sexta-feira, julho 01, 2011

Artigo de um grego sobre a Grécia

Gostei tanto deste artigo sobre a situação grega que decidi traduzi-lo aqui para permitir chegar mais facilmente ao público português:


"Nunca estive tão desesperado por explicar, nem tão desejoso da vossa compreensão, sobre qualquer outro facto para além deste: Os protestos na Grécia dizem-vos respeito a todos directamente.

O que se está a passar em Atenas de momento é a resistência contra uma invasão; uma invasão tão brutal como a invasão da Polónia em 1939. O exército invasor veste de fato italiano em vez de uniforme, e segura nas mãos portáteis e telemóveis em vez de armas, mas não tenham dúvidas - este ataque à nossa soberania é igualmente violento e meticuloso. Interesses económicos privados estão a ditar a governação de uma nação soberana, governação essa que vai claramente contra o interesse nacional. Ignorem este facto por vossa conta e risco. Tentem convencer-se, se quiserem, que isto talvez acabe aqui. Que talvez os agiotas não vão de seguida atrás de Portugal e da Irlanda... e da Espanha e do Reino Unido. Mas já começou a acontecer. Esta é a razão porque não podemos dar-nos ao luxo de ignorar estes acontecimentos.

Os poderes instituídos sugeriram que existem muitas coisas que podem ser vendidas. Josef Schlarmann, um importante membro do Partido de Angela Merkel, fez recentemente a útil sugestão de que a Grécia deveria vender algumas das suas ilhas a compradores privados como forma de pagar os juros dos empréstimos, empréstimos esses que lhe foram forçados para estabilizar instituições financeiras internacionais e uma experiência monetária falhada, o Euro. Claro que não será pura coincidência o facto de vários estudos recentes terem indicado a existência de vastas reservas de gás natural sob o mar Egeu.

A China também entrou já na discussão, pois tem enormes reservas monetárias, mais de um terço das quais em Euros. Locais de interesse histórico como a Acrópole podem vir a pertencer a privados. Se a Grécia não fizer aquilo que lhe dizem de livre vontade, a ameaça explicita é a de que políticos estrangeiros mais responsáveis o farão pela força. Porque não transformar-mos o Pártenon e a antiga Agora num parque da Disney, onde gregos mal pagos se irão vestir de Platão e de Sócrates para divertir os ricos.


Claro que não quero excluir os meus compatriotas de toda a culpa. Fizemos muita coisa errada. Eu deixei a Grécia em 1991 e só voltei no final de 2006. Nos primeiros meses após regressar, olhava à minha volta e via um país completamente diferente daquele que eu deixara 15 anos antes. Em cada placard, em cada paragem de autocarro, em cada página de revista eram publicitados empréstimos com baixas taxas de juro. Era dinheiro gratuito a ser oferecido. Tem um empréstimo que não consegue pagar? Então venha cá que nós oferecemos-lhe um empréstimo ainda maior e ainda lhe oferecemos uma lap-dance como bónus. E os nomes por baixo de toda esta publicidade eram bastante familiares: HSBC, Citibank, Credit Agricole, Eurobank, etc.

Infelizmente, tenho de admitir que nós engolimos o isco, o anzol, a linha e a chumbada. A psique grega teve sempre um tendão de Aquiles, uma inerente crise de identidade. Nós estamos na encruzilhada entre três continentes e a nossa cultura foi sempre uma mistura que reflectia esse facto. Em vez de abraçarmos essa riqueza cultural, decidimos que queríamos ser definitivamente Europeus; Capitalistas; Modernos; Ocidentais. E, com raios, íamos ser mesmo bons nisso. Seriamos os mais Europeus, os mais Capitalistas, os mais Modernos, os mais Ocidentais. Éramos adolescentes com o cartão de crédito dos pais nas mãos.

Eu não via um par de óculos de Sol que não dissessem Diesel ou Prada. Eu não via um par de chinelos que não tivessem o logótipo da Versace ou D&G. Os carros que circulavam nas ruas eram predominantemente Mercedes e BMWs. Se alguém fosse de férias para um local mais próximo do que a Tailândia, manteriam tal pecado em segredo. Houve uma incrível falta de bom senso, e nenhum aviso de que esta primavera de riqueza poderia ter um fim. Tornámo-nos uma nação de sonâmbulos que caminhavam para a parte funda da sua recém-construída piscina de mármore sem se preocupar que em algum ponto perderiam o pé.

No entanto, essa irresponsabilidade foi apenas uma pequena parte do problema. A parte de leão do problema foi a emergência de uma nova classe de interesses económicos estrangeiros governados pela plutocracia, uma igreja dominada pela ganância e uma dinastia política que tornou o apelido do candidato o único factor importante para a sua eleição. E enquanto íamos pedindo emprestado e gastando (aquilo a que os economistas chamam carinhosamente "crescimento"), eles iam espremendo cada pingo de sangue que podiam através de um sistema de corrupção tão flagrante que estava ao nível de qualquer república das bananas; tão descarado e omnipresente que toda a gente se limitava a encolher os ombros e a aceitar ou tornar-se parte dele.

Claro que num simples artigo é impossível levar em conta toda a história, geografia e mentalidade que levou este canto lindíssimo da Europa a cair de joelhos e que tornou uma das mais antigas civilizações do mundo numa fonte de inspiração para piadas de mau gosto. Eu sei que é impossível exprimir a sensação de crescente desespero e desamparo que sublinha cada conversa que tive com os meus amigos e com a minha família nos últimos meses. Mas é vital que eu tente, porque a desumanização e a demonização do povo grego parece estar em pleno andamento.

Li recentemente um artigo, num conhecido meio de comunicação, que basicamente defendia que a Mafia sabe como lidar com pessoas que não pagam as suas dívidas; que um taco de basebol pode ser aquilo que faz falta para resolver a interminável confusão da dívida grega. Esse artigo justificava este raciocínio de seguida enumerando uma série de generalizações e de preconceitos tão imprecisos e venenosos que se alguém substituísse a palavra "gregos" por "pretos" ou "judeus" o autor teria provavelmente sido levado pela polícia e acusado de crimes de ódio racial.

Deixem-me agora responder à mitologia criada por esse artigo.
  • Os gregos são preguiçosos. Esta premissa está na base de muito do que tem sido dito e escrito sobre a crise, a acusação de que a nossa ética laboral Mediterrânica e frouxa está na base do nosso problema. Contudo, os dados da OCDE mostram que em 2008 os gregos trabalharam uma média de 2120 horas. Ou seja, trabalharam mais 690 horas que o alemão médio, mais 467 que o britânico médio, e 356 horas mais que a média da OCDE. Só os coreanos trabalham mais horas que os gregos. Para além disso, o período de férias na Grécia é de 23 dias, inferior à maioria do países da União Europeia, nomedamente que o Reino Unido, onde o mínimo são 28 dias e do que os impressionantes 30 dias dos alemães.

  • Os gregos reformam-se cedo. Os 53 anos têm sido cogitados como a idade de reforma média dos gregos. De tal forma, que isto é agora aceite como facto. Este dado fictício teve origem num comentário preguiçoso publicado no website do NY Times. Foi repetido pela Fox News e publicado por vários outros jornais. na verdade, os funcionários públicos gregos têm a opção de se reformar depois de 17,5 anos de serviço, mas tendo direito a apenas metade da reforma. Os 53 anos correspondem a uma média abusiva entre as pessoas que escolhem reformar-se nessa altura (geralmente para iniciar uma nova carreira) e aqueles que se mantém na função pública até terem direito à reforma completa. Olhando para os dados do Eurostat, em 2005 a idade média de reforma dos trabalhadores na Grécia (indicada no gráfico abaixo como EL para Ellas) foi de 61,7 anos; muito superior à da Alemanha, França ou Itália, e superior à média dos 27, mas ainda sim inferior à de Portugal, outro país acusado de ser um paraíso para reformados e preguiçosos. Contudo, esta média deverá subir ainda mais em ambos os países devido às medidas impostas pela troika.

