancestry were indeed drawn from other species, it is too late to change that. Other suggestions were implemented, however, and the paper has improved and benefited. Thus, you suggested that we shorten the manuscript by 5 pages, and we were able to do this very effectively by altering the margins and printing the paper in a different font with a smaller typeface. We agree with you that the paper is much better this way.

One perplexing problem was dealing with suggestions #13-28 by reviewer B. As you may recall (that is, if you even bother reading the reviews before doing your decision letter), that reviewer listed 16 works the he/she felt we should cite in this paper. These were on a variety of different topics, none of which had any relevance to our work that we could see. Indeed, one was an essay on the Spanish-American War from a high school literary magazine. the only common thread was that all 16 were by the same author, presumably someone reviewer B greatly admires and feels should be more widely cited. To handle this, we have modified the introduction and added, after the review of relevant literature, a subsection entitled "Review of Irrelevant Literature" that discusses these articles and also duly addresses some of the more asinine suggestions by other reviewers.

We hope that you will be pleased with this revision and finally recognize how urgently deserving of publication this work is. If not, then you are an unscrupulous, depraved monster with no shred of human decency. You ought to be in a cage. May whatever heritage you come from be the butt of the next round of ethnic jokes. If you do accept it, however, we wish to thank you for your patience and wisdom throughout this process and to express our appreciation of you scholarly insights. To repay you, we would be happy to review some manuscripts for you; please send us the next manuscript that any of these reviewers sends to your journal.

Assuming you accept this paper, we would also like to add a footnote acknowledging your help with this manuscript and to point out that we liked this paper much better the way we originally wrote it but you held the editorial shotgun to our heads and forced us to chop, reshuffle, restate, hedge, expand, shorten, and in general convert a meaty paper into stir-fried vegetables. We couldn't or wouldn't, have done it without your input.

Sincerely,
[Name Removed for Blind Review]

sexta-feira, maio 01, 2009

Nostalgia positiva

Quando olhamos o olhar vazio e desprovido de sentido ou sentimento dos holandeses, por exemplo nos transportes publicos ou simplesmente quando se atropelam uns aos outros com as bicicletas pela rua, é facil perceber que nunca poderão um dia compreender o conceito de saudade. A beleza e a profundidade do sentimento, a dor e a beleza que contém.
Os ultimos tempos têm-me corrido bastante bem, há muito não pensava em saudades. Contudo, cá no fundo todo o português que está longe do seu país a carrega, aqui, algures no peito. Aconteceu hoje ir no carro a trautear musicas portuguesas. Dos Xutos aos Delfins, dos Quinta do Bill aos Ban, imagine-se! Aconteceu vir-me à cabeça o "125 Azul" dos Trovante.
Quando passei mentalmente pelos versos:

"Foi sem mais nem menos
Que me deu para arrancar-
Sem destino nenhum."

Subitamente subiram-me pelas entranhas umas saudades do nosso país, tão forte que quase as senti como uma dor física. De repente senti uma necessidade desesperada de ver o mar, o nosso mar, ver o Atlântico algures na costa portuguesa, numa praia ou numa falésia, entre Caminha e Vila real de Santo António. Mais azul do que o azul, sabe-lo ali, a dois passos, sempre pronto a oferecer descanso para o meu olhar no eterno buliço das suas ondas.
Também eu parti. De certa forma, e olhando agora em retrospectiva, também eu parti sem destino nenhum. Também eu parti, no fundo, na esperança de me encontrar. Tal como na música, parti na esperança que:

"Talvez, um dia me encontre.
Assim, talvez me encontre."

Passaram anos e acredito verdadeiramente que me conheço melhor. Sei melhor quem sou, sei melhor o que procurava. Acho até que, pelo menos em parte, encontrei aquilo que procurava. Sei também, cada vez melhor, a enorme parte de mim que precisa desse mar que é o nosso Atlàntico, só o nosso e mais nenhum. Sei bem que tanto de mim é a nossa comida portuguesa, tanto de mim é sentir a toda a volta o prazer em comer que é tão portugues. Que tanto de mim é essa língua, que foi de Camões e de Pessoa e que agora é minha e vossa, que é nossa. Tanto de mim é sentir a simpatia das pessoas, mesmo das antipáticas. Como poderia imaginar que parte de mim sentiria falta de almoçar ou jantar ao som do Telejornal, em português. Conheço-me melhor. Aprendi a admirar um povo capaz de tal riqueza que é a capacidade de sentir saudades.
Pode não ser hoje, pode nem ser em breve. Podem até demorar anos e mais anos. Mas cá no fundo penso que sei, agora, que um dia voltarei. Que um dia voltarei para ficar.

