terça-feira, maio 03, 2011

O manifesto que faz falta...

Como cientistas sociais que partilham valores de democraticidade e de justiça social, temos estado atentos a esta crise económica internacional multifacetada e com consequências profundamente negativas no que diz respeito ao Progresso da Humanidade.

Vive-se, na Europa e nos Estados Unidos da América, um tempo de crise económica e social profunda, onde o impacto dos mercados financeiros internacionais e da especulação nas economias nacionais se apresenta como fortemente comprometedor não apenas da retoma económica, mas também, não só da estabilidade democrática, como do aprofundamento da democracia e, consequentemente, do bem-estar social.

Às elevadas taxas de desemprego, à precariedade e volatilidade do mercado de trabalho, resultado de políticas neoliberais protectoras e favorecedoras dos interesses do grande capital, os políticos têm vindo a responder com medidas de combate à crise profundamente fragilizadoras das classes de menor estatuto social e económico, mas sem impacto na resolução dessa mesma crise, servindo apenas para “acalmar” o apetite dos mercados financeiros internacionais através do pagamento de elevados e injustificados juros cobrados às frágeis economias nacionais. Estas medidas são apresentadas às opiniões públicas como as únicas verdadeiramente eficazes para minorar os efeitos da voracidade dos mercados financeiros internacionais desregulados, omitindo o papel daqueles na emergência e aprofundamento da crise. Esta é declarada e assumida pelos governantes e por muitos economistas como se de uma fatalidade se tratasse. Ao mesmo tempo, propaga-se a ideia (ideologia) da inviabilidade de alternativas, a par da fragilização, no caso Europeu, do seu Modelo Social assente na redistribuição económica alegando a sua insustentabilidade a médio e longo prazo e a sua subalternização à Europa da Concorrência.

Acentua-se a responsabilidade individual e a desresponsabilização do Estado face aos grupos sociais mais vulneráveis, reduzindo as oportunidades para se realizarem enquanto cidadãos, beneficiando os mais poderosos em prejuízo dos mais desfavorecidos.

O ataque ideológico ao Modelo Social Europeu é um ataque ao mundo, dado que aquele é o modelo-padrão a partir do qual se constroem as aspirações dos cidadãos das nações emergentes e as novas formas de organização social que urge construir nesses países para redistribuir a crescente riqueza de que poucos usufruem.

As suas consequências são o paulatino desmantelamento das protecções sociais que (ainda) limitam os danos da pobreza e da exclusão social pondo em causa o contrato social que fundamenta a democracia. Às grandes desigualdades de distribuição de rendimento existentes nos países emergentes, perpetuadoras de inúmeras vidas imersas na mais profunda pobreza, juntam-se as novas situações, nos países mais ricos, onde o nível de riqueza cresce ao mesmo tempo que o número de pobres.

É em períodos de crise que se constroem alternativas de futuro. Todos os que se sentem interpelados, descontentes e explorados não podem ser mobilizados pelo “medo” para soluções autoritárias. E corre-se esse perigo. Por isso, é este o momento certo para que os cientistas sociais, que se ocupam de analisar, de procurar compreender e de sistematizar conhecimento sobre as sociedades, as suas dinâmicas, as suas forças e também os seus efeitos perversos, se empenhem na construção do aprofundamento da democracia. Em conjunto com todos aqueles que estão dispostos a trabalhar por um Mundo Melhor. Com todos aqueles que sabem que a democracia se inventa e se reconstrói. Outros paradigmas são possíveis, mas exigem o compromisso de todos nós, para que se diminua a distância entre governantes e governados, denunciada há tantos anos por Bourdieu; para que seja possível, à semelhança do preconizado por Edgar Morin, resistirmos a uma ideologia dominante que tudo varre à sua frente e que apresenta como evidente e normal o que mais não é que a exploração e a desigualdade, que recusamos; para que seja possível compreender à semelhança de Cynthia Fleury, que a democracia tem que conter a crítica de si própria, de modo a que se re-inventem as regras que nos governam, impedindo a “entropia” das democracias.

Torna-se, por isso, fundamental a intervenção no espaço público, nomeadamente através da construção de um Manifesto capaz de interrogar o capitalismo desenfreado em que vivemos (e particularmente a submissão às exigências dos mercados financeiros internacionais) que sacrifica parte significativa dos seres humanos em nome do lucro exacerbado de alguns, encaminhando-os para a perda gradual dos Direitos e da Dignidade Humanos. Trata-se de um Manifesto capaz de questionar o tipo de sociedade que está a construir-se com este modelo económico e apontar para a construção de uma sociedade em que o modelo económico não faça refém a maior parte da humanidade, destruindo-lhe nomeadamente a capacidade de indignação através do aumento da insegurança e precariedade associadas ao mercado de trabalho. O papel dos e das cientistas sociais é também desconstruir as “evidências do mercado”, bem como outras ideologias tão eficazes, nomeadamente no que diz respeito à veiculação de que não existe alternativa para a actual ordem económica e social mundial.

Afirmamos, pelo contrário, que uma nova ordem económica mundial é possível: uma ordem que restitua aos seres humanos o Direito à indignação, o Direito ao trabalho, o Direito a expectativas positivas e oportunidades de vida, o Direito à Dignidade.

Propomos, por isso, a adopção mundial de medidas tendentes a diminuir o impacto social da actual crise mundial que, se consideradas pelas elites governantes mundiais, contribuirão para o incremento das economias nacionais, para restituir ao ser humano a confiança no futuro e para o aprofundamento do sistema democrático.

Uma democracia saudável é uma democracia mais deliberativa e comunicativa, em que as políticas de “redistribuição”, de “reconhecimento” e de “participação” se articulam em prol de uma justiça mais respeitadora dos direitos humanos, mais cooperativa, sem áreas marginais, tendo em vista transformar este nosso mundo numa comunidade de comunidades.

A sobreexposição da opinião pública aos economistas do regime e sua cartilha de pensamento único desvitaliza e despolitiza o espaço público, difundindo a ideia que Margaret Thatcher apregoou quando subiu ao poder e que constitui o nó górdio de todo um programa: "não há alternativa". Nos dias que correm, esta questão surge com particular intensidade no respeitante à dívida soberana. A prenoção da intocabilidade da dívida afoga todas as tentativas de a discutir enquanto instrumento privilegiado de transferência dos rendimentos do salário para o capital. Na verdade, o reescalonamento e a reestruturação da dívida deveria permitir aos países não pagarem juros extorsionários. De igual modo, afigura-se fundamental impor uma justa redistribuição dos sacrifícios, obrigando a banca (uma das principais causadoras e beneficiárias da actual crise) a pagar imposto de acordo com os lucros obtidos, a par da taxação das grandes fortunas, das mais-valias bolsistas e urbanísticas, das transferências para offshores. Finalmente, julgamos essencial que qualquer política macroeconómica calcule, de antemão, o número de pobres que vai produzir, para que se perceba e evite os danos sociais e morais da sua implementação.

A construção de um Movimento Social Internacional

Apela-se a todos os Cidadãos e Cidadãs do Mundo para aderirem a este Manifesto, em ordem a construir um Movimento Social Mundial capaz de enfrentar o actual capitalismo desenfreado que se quer fazer “senhor do mundo” e reféns as pessoas que o habitam. PELA REGULAÇÃO DEMOCRÁTICA E SOLIDÁRIA DO CAPITALISMO. PELA HUMANIDADE COM DIGNIDADE.

