domingo, novembro 14, 2010

Piscares de Olho - XI

Para o piscar de olho desta semana, uma visita ao Estuário do Tejo. O Porto das Hortas é um pequeno recanto da Reserva Natural do Estuário do Tejo. Localizado bem próximo de Alcochete, é um ponto excelente para observar aves, sobretudo durante a maré-baixa, quando as águas do Tejo expõem os vastos bancos de sedimento ricos em invertebrados, atraindo grande quantidade e diversidade de aves aquáticas.
Sendo um velho ancoradouro, hoje sobretudo visitado por mariscadores que se enterram até à cintura no lodo em busca de lamejinhas e isco para a pesca, sobram ainda alguns velhos barcos, como este "Alvorada" que serve de sujeito principal nesta fotografia.

sexta-feira, novembro 12, 2010

Palavras sábias...

"Ao primeiro ou segundo dia todos nós apontávamos para os nossos países. Ao terceiro ou quarto dia estávamos a apontar para os nossos continentes. Ao quinto dia apercebíamo-nos de uma só Terra."
Príncipe Sultão Bin Salmon Al-Saud
(astronauta árabe saudita)

quarta-feira, novembro 10, 2010

Esperança Média de Vida em Portugal

Foi lançado recentemente o site Pordata, um site que se denomina a "Base de Dados do Portugal Contemporâneo" e que tem disponíveis e utilizáveis uma quantidade impressionate de dados estatísticos sobre o nosso país. Só para dar um exemplo, fui procurar os dados sobre esperança média de vida em Portugal e obtive estes dados que resumi no gráfico seguinte.
Como podem ver, a esperança média de vida tem aumentado consideravelmente, a uma taxa de cerca de 3% ao ano, estando em 2008 nos 75,8 anos para os homens e nos 81,8 para as mulheres. A boa notícia para os homens é que esta diferença tem vindo a diminuir, como se pode ver na linha do ratio. A diferença que já foi superior a 10% está agora nos 8% e a descer, sendo assim espectável que a prazo as esperanças médias de vida de homens e mulheres venham a aproximar-se cada vez mais. Aliás, considerando que a sociedade é cada vez mais equalitária, existem poucas diferenças sociais que justifiquem esta diferença na esperança de vida, como eram antigamente as guerras, os acidentes de trabalho ou os acidentes ao volante. Sobrarão sempre eventuais diferenças genéticas entre os dois sexos que tornem as mulheres mais passíveis de viver mais tempo.

segunda-feira, novembro 08, 2010

domingo, novembro 07, 2010

Piscares de Olho - X

O nascer e o pôr do Sol são as melhores formas que a atmosfera tem de nos dizer: "Atenção, eu estou aqui, posso parecer transparente mas sem mim não existiria vida na Terra. Aem mim não tinham o oxigénio para respirar, sem mim não tinham o azoto que as plantas usam, com a ajuda das bactérias, para produzir o vosso alimento. Como se tudo isso não bastasse, ainda vos ofereço duas vezes aos dia um espectaculo de luz e cor muito para além das capacidades dos vossos melhores artistas. Que tal um bocadinho de respeito, que tal pararem de me poluír com a vossa porcaria toda?"
Bem cedo pela manhã, ou ao final da tarde, os raios do Sol ainda escondido na curvatura da Terra, iluminam a atmosfera e enchem o céu de um tumulto de cores que vão dos tons mais vibrantes de vermelho ao lilás mais sereno. O piscar de olho de hoje apanhou um bando de gansos a voar ao pôr-do-Sol, sobre os campos serenos da Frísia, na Holanda. Falta à imagem o som dos chamamentos plácidos desses gansos, que completava o final de dia bucólico que aqui tentei apanhar.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Hasta la victoria, siempre!!