  • A Grécia tem uma economia fraca e nunca deveria ter entrado para a UE. Uma das ideias feitas habitualmente lançadas sobre a Grécia é a de que a sua entrada na União Europeia se deveu apenas à motivação moral de ter sido "o berço da civilização". Tal não poderia estar mais afastado da realidade. A Grécia tornou-se o primeiro membro da União Económica Europeia depois dos 6 países fundadores (Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo) em 1962, muito antes de países como o Reino Unido ou a Espanha. É membro da UE à bem mais de 30 anos. A Grécia é classificada pelo banco mundial como uma economia de elevado rendimento e, em 2005, ficou classificada em 22º lugar no ranking de desenvolvimento humano e qualidade de vida a nível mundial - acima de países como o Reino Unido, Alemanha e França. Tão recentemente como em 2009, a Grécia tinha o 24º PIB mais elevado do mundo, segundo dados do banco mundial. Para além disso, segundo o Centro para Comparações Internacionais da Universidade da Pennsylvania, a produtividade da Grécia em termos do PIB real por pessoa por hora de trabalho é mais elevado que aquele da França, da Alemanha ou mesmo dos Estados Unidos e é 20% superior ao do Reino Unido.

  • O primeiro resgate foi desenhado para ajudar o povo grego, mas infelizmente falhou. Não é verdade. O primeiro resgate foi delineado para estabilizar e ganhar tempo para a zona Euro. Foi desenhado para evitar que um novo choque ao estilo Lehman Bros afectasse os mercados, numa fase em que as instituições financeiras estavam demasiado fracas para resistir a tal choque. Segundo a economista da BBC Stephanie Flanders: "Pondo as coisas em prespectiva: A Grécia parece hoje menos capaz de pagar as dividas do que há um ano atrás - enquanto o sistema financeiro global, como um todo, parece agora em melhor estado para resistir a uma bancarrota... Assim, ganhou-se tempo para a zona Euro. Só que esta solução não funcionou tão bem para a Grécia". Se o resgate tivesse sido desenhado para ajudar a Grécia a resolver a sua dívida, então a França e a Alemanha não teriam insistido em manter contractos militares multi-bilionários. Como explicou Daniel Cohn-Bendit, líder do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu: "Nos últimos três meses nós forçamos a Grécia a confirmar vários milhares de milhões em contractos militares. Fragatas francesas que vão custar à Grécia 2,5 mil milhões de euros. Helicopteros, aviões e submarinos alemães."

  • O segundo resgate foi desenhado para ajudar a Grécia e vai funcionar de certeza. Todos vimos Angela Merkel e Nicolas Sarkozy fazer o seu comunicado conjunto. Estava cheio de frases como "os mercados estão preocupados", "os investidores precisam de ser reassegurados", assim como dos termos técnicos do monetarismo. Pareciam uma equipa de engenheiros a fazer pequenos ajustes a uma sonda não-tripulada prestes a ser enviada para o espaço. Estava totalmente removido do discurso o facto de se estar a discutir a quantidade de miséria, pobreza, sofrimento e morte que um parceiro europeu, toda uma nação, terá de sofrer. De facto, a maioria dos comentadores concorda que este segundo pacote foi desenhado para fazer exactamente o mesmo que o primeiro fez: ganhar tempo para os bancos, às custas do povo grego. Não existe qualquer hipótese de a grécia vir um dia a pagar as suas dívidas - a bancarrota é inevitável. Estão simplesmente a ser servido interesses e tal continuará perpétuamente.
Finalmente, o maior mito de todos: os gregos estão a protestar porque querem o resgate financeiro mas não querem a austeridade que vem com ele. Esta é uma falsidade fundamental. Os gregos estão a protestar porque eles não querem mais nenhum resgate. Eles já aceitaram cortes que seriam impensáveis noutros países europeus. Imagine-se o que aconteceria se David Cameron fizesse apenas um décimo do que já fez o governo grego. Os subsídios não são pagos há já seis meses. Os salários desceram para apenas 550 erros por mês.

A minha mãe, uma mulher de 70 anos, que trabalhou toda a sua vida no Departamento de Arqueologia do ministério da Cultura, que pagou impostos, segurança social e outros descontos durante mais de 45 anos, sempre deduzidas na fonte (tal como é feito para a larga maioria das pessoas honestas e trabalhadoras - são os ricos que fogem aos impostos), teve a sua reforma reduzida para menos de 400 euros por mês. Mas ela sofre da mesma inflação galopante que afecta os preços da energia e da comida no resto da Europa.

O avô de um amigo, o senhor Panagiotis K., lutou na guerra à 70 anos - do mesmo lado que o resto da democracia ocidental. Voltou da guerra e trabalhou 50 anos num estaleiro naval, pagou os seus impostos, poupou para a sua reforma. Agora, aos 87 anos, teve de voltar para a sua aldeia natal, para trabalhar no seu pequeno terreno, plantando vegetais e mantendo galinhas. Só assim ele e a sua esposa de 83 anos conseguem obter comida para se alimentar.

Recentemente, um médico grego entrevistado na Al Jazeera explicou que até os médicos e enfermeiros estão agora de tal forma desesperados que pedem aos seus pacientes para lhes pagar dinheiro por baixo da mesa em troca do tratamento, isso em hospitais estatais que deveriam ser gratuitos. Aqueles que não conseguem pagar, vão-se embora sem tratamento e têm de sobreviver com as suas doenças. O juramento Hipocrático violado em desespero na pátria onde foi originado.

Portanto, os gregos não estão a lutar contra os cortes. Já não há nada mais para cortar. O bisturi do FMI já chegou ao osso, branco e artrítico. Os gregos compreendem que este segundo resgate não passa de mais um passo no mesmo caminho. Na verdade, o défice primário da Grécia não chega aos 5 mil milhões de euros. Os restantes 48 mil milhões servem para pagar dívidas, nomeadamente o primeiro resgate, só um terço da dívida vai exclusivamente para pagar juros. A UE, o BCE e o FMI querem agora adicionar mais uma pilha de dívidas sobre tudo isso, divida essa que será usada para pagar os juros por mais um ano. Mas os gregos não caíram no bluff. Eles disseram "Basta é basta. Não queremos o vosso dinheiro".

A Grécia sempre atraiu ocupadores agressivos A sua posição estratégica, combinada com a sua extraordinária beleza natural e história, sempre a tornaram num prémio apetecível para as forças do mal. O país emergiu depois de 400 anos de ocupação Otomana, 25 gerações durante as quais a sua identidade nacional foi tornada ilegal sob pena de morte, mantendo a sua língua, tradição, religião e música intactas.

Finalmente, nós acordamos e tomámos as ruas. A minha irmã diz-me que o que está a acontecer na Praça Syntagma é belo; cheio de esperança; gloriosamente democrático. Uma multidão de centenas de milhares de pessoas, de todas as cores políticas, ocuparam a área em frente ao parlamento. Dividem a pouca comida e água disponível. No meio da multidão está um microfone onde toda a gente pode falar, dois minutos de cada vez - podem mesmo propor medidas que são depois votadas por braço no ar. Cidadania.


E aquilo que os gregos dizem é: Nós não vamos sofrer mais só para que os ricos fiquem mais ricos. Nós não autorizamos nenhum dos políticos, que falharam tão espectacularmente, a pedir mais dinheiro em nosso nome. Nós não confiamos em vocês, nem tão pouco nas pessoas que o emprestam. Queremos um grupo completamente novo de pessoas no leme. Pessoas responsáveis, que não tenham feito parte dos fiascos do passado. Vocês que estão no poder já esgotaram as vossas ideias.

Onde quer que estejas no mundo, esta frase aplica-se.

O dinheiro é uma mercadoria, criada para ajudar as pessoas facilitando as transacções. Não é ele próprio riqueza. A riqueza está nos recursos naturais, na água, na comida, nas terras, na educação, nas habilidades, no espírito, na ingenuidade, na arte. Nestes termos, o povo da Grécia não está mais pobre hoje do que há dois anos atrás. Tal como não o estão os povos da Espanha, da Irlanda ou de Portugal. No entanto, estamos a ser forçados a suportar vários níveis de sofrimento, só para que alguns números (que representam dinheiro que nunca existiu) possam ser transferidos de uma coluna de uma folha de cálculo para outra.