Almerindo Afonso (Sociólogo da educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Ana Benavente (Socióloga da educação, ICS-ULHT, Lisboa), Ana Diogo (Socióloga Universidade dos Açores). Afrânio Mendes Catâni (Sociólogo, Universidade de São Paulo, Brasil) Álvaro Borralho(Sociólogo, Universidade dos Açores), Alexandra Castro (Socióloga, CET/ISCTE), Alberto Melo(Associação in Loco e Universidade do Algarve), António Teodoro (Sociólogo da educação, Universidade Lusófona), Andrea Spini (Sociólogo, Universidade de Florença, Itália) Bernard Lahire(Sociólogo, École Normale Supérieure Lettres et Sciences Humaines, Universidade de Lyon 2, França),Carlo Catarsi (Sociólogo, Universidade de Florença, Itália) Carlos Estêvão (Sociólogo da Educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Casimiro Balsa (Sociólogo, Universidade Nova de Lisboa), Claire Auzias (Historiadora, França) Conceição Nogueira (Psicóloga Social, Escola de Psicologia, Universidade do Minho) Fátima Pereira Alves (Socióloga, Universidade Aberta),Fernando Diogo (Sociólogo, Universidade dos Açores), Filipe Carmo (Historiador), Gilberta Rocha (Socióloga, Universidade dos Açores), Giovanna Campani (Antropóloga, Universidade de Florença, Itália), Isabel Guerra (Socióloga, DINAMIA/CET, IUL/ISCTE), João Teixeira Lopes(Sociólogo, Faculdade de Letras, Universidade do Porto), Luísa Ferreira da Silva (Socióloga, ISCSP- Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, Universidade Técnica de Lisboa), Manuel Carlos Silva (Sociólogo, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho), Maria Alice Nogueira(Socióloga, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil) Maria José Casa-Nova (Socióloga da educação, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Maria Helena Cabeçadas(Antropóloga), Manuel Matos (Professor aposentado da FPCE, Universidade do Porto), Manuel Sarmento (Sociólogo, Instituto de Educação, Universidade do Minho), Maurizio Matteuzzi(Filósofo, Universidade de Bologna, Itália), Michael Young (Sociólogo, da educação, institute of Education, London) Michel Messu (Sociólogo, Universidade de Nantes, França), Nancy Fraser(Henry A. & Louise Loeb Professor of Philosophy and Politics, New School for Social Research, New York, USA), Nathalie (Socióloga, Universidade de Namur, Bélgica), Paulo Pereira de Almeida(sociólogo, ISCTE, Lisboa), Pedro Silva (Sociólogo da educação, Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, Instituto Politécnico de Leiria), Roger Dale (Sociólogo, Universidade de Bristol, Inglaterra), Rui Brito Fonseca (Sociólogo, CIES/ISCTE-IUL) Universidade de Lisboa), Rui Canário(Sociólogo da educação, Instituto de Educação, Universidade de Lisboa) Rui Santiago (Professor da Universidade de Aveiro), Saniye Dedeoglu (Centre For Research in Ethnic Relations, School of Health and Social Studies, University of Warwick, Inglaterra), Sílvia Carrasco Pons (Antropóloga, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha), David Smith (Sociólogo, Canterbury University, Kent, United Kingdom), Vitor Matias Ferreira (Sociólogo, Prof. Emérito do ISCTE) Xavier Rambla(Professor de Sociologia, Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha)

domingo, maio 01, 2011

Feliz 1º de Maio

Quando coloquei este magnífico poema de Camões na primeira página da minha tese de doutoramento, pensando na altura no significado dele na minha vida. Nunca me tinha sequer apercebido que esta música do José Mário Branco era baseada no poema de Camões, nem tão pouco no significado que este poema adquire nestes tempos conturbados para o nosso país e em larga medida para o mundo.
Porque o mais que este mundo precisa é de mudança. Porque a ditadura capitalista que esmaga e oprime grande parte do mundo tem de conhecer um fim rapido. Porque quem trabalha tem de ver garantida a dignidade que merece, e não pode servir de peão nos jogos daqueles que sem o merecerem adquiriram o poder através do crime económico. Feliz 1º de Maio!


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
[...]
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
[...]
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
[...]
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
[...]

Luís Vaz de Camões

[... e se tudo o Mundo é composto de mudança, troquemos-lhes as voltas que ainda o dia é uma criança...]

José Mário Branco

Piscares de Olho - XXXV

Anualmente, as crianças da Holanda e de algumas regiões da Alemanha, Bélgica e Suiça esperam ansiosamente a chegada do Sinterklaas, um senhor barbas brancas que não deve ser confundido com o Pai Natal, mas que também traz prendas por altura do Natal. No caso da Holanda, o Sinterklaas chega logo no início de Dezembro e vem acompanhado dos seu ajudante, o Zwart Piet, que é negro. Aliás, o Sinterklaas vem de Espanha, de barco, e trás um saco com prendas para as crianças que se portaram bem, e onde coloca as crianças que se portaram mal.
Por vezes ele trás também um elefante, como foi o caso neste dia, quando tirei esta fotografia no desfile do Sinterklaas em Groningen, acho que em 2007.

sábado, abril 30, 2011

Hasta la Vitória!

Vermelho e branco, as cores do meu coração.
Não há granizo nem tornado que pare a Vitória do Benfica!!!

sexta-feira, abril 29, 2011

Guernica

Há alguns anos tive a felicidade de ver o "Guernica" original, no museu Rainha Sofia em Madrid. O museu tem uma sala inteira reservada para este quadro impressionante, que ocupa toda uma parede com os seus 3,5 m de altura e 7,8 m de largura. Esta obra de Pablo Picasso regista o sofrimento do povo de Guernica, cidade basca bombardeada pela Legião Condor durante a Guerra Civil Espanhola, a 26 de Abril de 1937. A pintura serviu de baluarte para atrair a atenção do mundo para o drama e violência desta guerra, e tornou-se com o tempo uma memória perpétua das tragédias das guerras e um símbolo contra a guerra e a favor da paz.

quarta-feira, abril 27, 2011

Natureza fantástica

Descoberto escaravelho do Alasca que sobrevive a temperaturas de 75 graus Celsius negativos

A resistência ao frio é uma característica de um conjunto de insectos, peixes plantas, fungos e bactérias. Alguns organismos conseguem evitar a congelação porque possuem moléculas anticongelantes, constituídas por proteínas. No entanto, paradoxalmente, cientistas canadianos conseguiram recentemente isolar uma substância anticongelante de uma espécie de insecto tolerante à congelação, como referido num artigo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O Upis ceramboides é um coleóptero que ocorre no Alasca e que produz uma molécula anticongelante com características particulares. Com efeito, o xylomannan não apresenta a usual composição proteica, sendo constituído exclusivamente, ou quase, por açúcares e ácidos gordos.

Segundo Brian Barnes, que participou no projecto que originou o achado “A parte mais emocionante desta descoberta é que esta molécula é um tipo de anticongelante completamente novo, que pode funcionar num local diferente da célula e de forma distinta”.

Com efeito, os ácidos gordos que fazem parte da composição do xylomannan coincidem com aqueles produzidos pela parede das células, o que poderá permitir a molécula se torne parte integrante da célula impedindo a formação de cristais de gelo no seu interior.

Graças a este inovador anticongelante, o Upis ceramboides que congela no laboratório quando a temperatura desce aos -28º Celsius, sobrevive até -75ºC.

De acordo com Ken Walters que também participou no projecto que deu a conhecer o xylomannan “As potenciais aplicações deste novo tipo de molécula anticongelante são muitas. Em termos de criopreservação, podemos aumentar a viabilidade e potenciar a sobrevivência de células e tecidos de outros organismos em condições de congelação”.


Notícia proveniente do site Naturlink.

terça-feira, abril 26, 2011

Nas palavras de Fausto Bordalo Dias...

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Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

a branca areia de ontem
está cheiinha de alcatrão
as dunas de vento batidas
são de plástico e carvão
e cheiram mal como avenidas
vieram para aqui fugidas
a lama a putrefacção
as aves já voam feridas
e outras caem ao chão

Mas na verdade Rosalinda
nas fábricas que ali vês
o operário respira ainda
envenenado a desmaiar
o que mais há desta aridez
pois os que mandam no mundo
só vivem querendo ganhar
mesmo matando aquele
que morrendo vive a trabalhar
tem cuidado...

Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

Em Ferrel lá p´ra Peniche
vão fazer uma central
que para alguns é nuclear
mas para muitos é mortal
os peixes hão-de vir à mão
um doente outro sem vida
não tem vida o pescador
morre o sável e o salmão
isto é civilização
assim falou um senhor
tem cuidado

Rosalinda
se tu fores à praia
se tu fores ver o mar
cuidado não te descaia
o teu pé de catraia
em óleo sujo à beira-mar

segunda-feira, abril 25, 2011

A Liberdade


A Liberdade é como uma viagem, começa sempre com um simples passo. Celebremos hoje o aniversário do dia em que Portugal deu esse passo!
Infelizmente, o país tem vindo a desviar-se desse caminho nas últimas décadas. Algures pelo caminho perdemo-nos em atalhos de desigualdade e injustiça social. Precisamos de voltar a percorrer os trilhos da Justiça e da Igualdade, parte essencial da viagem da Liberdade. Acho que o país, e o povo português, precisam de um novo passo. De voltar a dar um primeiro passo, semelhante ao que demos em 74, para voltar a colocar o País no caminho certo. Para voltarmos a caminhar a viagem da Liberdade.

(na fotografia eu, a minha amiga Catarina, e uma colega alemã dela, a dar-mos os primeiros passos de uma valente caminhada pelos Alpes alemães. Não pretendia ser metafórica, mas agora que penso nisso, alguns dos maiores obstáculos que se nos apresentam no caminho são algumas escarpas alemãs difíceis de transpor!)

domingo, abril 24, 2011

Piscares de Olho - XXXIV

Por vezes, a Natureza surpreende-nos. Mesmo os pecados na nossa sociedade consumista e destrutiva podem ganhar laivos artisticos quando integrados no espaço natural. Para o piscar de olho desta semana, tenho umas madeiras dadas à costa, a que alguns restos de artes de pesca deram um colorido invulgar. Penso que em português não existe um nome especifico para estas madeiras devolvidas pelo oceano, em inglês existe uma palavra, driftwood, uma palavra que me parece ser naturalmente envolvida de mistério e beleza. Este dritfwood colorido foi apanhado pela câmara numa praia no norte da Polónia, perto de Jastrzebia Góra, em Outubro de 2008.

sexta-feira, abril 22, 2011

quinta-feira, abril 21, 2011

quarta-feira, abril 20, 2011

Previsão do tempo

Para os próximos tempos esperam-se ventos de austeridade de norte e de oeste, com fortes possibilidades de trovoadas de desemprego, enxurradas de miséria e subida dos impostos. O avanço de frentes frias ultra-liberais pode levar à queda de despedimentos baratos acima dos 0 m de altitude e ao encher dos bolsos dos grandes grupos económicos, com repercussões no clima dos bancos alemães e americanos que se espera agradável e cheio de dinheiro fácil retirado aos trabalhadores do sul da Europa.
A persistência destas condições climatéricas ao longo dos próximos 5 a 10 anos pode trazer ventos de mudança e forte aumento da temperatura revolucionária na bacia do Mediterrâneo, agora também na sua margem norte, sendo esta a única coisa positiva que pode advir da tempestade perfeita que se aproxima de norte e de oeste.

segunda-feira, abril 18, 2011

Ideias feitas e a questão da energia

"Um recente artigo de opinião, assinado pelo professor e físico Carlos Fiolhais, fez-me pensar que as opiniões expressas estão baseadas em ideias feitas mas infelizmente erradas. Afinal, são partilhadas hoje por muita gente, uns explorando-as porque lhes convém, outros porque, na busca de uma solução e não sabendo melhor, querem ver nelas a resposta que procuram:
1) Ideia feita: "O nuclear é uma fonte de energia inesgotável" (anos 60); o nuclear comercial está baseado em Urânio 235 e este é muito pouco abundante na Natureza, tendo provavelmente sido já consumidas metade das reservas conhecidas; isto é, temos para mais umas escassas dezenas de anos. Assim, esta solução nuclear não é sustentável e vai ser cada vez mais cara com a passagem do tempo. Em alternativa pode recorrer-se ao urânio 238 (150 vezes mais abundante) ou ao Tório (Th232). mas estes exigem outro tipo de centrais, que ainda não existem em termos comerciais, inerentemente mais perigosas e produtoras de lixo radioactivo. Mais I,D&I durante 20 ou 30 anos?
2) Ideia feita: "O nuclear é a forma de energia mais barata" - "too cheap to meter! (anos 60); ao invés, para a revista Time de 26 de Março o nuclear é "...outlandishly expensive method of generating (electricity)!"; por isso não existe nenhum reator em funcionamento que não tenha sido substancialmente subsidiado. Apesar disso e com muitos anos de amortização do financiamento, o custo do kWh nuclear em Espanha (6,4 cent. euro/kWh) é comparável ou mesmo superior ao mix das termoeléctricas a gás e carvão. E este custo não inclui: custo de desmantelamento, custo do tratamento e armazenamento dos lixos, e, claro, o custo dos terríveis acidentes que têm acontecido pelo menos 1 a cada 10 anos, nos últimos 30 anos. Também não inclui os custos extras que, depois de Fukushima, os reactores terão que ter para aumentar a sua segurança. A energia nuclear tem o enorme problema de ser operada/gerida por pessoas, nas quais se manifestam os habituais defeitos de corrupção, ineficiência, desleixo, mas que aqui têm consequências para lá do que é habitual associar-lhes. A gravidade do acidente não se deveu só ao terramoto/maremoto, mas a que muitos equipamentos essenciais tinham problemas (fissuras, por exemplo) que foram ignorados (a central tinha acabado de ser aprovada para mais de dez anos da produção).
3) Ideia feita: "A energia nuclear é limpa"; não é verdade, nem no sentido das emissões de CO2, já que é necessário construir e desmantelar a central, tratar, transportar e armazenar lixos, havendo produção de CO2 associada; mas, sobretudo, gera um novo tipo de lixo, radioactivo, altamente perigoso e "sujo".
4) Ideia feita: "As energias renováveis são caras"; ao invés, basta considerar um edifício com uma tecnologia solar passiva incorporada, ou uma lareira lá em casa; mas falando apenas de electricidade, também não é verdade: a hídrica produz o kWh mais barato em Portugal; no último leilão da eólica chegou-se ao valor de 7 cent. de euro, valor que, descontando as alcavalas que as Energias Renováveis pagam, é um valor competitivo com as centrais térmicas em Portugal, com a enorme vantagem de fixar a tarifa a 15 anos, enquanto o kWh das térmicas vai subir com a subida do preço dos combustíveis. Nenhuma outra fonte convencional, incluindo o nuclear, apresenta esta característica! Em termos de investimento, o custo do nuclear por Wpico é pelo menos três a quatro vezes superior ao da eólica ou hídrica. Ainda há algumas renováveis - por exemplo, a conversão fotovoltaíca - que são caras, mas o seu preço está a baixar de forma rápida e, mais uns escassos anos, se tivermos a inteligência de continuar a investir nelas para criar o mercado que gera quantidade e redução de preço, serão também baratas e criarão uma verdadeira revolução no sector.
5) Ideia feita: "As renováveis não nos garantem segurança de abastecimento e/ou despachabilidade"; outra ideia errada: falando apenas de electricidade, basta considerar a hídrica e a eólica (e outras no futuro) combinadas, considerando o armazenamento de energia com bombeamento reversível, para se ter completa a "dependabilidade" e "despachabilidade". Em caso de um grande acidente (tipo terramoto/maremoto), os equipamentos renováveis estão distríbuidos e introduzem resiliência no sistema, coisa que a grande centralização convencional como a da central de Fukushima não oferece no mesmo grau.
6) Ideia feita: "As Energias Renováveis não podem ter uma contribuição signiicativa"; falso, falando apenas de electricidade, em 2009 a contribuição das Energias Renováveis foi > 45% e em 2010 > 50%, será possível atingir os 70% em 2020, se prosseguirmos a política energética em curso. uma central nuclear em Portugal contribuiria < 15% para a electricidade (4% em termos de energia final). Afinal, as Energias Renováveis já são uma alternativa real ao convencional e ao nuclear, e, portanto, "o nuclear não é inevitável"!