Isso do povo unido contra o imperialismo capitalista é lá para o terceiro mundo, claro. Os portugueses estão tão bem na vida que apenas 12% planeiam participar na greve geral de 24 de Novembro. Sinceramente, somos uns merdas...

quarta-feira, novembro 03, 2010

Os dias do fim (da água)


O Mar de Aral constitui uma das mais gritantes provas vivas do atentado que a humanidade tem vindo a levar a cabo contra o planeta Terra. Este mar salgado interior, localizado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, na Ásia Central, chegou a ser o quarto maior lago do mundo, com uma área de 68.000 quilómetros quadrados.
Alvo dos planos de irrigação soviéticos, que desviaram os rios Amu Darya e Syr Darya para irrigar vastas áreas para produção de algodão, o Mar de Aral começou progressivamente a regridir a partir dos anos 60. Em 2007 o Mar de Aral estava reduzido a 10% da sua área original, estando agora dividido em três lagos menores. A salinidade da água aumentou de forma desatrosa, matando quase todos os seres vivos das suas águas e nas áreas que secaram formou-se um deserto salino, com vastos depósitos tóxicos, originados pela deposição de adubos e pesticidas químicos provenientes das plantações de algodão, que causam tempestades de poeiras tóxicas que causam problemas de saúde graves para a população local.
A catástrofe do Mar de Aral é um dos expoentes máximos da irresponsabilidade ambiental da União Soviética e um exemplo, repetido até à exautão pelos Estados Unidos e outras potencias ocidentais, dos malefícios do regime comunista soviético.
Claro que o regime soviético foi péssimo em termos ambientais, mas será que os outros países podem realmente crítica-lo, não terão também telhados de vidro bem ténue? Se não vejamos, os grande lagos americanos podem não ter secado, mas estão de tal forma poluídos que em vastas áreas a pesca está proibída por motivos de saúde pública. Alguns cadáveres de mamíferos marinhos que se aventuraram até essas águas ficaram de tal forma contaminados que têm de ser armazenados junto com outros resíduos industriais perigosos. Não são só os rios Amu Darya e Syr Darya que já não chegam ao mar. Rios como o Colorado e o Rio Grande, na América do Norte, como o Tigre, o Eufrates e o Jordão, no Médio Oriente, ou o Rio Amarelo, na China, secam antes de chegar à sua foz.
O constante desbaratar das reservas de água mundiais é hoje indiciado pela ONU como o maior problema humanitário e a mais provável causa de grandes guerras num futuro próximo. Litro a litro, gota a gota, a água vai-se esgotando. Nós continuamos a gastá-la e a poluí-la como se fosse eterna. Inevitavelmente vamos chegar a um dia em que este problema nos vai bater à porta, não de forma suave, mas com a força de um terramoto. Em África e em grandes partes da Ásia este problema já está bem evidente no dia-a-dia das populações, é só uma questão de tempo até nos afectar a todos.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Fridtjof Nansen


Fridtjof Nansen nasceu a 10 de Outubro de 1861, numa localidade perto de Oslo. Em 1881 formou-se em Zoologia e no ano seguinte fez a sua primeira expedição à Gronelândia, para estudar focas e ursos polares. Nansen foi curador no Museu Bergen durante alguns anos e doutorou-se em 1888, na Universidade de Oslo.
Em 1888 voltou à Gronelândia para explorar o interior da ilha, ainda desconhecido. Em 1895 voltou a explorar as regiões polares, tendo estado mais perto do pólo do que qualquer explorador antes dele. Dedicou os anos seguintes a publicar as suas observações polares e tornou-se professor de oceanografia na Universidade de Oslo.
Em 1905, Nansen abandonou o seu cargo académico para defender a independência da Noruega, tendo sido o representante da jovem nação norueguesa no Reino Unido até 1908. Nos anos seguintes liderou várias expedições oceanográficas às regiões polares, mas com o início da primeira Guerra mundial, em 1914, voltou a sua atenção para as relações internacionais. Na conferência de paz de Paris, em 1919, foi um defensor da Sociedade das Nações e do reconhecimento dos direitos das pequenas nações e, a partir de 1920, foi o delegado da Noruega na Sociedade das Nações.
Foi Nansen que coordenou o repatriamento dos prisioneiros de guerra, tendo devolvido 450000 homens às suas nações e, em 1921, foi o primeiro Alto-Comissário para os Refugiados, posto em que criou o “passaporte Nansen” destinado aos refugiados sem pátria e ajudou a repatriar milhares de russos, arménios, assírios e turcos.
Em 1921 e 1922, a pedido da Cruz Vermelha, coordenou a ajuda humanitária na Rússia, processo que terá salvado 7 a 22 milhões de russos da fome. Em 1922 resolveu o problema dos refugiados gregos na Ásia Menor, num processo que envolveu a troca de mais de um milhão de refugiados gregos por cerca de meio milhão de turcos a viver na Grécia. No final de 1922 foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz pelo seu trabalho humanitário e diplomático. O seu último grande acto humanitário ocorreu em 1925 quando salvou o povo arménio da extinção, providenciando apoio para a criação de uma nação arménia.
Nansen faleceu em 1930 e foi a enterrar a 17 de Maio, aniversário da independência da Noruega.

