terça-feira, agosto 30, 2005

Revolução

Tal como os políticos fazem a sua rentreé em grande também este blog a fará. Que tal um apelo à Revolução?

Não se preocupem não estou a falar de bombas, tiros e outras formas de barbarie à americana, queria antes referir uma citação que li algures, durante as férias e não esqueci: "As grandes revoluções são o resultado da acção de princípios, mais do que das baionetas, sendo primeiro realizadas na esfera moral e só de seguida na esfera material" dizia Giuseppe Mazzini, um nacionalista italiano do séc. XIX. A frase ficou-me pela verdade do que diz. Se virem bem, as grandes mudanças históricas dão-se geralmente de uma forma quase natural, como se tivessem de acontecer e no fundo é exactamente isso que acontece. As pessoas vivem sobre um determinado sistema, que não lhes agrada, mas a a mudança para um novo sistema geralmente só se dá depois de o "sub-consciente da sociedade" compreender a necessidade de dar o salto. Só quando todas as pessoas perceberam já, no seu intimo, qual o caminho a tomar, é que se pode dar o movimento popular que leva a essa evolução. No fundo foi o que aconteceu no nosso 25 de Abril, no dia em que a revolução chegou, todas as pessoas tinham já compreendido, mesmo sem terem pensado muito nisso, que a história já as tinha ultrapassado e que a mudança era inevitável (para lá de, como é óbvio, ser desejável). Quando assim é, a transição dá-se com toda a naturalidade pois a população imediatamente aceita a nova realidade como aquilo que deve ser.

Ora onde é que eu quero chegar com isto? Muito simples, nunca o mundo precisou tanto de uma revolução como agora. O nosso sistema actual é uma preverssão de todos os ideiais que o ajudaram a criar, não temos democracia, nem temos liberdade, nem temos socialismo (aqui no sentido de sociedade perfeita, não no sentido comunista do termo), nem temos nada. Temos uma palhaçada sem igual em que já não existe direito internacional, as economias estão à beira da ruptura, as desigualdades e injustiças são cada vez maiores e a própria sociedade parece à beira de implodir num caldeirão de desconfianças e ódios absurdos que pareciam já ter sido ultrapassados. Por isso, temos todos de falar sobre isto. De discutir, de debater, de partilhar ideias, de filosofar um pouco. E a pouco e pouco pode ser que caminhemos para o tal estado de certeza subconsciente que nos possa levar a uma mudança para algo melhor.

Será preciso mais uma vez confirmar o velho axioma que diz que "só quem já perdeu tudo não teme deitar tudo a percer"? Espero que não tenhamos de chegar a esse ponto.

3 comentários:

Ju disse...

Realmente partilho a tua insatisfação. Mas por vezes é desmoralizante quereres fazer qq coisa e tudo à tua volta puxa para trás. Falas, falas e ngm te ouve, pq não te percebem.

Pedro disse...

Mas aí está. A pouco e pouco mais pessoas vão ouvindo e percebendo, até que eventualmente todos irão perceber. Pode é ser só daqui 100 anos...

A minha filosofia é: por cada pessoa que faz o que está certo, existe menos uma pessoa a fazer o que está errado!

Zorze disse...

Caro Pedro, embora partilhe da tua insatisfação, devo-te corrigir neste aspecto: o 25 de Abril não foi vontade do povo, mas sim dos militares. Os cidadãos nunca mexeriam uma palha para alterar o que quer que fosse. As pessoas, quer tu queiras ou não, estão adormecidas. Não te esqueças que para "subir níveis" tens de ler muito, seres boa pessoa, muito crítico e observador. Acredita que 98 por cento dos portugueses não percebem o grande palco que tudo isto é. Não serão 100 anos; nunca será, simplesmente. A visão de Orwell é uma profecia, um olhar visionário para o que nos acontecerá daqui a uns anos. Lembra-te da contra-informação cada vez mais gritante, da ingenuidade crescente, do egoísmo, das traições, do aumento de trabalho, emprego e a diminuição dos salários. Da ameaça da globalização, dos riscos naturais e afins. A lista é interminável. Meu amigo, vamos amar os próximos e sonhar com o que nunca vai acontecer. É fodido, mas já cumpriremos a nossa parte se nos enchermos de explosivos e levar uns quantos filhos da puta para o inferno. Esse deveria ser o meu fim apoteótico!