Manuel Collares-Pereira, titular da cátedra BES de Energias Renováveis da Universidade de Évora
In "Publico" (18-04-2011)

domingo, abril 17, 2011

Piscares de Olho - XXXIII

Para este piscar de olho, uma visita à Big Apple. Tirei esta fotografia numas férias nos Estados Unidos, em 2007, em que tive a oportunidade de visitar Nova Iorque. A cidade é fantástica, mas já sobejamente conhecida de todos por servir de cenário a intermináveis séries, filmes, anúncios publicitários, documentários e peças jornalísticas. Assim, para absorver melhor a cor local, temos de procurar pormenores. Neste caso, o colorido de um placard de anúncios em Greenwich Villlage, junto a uma entrada do metro. A cor dos metais pintados, o anúncio vermelho berrante a uma loja de cigarros, e um anúncio a um filme típicamente americano, o mais recente filme da série Die Hard, com o inquebrável Bruce Willis, formam, na minha opinião, um belo resumo da cidade que tantos vêm como a capital do mundo.

sexta-feira, abril 15, 2011

A fábula da ratolândia

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência...


Trata-se de uma fábula divulgada por Tommy Douglas, proeminente activista e político canadiano, eleito em 2004 como "O maior canadiano de todos os tempos". É reconhecido como sendo o pai do sistema de saúde pública canadiano e do acesso universal à saúde.

quinta-feira, abril 14, 2011

Valentões em lantejolas?

Alguém sobre o pseudónimo de Zéquinha pôs o comentário que aqui vou reproduzir no site do Público, no seguimento de uma notícia sobre touradas:

"A rapaziada das lides, valentões vestidos de lantejolas, deviam era pegar no animal no momento em que ele sai para a arena. Ai é que eles demonstravam a sua bravura, o seu verdadeiro machismo. Agora, essa de pegar o bicho depois de ele estar quase morto, não passa de uma cobardia. E já agora, que mal lhes fez o bicho, para não o deixarem em paz?"

Não resisti a partilhar aqui a bela frase. Gosto especialmente da parte dos "valentões vestidos de lantejolas", pois de todo o triste e absurdo não-espectáculo em que consiste uma tourada, o mais absurdo de tudo deve ser o facto dos forcados e toureiros, supostos arautos da mais pura masculinidade na sua pseudo-coragem em enfrentar um touro ensanguentado em superioridade numérica e armados de cavalos, espadas e espetos, usarem provavelmente as roupas mais gay que já terão sido criadas em toda a história da humanidade. Será uma homosexualidade reprimida e escondida nessa falsa exibição de masculinidade, apenas revelada na indumentária e na obcessão pelas pegas de cernelha, ou o simples perpétuar do mau gosto tão típico de festas tristes como aquela que chamam de brava?

quarta-feira, abril 13, 2011

Ninhos para abutre-preto

Gostaria de avisar os possíveis abutres interessados que já estão disponíveis para eles 10 belos ninhos artificiais como o representado na fotografia, em zonas de habitat favorável a norte de Barrancos. Estes foram os primeiros 10, de 30 ninhos que esperamos vir a construír no âmbito do projecto LIFE Habitat Lince Abutre, esperando com esta e outras medidas vir a facilitar a recolonização do SE de portugal por esta espécie emblemática dos habitats mediterrânicos da Península Ibérica. Os ninhos são feitos de ferro, compostos por 3 barras de ferro telescópicas em cima das quais é aparafusado um cesto metálico que é preenchido com material lenhoso e arbustivo, de forma a ficar com o aspecto de um ninho natural de abutre-preto. Esta estrutura permite que o peso do ninho não seja suportado pela árvore, o que frequentemente leva à perda de ninhos devido à escassez de árvores com o porte necessário para receber estes ninhos que podem ultrapassar os 100 kg de peso.

domingo, abril 10, 2011

Piscares de Olho - XXXII

Ainda há algumas semanas atrás partilhei aqui uma fotografia tirada em Roterdão, na zona de Delfshaven, um antigo porto comercial dos tempos dourados do império marítimo holandês. Hoje tenho aqui uma fotografia do porto própriamente dito. Em vez de caravelas e galeões carregados de especiarias, café e açucar, hoje a zona está ocupada por iates e barcos-casa, e nos dias de Sol, como era o caso neste dia, dá uma bela paisagem urbana. O céu na Holanda, nos dias em que o Sol espreita, tende a ser muito fotogénico, com a mistura certa de nuvens brancas e céu azul. Só é pena esses dias serem tão raros...

segunda-feira, abril 04, 2011

Palavras sábias

"Na minha próxima vida, quero viver de trás para frente.
Começar morto, para despachar logo o assunto.
Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer.
Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilà!" - desapareço num orgasmo."

Woody Allen

domingo, abril 03, 2011

Piscares de Olho - XXXI

Para o piscar de olho de hoje, a melhor fotografia que tirei a um maçarico-de-bico-direito, ou Limosa limosa, a ave que estudei durante o meu doutoramento, e à qual, no fundo, dediquei 4 anos da minha vida. Estas aves magníficas fazem longas migrações, escolhendo como área de reprodução as pastagens agrícolas do norte e leste da Europa, e passando o Inverno na África ocidental. De passagem entre estas duas regiões, estas aves passam em grandes números no nosso país, sendo possível observar bandos de dezenas milhares destas aves nos arrozais que rodeiam os estuários do Tejo e do Sado. Podem encontrar mais informações aqui, ou aqui. A fotografia foi tirada na minha área de estudo na Holanda, uma pequena área protegida chamada Workumerwaard, localisada na província da Frísia, no norte da Holanda, sendo a ave fotografada um macho adulto.

sábado, abril 02, 2011

Fool me once...

Nos Estados Unidos existe um ditado, famosamente mal enunciado pelo ex-presidente George W. Bush, que diz "fool me once, shame on you, fool me twice, shame on me". Em português significa qualquer coisa como, se me enganares uma vez, é maldade tua, se me enganares uma segunda vez, é estupidez minha.
Infelizmente, a Europa parece desconhecer este ditado e prepara-se para ser enganada pela terceira vez pelas agencias de notação financeira e pela expeculação desenfreada dos investidores económicos. Digo isto porque à um ano atrás a Grécia estava com um défice financeiro dramático e a ser forçada a taxas de juro incorpotáveis para se financiar no exterior, o que levou a uma queda a pique do seu "rating". A solução foi medidas de austeridade draconianas e ajuda externa da UE e do FMI. Resultado? O "rating" da Grécia continua a descer, as taxas de juro subiram de 9% para 16% e a situação económica do país continua idêntica, agora agravada por uma crise social intensa e pela quase paralisia da economia devida às medidas de austeridade.
Cerca de 6 meses depois, a situação repetiu-se na Irlanda. Novamente, a solução foi a austeridade e a ajuda externa. O resultado? Desde aí as taxas de juro sobre a dívida irlandesa subiram de 7% para mais de 10%, a economia está estagnada e a situação está em tudo pior que antes da ajuda externa.
A Europa aprendeu alguma coisa? Não, está a seguir exactamente a mesma receita em Portugal, sendo o recurso ao FMI agora apresentado como inevitável. Depois de dois erros crassos, em vez de se retractar, a Europa vai continuar com o seu dogmatismo ultra-liberal (conceito que seria por definição contraditório, mas que é a realidade em que vivemos) e condenar Portugal ao mesmo tratamento, pior que a doença, a que condenou Grécia e Irlanda.

É ocasião para dizer que a União Europeia quer inventar um corolário ao tal ditado americano, demonstrando não só uma total falta de solidariedade entre os estados, mas também uma profunda estupidez:

Fool me once, shame on you,
Fool me twice, shame on me
Fool me thrice, shame on all

sexta-feira, abril 01, 2011

Bom português

"Gosto de palavrões" por Miguel Esteves Cardoso

Acrescentar alguma coisa era foder o texto todo...