domingo, outubro 31, 2010

Piscares de Olho - IX

Tirei esta fotografia na Suécia, em 2007. Trata-se de um carvalho (desconheço qual a espécie) e o início do Outono começava já a roubar o ver de às suas folhas. Sinceramente, não sei o que me fez escolher esta fotografia para este piscar de olho. Gosto, tão simples quanto isso. Espero que gostem também!


quinta-feira, outubro 28, 2010

Movimento Perpétuo Associativo


Alguns países têm problemas de auto-definição. Em França, por exemplo, tem-se debatido o que é ser francês e quanto esse conceito mudou devido aos actuais fluxos migratórios. A Bélgica debate-se há anos com a questão do que será um país em que metade da população é holandesa, a outra metade francesa, e nenhuma das duas sente qualquer vontade de pertencer ao mesmo pais que a outra, tudo sob o pouco auspicioso fundo de um reino com um rei de origem alemã.
Em Portugal não temos esse problema. Podemos ser neuróticos, auto-destrutivos e certamente maníaco-depressivos, com flutuações de humor constantes entre o orgulho pátrio exacerbado e o desejo de abandonar o país o mais depressa possível. podemos ser tudo isso, mas tudo isso é a pura definição do ser tuga. Somos tugas, somos isso tudo!
Poucas coisas nos definem melhor do que a eterna vontade de mudar e a eterna preguiça de fazer a mudança. Felizmente existem excepções, em casos extremos os nossos brandos costumes fervem no azeite quente que corre na veia da nação e damos uma estocada rápida nos problemas, de forma eficaz e muitas vezes impressionante. 1 de Dezembro de 1640, 10 de Outubro de 1910 e 25 de Abril de 1974 são bons exemplos disso. O momento actual é bem exemplo do quanto pode demorar o nosso azeite a ferver... o país precisa de mudança urgente, mas vamos adiando, deixando os problemas e aqueles que os causam ir andando. As expressões deixar andar ou ir andando são o expoente máximo do que é ser tuga. O vão sem mim que eu vou lá ter é um bom corolário. Talvez por isso existe um movimento na internet que defende que mudemos o hino nacional para a música "Movimento Perpétuo Associativo", dos Deolinda. Se ouvirem bem a letra, faz todo o sentido...

Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vais parar!

(resposta:)
Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar...
Agora não, que eu acho que não posso...
Amanhã vou trabalhar...

Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos de vencer!

(resposta:)
Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...

Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!

(resposta:)
Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...

Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...

terça-feira, outubro 26, 2010

Coupling

Coupling é uma série britânica, estreada em 2000, que passou no mítico espaço Britcom da RTP2. Trata-se de uma série hilariante que relata as desventuras amorosas e sexuais de 6 amigos, 3 homens e 3 mulheres. Grande parte da acção é passado no bar onde as personagens costumam ir beber uns copos, com passagem por vários quartos também. Grande parte dos episódios andam à volta de clichés sobre relações e sobre sexualidade, como o medo do compromisso, as inseguranças masculinas e femininas, a obsessão masculina por lésbicas, a preocupação com o tamanho do pénis (dos outros) e por aí fora. Apesar de os temas serem previsíveis, o resultado final é simplesmente hilariante, fazendo desta a melhor série cómica da BBC desde o tempo do Alô, Alô! Não é fácil ver um episódio completo sem rebolar no chão a rir!!
Felizmente, hoje é fácil ter acesso a séries antigas, pode-se fazer o download completo da série via torrent. Foram os 6Gb de downlad mais bem aproveitados que já fiz. Depois, é só recostar no sofá e aproveitar a galhofa para uns serões muito bem passados.
No espírito da série, aproveito para recordar um discurso da personagem Steve, sobre a evolução das tecnologias da comunicação e a sua motivação: o homem começou a desenhar para ter acesso a desenhos de mulheres nuas, mais tarde inventou a imprensa para ter poder imprimir mulheres nuas em larga escala, innventou a televisão para mais facilmente ter acesso a imagens de mulheres nuas... e finalmente inventou a internet, um arquivo quase infinito de mulheres nuas... numa frase, a evolução da humanidade!