quinta-feira, abril 23, 2009

Lavar o sangue com um balde

Acabei de ler a surpreendente notícia que o presidente da câmara de Santa Comba Dão, o senhor João Lourenço (PSD) vai inaugurar uma praça no centro da vila com o nome "Praça de António Oliveira Salazar". Como se isto não fosse abuso suficiente num país que nem há 40 anos se livertou do jugo da ditadura, esse ignóbil edil da nossa praça decidiu faze-lo nada mais nada menos que no próximo dia 25 de Abril?
mais que triste, é vergonhoso, mais que de mau gosto, é repugnante. Será que já esquecemos a PIDE, o lápis azul da censura, a guerra em África, e acima de tudo a simples proibição de ser livre!!!
Num país onde ainda tanta gente viva passou por Peniche ou pelo Tarrafal, num país onde tantos deram o sangue e as lágrimas para nos oferecer a todos o bem maior que é a liberdade. Que triste. Já agora por que não uma avenida Adolf Hitler em Tel-Avive, ou uma Alemeda Pol-Pot junto ao cemitério onde jazem as vitímas dos kmers Vermelhos?
Parece que querem branquear a imagem do nosso ditador... assim um pouco como o sangue que era disfaçado com baldes de água quando ele escorria pela chão da sala de torturas no Tarrafal...

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Carta aberta aos media nacionais