"Já me estão a cansar... parem lá com a mania de que digo muitos palavrões, caralho! Gosto de palavrões! Como gosto de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de dialogar... mas dialogar com carácter! O que se não deve é aplicar um bom palavrão fora do contexto, quando bem aplicado é como uma narrativa aberta, eu pessoalmente encaro-os na perspectiva literária! Quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar. Quando um palavrão é usado literalmente, é repugnante. Dizer "Tenho uma verruga no caralho" é inadmissível. No entanto, dizer que a nova decoração adoptada para a CBR 900' 2000 não lembra ao "caralho", não mete nojo a ninguém. Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação.
Quando uma esferográfica não escreve num exame de Estruturas "ah a grande puta... não escreve!", desagrava-se a mulher que se prostitui. Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação "Não sejas conas", significa que o parceiro pode não jogar um caralho de GT2. Nada tem a ver com o calão utilizado para "vulva", palavra horrenda, que se evita a todo o custo nas conversas diárias.
Pessoalmente, gosto da expressão "É fodido..." dito com satisfação até parece que liberta a alma! Do mesmo modo, quando dizemos "Foda-se!", é raro que a entidade que nos provocou a imprecação seja passível de ser sexualmente assaltada. Por ex.: quando o Mário Transalpino "descia" os 8 andares para ir á garagem buscar a moto e verificava que se tinha esquecido de trazer as chaves... "Foda-se"!! não existe nada no vocabulário que dê tanta paz ao espírito como um tranquilo "Foda-se...!!". O léxico tem destas coisas, é erudito mas não liberta. Os palavrões supostamente menos pesados como "chiça" e "porra", escandalizam-me. São violentos. Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, "ai o caralho...", sem que daí venha grande mal à família, um chiça", sibilino e cheio, pode instalar o terror. Quando o mesmo pai, recém-chegado do Kit-Market ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar "onde é que se meteu a puta da porca...?", está a dignificar tanto as putas como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades.
Se há palavras realmente repugnantes, são as decentes como "vagina", "prepúcio", "glande", "vulva" e "escroto". São palavrões precisamente porque são demasiadamente ínequívocos... para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que "fica na vagina da mãe" ou "no ânus de Judas". Todas as palavras eruditas soam mais porcas que as populares e dão menos jeito! Quem é que se atreve a propor expressões latinas como "fellatio" e "cunnilingus"? Tira a vontade a qualquer um! Da mesma maneira, "masturbação" é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular "esgalhar o pessegueiro", com a ressonância inocente que tem, de um treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil. Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso é imaginação na entoação que se lhes dá. Eu faço o que posso."

E a versão adaptada pelo Miguel Guilherme:

quinta-feira, março 31, 2011

Sabem aquela...

Pois é, parece que vamos a votos dia 5 de Junho. Até já nem sabiamos todos nem nada, mas enfim, são os formalismos (des)necessários do nosso regime. Enquanto os partidos não começam o circo habitual, deixo aqui a minha contribuição para a campanha eleitoral, neste cartoon tão bem roubado do blog na Nokas, que por sua vez roubou de outro, etc, etc. etc.


Se há momento em que é essencial votar em massa na esquerda, e estou a falar da esquerda, não estou a falar do PS, este é o momento. Estamos a ser massacrados pelas políticas ultra-liberais da direita e extrema-direita que tomou conta dos governos europeus. Em alguns casos até anda desfarçada de esquerda, como no PS português ou no PSOE espanhol, mas a verdade é toda igual, abrir as pernas para os grandes grupos económicos, e violentar o povo que trabalha. Há que quebrar imediatamente com este status quo. Cortar rente, mudar de direcção e virar à esquerda com toda a confiança!

Estadistas

O último verdadeiro estadista?

Lula da Silva parece ser dos poucos políticos que ainda existem com capacidade de pensamento independente, superiores à cacofonia dos economistas (os bruxos e videntes dos tempos modernos), e capazes de compreender que o objectivo das nações deve ser o constante melhoramento da humanidade, em termos de justiça, igualdade, liberdade, e conhecimento, e não da mera variação do PIB ou da taxa de juros.
Faltavam-nos muitos destes... mas de momento não temos cá nenhum!

segunda-feira, março 28, 2011

Das antenas à justiça, passando pelo BPN...

Hoje roubaram-me (mais um)a antena do carro. Se isto se tivesse passado em Lisboa ou no Porto, eu nem estranhava, o problema tinha sido meu por deixar a antena à mão de semear. Mas em Évora? Ao estado a que isto chegou!

Mas o minha raiva, ou desagrado não é dirigida ao assaltante. Não sei se o fez para comprar a dose de droga, para amealhar dinheiro para comprar uma arma, ou simplesmente para comprar comida para si ou para a sua família. Isso é o que menos me interessa. A culpa do pequeno crime não é dos criminosos, mas antes de uma sociedade, e acima de tudo de um estado, que assume que a miséria é um estado aceitável para os seus cidadãos. A culpa é dos empresários que despedem ou exploram sem qualquer escrúpulo. É de toda esta filosofia ultra-liberal do capitalismo selvagem, da ganância levada ao extremo, do enriquecimento a tudo o custo, mesmo que o custo seja o benefício de dois ou três se espelhar na miséria de milhares ou de milhões.

É muito fácil pegar no discurso habitual da direita, tão habitual na língua serpentina de Paulo portas. Aquele discurso do crime galopante, do perigo à solta, da insegurança nas rua, tão bom para ganhar o voto da terceira idade. O problema é que a solução apresentada por esses senhores para esse problema é sempre a mesma, mais repressão, mais prisões, mais penas, mais investimento nas forças de segurança, endurecer a luta contra (algum d)o crime. Essa solução até poderia funcionar, se fosse uma verdade incontestável que algumas pessoas nasciam más, e outras nasciam boas. Prendendo todos os maus, os bons viveriam felizes para sempre. Mas o "viveram felizes para sempre" é uma coisa dos contos de fadas, e são no fundo contos de fadas que essa gente das direitas e extremas direitas nos gostam de contar.
Infelizmente, o crime não é uma manifestação do mal, nem um problema de moral. O crime, e sobretudo o pequeno crime, está intimamente ligado à situação económica do país. Os países ricos, com baixos níveis de desigualdade social, sendo destes exemplo máximo os estados do norte da Europa, são também aqueles que têm menos crime. Não é com repressão nem com violência que se combate o pequeno crime. Combate-se com justiça social e com educação. Combate-se com igualdade de oportunidades e de direitos, com uma política laboral justa, com baixos níveis de desemprego e de precariedade laboral.

Não vou dizer que não se deve financiar melhor as nossas polícias, e que o policiamento das ruas não é importante. Claro que são. É essencial manter a segurança das nossas ruas e é vergonhoso o estado de sub-financiamento a que as nossas forças de segurança chegaram, sem dinheiro para pagar sequer as fardas ou a gasolina das viaturas. Mas o verdadeiro alvo da política de segurança do país deveria ser o combate radical contra a pobreza, contra o desemprego e a precariedade, contra as desigualdades sociais. E, claro, o combate contra o grande crime, aquele que não afecta cada um individualmente mas que afecta todo o país e nos prejudica a todos enquanto cidadãos deste país. O chamado crime de colarinho branco, o grande crime económico, as grandes negociatas e trocas de favores, as grandes redes de tráfico que abastecem tantas das causas do pequeno crime, e os grandes crimes da banca, como o vergonhoso caso BPN em que o próprio Presidente da República, o pretenso máximo magistrado da nação, está envolvido até à ponta dos cabelos, assim como os seus verdugos dos governos PSD dos anos 80 e 90.

Infelizmente, em Portugal é infinitamente mais provável ser preso por roubar 10 euros do que por roubar 1000 milhões de euros. A nossa justiça é uma farsa, em que os pequenos se lixam e os grandes não só se escapam como ainda têm a lata de concorrer a cargos públicos, sendo eleitos por uma populaça ignorante que continua achar que as ruas estão cada vez mais inseguras, mas que elegem sempre aqueles que menos fazem para combater as verdadeiras causas do crime.

Em última análise, não me importava que me roubassem uma antena por semana, se em troca os senhores do BPN, os Isaltinos Morais e outros que tais fossem parar com os costados à prisão. não me importava de perder uma antena todos os dias, se em troca a taxa de desemprego baixasse e fosse possível encontrar neste país empregos estáveis e bem remunerados!

domingo, março 27, 2011

Pancadaria...