segunda-feira, outubro 25, 2010

Fluviário de Mora


Ontem fomos até ao Fluviário de Mora. Muito mais do que um aquário, o fluviário é uma lição viva sobre os rios, sobre o seu funcionamento, sobre a sua função, sobre a sua extrema importância para a nossa vida e sobre as inúmeras ameaças que temos vindo a criar e que põe em causa a sua existência enquanto sistemas vivos.
No fluviário podemos ver diversos peixes da nossa fauna, desde as mais minusculas bogas até aos maiores barbos. Podemos também conhecer as várias espécies exóticas que têm vindo a ser introduzidas nos nossos rios e que põem em causa a sobrevivência da nossa fauna autoctone. Toda a exposição pretende também ilustrar os rios como um sistema dinâmico que se expande desde a nascente até à foz, mostrando a fauna que habita nas diferentes partes do rio, desde os pequenos peixes dos ribeiros de montanha até aos peixes marinhos que visitam os estuários, como as douradas ou s robalos. Mostra-nos também as espécies migradoras, os peixes anádromos que vivem grande parte da vida no mar e visitam os rios para se reproduzir, e os peixes catádromos, que vivem nos rios durante a maior parte da vida e vão ao mar para se reproduzir.
O fluviários tem ainda um casal de lontras asiáticas e umaq colecção de peixes de água doce de outras regiões, nomeadamente peixes da bacia do Amazonas, da bacia do nilo e dos grandes lagos africanos.
Tudo isto faz um excelente passeio de fim de semana para miudos e graúdos. Recomendo!

domingo, outubro 24, 2010

Piscares de Olho - VIII

O piscar de olho desta semana leva-nos até aos arrozais da Comporta, na margem sul do Estuário do Sado. Um arrozal não será à partida algo que nos sugira paisagens belas... enfim, os arrozais em socalcos no sudoeste asiático ou os arrozais indianos com os Himalaias ao fundo talvez sugiram paisagens mais edílicas, mas não um arrozal banal em Portugal. Neste caso as nuvens e a luminosidade natural de um pôr-do-Sol de inverno fizeram toda a diferença.
Este arrozal tem um significado especial para mim, pois foi uma das minhas áreas de estudo durante o meu doutoramento. Trabalhava então com aves migratórias, maçaricos-de-bico-direito que migravam entre a África Ocidental e a Holanda e paravam nos arrozais do Tejo e do Sado para reabastecer energias com sementes de arroz antes de continuar a sua viagem de milhares de quilómetros..
Este era um dos arrozais onde as aves paravam para comer. Foi também esta a fotografia que escolhi para capa da minha tese. Por falar nisso, a minha tese pode ser obtida clicando aqui. Infelizmente a versão disponível no site da universidade não inclui a capa...