Esta é a razão porque este assunto vos diz respeito directamente. Porque esta é uma batalha entre o nosso direito à auto-determinação, o direito a exigirmos um novo processo político, o direito à nossa soberania, e os interesses das grandes corporações privadas que parecem querer tratar-nos como uma manada de animais, que existem apenas para o seu benefício. É a batalha contra um sistema que assegura que aqueles que falham nunca pagam pelos seus erros - são sempre os mais pobres, os mais decentes, os mais trabalhadores que suportam o peso dos erros dos outros. Os gregos já disseram "Basta!". O que dizem vocês?

Ajudem a espalhar esta mensagem - não deixem que os meios de comunicação a façam desaparecer, como fizeram com as pessoas de Madison, no Wisconsin, ou com os Indignados, em Espanha. Façam os possíveis para que esta questão seja debatida pelas pessoas no poder. Façam perguntas. Discutam o tema no vosso bar. Acima de tudo, acordem antes que se encontrem na mesma situação que os gregos.

Nassim Nicholas Taleb é um filósofo libanês-americano que formulou a teoria dos "Eventos de Cisne Negro" - eventos imprevisíveis e inesperados que têm um impacto tremendo e só podem ser explicados à posteriori. Recentemente, durante uma entrevista, foi-lhe perguntado se as pessoas a protestar nas ruas de Atenas são um Evento de Cisne Negro. Ele respondeu: "Não, o verdadeiro Evento de Cisne Negro é o facto das pessoas não estarem ainda a fazer manifestações contra os bancos em Londres e em Nova Iorque"."


Acredito que este texto deveria ser lido por todos. Não só por todos nós que vivemos nos chamados PIGS e estamos já sob a mira de fogo do "famosos" mercados, mas também por todos os que viem noutros países e ainda não perceberam que este é um incêndio que não se vai extinguir por si, e que se não forem tomadas medidas rapidamente vai acabar por reduzir a cinzas toda a nossa civilização.

quinta-feira, junho 30, 2011

Privatização

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.»

José Saramago - Cadernos de Lanzarote

quarta-feira, junho 29, 2011

Pérolas Jam

Enquanto procurava um bom vídeo da música "Soon Forget" para o post anterior, encontrei algumas verdadeiras pérolas dos Pearl Jam. Coisas como covers de músicas famosas, com a voz estrondosa do Eddie Vedder, e versões especiais de músicas dos próprios Pearl Jam. Ficam aqui algumas:


Uma cover de "Fortunate Son" dos Cleerance Clearwater Revival



Uma cover de "Rocking in the free world" do Neil Young



Uma versão de "Betterman" com introdução de "No Woman No Cry" do Bob Marley



O Eddie a cantar "Man on the Moon" juntamente com os REM



Uma cover de "Forever Young" do Bob Dylan



Uma cover de "I Won't Back Down" do Tom Petty



Uma versão de "Indifference" com o Eddie e o Ben Harper



Uma versão de "Society" com o Eddie e o Johnny Depp



E, finalmente, uma versão de "Soon Forget" com o Eddie e o Jack Johnson

segunda-feira, junho 27, 2011

Soon forget

Quem me conheçe sabe bem a admiração que tenho pelos Pearl Jam, e sobretudo pelo seu vocalista Eddie Vedder. É uma das vozes mais extraordinárias que alguma vez ouvi. Esta música não é das mais conhecidas, e talvez nem sequer uma das melhores, mas os acordes suaves tocados no ukalele e a voz única do Eddie são uma combinação fantástica.


A letra é também muito interessante, falando de um homem que põe o dinheiro à frente de tudo o resto e como tal viveu uma existência inútil:

Sorry is the fool who trades his soul for a corvette.
Thinks he'll get the girl he'll only get the mechanic.
What's missing? He's living a day he'll soon forget.

That's one more time around. The sun is going down.
The moon is out but he's drunk and shouting.
Putting people down. He's pissing. He's living a day he'll soon forget.

Counts his money every morning. The only thing that keeps him horny.
Locked in a giant house that's alarming.
The townsfolk they all laugh.

Sorry is the fool who trades his love for hi-rise rent.
Seem the more you make equals the loneliness you get.
And it's fitting. He's barely living a day he'll soon forget.

That's one more time around and there is not a sound.
He's lying dead clutching Benjamins. Never put the money down.
He's stiffening. We're all whistling a man we'll soon forget.

domingo, junho 26, 2011

Piscares de Olho - XLIII

Os animais são geralmente dificeis de fotografar, são fugazes, esquivos e frequentemente rápidos. Para os fotografar devidamente, precisamos de uma paciência prodigioza e, muitas vezes, de equipamento fotografico de alta qualidade (e preço). A excepção são aqueles animais que estão tão habituados aos seres humanos que nos permitem chegar perto e tirar a fotografia a preceito. Exemplos disso são as gaivotas das nossas praias e cidades costeiras, e este esquilo-cinzento Sciurus carolinensis que fotografei nos Estados Unidos enquanto atacava uma batata frita do meu almoço num parque citadino em Blacksburg, Virginia.

quarta-feira, junho 22, 2011

A verdadeira democratização do saber

Uma das coias mais fantásticas à cerca da internet é que a informações ficou verdadeiramente disponível para todos. Infelizmente, este todos refere-se apenas aos que têm acesso à internet, que são a maioria nos países desenvolvidos, mas uma minoria nos países em vias de desenvolvimento. A pouco e pouco, os conceitos obtudos e ganânciosos de autoria são substituidos por uma partilha democratica do saber, algo essencial se algum dia desejamos ver o planeta Terra como uma verdadeira casa comum em que todos vivemos em igualdade e harmonia.
Isto veio a que respeito? É que queria saber como cozinhar batatas doces, e encontrei diversas receitas na net. Mais difícil ainda, queria plantar uma manga, e descobri este blog que explicava em detalhe como faze-lo no clima pouco propício à manga que temos em Portugal. Isto sim é partilha de conhecimento útil!

terça-feira, junho 21, 2011

Pig Parade


Há alguns anos atrás, a cow parade fez furor por todo o mundo, uma exposição ambulante que passou por várias cidades, incluindo Lisboa, em que eram exibidas esculturas de vacas decoradas por diversos artistas. Inspirados por essa iniciativa, a associação de suinicultores de Évora decidiu fazer a sua própria pig parade, uma exibição com 50 esculturas de porcos garridamente decoradas por várias escolas e associações locais. O objectivo desta iniciativa é promover o porco alentejano e no final os porcos serão leiloados.
Infelizmente o vandalismo crónico fez algumas vítimas entre os porcos do pig parade, tendo sido roubadas pelo menos duas esculturas, mas os restantes formam uma colorida decoração para a Praça do Giraldo, bem no centro de Évora:


segunda-feira, junho 20, 2011

...of the people, by the people, for the people...


When the people fear their government, there is tyranny; when the government fears the people, there is liberty.
Thomas Jefferson

Vivemos dias complicados para a democracia. As crises económicas são sempre pasto favorável para as fogueiras da extra-direita e da tirania do grande-capital. É importante lembrar a cada dia daquilo que é a democracia, daquilo que ela não é, lembrar para que serve um governo. Os governos têm como única utilidade servir o povo, a partir do momento em que se esta relação se inverte, os governos tornam-se superfluos, inúteis e frequentemente criminosos. Numa democracia o poder pertence ao povo, é exercido pelo povo, e o poder é usado em prol do povo.
É obrigação de cada um de nós lembrar esta verdade, ensina-la aos seus filhos, debate-la com os seus semelhantes. Uma democracia não é um fim, é um objectivo nunca totalmente alcançado, é por isso que a primeira obrigação dos povos que vivem em democracia é lutar, dia após dia, em busca de uma verdadeira democracia. De forma a chegar cada dia mais perto desse ideal.
Neste dias difíceis em que viemos, é mais importante do que nunca lembrar isto, é mais importante do que nunca lutar pelos nossos direitos. Dar o sangue, o suor e as lágrimas necessárias para evitar que nos roubem sequer um único dos direitos porque tantos morreram e sofreram para alcançar.

domingo, junho 19, 2011

Piscares de Olho - XLII

Muitas vezes, as fotografias que melhor definem um local, uma viagem, ou até uma pessoa, não são as óbvias paisagens, os monumentos famosos, ou as personagens mais célebres. Por vezes um pequeno detalhe, uma determinada esquina, uma cor, um objecto, são tudo o que necessitamos para nos fazer transportar em pensamento até aos locais por onde passámos. Esta fotografia foi tirada em Paris, em Novembro de 2009, e mostra tão simplesmente os bancos e mesas arrumados de um café parisiense, na noite sempre colorida do bairro de Montmartre.

terça-feira, junho 14, 2011

Stand Up For Your Rights!