Ontem houve palhaçada em Alvalade. Não estou a falar de mais uma arbitragem à la Pinto da Costa, desta vez os actores do espectáculo circense foram únicamente os próprios adeptos do Sporting. Um grupo de selvagens tornou as eleições democráticas do clube numa batalha campal mais típica dos ambientes revolucionários dos países magrebinos há décadas sob a alçada de violentos regimes autoritários.
Sinceramente, as eleições do Sporting não me interessam absolutamente nada. Mesmo que fossem no meu Benfica seriam pouco interessantes, sobretudo num contexto nacional em que temos temas bem mais importantes para debater. Estou aqui a falar desta questão só para partilhar esta minha interrogação. Não será esta selvajaria travestida de democracia que se passou no Sporting um sinal da baixíssima cultura democrática que o povo português continua a exibir, mesmo quase 40 anos depois do 25 de Abril?
Os portugueses parecem olhar para a democracia um pouco como vêm o futebol. Cada um tem o seu clube (a.k.a. partido) e lutam pela vitória como se de um jogo se tratasse, sem lembrar que no combate político aquilo que se está a decidir é o futuro do país e não uma qualquer taça ou medalha de mérito desportivo.
Vou tentar acreditar que aquilo que se passou ontem foi só mais uma cena típica do caos medieval em que vive o futebol português, e acreditar que estas cenas tristes não se podem extrapolar para a política do país... vou tentar acreditar, mas ouvir os discursos inflamados dos nossos "representantes" na Assembleia da República não é fácil acreditar nesta crença optimista!

Piscares de Olho - XXX

Esta semana o piscar de olho não me leva para muito longe da minha localização actual. trata-se de um pôr-do-Sol no Cromeleque dos Almendres, aqui bem perto de Évora. O sol punha-se entre os sobreiros e os seus raios pareciam brincar com algumas das pedras deste fantástico monumento megalítico. O Cromeleque dos Almendres é composto por cerca de 90 monolítos e terá sido construído entre o sexto e o terceiro milénios antes de Cristo, sendo, pela sua dimensão e excelente estado de conservação, o mais importante monumento megalítico da Península Ibérica. Fica localizado na freguesia de Nossa Senhora de Guadalupe, cerca de 15 km a oeste de Évora, e merece certamente uma visita. A melhor altura para visitar é a Primavera, quando as temperaturas alentejanas ainda não atingiram os seus máximos e quando os bosques e montados que rodeiam o cromeleque estão verdes e cobertos de flores campestres.

sábado, março 26, 2011

No prato ou na política, antes Lula que Coelho!


Estava aqui a ler um artigo do historiador Filipe Ribeiro de Menezes (autor de "Salazar: uma biografia política") no Público de hoje. Este artigo nota, e passo a citar, "que, volvidos quase 37 anos sobre o 25 de Abril, e um quarto de século sobre a nossa entrada na CEE, Portugal continua a bater-se com um enimigo bem mais antigo que o regime iniciado em 1974, ou do que o seu predecessor. Está ainda por resolver, depois de tanta História, a questão central que levou os líderes do exército, em 1928, a convidarem Salazar para integrar o executivo, cobraçando a pasta das Finanças. Governando em sitadura, tinham esses mesmos generais agravado a questão, herdada da I República, que por sua vez a herdou da Monarquia Constitucional. Era essa questão, claro está, a das contas públicas, sempre desiquilibradas".
O autor do artigo recorda-nos que as contas públicas portuguesas nunca mais voltaram a estar em ordem desde a independência do Brasil, e da consequente perda das receitas quase infinitas provenientes da exploração dos recursos naturais dessa nossa riquíssima ex-colónia, que suportaram os luxos e abusos económicos da coroa portuguesa durante séculos.
Ou seja, Portugal, com todos os vícios adquiridos por séculos de potentado colonial, com o hábito adquirido de viver muito acima das possibilidades naturais do nosso pequeno rectângulo à beira-mar plantado, não consegue subsistir sem o apoio de um irmão de riqueza quase infinita que o ia safando das dividas acumuladas, o Brasil. O contexto histórico ajuda a compreender a nossa situação actual: ou Portugal aprende (finalmente) a viver dentro dos limites das suas possibilidades, ou talvez a única solução possa mesmo ser aquilo que o Finantial Times sugeriu, vou assumir que em tom jocoso, de dar uma reviravolta de 180º na História e tornar Portugal uma província do Brasil...
Em semana de visita de Dilma Rousseff e Lula da Silva a Portugal, é caso para dizer "Lula, vôcê não qué vir pára Portugau e sauvá a gentxi, não?" Obviamente estou a brincar... mas quando confrontado com um país obrigado a escolher entre Sócrates e Passos-Coelho, a minha escolha mais óbvia parece ser fugir para o Brasil!!!

quarta-feira, março 23, 2011

Ontem morreu um gajo porreiro

Ao que parece, Artur Agostinho disse em vida que gostaria que no dia da sua morte se dissesse que "morreu um gajo porreiro". Pois queria aproveitar este espaço para dizer que:

Ontem morreu um gajo porreiro

Foi sempre uma personagem que personiicou aquilo que de bom existe em Portugal, um artista, um jornalista e uma pessoa grande. Soube manter um elevado padrão profissional, algo que tantos dos seus pares e sucessores tanto precisavam de aprender, e no campo do desporto soube personificar o conceito de desportivismo, tanto nos tempos mais civilizados em que começou a relatar futebol, como nos tempos selvagens em que hoje vivemos, em que algumas pessoas acham que o futebol é desculpa para soltarem a selvajaria que lhes corre nas veias devido a frustações pessoais várias, que nada têm que ver com o fenómeno desportivo.
Acho que a grandeza das pessoas muitas vezes se lê na simplicidade das suas palavras. Desejar ser recordado como "um gajo porreiro", é possivelmente a mais bela e tocante frase de despedida que eu consigo imaginar...

domingo, março 20, 2011

Piscares de Olho - XXIX

Para hoje uma visita ao centro do poder económico e militar do mundo, Washington. Visitei a capital norte-americana no Verão de 2007 e tirei esta fotografia em pleno Mall, bem perto dos corredores do poder onde são decididas as invasões aos países que não vendem petróleo barato, ou que não se rebaixam ao poderio americano. Aliás, não seria difícil imaginar que este burocrata de telefone em punho poderia estar a decidir ao telefone mais uma qualquer decisão absurda da política externa americana, ou não fosse o "commander-in-chief" da super-potência, à data desta fotografia, o tristemente ilustre George W. Bush. Politiquices à parte, recomendo uma visita a Washington, sobretudo pelos magníficos museus, todos eles completamente gratuitos, entre outros o fantástico Air and Space Museum, o National Museum of the American Indian e o National Gallery of Art. A temperatura em Agosto é por lá verdadeiramente tropical, pelo que muita pena tenho eu destes burocratas em mangas de camisa!

quarta-feira, março 16, 2011

Exercício de Futurologia

Vou aqui fazer um pequeno exercício de futurologia, querem uma aposta em como vou acertar em cheio?

Daqui por algumas semanas/meses, o actual governo vai cair. O presidente vai agendar novas eleições e povo português, na sua infinita estupidez, vai em carneirada votar nos mesmo gajos de sempre. Desta vão votar no PS com D, em vez do PS sem D, mas como todos sabemos é tudo a mesma coisa. O líder do PS com D, Pedro Passos Coelho vai tomar o cargo de primeiro-ministro, vai dizer na tomada de posse que chegou a hora de mudar, que os portugueses merecem um governo melhor, merecem melhores condições de vida, que com ele tudo vai mudar.