sexta-feira, outubro 22, 2010

A planta que suporta meio mundo

Segundo modelos matemáticos da Universidade de Berkeley, a população mundial é neste exacto momento (22 Outubro 2010, 14:00) de 6.851.018.782 pessoas.
Alimentar uma população destas não é fácil, no entanto a produção agrícola mundial é actualmente suficiente para suprir as necessidades alimentares de todos estes milhões e milhões de bocas. As situações de fome e de sub-nutrição devem-se exclusivamente a problemas e injustiças na distribuição dos alimentos, sendo culpa dos nossos políticos e não dos nossos agricultores.
Entre as principais fontes de alimento, há claramente uma que se destaca. O arroz, uma planta originária do japão, onde é cultivado desde há pelo menos 7000 anos, consiste na verdade de 7 espécies vegetais do género Oryza, sendo a mais comum a Oryza sativa, pertencentes à familia Poaceae que engloba os cereais e outras gramíneas. Apesar de não ser a maior cultura agrícola do mundo, ficando em terceiro lugar atrás do milho e do trigo, o arroz é principalmente usado para a alimentação humana, ao contrário do milho e do trigo que são muito usados como ração para animais.
A produção mundial de arroz atinge os 660 milhões de toneladas anuais, estando mais 1,5 milhões de quilómetros quadrados cobertos por esta cultura em todo o mundo (dados FAOSTAT). A maioria dessa produção está concentrada na Ásia, que representa 86% da produção mundial. Foi estimado que 40% da população mundial, isto é qualquer coisa como 2,75 mil milhões de pessoas, tenham o arroz como principal fonte de energia, estando dependentes desta planta para a sua sobrevivência.
Da prózima vez que se deliciarem com um arroz de polvo, vale a pena pensar nisto...

segunda-feira, outubro 18, 2010

Censos de aves necrofagas e não só (cont.)

Como tinha escrito há dias, fizemos o primeiro censo de aves necrófagas no âmbito do projecto LIFE em que estou actualmente a trabalhar. Foram detectadas 13 aves de rapinas, sendo a mais abundante na região estudada o Grifo Gyps fulvus, que ultrapassou os 200 individiduos na ZPE de Moura-Mourão-Barrancos e os 140 individuos na ZPE do Vale do Guadiana. Entre as outras aves detectadas são de realçar os 7-10 abutres-pretos Aegypius monachus, os quase 20 butios Buteo buteo e as quase 10 águias-de-Bonelli Aquila fasciata e as 5-6 águias-reais Aquila chrysaetus. Foram ainda detectados milhafres-reais Milvus milvus, 1 milhafres-preto Milvus migrans, 1 aguias-cobreira Circaetus gallicus, 1 tartaranhão-azulado Circus cyaneus, vários peneireiros-cinzentos Elanus caeruleus e gaviões Accipiter nisus, cerca de 15 peneireiros-comuns Falco tinnunculus e 1 esmerilhão Falco columbarius.
Claro que neste conjunto não estão apenas aves necrófagas, mas as aves de rapina são um grupo de grande importância ecológica, por estarem no topo da cadeia alimentar e como tal serem essenciais para o equilíbrio do meio natural, sendo por isso importante recolher informação sobre a sua abundância e distribuição.
Foram ainda detectadas algumas aves de outros grupos, incluindo 4-7 cegonhas-negras ciconia nigra, vários corvos Corvus corax e mais de 40 alcaravões Burhinus oedicnemus.

domingo, outubro 17, 2010

Piscares de Olho - VII

Para o piscar de olho desta semana, um arco-íris. Os arco-íris são uma lição de física em si mesmos. A luz do Sol é divida em todas a cores que a compõem ao atravessar as gotas de água na atmosfera. Trata-se de um fenómeno óptico explicado pela dispersão da luz do Sol ao ser refractada pelas gotas de chuva. A luz sofre uma refracção inicial quando penetra na superfície da gota de chuva, dentro da gota ela é reflectida (reflexão interna total), e finalmente volta o sofrer refração ao sair da gota. O efeito final é que a luz que entra é reflectida numa grande variedade de ângulos, consoante o seu comprimento de onda. Assim, a cor violeta, de maior comprimento de onda, é refractada num ângulo maior, formando a parte interna do arco-íris, enquanto que o vermelho, com o menor comprimento de onda, forma a parte exterior. A sequência de cores no arco-íris é vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anis (ou índigo) e violeta.