I know you don't know
What life is really worth.
It's not all that glitters is gold;
Half the story has never been told:
So now you see the light, eh!
Stand up for your rights. Come on!


Get up, stand up: stand up for your rights!
Get up, stand up: don't give up the fight!


segunda-feira, junho 13, 2011

Vilarinho das Furnas

Na semana passada estivemos no Gerês. Um dos pontos de passagem foi a barragem de Vilarinho das Furnas, um triste exemplo de como um país abdica de tudo em troca do progresso cego, seja das suas riquezas naturais, seja do seu futuro, seja mesmo das vidas das suas gentes. A aldeia de Vilarinho das Furnas foi submersa pelas águas da barragem com o mesmo nome em 1971. Em nome do progresso, toda uma comunidade foi eliminada do mapa, vidas perdidas, memórias esquecidas, paisagens perdidas. Claro que a população da aldeia foi repovoada para outros locais, mas deixaram todas as suas vidas para trás, toda a sua história, tudo aquilo que eles eram. Vidas inteiras deitadas fora, em troca de pouco ou nada...
Vilarinho das Furnas... antigamente.


Vilarinho das Furnas... hoje.

O grande Miguel Torga registou em palavras o absurdo de um país que coloca o valor de um muro de cimento acima do valor das suas gentes:

Viam a luz nas palhas de um curral,
Criavam-se na serra a guardar gado.
À rabiça do arado,
A perseguir a sombra nas lavras,
aprendiam a ler
O alfabeto do suor honrado.
Até que se cansavam
De tudo o que sabiam,
E, gratos, recebiam
Sete palmos de paz num cemitério
E visitas e flores no dia de finados.
Mas, de repente, um muro de cimento
Interrompeu o canto
De um rio que corria
Nos ouvidos de todos.
E um Letes de silêncio represado
Cobre de esquecimento
Esse mundo sagrado
Onde a vida era um rito demorado
E a morte um segundo nascimento
.

Miguel Torga
Barragem de Vilarinho das Furnas, 18 de Julho de 1976

domingo, junho 12, 2011

Piscares de Olho - XLI

O piscar de olho desta semana leva-nos até ao norte de Espanha, à zona do Lagos de Covadonga nos Picos da Europa. Esta cordilheira localiza-se apenas 20 km da costa norte de Espanha e cobre partes das Astúrias, Cantábria e Castilla y Léon, formando parte dos Montes Cantábricos.
Pensa-se que o nome surgiu por estes montes serem a primeira parte do continente observado pelos marinheiros que regressavam do novo mundo. Pessoalmente, esta teoria parece-me absurda pois a localização geográfica dos Picos da Europa obriga a que os marinhereiros tivessem já contornado, ou evitado a costa ocidental da Peninsula Ibérica, de forma a verem este montes em primeiro lugar, para além do facto que o grande porto de partida e chegada dos descobridores espanhois era em Sevilha, no sul e não no norte de Espanha!
Seja qual for a origem do seu nome, os Picos da Europa formam uma paisagem absolutamente fabuloso, capaz de nos deixar sem folego a cada curva do caminho, de espanto, mas também de cansaço, ou não fosse a etapa dos Lagos de Covadonga a mais exigente etapa de montanha da Vuelta.

sexta-feira, junho 10, 2011

Dia de Portugal

Já cá estamos há 868 anos, já resistimos a terramotos, invasões armadas, pestes e crises várias. Já passamos por monarquias, ditaduras e repúblicas. Já estivemos, várias vezes, tanto na vanguarda como na cauda da Europa. Não vai ser por isso uma crisezeca manhosa criada por meia dúzia de banqueiros patos-bravos que nos vai mandar abaixo!
Só temos de nos relembrar quem somos, das capacidades que temos, e tratar de lavar a casa de todo o lixo que se foi acumulando ao longo dos últimos anos, a começar pela corja que nos governa, que cada vez me parece mais óbvio ser a única verdadeira causa para os problemas deste país!

domingo, junho 05, 2011

Piscares de Olho - XL

O piscar de olho de hoje leva-nos até à Eslovénia, à cidade costeira de Koper. Estive lá em 2009, curiosamente durante umas férias em Itália. Estávamos em Trieste, no extremo oriental da Itália, e olhamos no mapa a Eslovénia ali tão perto, não resistimos a passar a fronteira. A Eslovénia é lindíssima, parece a zona da Arrábida em Portugal, com a paisagem calcária, coberta de vegetação mediterrânica até ao mar azul. A cidade era bonita, com rua preguiçosas e edifícios baixos. Comemos também muito bem, e por um preço que teria sido impossível quer na Itália, quer em Portugal. A empregada da restaurante era também um belo exemplo da beleza das mulheres eslavas, mas não aparece aqui na fotografia...

quinta-feira, junho 02, 2011

Pelo menos uma destas não é flor que se cheire...

As plantas com flor dependem na sua maioria de animais para realizar a polinização, isto é, para transportarem o polén, o gâmeta masculino, de uma flor até ao geniceu, o aparelho reprodutor feminino, de outra flor. Com esse fim, muitas plantas desenvolveram elaboradas estratégias para atraír esses polinizadores, incluíndo cores garridas, néctares apetitosos e, claro, aromas agradáveis.
Não sei qual é o aroma da orquídea da fotografia, mas uma coisa posso garantir, a outra "flor" que aparece na fotografia não é flor que se cheire!

Orquídea de Singapura (In: Público)

A chanceler alemã, Angela Merkel, durante uma visita a Singapura. Fotografia: Reuters/Joyce Fang/The Straits Times

domingo, maio 29, 2011

Piscares de Olho - XXXIX

Eu sei que pode parecer estranho escolher uma fotografia de uma pintura para um piscar de olho, mas esta é uma das minhas pinturas favoritas e fotografei o original nos museus do Vaticano, que são o melhor, e possivelmente o único motivo para visitar o país mais pequeno do mundo.
A fotografia apanha um pormenor da Escola de Atenas (Scuola di Atenas no original), uma das mais famosas pinturas do renascentista italiano Rafael e representa a Academia de Platão. Foi pintada entre 1509 e 1510 sob encomenda do Vaticano. A obra tem ao centro Platão e Aristóteles, sendo esta a parte que foquei na fotografia. Platão segura o Timeu e aponta para o alto, sendo assim identificado com o ideal, o mundo inteligível. Aristóteles segura a Ética e tem a mão na horizontal, representando o terreste, o mundo sensível. De certa forma, Platão olha o mundo imaterial e Sócrates, que tinha a ciência no sangue, tem os pés bem assentes na terra.A imagem tem sido muitas vezes vista como uma perfeita encarnação do espírito da Alta Renascença. Em A Escola de Atenas, Rafael pintou os maiores estudiosos antigos como se fossem amigos que discutiam e desenvolviam as formas de pensar e de refletir a filosofia em si. Entre as figuras representadas na pintura (mas que não aparecem nesta fotografia), incluem-se Frederico II, duque de Mântua e Montferrat, Anaximandro, Pitágoras, Alexandre, o Grande, Hipátia, Heráclito, Euclides, Arquimedes, Zoroastro e Ptolomeu.

sábado, maio 28, 2011

Més que un club

Foi um grande jogo, que até esteve equilibrado na primeira parte, mas na segunda parte veio claramente ao de cima a superioridade técnica de Messi e companhia. O Barça é indiscutivelmente a melhor equipa do mundo da actualidade, possivelmente uma das melhores de todos os tempos, ao nível do Ajax dos anos 70, ou do Milan do início dos anos 90. A classe desta equipa transborda o relvado e renova em todos os que têm o previlégio de a ver jogar o prazer em assistir a um bom jogo de futebol. Para arrematar uma magnifica jornada, o previlégio de levantar a taça recaiu sobre Abidal, homem que superou recentemente um tumor no figado e conseguiu em apenas 2 meses recuperar o suficiente para ser titular na que foi talvez a melhor final europeia da última década.
Hoje, claramente, ganhou o melhor!