Cerca de 1 a 2 semanas depois, talvez até menos, eventualmente um pouco mais tarde, o recém empossado primeiro-ministro vai fazer uma comunicação ao país e dizer algo que não vai fugir muito destas linhas, apenas com muito mais palha pelo meio:
"Caros portugueses, depois de analisadas a contas publicas, verificamos que o anterior executivo mentiu quanto ao estado real da nossa economia. Existe um buraco financeiro muito maior do que aquele que previmos. Assim, é com profundo pesar que tenho de anunciar que vamos ter de tomar medidas fortes para reduzir o défice e regularizar as contas públicas. Não era nossa vontade apresentar estas medidas, mas a incompetência do executivo anterior vai-nos obrigar a por em prática um pacote de medidas que inclui aumento de impostos/redução de salários e pensões/cortes nos benefícios fiscais/todos estes em conjunto, mas sem nunca mexer nos impostos e benefícios fiscais das grandes empresas. Esperamos assim aplacar a pressão dos mercados internacionais e assegurar a UE da solidez das contas públicas em Portugal"

Depois, se forem de carneirada votar no PSD, ou até no CDS, não digam que eu não avisei...

domingo, março 13, 2011

Portugal, crónicas de um país em busca de futuro

Ontem poderá ficar para a história. Ontem Portugal falou alto e bom som. Ontem Portugal gritou um imenso basta. Um imenso basta que não foi dirigido apenas a este governo, não foi dirigido apenas contra as políticas ruinosas com que o actual executivo tem hipotecado o futuro do país, não foi dirigido apenas contra uma taxa de desemprego galopante, contra níveis de precariedade incomportáveis. Não foi apenas um protesto de uma geração à rasca, não foi apenas um protesto de uma multidão de gente ultra-habilitada, ultra-informada e ultra-literada a quem este país mentiu e espoliou de um futuro e uma oportunidade de contribuir para o bem comum nacional. Não foi só um protesto de uma população obrigada a emigrar para ter esperanças de poder sonhar com um futuro, não um futuro melhor, mas simplesmente um vislumbre de um futuro que não seja uma corrida constante em direcção ao abismo.

Ontem Portugal protestou contra todo um paradigma político. Protestou contra toda uma classe política que adoptou a corrupção como estilo governativo, e que tornou banal a destruição do futuro e do designío nacional em troca de favores e ganhos milionários para os seus amigos, colegas, familiares e protegidos. Uma classe política que está neste momento a descer mais baixo que a nobreza medíocre que arrastou Portugal pela lama antes do 5 de Outubro. Uma classe política que cospe dia após dia na constituição e na democracia, que vende o Portugal presente e o Portugal futuro a quem pagar mais. Que acha natural levar o povo português ao limiar da miséria extrema apenas para anter o seu poder e as suas mordomias.

Muito tem de mudar em Portugal. Muito tem de mudar e depressa. A não-coligação governativa entre PS, PSD e CDS tem de ser afastada do poder já. Não estou com isto a dizer que temos de dar o poder aos partidos de esquerda, porque também esses não são isentos de culpa. Portugal não precisa nem de direita nem de esquerda no governo, o que precisamos verdadeiramente é de ter pessoas competentes nos cargos mais importantes, de garantir que as pessoas certas chegam às posições certas. Acabar de uma vez com esta partidocracia em que os cargos são atribuidos com base exclusivamente na filiação política de cada um. Portugal tem de deixar de ser o país das cunhas e tornar-se numa verdadeira meritocracia. Repito, precisamos das pessoas certas nos lugares certos, precisamos de ter as pessoas mais competentes nos lugares de maior responsabilidade, acabar de vez que o paradigma actual do "quem sabem faz e quem não sabe governa".

O mais complicado será conseguir tudo isto sem por em risco a nossa democracia. Porque temos de manter como valores máximos da nossa nação a liberdade, a igualdade de direitos e a justiça social. A verdadeira questão é como garantir que, num sistema democrático, asseguramos que são as pessoas certas a chegarem aos locais certos, em vez de continuar, como até aqui, a votar naquele que tem mais jeito para nos enganar nas 2 semanas que antecedem a próxima eleição.

Pessoalmente, penso que o primeiro passo será uma revolução. Não precisa de ser armada, não precisa de ser violenta, mas todas as pessoas que actualmente desgovernam o país, tanto no governo como na oposição, têm de ser afastadas permanentemente dos cargos de poder em Portugal. Precisamos também de toda uma nova geração de gestores e empresários capazes de olhar o futuro com uma visão que ultrapasse o lucro imediato e o prémio que vão ganhar no final do ano. Precisamos de gente com visão, mas também com um espírito de solidariedade social e de justiça laboral. Penso que ontem nas ruas de tantas cidades por este país fora estiveram pessoas, de todas as idades, infinitamente melhores e mais competentes (e provavelmente muito mais honestas também) que aquelas que actualmente nos governam ou gerem as nossas principais empresas. Precisamos também de uma total renovação do sistema judicial. Portugal tem de acabar hoje mesmo de ser o país em que só os pobres são condenados, em que só o crime pequeno é punido, enquanto que as fraudes dos grandes tubarões passam ao lado dos tribunais.

Acho que um bom início será reduzir drasticamente as remunerações dos cargos políticos. As pessoas que os ocuparem devem tomar as posições de topo e faze-lo num espírito de responsabilidade civil e não para atingirem ganhos económicos pessoais e pensões vitalícias injustas. Os cargos devem também ser alvo de um escrutínio publico mais forte. Muitos mais cargos deveriam ser decididos pelo povo e com uma frequência maior do que a actual.

Finalmente, os partidos como os conhecemos devem ser extintos. Ou pelos mudarem radicalmente o seu funcionamento. Temos de acabar com esta ideia que se somos de direita tudo o que a esquerda diz tem de estar errado, ou se somos de esquerda tudo o que a direita diz está errado. Em vez de assumir que só os governos de maioria absoluta funcionam, temos de nos habituar à ideia de que os políticos estão no parlamento para negociar o melhor para o país, em vez de se limitarem a atacar-se mutuamente de forma a maximizar as chances de ganhar a próxima eleição. Propunha, por exemplo, que todos os partidos capazes de eleger algum deputado deveriam ter funções no governo dessa legislatura, têm de ser obrigados a negociar entre si, em vez de se atacarem dia e noite, e tudo isso sob o olhar atento de um presidente que tem de ser um árbitro e não um incompetente, como o que temos agora. Precisamos de grandes coligações supra-partidárias capazes de oferecer ao país os melhores de cada área do saber. Como disse acima, as pessoas certas nos lugares certos, independentemente da sua cor política. Portugal não precisa de mais lodo político, precisa de gente com ideias e, acima de tudo, com saber.

Portugal merece muito melhor, os portugueses merecem muito melhor, e o mundo merece um Portugal melhor!

Piscares de Olho - XXVIII

Para o piscar de olho de hoje, uma visita a Roterdão, Holanda. Foi tirada em 2006, durante os primeiros meses da minha longa estadia na Holanda para fazer o meu doutoramento. Visitei Roterdão para ir ao Consulado de Portugal pois precisava de renovar o meu passaporte. Aproveitei a viagem para absorver um pouco da cor local, nomeadamente estes holandeses felizes da vida a absorverem cada um dos raios de Sol com que eram abençoados neste raro dia bonito da Primavera holandesa. Tirei esta fotografia em Delfshaven, um antigo porto comercial dos tempos dourados do império marítimo holandês, hoje uma zona recheada de bares, lojas de antiguidades e galerias de arte. Tal como acontecia com frequencia na Holanda, a opinião à cerca dos lugares variava muito consoante o estado do tempo. A holanda é desagradavelmente lugrube cerca de 300-350 dias por ano, mas nos restantes dias, quando o Sol brilha, as cidades e os campos transformam-se em locais belos e acolhedores, foi esse o caso de Roterdão nesse dia!

sexta-feira, março 11, 2011

A desgraça chega a todos...

Ainda ontem eu coloquei aqui no blog um post com uma notícia da Ecosfera, do Público, sobre um albatroz fêmea que tem 60 anos de idade e continua a reproduzir-se em Midway, no Pacífico. Pois hoje o dramático sismo de magnitude 8,9, que arrasou partes do norte do Japão, gerou um imenso tsunami, que não só destruiu as costas do Japão e de vários outros país, mas arrasou também a colónia de albatrozes em Midway, matando virtualmente todas as crias que estavam agora em idade de estar no ninho incapazes de voar.
A tragédia humana pode facilmente fazer-nos esquecer que também os animais são afectados por estas demonstrações de força do nosso planeta, mas quando afectam um animal que de certa forma personificamos, ao darmos um nome, parece que afectou também um dos nossos. Acima de tudo, é estraordinária a coincidência da sobreposição destas duas notícias, uma coincidência que talvez não seja tão estranha no mundo globalizado de hoje em dia.
Deixo aqui a transcrição da mensagem enviada para o exterior por Cynthia Vanderlip, responsável pela conservação no local em que se localizava a colónia de albatrozes:

We are all fine. We stayed on the roof from 12pm until 4 am (MArch 11). Midway called and said that the wave had passed. Everyone climbed down off the roof went straight to bed, except me. I took a quick walk to see the damage at the beach and it is extensive. The wave washed about 400′ feet inland. The Black-foot colony at the pier is gone, chicks are everywhere. Thousand of ghost crabs are cleaning up the dead. The wave washed over the top of the pier and tore the window frames out. The ocean is chocolate brown.