Fotografei este arco-íris sobre o Workumerwaard, a minha principal área de estudo durante o meu doutoramento na Holanda. Trata-se de uma zona agrícola na província holandesa da Frísia, junto à margem do lago Ijsselmeer. O clima holandês, frio e húmido, é bastante propício aos arco-íris, mas ainda assim não fáceis de apanhar com a câmara. O resultado ficou bastante do meu agrado.

quinta-feira, outubro 14, 2010

Subidas (ainda mais) absurdas do IVA

Não é só a taxa base do IVA que vai subir para 23%. Segundo notícia do Publico de hoje, existem vários produtos que eram até agora taxados com IVA reduzido, à taxa de 6% que vão passar a pagar 23%.
Um comum mortal pensaria que se tratariam de bens desnecessários, luxos que os portugueses poderiam evitar em período de crise. Infelizmente os nossos governantes não são comuns mortais, são imbecis mortais, para não os chamar simplesmente de criminosos. Entre os produtos que vão passar a ser taxados a 23% incluem-se os leites achocolatados, aromatizados, vitaminados e enriquecidos que obviamente são produtos que não fazem falta nenhuma às famílias portuguesas pois não são a principal fonte de cálcio e diversas vitaminas na alimentação da maioria das crianças; incluem-se as bebidas lácteas e os sumos de frutas, outros itens que evidentemente são um luxo que só deve estar ao alcance dos mais afortunados, qual champanhe francês; incluem-se os utensílios e outros equipamentos exclusivamente ou principalmente destinados ao combate e detecção de incêndios, porque Portugal nem é um país com problemas de incêndio, pelo que naturalmente são produtos que não fazem falta, aliás um extintor para um português é como um frigorífico para um esquimó, uma excentricidade sem sentido; incluem-se todo o tipo de conservas e de óleos alimentares, produtos que como se sabe nunca foram uma parte integrante da dieta dos portugueses, aliás, como se sabe o azeite é uma moda proveniente do norte da Europa, um luxo sem sentido que não faz falta aos portugueses e que, juntamente com as conservas, não é uma das principais produções nacionais, sendo até bom para os nossos produtores este aumento de IVA, para melhor competirem contra esses pérfidos produtos nórdicos como as sardinhas em lata, os patés de atum ou o azeite virgem.
Perante esta notícia, resta-mos apenas concluir finalmente que o nosso governo vive num mundo de sonho, em que Portugal é a Suécia e que como tal podemos comportar facilmente ser o único país europeu com impostos tão altos como os desse país nórdico, que ao contrário de nós vai à frente e não em último nos indicadores de riqueza e de qualidade de vida. Estão iludidos não só na capacidade financeira das famílias portuguesas como nos bens que nós tendemos ou não a necessitar, assumindo que não somos portugueses, mas escandinavos, ou talvez os habitantes de um Universo paralelo em que a comida não é a base da alimentação, mas sim a areia, as pedras ou talvez os carris do TGV...

Censos de aves necrófagas e não só

Esta semana foi semana de censos de aves necrófagas. o primeiro de muitos censos que vou organizar no âmbito do projecto LIFE+ "Promoção do habitat para lince-ibérico e abutre-preto no sudeste de Portugal".
Os censos tiveram como região alvo as Zonas de Protecção Especial de Mourão-Moura-Barrancos e do Vale do Guadiana e permitiram detectar 13 espécies diferentes de aves de rapina, para além de outras espécies de relevo, como a cegonha-preta Ciconia nigra ou o corvo Corvus corax. Entre as aves de rapina detectadas, contaram-se o abutre-preto Aegypius monachus, o grifo Gyps fulvus, a águia-real Aquila chrysaetus, a águia-de-Bonelli Aquila fasciata e o milhafre-real Milvus milvus.
De momento estou ainda a analisar os dados de campo, espero ter em breve uma noção mais exacta dos números contabilizados de cada espécie.

domingo, outubro 10, 2010

Piscares de Olho - VI

O piscar de olho desta semana apanhou um tubarão a passar o limite de velocidade enquanta nada por entre um cardume de pequenos peixes de tons cinzentos e amarelos. Infelizmente não me lembro quais são as espécies em causa, mas esta fografia foi tirada no Aquário de Barcelona, no ano passado. O Aquário de Barcelona não é tão espectacular como o Oceanário de Lisboa, mas merece sem dúvida uma visita e oferece umas belas imagens, para mais tarde recordar!