Visca Barça!

O grande Edwin van der Sar

Sempre me irritou profundamente que as estrelas portuguesas da área do futebol têm sempre de se comportar como "estrelas", no pior sentido da palavra. Ronaldo comporta-se como um bébe mimado de 25 anos, Mourinho acha que para se impor tem de inventar guerras com todos os que o rodeiam, Futre era e continua a ser um peneirento, adjectivo que se aplica igualmente a tantos outros. Até o grande Eusébio não resiste a lembrar sempre que pode o quão grande foi...
É por isso que admiro tanto aqueles que são tão grandes ou maiores que os nossos, mas sabem viver o seu sucesso com naturalidade e humildade. Neste âmbito, vem-me sempre à mente uma das figuras maiores do futebol das últimas décadas, mas que raramente aparece na ribalta. Um homem que marcou uma época na sua posição específica, que acumulou títulos e records e que semre foi de um profissionalismo e de uma simplicidade a toda a prova. Podia estar a falar de Alex Fergusson, indiscutivelmente o maior treinador das últimas 3 décadas, mas estou a falar de um dos seus jogadores, de Edwin van der Sar, que vai hoje, aos 40 anos, pôr termo à sua carreira, numa final da Champions. Apesar da minha simpatia tender mais para o super barcelona de Guardiola, Messi e companhia, não icaria menos satisfeito se ganhar o Mancherter United. O meu desejo é que seja este um grande jogo e que ganhe o melhor.
Deixo aqui um artigo de hoje do Público:


Foram vários os recordes obtidos por Edwin van der Sar. Hoje, a algumas horas do fim de uma longa carreira, contra o Barcelona, há mais um para bater: tornar-se o futebolista mais velho a sagrar-se campeão europeu - o húngaro Ferenc Puskás conseguiu-o aos 39 anos. A idade e a reforma são temas recorrentes nos últimos anos do guarda-redes quadragenário, mas nem um nem outro têm atrapalhado as suas performances.O último jogo oficial do holandês vai ser o seu 46.º da temporada. O Manchester United acabou de ser campeão de Inglaterra e pode ser campeão europeu com ele na baliza. Mas desta vez é que é: aos 40 anos (e quase sete meses), vai mesmo retirar-se, depois de ter contemplado essa hipótese várias vezes durante as últimas épocas.

Sai de cena como um dos guarda-redes mais laureados do futebol, o único guarda-redes que conseguiu ser campeão europeu por dois clubes diferentes (Ajax, em 1994-95, e Manchester United, em 2007-08).

Van der Sar está há mais de 20 anos na alta-roda do futebol. Começou a brilhar no Ajax, há muito, muito tempo, e por lá fez as primeiras nove épocas como sénior. "Estou a trabalhar na minha biografia. Vejo algumas fotos e penso: "Isto foi há uma vida". Sem telemóveis, Internet...".

De Amesterdão foi para Turim, onde representou a Juventus durante duas épocas, mas não ganhou qualquer título. A contratação de Gianluigi Buffon empurrou-o para o Fulham. A carreira parecia que iria chegar ao fim em Londres, mas quatro anos sólidos convenceram Alex Ferguson a não cometer o mesmo erro duas vezes.

"Enganei-me ao não o contratar no início da década de 2000", admitiu recentemente o treinador do Manchester United. Seis anos depois, em 2005, Peter Schmeichel seria convenientemente rendido. Entre a saída do dinamarquês e a entrada do holandês, dez guarda-redes vestiram a camisola dos red devils (Mark Bosnich, Raimond van der Gouw, Nick Culkin, Massimo Taibi, Paul Rachubka, Andy Goram, Roy Carroll, Ricardo e as tentativas mais sérias Fabien Barthez e Tim Howard), mas nenhum convenceu inteiramente. Van der Sar já poderia estar reformado quando chegou a Manchester, com 34 anos, e por isso foi visto como uma solução temporária, mas a sua qualidade e estabilidade devolveram a confiança à baliza do United.

E ainda foi bem a tempo de conseguir mais títulos (quatro campeonatos, uma Liga dos Campeões e um Mundial de Clubes), recordes (minutos seguidos sem sofrer golos na Premier League: 1311, a melhor marca de sempre em Inglaterra e a sexta mundial; mais internacionalizações pela Holanda: 130) e destaques individuais (a defesa do penálti de Anelka na final da Champions). David de Gea deve ser o senhor que se segue na baliza do Manchester United.

Van der Sar (1,97m) também foi uma presença constante e imponente na selecção holandesa. Depois de ter estado no Mundial de 1994 como suplente, foi sempre titular em todas as grandes provas em que a Holanda participou até ao Euro 2008, ajudando a equipa a atingir as meias-finais nos Europeus de 2004 e 2008 e no Mundial de 1998.

"Está no auge da sua carreira. Merece sair no topo", sublinhou Ferguson, que considera que o guarda-redes ainda tinha mais algumas épocas de qualidade dentro de si. Van der Sar tem mais um jogo para o provar e um recorde para bater.

In Publico

quarta-feira, maio 25, 2011

A filosofia da vida

'Not all man are destined for greatness,' I reminded him.
'Are you sure, my friend? Are you sure? What good is a life lived as if it made no difference at all to the great life of the world? A sadder thing I cannot imagine. Why should not a mother say to herself, if I raise this child aright, if I love and care for her, she shall live a life that brings joy to those about her, and thus I have changed the world? Why should not the farmer that plants a seed say to his neighbour, this seed I plant today will feed someone, and that is how I change the world today?'
'This is philosophy. I have never had time to study such things.'
'No, this is life. And no one has time not to think of such things. Each creature in the world should consider this thing, every moment of the heart's beating. Otherwise, what is the point of arising each day?'

Robin Hobb in "Royal Assassin"

terça-feira, maio 24, 2011

Sleepers, by Los Stompers

Fica aqui uma música exclente pelos Los Stompers, uma banda de música irlandesa baseada em Barcelona, que tem como vocalista um amigo meu.
Esta música é uma das minhas favoritas, e o vídeo que colocaram no youtube está muito bem apanhado!


Planes cross high in a chemtrailed sky
A man's detained but they won't say why
Yet more die as the false flags fly
And no one's sure who's on who's side.
Go back to sleep and live the dream
How many smoking pistols do you need?

'Cos heaven waits above you and government it loves you
You be alright, sleep tight tonight
The good guys will protect you up until you pose a threat
You'll be alright sleep tight tonight

State war games and hate campains
The cast's in place but the scripts the same
A hundred monkey's don't complain
They're MTVed and aspartamed
Life's a gas a half filled glass
And history only happens in the past

(Chorus)

Sleep tight tonight while the ancient few take care of you
Sleep while you can, a gramme is better than a damn!

(Chorus)

segunda-feira, maio 23, 2011

Soa a algo familiar?

A plutocracia (do grego ploutos: riqueza; kratos: poder) é um sistema político no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico. Do ponto de vista social, esta concentração de poder nas mãos de uma classe é acompanhada de uma grande desigualdade e de uma pequena mobilidade social.

domingo, maio 22, 2011

Piscares de Olho - XXXVIII

Para hoje uma fotografia de uma imensa escoada de lava nesse país de paisagens fantásticas que é a Islândia. Não é a primeira vez que aqui apresento fotografias da minha viagem à Islândia em 2006 e que refiro o quanto as paisagens desse país, em que a geologia e a biologia parecem estar ainda no início dos tempos, me impressionaram. Esta enorme escoada de lava, no norderte da Islândia, mostra bem o quanto as forças tectónicas ainda estão em plena actividade naquele país. A Islândia tem sido também exemplo nos últimos tempos pela lição de democracia que deu a muitos dos estados supostamente democraticos da Europa que decidiram vender o poder do povo aos grandes grupos financeiros. Portugal é também o país de paisagens fabulosas, com um povo corajoso e apaixonado pelo mar... talvez fosse tempo de nos unirmos em torno dos valores com os quais construimos o nosso estado democrático e de devolver-mos o poder a quem ele pertence, ao povo, a todos nós!

sexta-feira, maio 20, 2011

Do the evolution

Trata-se provavelmente de um dos melhores vídeos musicais algumas vez realizados e acompanha uma música clássica do Pearl Jam. "Do the evolution" fez parte do álbum Yield, editado em 1998 e critica a tendência destrutiva (e auto-destrutiva) da humanidade e o vídeo resume em menos de 6 minutos muitos dos horrores daquilo a que alguns gostam de chamar "progresso", fazendo uma analogia com a evolução natural.

terça-feira, maio 17, 2011

Não percebo as pessoas que votam PS ou PSD/CDS

"Não há maior sinal de loucura do que fazer uma coisa repetidamente e esperar a cada vez um resultado diferente."
Albert Einstein

segunda-feira, maio 16, 2011

O melhor sumo do Mundo!