Ainda há poucos dias assistimos através dos meios de comunicação à espectacular amaragem forçada de um avião de passageiros nas águas do Rio Hudson, junto a Nova Iorque. Na altura, foi sobejamente discutido o valor e perícia do piloto, que salvou os passageiros de morte certa, e a celeridade das embarcações que imediatamente recolheram os passageiros do avião sinistrado. Muito menos atenção recebeu a causa do acidente: o impacto de um bando de aves que causou a avaria dos dois motores do avião causando a queda (controlada) do aparelho.
A ocorrência de grandes concentrações de aves nas rotas de aproximação ou partida de aeronaves é um dos mais sérios desafios à aviação, mesmos nestes tempos modernos em que a tecnologia tantas vezes nos parece fazer imunes ao mundo natural que nos rodeia. Ainda no ano passado um outro avião teve também um problema semelhante em Itália, tendo sido obrigado a uma aterragem de emergência devido a um impacto com aves. Parece assim natural e óbvio que a escolha das localizações dos aeroportos deve ter em séria consideração este tipo de riscos relacionados com a avifauna.
Não será então estranho que o governo português pretenda construir o novo aeroporto internacional de Lisboa na margem esquerda do Estuário do Tejo, na proximidade daquela que é irrefutavelmente a zona do país com maior densidade e abundância de aves? Se até em Nova Iorque ocorrem bandos de aves capazes de derrubar um avião, que dizer do Estuário do Tejo que alberga anualmente mais de 100000 aves aquáticas durante o Inverno? Isto, já para não falar do facto de esta ser uma Reserva Natural já desde 1976, tendo sido classificada como tal exactamente pelo valor que tem para a conservação da avifauna. Mas não tenho duvidas que é sobretudo a segurança dos futuros passageiros e não a das aves que mais preocupará os nossos governantes.
Uma das questões mais sérias são as aves que não usam apenas o estuário, mas também as áreas agricolas envolventes, nomeadamente o Maçarico-de-bico-direito. Desde 2005 que trabalho num projecto da Universidade de Groningen, na Holanda, que foca a migração desta espécie de ocorrência comum na região do Estuário do Tejo. Estas aves reproduzem-se no Norte da Europa, nomeadamente na Holanda, migrando depois para a África Ocidental, onde passam os meses de Agosto a Novembro em países como o Senegal, a Guiné-Bissau e o Mali. A partir de Dezembro começam a migração de regresso às suas áreas de reprodução, parando em Portugal num período entre o final de Dezembro e o início de Março a fim de se alimentarem, sobretudo em arrozais, para obter a energia necessária para completar os seus vôos migratórios. Durante este período, tenho verificado todos os anos que se chegam a formar bandos de mais de 45000 aves, que se alimentam durante o dia em arrozais em redor dos estuários do Tejo e do Sado, passando a noite em zonas de sapal à beira dos rios.
Isto significa que temos bandos de dezenas de milhares de aves a fazerem vôos diários dos sapais para os arrozais e de volta. Várias destas zonas de arrozal ficam localizadas a pouca distância do Campo de Tiro de Alcochete, local de momento preferido para a localização do novo aeroporto. Mais gravemente, os referidos movimentos diários entre os arrozais e os sapais na orla do estuário levam os bandos de aves, que repito podem englobar dezenas de milhares de aves, a passar ainda mais próximo da localização provável do futuro aeroporto. Caso as rotas de aproximação e subida sejam paralelas ao estuário, como foi falado como medida para evitar a avifauna do estuário, os bandos de maçaricos iram cruzar essas rotas nos seus movimentos diários e, tratando-se de aves que voam a uma altitude considerável, poderão causar um grave risco de impacto para os aviões.
Por outro lado, no decurso deste projecto de investigação, marcámos muitas aves com anilhas de cor, usando combinações de cores que permitem identificar os indivíduos no campo, com o auxílio de um telescópio. A análise das observações destes indivíduos marcados mostra que ocorrem também movimentos entre as diferentes zonas de arrozal, incluindo movimentos entre entre o Sado e o Tejo, aumentando as possibilidades de bandos de aves cruzarem as rotas dos aviões.
Mas não são só os maçaricos que usam estes arrozais, muitas outras aves ocorrem nessas zonas e fazem movimentos na margem esquerda do Estuário do Tejo. Dois casos óbvios são as cegonhas, que se deslocam entre diferentes zonas de arrozal, e as gaivotas que se deslocam também diáriamente entre o estuário e as zonas agricolas (e não só os campos de arroz) envolventes, como ficou demonstrado por um indivíduo a que foi colocado um localizador GPS, na Holanda, e que foi seguido durante um ano, tendo migrado até Portugal e passado parte do Inverno no Tejo, onde fazia incursões frequentes até aos campos agricolas do concelho de Benavente. Tanto as cegonhas como as gaivotas são aves de porte consideravel e, no caso das gaivotas, ocorrem aos milhares na região em causa.
Posto isto, parece ser um absurdo a decisão de colocar um aeroporto neste local, mesmo que assim o tenha defendido o famoso estudo do LNEC, que no que respeita à avifauna foi efectuado em Novembro e como tal falhou por completo o período de maior abundância de aves que ocorre entre Dezembro e Março. Por outro lado, convém lembrar que o estudo não disse que este era o local ideal, disse apenas que era menos mau do que a outra localização proposta, na Ota, tendo em conta não só factores ambientais mas também uma série de outros aspectos sobre os quais não me posso pronunciar por saírem fora da minha área de especialidade. Foi também falado na altura que o problema das aves seria facilmente resolvido alterando a localização dos arrozais. Este ponto é no mínimo risível e demonstra um tremendo desconhecimento da situação pois tratam-se de largas centenas de hectares de campos de arroz, num dos principais núcleos de produção de arroz do país. Mesmo que todos estes campos pudessem ser removidos, não podem ser transpostos para outro local, pois a rizicultura só pode ser efectuada em zonas alagadiças ribeirinhas, locais que devido ao seu valor agricola já estão todos aproveitados para esse fim. Por outro lado, se a deslocalização dos arrozais talvez pudesse resolver a situação dos maçaricos-de-bico-direito, não mudaria o facto que milhares de aves ocorrem nesta região e usam tanto as zonas estuarianas como os campos agrícolas, incluindo outros cultivos que não o do arroz, movendo-se um pouco por toda a zona em bandos de maior ou menor dimensão. Finalmente, convém lembrar que o Maçarico-de-bico-direito é uma espécie ameaçada, incluída na lista vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza) pelo que a destruição de uma tão vasta área de habitat crítico para a espécie, como são estes arrozais, não pode ser vista de ânimo leve.
Penso que é essencial uma discussão profunda sobre a problemática das aves no que toca ao futuro aeroporto, tanto por motivos de segurança, como por questões ambientais e de conservação da biodiversidade. Na minha opinião esta questão torna de todo inviável o projecto de um aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete. Infelizmente este tema não tem recebido grande atenção por parte dos meios de comunicação nacionais, pelo que decidi escrever esta carta na esperança de poder assim trazer para a praça pública esta problemática. Trata-se de um assunto de extrema importância que pode fazer a diferença entre um futuro de viagens aéreas em segurança de e para Lisboa, ou de novas imagens espectaculares de amaragens de emergência não em Nova Iorque, mas em pleno Tejo.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Médio Oriente - uma a fantochada para Inglês fazer que não vê

Alguém me explique por favor: porque é que um pequeno rocket que nem mortes causa em Israel é um veículo de terror islamico sobre a população Israelita, enqunto uma campanha aérea a toda a escala contra a população civil da Faixa de Gaza que já causou mais de 400 mortos é uma resposta talvez um pouco exagerada de um estado soberano que procura proteger os seus cidadãos?
Posso ser eu, mas parece-me que é esta a mensagem que os meios de comunicação passam ao dar notícias do habitual e continuado genocídio do estado Israelita contra a população dos territórios palestiniados ocupados.
E uma pergunta de talvez mais dificil resposta: será que algum dia as Nações Unidas vão reconecer o terrível erro histórico em que caiu ao criar contra toda a lógica e racionalidade o estado de Israel no meio de um Medio Oriente árabe ainda mal recuperado de mais um exemplo de uma trágicamente mál-amanhada descolonização europeia?