I am thankful that our building is 700′ inland and 20′ above sea level. We were spared, but I fear for all the other folks in the Pacific. The loss of wildlife breaks my heart.

thanks for your thoughts and prayers

olha eu no Público


Modéstia à parte, o Publico online publicou uma opinião minha!!


Godfellas...

Dava um belo filme, só é pena a humanidade ser estupida ao ponto de continuar a dar trela a esta corja mesmo nos dias de hoje... Um atraso civilizacional que precisa de ser ultrapassado rapidamente!

quinta-feira, março 10, 2011

Velhinha, mas cheia de genica!

A ave selvagem "mais velha" nos registos ornitológicos dos Estados Unidos, uma albatroz-de-Laysan chamada Wisdom, voltou a ser mãe e foi avistada com uma cria. As autoridades estimam que a ave tenha mais de 60 anos.

Wisdom, da espécie Phoebastria immutabilis, foi avistada há poucas semanas com uma cria no Refúgio Selvagem nacional do Atol Midway, no Pacífico, por John Klavitter, biólogo do Serviço norte-americano de Pesca e Vida Selvagem e responsável por aquela área protegida.

A história conhecida desta ave começou em 1956 quando o investigador Chandler Robbins, do U.S. Geological Survey, lhe pôs uma anilha. O animal deveria ter então cinco anos. Chandler voltou a encontrar este albatroz em 2001.

“Ela parece estar fantástica”, comentou Bruce Peterjohn, responsável pelo programa de anilhagem das aves da América do Norte. “Agora, é a ave selvagem mais velha de que temos registos”, acrescentou. “Saber que, aos 60 anos de idade, ela ainda pode dar à luz e criar as suas crias é algo que me deixa sem palavras”, salientou, em comunicado.

Peterjohn estima que a ave terá dado à luz a pelo menos 30 crias durante a sua idade reprodutora. Os albatrozes, que se mantêm fiéis aos seus companheiros durante toda a vida, apenas põem um ovo por ano.

Outro dado impressionante são os quilómetros que Wisdom já terá voado desde que foi anilhada, uma distância que Peterjohn estima corresponder a quatro a seis viagens de ida e volta da Terra à Lua.

A Phoebastria immutabilis - espécie classificada como Quase Ameaçada - nidifica em 16 locais, a maioria na cadeia de ilhas do Havai, com pequenas colónias no Japão e México, segundo dados da Birdlife International. A maior colónia situa-se no Atol Midway.

Nove das 21 espécies de albatrozes estão ameaçadas de extinção, segundo a lista vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza). As maiores ameaças a estas aves incluem artes de pesca intensivas, espécies invasoras (como ratos e gatos selvagens que são predadores das crias de albatroz) e a poluição que flutua no mar. “As aves ingerem grandes quantidades de lixo no mar. Estima-se que, sem o saberem, os progenitores dêem às suas crias cinco toneladas de plásticos”, segundo o US Geological Survey, em comunicado.

Helena Geraldes in PUBLICO

quarta-feira, março 09, 2011

O Fortuna

O Fortuna é um poema que faz parte dos manuscritos de Carmina Burana, criado aproximadamente entre os anos de 1100 e 1200. Este poema é dedicado à Fortuna, deusa romana da sorte e da esperança. A palavra latina "Fortuna" corresponde a sorte em português, não se referindo por isso à fortuna material. O poema foi escrito em latim medieval sem levar a métrica latina clássica; ao invés disso, foi escrito com um estilo originado do alto alemão: o Vagantenlieder, um estilo típico dos goliardos. O poema adquiriu a sua notoriedade actual graças à sua incorporação na fabulosa peça musical de Carl Orff "Carmina Burana"

O Fortuna em LatimTradução

O Fortuna
velut luna
statu variabilis,
semper crescis
aut decrescis;
vita detestabilis
nunc obdurat
et tunc curat
ludo mentis aciem,
egestatem,
potestatem
dissolvit ut glaciem.

Sors immanis
et inanis,
rota tu volubilis,
status malus,
vana salus
semper dissolubilis,
obumbrata
et velata
mihi quoque niteris;
nunc per ludum
dorsum nudum
fero tui sceleris.

Sors salutis
et virtutis
mihi nunc contraria,
est affectus
et defectus
semper in angaria.
Hac in hora
sine mora
corde pulsum tangite;
quod per sortem
sternit fortem,
mecum omnes plangite!

Ó Sorte
és como a Lua
mutável,
sempre aumentas
e diminuis;
a detestável vida
ora oprime
e ora cura
para brincar com a mente;
a miséria,
o poder,
ela os funde como gelo.

Sorte imensa
e vazia,
tu – roda volúvel –
és má,
vã é a felicidade
sempre dissolúvel,
nebulosa
e velada
também a mim contagias;
agora por brincadeira
o dorso nu
entrego à tua perversidade.

A sorte na saúde
e virtude
agora me é contrária.

e tira
mantendo sempre escravizado.
nesta hora
sem demora
tange a corda vibrante;
porque a sorte
abate o forte,
chorais todos comigo!

segunda-feira, março 07, 2011

Of bird and airplane...

"I realized that If I had to choose, I would rather have birds than airplanes."

Charles Lindbergh
(Interview shortly before his death, 1974)

domingo, março 06, 2011

Piscares de Olho - XXVII

Para o piscar de olho desta semana, uma foto geológica tirada na Islândia. Estas colunas de basalto resultam da solidificação do magma libertado pelos vulvões islandeses e animam as vistas num dos fiordes da ilha-nação. Recomendo vivamente a todos uma visita a este país fabuloso.

Homens da Luta

Depois da vitória dos Homens da luta no festival da canção, o palco está montado para trazer-mos para Portugal a extraordinária onda revolucionária que tem varrido o Mediterrâneo. Claro que não acredito que o povo português faça algo, só se desse para fazer a revolução por SMS com o cuzinho sentado no sofá... mas a esperança é a última a morrer, e se 40% de desemprego entre a geração mais bem formada (e informada) de todos os tempos não é motivo para se fazer uma revolução, não sei que melhor motivo existirá.
Lembro sempre das palavras sábias de Thomas Jefferson que dizia há quase 2 séculos e meio que “The tree of liberty must be refreshed from time to time with the blood of patriots and tyrants. It is its natural manure.” A ideia de que a democracia é a sociedade ideal e eterna é um erro crasso. A tendência natural da sociedade é para a tirania e as injustiças, por isso mesmo são necessárias revoluções frequentes para assegurarem que o povo é realmente quem governa e não uma qualquer oligarquia que partiu na pole-position da ultima revoluçlão, como acontece hoje neste Portugal cada mais esquecido do significado do 25 de Abril.
Lembrem-se que numa democracia real, o povo é realmente quem mais ordena... Olhem para a política em Portugal e teram de constatar que essa não é a realidade do nosso país. Por isso temos de voltar a começar de novo, e teremos de o fazer, vezes e vezes sem conta, sempre cada passo mais próximo da sociedade perfeita, mas sabedores do facto inequívopco de que nunca a alcançaremos!

quarta-feira, março 02, 2011

Até já...

Peço desculpa pela minha ausência continuada, mas fui ali contruir uns ninhos de abutre-preto e já venho...

Para mais informações espreitem aqui:



P.S. Só contruímos os ninhos, para ver algo como nesta foto teremos de esperar mais algum tempo!