Para mim, o Compal de maracujá é o melhor sumo do Mundo. É perfeito. Tem a proporção certa de sabor doce misturado com a acidez do maracujá. E o sabor é idêntico ao sumo de maracujá natural que bebi em África, quando visitei o Uganda em 2001.
Acho que estes produtos portugueses de qualidade superior deveriam ter maior projecção lá fora. Os sumos Compal são claramente superiores ás marcas que já provei no resto da Europa e nos Estados Unidos. Os nossos vinhos, os nossos azeites, a nossa fruta. Todos esses produtos têm uma qualidade que os coloca facilmente entre os melhores do mundo. Esta qualidade conjuga a excelência dos processos de produção e as condições climatéricas e geológicas excepcionais de que o nosso país beneficia. Não percebo porque não se aproveita estas mais valias para reforçar as exportações e a produção nacional!
Mas, infelizmente, as condições naturais são muitas vezes desperdiçadas pela falta de visão dos nossos governantes e, sobretudo, da nossa classe empresarial que só pensa no lucro rápido.

Quanto ao Compal de maracujá, tem até grupo de fãs no facebook. Descobri hoje. Já aderi!

domingo, maio 15, 2011

Piscares de Olho - XXXVII

O piscar de olho desta semana leva-nos até a uma das vilas do Parque Nacional de Cinque Terre, em Itália. As pequenas vilas estão quase encastradas nas falésias que dominam o mar Tirreno, na costa ocidental de Itália, e cada uma está cheia de pequenos recantos. Entre vistas fantásticas do mar e das falésias, passamos por esta pequena escada, que não teria talvez nada de especial se não fosse o toque de cor dado pela flor que alguém ou o acaso ali abandonaram para alegrar o dia dos transeuntes.

sexta-feira, maio 13, 2011

Zé Pedro

Com o fim-de-semana a chegar, fica aqui a minha mensagem de boa sorte para o Zé Pedro dos Xutos & Pontapés. O Zé Pedro usou e abusou de todo o tipo de substâncias, legais e ilegais durante a fase inicial da sua carreira, seguiu o caminho auto-destrutivo tão comum no mundo do Rock. Agora, que já chegou a uma idade mais provecta, sofre as consequências dos seus abusos, necessita de um transplante de fígado, que ao que parece vai receber brevemente.
Para além de ser um grande músico, o Zé Pedro salientou-se nos últimos anos por ter usado para bom fim o seu percurso de vida, usando agora o seu passado de exageros, e as suas consequências, para servir de aviso aos mais jovens, para tentar evitar que estes sigam também esse caminho de destino duvidoso.
Força Zé Pedro! Todos estamos contigo. Desejo-te uma recuperação rápida e um regresso célere aos palcos, os teus acordes e riffs vão fazer-nos falta!!


Escolhi este "Remar , Remar" pois esta é a música que, na opinião do Zé Pedro, mais identifica os Xutos!

quarta-feira, maio 11, 2011

Parabéns, mensageiro!

Bob Marley morreu a 11 de Maio de 1981, em Miami, com apenas 36 anos. O grande símbolo da música Reggae nasceu na Jamaica a 6 de Fevereiro de 1945. Veio a ser vítimado por um cancro de pele, tendo o seu funeral, na Jamaica, adquirido proporções de funeral de estado. Deixou a sua marca na música, mas também na filosofia e na política pelas suas profundas convicções sociais e humanas.
Foi sem dúvida uma das grandes figuras da música do século XX e uma voz em defesa dos povos do terceiro mundo, e de todos aqueles que foram e são explorados pelo capitalismo selvagem que assola o nosso mundo.

Um grande bem haja Bob!

terça-feira, maio 10, 2011

Algumas palavras do grande Noam Chomsky...

Noam Chomsky: “A minha reacção à morte de Osama bin Laden"

Poderíamos perguntar-nos como reagiríamos se um comando iraquiano pousasse de surpresa na mansão de George W. Bush, o assassinasse e, em seguida, atirasse o seu corpo no Atlântico.

A mentalidade imperial é tão profunda que ninguém se apercebe que estão a glorificar Bin Laden, ao identificá-lo com a valorosa resistência aos invasores genocidas. Foto de Andrew Rusk, FlickR




Fica cada vez fica mais evidente que a operação foi um assassinato planeado, violando as normas elementares do direito internacional de múltiplas formas. Aparentemente não houve qualquer tentativa de prender a vítima desarmada, o que presumivelmente 80 soldados poderiam ter feito, já que virtualmente não enfrentaram oposição – excepto, como afirmam, a da esposa de Osama bin Laden, que se atirou contra eles.

Em sociedades que professam algum respeito pela lei, os suspeitos são detidos e levados a um julgamento justo. Sublinho a palavra "suspeitos". Em Abril de 2002, o chefe do FBI, Robert Mueller, informou a imprensa que, depois da investigação mais intensiva da história, o FBI só podia dizer que "acreditava" que a conspiração fora tramada no Afeganistão, embora tenha sido implementada nos Emirados Árabes Unidos e na Alemanha.O que apenas acreditavam em Abril de 2002, obviamente não sabiam 8 meses antes, quando Washington desdenhou de ofertas exploratórias dos talibans (não sabemos a que ponto eram sérias, pois foram descartadas imediatamente) de extraditar Bin Laden se lhes fosse apresentada alguma prova, que, como logo descobrimos, Washington não tinha. Portanto, Obama simplesmente mentiu quando disse, na sua declaração da Casa Branca, que "rapidamente soubemos que os ataques de 11 de Setembro de 2001 foram realizados pela al-Qaeda”.

Desde então não revelaram mais nada sério. Há muita conversa sobre a "confissão" de Bin Laden, mas é como se eu confessasse que venci a Maratona de Boston. Bin Laden alardeou aquilo que considerava um grande feito.

Também há muita discussão sobre a cólera de Washington contra o Paquistão, por este não ter entregado Bin Laden, apesar de elementos das forças militares e de segurança seguramente estarem informados de sua presença em Abbottabad. Fala-se menos da cólera do Paquistão por ter tido o seu território invadido pelos Estados Unidos para realizarem um assassinato político. O fervor anti-americano já é muito forte no Paquistão, e estes acontecimentos vão provavelmente exacerbá-lo. A decisão de lançar o corpo ao mar já está a provocar, previsivelmente, cólera e cepticismo em grande parte do mundo muçulmano.

Poderíamos perguntar-nos como reagiríamos se comandos iraquianos aterrassem na mansão de George W. Bush, o assassinassem e lançassem o seu corpo no Atlântico. Indiscutivelmente, os seus crimes excederam muito os de Bin Laden, e Bush não é um "suspeito", mas, sem qualquer dúvida, o “decisor” que deu as ordens para cometer o "supremo crime internacional, que difere só de outros crimes de guerra por conter em si o mal acumulado da totalidade" (citando o Tribunal de Nuremberga), pelo qual foram enforcados os criminosos nazis: as centenas de milhares de mortes, os milhões de refugiados, a destruição de grande parte do Iraque, o encarniçado conflito sectário que agora se espalhou ao resto da região.