Pessoalmente não tenho nada contra judeus, nem tão pouco contra muçulmanos, ou cristão, são todos por igual vitímas das seculares mentiras das três grandes (nunca percebi bem porque não são só uma, afinal sempre trabalharam em conjunto contra o bem da humanidade) religiões monoteístas. Mas parece-me óbvio que enquanto se mantiver artificialmente um estado judaíco encravado em terras árabes e a oprimir os povos não-judaícos locais, o Médio Oriente nunca conhecerá a paz.

Pensando bem, será que não era este o plano dos governos das grandes potencias mundiais desde o início? Afinal não começava nessa altura o petróleo a ser o Ouro Negro da economia mundial? E não é a mais velha verdade do mundo económico e financeiro que nada trás lucros iguais aos de uma boa guerra? Que dizer então dos bebenificios que para alguns todos poderosos barões do petróleo pode trazer uma guerra sem fim na região geográfica de onde vêm 3/4 de todo o petróleo...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Grinch

Pedro Henriques, o homem que roubou o Natal ao Benfica.


Não foi nada de novo, já se sabe que no futebol português o crime compensa. Mas hoje passou mesmo das marcas. O que o árbitro do Benfica-Nacional fez foi tão mau ou pior que entrar dentro de minha casa, chegar ao pé da árvore de Natal e roubar os presentes. Não se faz, é demasiado vergonhoso. Se esse Pedro Henriques se chamasse a si próprio Homem não faria algo assim.
Caro Pedro Henriques, não o mando paro o Inferno, pois esse é um local demasiado bom para si. Só lhe desejo que em cada dia de 2009 sinta aquilo que fez sentir a todos os benfiquistas este Natal, quando roubou uma vitória justa ao anular absurdamente um golo limpo. O senhor é uma vergonha e, sinceramente, mete-me nojo! Vá morrer longe.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

TMN - Trágica Marca Nacional

Caros,
se alguém estiver a ler isto, gostaria apenas de vos deixar um conselho. Nunca, mas mesmo nunca em situação alguma tenham qualquer tipo de interação com a TMN, essa vergonhosa empresa de telecomunicações. Na minha experiência com eles, o seviço foi inqualificável, o atendimento execrável e o comportamento geral da empresa roçou o pura e simplesmente criminoso. Durante quase dois anos fui, infelizmente, titular do contracto de utilização de uma placa de internet de banda larga da TMN. Durante esses dois anos a placa raramente funcionou, sem que a empresa alguma vez tenha mostrado qualquer capacidade, nem interesse em rectificar o problema. A cada tentatva de cancelamento desse contracto fui sempre deparado com dificuldades, esquivas vagas, desculpas de mau pagador e argumenos absurdos. Primeiro alegaram que o contracto tinha de ter uma duração minima de um ano, independentemente de o equipamento funcionar ou não. Quando fiz um mero pedido para mudar a morada de envio das facturas tive o fazer três vezes sem que a morada nunca tenha sido efectivamente mudada, ao ponto de há meses não receber as facturas, pois continuavam a ir para uma morada que já não era a correcta. Na fase final de tentativa de cancelamento do contracto usaram todo o tipo de desculpas, sendo sempre necessário mais alguma coisa a cada vez que os contactava. No final o contracto só foi terminado finalmente por falta de pagamento, falta de pagamento por um serviço que nunca forneceram, e só, assim o espero, deixei de ouvir falar dessa empresa execrável depois de pagar um pagamento em atraso, referente a um mês posterior à data da suposta anulação do contracto. Só espero agora nunca voltar a ouvir nada deles.
Infelizmente durante a maior parte deste processo estive fora do país e também infelizmente não tive o cuidado de acumular documentação referente a toda esta novela, senão teria já tomado medidas para efectuar uma queixa à DECO.
Foi com alguma satisfação que assisti numa loja TMN, enquanto fazia o tal pagamento final para acabar a história de uma vez por todas, ao bonito espectaculo de um cliente a chamar a polícia para registar uma ocorrência relativa às condições absurdas com que a empresa trata os seus clientes.

Pelo vosso bem. Nunca se metam com a TMN!!!

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Truth in the numbers



"Write the number 10 followed by eleven zeros. Our Milky Way has that many stars. Write a 10 followed by twelve zeros. That's the size of America's national debt in dollars."