Há também mais coisas a dizer sobre Bosch (Orlando Bosch, o terrorista que explodiu um avião cubano), que acaba de morrer pacificamente na Flórida, e sobre a "doutrina Bush" de que as sociedades que abrigam terroristas são tão culpadas quanto os próprios terroristas, e que é preciso tratá-las da mesma maneira. Parece que ninguém se deu conta de que Bush estava a conclamar à invasão e à destruição dos Estados Unidos e ao assassinato do seu criminoso presidente.

O mesmo passa com o nome escolhido: Operação Jerónimo. A mentalidade imperial é tão profunda, em toda a sociedade ocidental, que ninguém se apercebe que estão a glorificar Bin Laden, ao identificá-lo com a valorosa resistência aos invasores genocidas. É como baptizar as nossas armas assassinas com os nomes das vítimas dos nossos crimes: Apache, Tomahawk [nomes de tribos indígenas dos Estados Unidos]. É como se a Luftwaffe desse aos seus caças nomes como "Judeu", ou "Cigano".Há muito mais a dizer, mas mesmo os factos mais óbvios e elementares deveriam dar-nos muito que pensar.

Publicado no Guernica Magazine.

domingo, maio 08, 2011

Piscares de Olho - XXXVI

Para hoje uma fotografia do elevador da Bica, na noite de Lisboa. O elevador da Bica fica ali logo abaixo do Bairro Alto, sendo por isso uma imagem recorrente para os frequentadores dessa animada parte da cidade. Os velhos elevadores são uma das imagens mais típicas da cidade velha, daquela Lisboa de becos e vielas, cheia de mistério e de vida. Da Lisboa das ruas floridas e dos leiçois estendidos à janela, da Lisboa que é aldeia e metrópole em simultâneo.

quinta-feira, maio 05, 2011

Sampson fox found near Amareleja, Portugal

Today I thought I had suddenly entered the fifth dimension when a local farmer came to me with cell phone photos of what he called a "chupacabra". I eared about the myth of a canine like animal that drinks the blood of other animals, somewhere in the southern United States or in Central America, but never really believed any of it much. Anyway, this is Europe, except for the Loch Ness monster we wiped out any chance for mythical animals in the old country, so I didn't expect to find any thing too extraordinary even in this remote area of Portugal.

The photos were very strange, it looked like some wierd mix between a hairless rabbit, a cat and a very weird kangaroo. My first thought was that they were messing with me, they took some photos from the web and were pulling my leg with them. Still, when I asked where was this strange animal, they said their dog had killed it and they had the corpse on their farm.

Of course I couldn't resist my curiosity and went along to see what they had found. When we got to the farm, they took me straigth to an old olive tree where they hanged the beast. When I looked at it, I immediately realized too things, it was quite real, but it was probably just a very strange fox. I went over the stange creature and both its size, general body shape and dentition clearly indicated a red fox, only this was a completely hairless fox.

The "chupacabra" of Amareleja, actually just a red fox with a rare genetic disorder known as Sampson.

As you can see on the photo, this fox seems to lack nearly all body hair, and seems to have extra large ears. I had no idea if this was some kind of strange disease or just a genetic mutation, but I brought back the corpse and took a better look at it in the lab. Fully convinced that it was indeed just an ordinary red fox lacking its fur, I started investigating this on the web. Apparently, this is a rare mutation that affects red foxes, known as Sampson, that generates individuals that lack their protective coat of hair. These foxes usually survive as long as they live in a warm area or are able to find warm places to hide during the night. Because of the extra energy-demand of being hairless they tend to be more voracious than other foxes and they need to hunt during the day, to avoid the cold of the night.

I have no idea whether Sampson foxes had been detected before in Portugal, and if anyone is interested in this specimem do contact me. I can give you further details on this. Fell free to spread this information to anyone who might be interested in this observation, they can contact me via email: p.m.g.lourenco@gmail.com

quarta-feira, maio 04, 2011

Greed is not the answer...

‎"There is enough for everyone – but not enough for our greed. There's enough for us all to live a full life – so why do we want to destroy the only home we have?"
Archbishop Desmond Tutu

terça-feira, maio 03, 2011

O manifesto que faz falta...

Como cientistas sociais que partilham valores de democraticidade e de justiça social, temos estado atentos a esta crise económica internacional multifacetada e com consequências profundamente negativas no que diz respeito ao Progresso da Humanidade.

Vive-se, na Europa e nos Estados Unidos da América, um tempo de crise económica e social profunda, onde o impacto dos mercados financeiros internacionais e da especulação nas economias nacionais se apresenta como fortemente comprometedor não apenas da retoma económica, mas também, não só da estabilidade democrática, como do aprofundamento da democracia e, consequentemente, do bem-estar social.

Às elevadas taxas de desemprego, à precariedade e volatilidade do mercado de trabalho, resultado de políticas neoliberais protectoras e favorecedoras dos interesses do grande capital, os políticos têm vindo a responder com medidas de combate à crise profundamente fragilizadoras das classes de menor estatuto social e económico, mas sem impacto na resolução dessa mesma crise, servindo apenas para “acalmar” o apetite dos mercados financeiros internacionais através do pagamento de elevados e injustificados juros cobrados às frágeis economias nacionais. Estas medidas são apresentadas às opiniões públicas como as únicas verdadeiramente eficazes para minorar os efeitos da voracidade dos mercados financeiros internacionais desregulados, omitindo o papel daqueles na emergência e aprofundamento da crise. Esta é declarada e assumida pelos governantes e por muitos economistas como se de uma fatalidade se tratasse. Ao mesmo tempo, propaga-se a ideia (ideologia) da inviabilidade de alternativas, a par da fragilização, no caso Europeu, do seu Modelo Social assente na redistribuição económica alegando a sua insustentabilidade a médio e longo prazo e a sua subalternização à Europa da Concorrência.

Acentua-se a responsabilidade individual e a desresponsabilização do Estado face aos grupos sociais mais vulneráveis, reduzindo as oportunidades para se realizarem enquanto cidadãos, beneficiando os mais poderosos em prejuízo dos mais desfavorecidos.

O ataque ideológico ao Modelo Social Europeu é um ataque ao mundo, dado que aquele é o modelo-padrão a partir do qual se constroem as aspirações dos cidadãos das nações emergentes e as novas formas de organização social que urge construir nesses países para redistribuir a crescente riqueza de que poucos usufruem.

As suas consequências são o paulatino desmantelamento das protecções sociais que (ainda) limitam os danos da pobreza e da exclusão social pondo em causa o contrato social que fundamenta a democracia. Às grandes desigualdades de distribuição de rendimento existentes nos países emergentes, perpetuadoras de inúmeras vidas imersas na mais profunda pobreza, juntam-se as novas situações, nos países mais ricos, onde o nível de riqueza cresce ao mesmo tempo que o número de pobres.

É em períodos de crise que se constroem alternativas de futuro. Todos os que se sentem interpelados, descontentes e explorados não podem ser mobilizados pelo “medo” para soluções autoritárias. E corre-se esse perigo. Por isso, é este o momento certo para que os cientistas sociais, que se ocupam de analisar, de procurar compreender e de sistematizar conhecimento sobre as sociedades, as suas dinâmicas, as suas forças e também os seus efeitos perversos, se empenhem na construção do aprofundamento da democracia. Em conjunto com todos aqueles que estão dispostos a trabalhar por um Mundo Melhor. Com todos aqueles que sabem que a democracia se inventa e se reconstrói. Outros paradigmas são possíveis, mas exigem o compromisso de todos nós, para que se diminua a distância entre governantes e governados, denunciada há tantos anos por Bourdieu; para que seja possível, à semelhança do preconizado por Edgar Morin, resistirmos a uma ideologia dominante que tudo varre à sua frente e que apresenta como evidente e normal o que mais não é que a exploração e a desigualdade, que recusamos; para que seja possível compreender à semelhança de Cynthia Fleury, que a democracia tem que conter a crítica de si própria, de modo a que se re-inventem as regras que nos governam, impedindo a “entropia” das democracias.

Torna-se, por isso, fundamental a intervenção no espaço público, nomeadamente através da construção de um Manifesto capaz de interrogar o capitalismo desenfreado em que vivemos (e particularmente a submissão às exigências dos mercados financeiros internacionais) que sacrifica parte significativa dos seres humanos em nome do lucro exacerbado de alguns, encaminhando-os para a perda gradual dos Direitos e da Dignidade Humanos. Trata-se de um Manifesto capaz de questionar o tipo de sociedade que está a construir-se com este modelo económico e apontar para a construção de uma sociedade em que o modelo económico não faça refém a maior parte da humanidade, destruindo-lhe nomeadamente a capacidade de indignação através do aumento da insegurança e precariedade associadas ao mercado de trabalho. O papel dos e das cientistas sociais é também desconstruir as “evidências do mercado”, bem como outras ideologias tão eficazes, nomeadamente no que diz respeito à veiculação de que não existe alternativa para a actual ordem económica e social mundial.

Afirmamos, pelo contrário, que uma nova ordem económica mundial é possível: uma ordem que restitua aos seres humanos o Direito à indignação, o Direito ao trabalho, o Direito a expectativas positivas e oportunidades de vida, o Direito à Dignidade.

Propomos, por isso, a adopção mundial de medidas tendentes a diminuir o impacto social da actual crise mundial que, se consideradas pelas elites governantes mundiais, contribuirão para o incremento das economias nacionais, para restituir ao ser humano a confiança no futuro e para o aprofundamento do sistema democrático.

Uma democracia saudável é uma democracia mais deliberativa e comunicativa, em que as políticas de “redistribuição”, de “reconhecimento” e de “participação” se articulam em prol de uma justiça mais respeitadora dos direitos humanos, mais cooperativa, sem áreas marginais, tendo em vista transformar este nosso mundo numa comunidade de comunidades.

A sobreexposição da opinião pública aos economistas do regime e sua cartilha de pensamento único desvitaliza e despolitiza o espaço público, difundindo a ideia que Margaret Thatcher apregoou quando subiu ao poder e que constitui o nó górdio de todo um programa: "não há alternativa". Nos dias que correm, esta questão surge com particular intensidade no respeitante à dívida soberana. A prenoção da intocabilidade da dívida afoga todas as tentativas de a discutir enquanto instrumento privilegiado de transferência dos rendimentos do salário para o capital. Na verdade, o reescalonamento e a reestruturação da dívida deveria permitir aos países não pagarem juros extorsionários. De igual modo, afigura-se fundamental impor uma justa redistribuição dos sacrifícios, obrigando a banca (uma das principais causadoras e beneficiárias da actual crise) a pagar imposto de acordo com os lucros obtidos, a par da taxação das grandes fortunas, das mais-valias bolsistas e urbanísticas, das transferências para offshores. Finalmente, julgamos essencial que qualquer política macroeconómica calcule, de antemão, o número de pobres que vai produzir, para que se perceba e evite os danos sociais e morais da sua implementação.

A construção de um Movimento Social Internacional

Apela-se a todos os Cidadãos e Cidadãs do Mundo para aderirem a este Manifesto, em ordem a construir um Movimento Social Mundial capaz de enfrentar o actual capitalismo desenfreado que se quer fazer “senhor do mundo” e reféns as pessoas que o habitam. PELA REGULAÇÃO DEMOCRÁTICA E SOLIDÁRIA DO CAPITALISMO. PELA HUMANIDADE COM DIGNIDADE.

Almerindo Afonso (Sociólogo da educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Ana Benavente (Socióloga da educação, ICS-ULHT, Lisboa), Ana Diogo (Socióloga Universidade dos Açores). Afrânio Mendes Catâni (Sociólogo, Universidade de São Paulo, Brasil) Álvaro Borralho(Sociólogo, Universidade dos Açores), Alexandra Castro (Socióloga, CET/ISCTE), Alberto Melo(Associação in Loco e Universidade do Algarve), António Teodoro (Sociólogo da educação, Universidade Lusófona), Andrea Spini (Sociólogo, Universidade de Florença, Itália) Bernard Lahire(Sociólogo, École Normale Supérieure Lettres et Sciences Humaines, Universidade de Lyon 2, França),Carlo Catarsi (Sociólogo, Universidade de Florença, Itália) Carlos Estêvão (Sociólogo da Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Casimiro Balsa (Sociólogo, Universidade Nova de Lisboa), Claire Auzias (Historiadora, França) Conceição Nogueira (Psicóloga Social, Escola de Psicologia, Universidade do Minho) Fátima Pereira Alves (Socióloga, Universidade Aberta),Fernando Diogo (Sociólogo, Universidade dos Açores), Filipe Carmo (Historiador), Gilberta Rocha (Socióloga, Universidade dos Açores), Giovanna Campani (Antropóloga, Universidade de Florença, Itália), Isabel Guerra (Socióloga, DINAMIA/CET, IUL/ISCTE), João Teixeira Lopes(Sociólogo, Faculdade de Letras, Universidade do Porto), Luísa Ferreira da Silva (Socióloga, ISCSP- Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa), Manuel Carlos Silva (Sociólogo, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho), Maria Alice Nogueira(Socióloga, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) Maria José Casa-Nova (Socióloga da educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Maria Helena Cabeçadas(Antropóloga), Manuel Matos (Professor aposentado da FPCE, Universidade do Porto), Manuel Sarmento (Sociólogo, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Maurizio Matteuzzi(Filósofo, Universidade de Bologna, Itália), Michael Young (Sociólogo, da educação, institute of Education, London) Michel Messu (Sociólogo, Universidade de Nantes, França), Nancy Fraser(Henry A. & Louise Loeb Professor of Philosophy and Politics, New School for Social Research, New York, USA), Nathalie (Socióloga, Universidade de Namur, Bélgica), Paulo Pereira de Almeida(sociólogo, ISCTE, Lisboa), Pedro Silva (Sociólogo da educação, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, Instituto Politécnico de Leiria), Roger Dale (Sociólogo, Universidade de Bristol, Inglaterra), Rui Brito Fonseca (Sociólogo, CIES/ISCTE-IUL) Universidade de Lisboa), Rui Canário(Sociólogo da educação, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa) Rui Santiago (Professor da Universidade de Aveiro), Saniye Dedeoglu (Centre For Research in Ethnic Relations, School of Health and Social Studies, University of Warwick, Inglaterra), Sílvia Carrasco Pons (Antropóloga, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha), David Smith (Sociólogo, Canterbury University, Kent, United Kingdom), Vitor Matias Ferreira (Sociólogo, Prof. Emérito do ISCTE) Xavier Rambla(Professor de Sociologia, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha)

domingo, maio 01, 2011

Feliz 1º de Maio

Quando coloquei este magnífico poema de Camões na primeira página da minha tese de doutoramento, pensando na altura no significado dele na minha vida. Nunca me tinha sequer apercebido que esta música do José Mário Branco era baseada no poema de Camões, nem tão pouco no significado que este poema adquire nestes tempos conturbados para o nosso país e em larga medida para o mundo.
Porque o mais que este mundo precisa é de mudança. Porque a ditadura capitalista que esmaga e oprime grande parte do mundo tem de conhecer um fim rapido. Porque quem trabalha tem de ver garantida a dignidade que merece, e não pode servir de peão nos jogos daqueles que sem o merecerem adquiriram o poder através do crime económico. Feliz 1º de Maio!


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
[...]
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
[...]
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
[...]
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
[...]

Luís Vaz de Camões

[... e se tudo o Mundo é composto de mudança, troquemos-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança...]

José Mário Branco

Piscares de Olho - XXXV

Anualmente, as crianças da Holanda e de algumas regiões da Alemanha, Bélgica e Suiça esperam ansiosamente a chegada do Sinterklaas, um senhor barbas brancas que não deve ser confundido com o Pai Natal, mas que também traz prendas por altura do Natal. No caso da Holanda, o Sinterklaas chega logo no início de Dezembro e vem acompanhado dos seu ajudante, o Zwart Piet, que é negro. Aliás, o Sinterklaas vem de Espanha, de barco, e trás um saco com prendas para as crianças que se portaram bem, e onde coloca as crianças que se portaram mal.
Por vezes ele trás também um elefante, como foi o caso neste dia, quando tirei esta fotografia no desfile do Sinterklaas em Groningen, acho que em 2007.