quarta-feira, setembro 12, 2007

As minhas 7 maravilhas

Decidi escolher as minhas maravilhas de Portugal, que não têm necessariamente de ser sete...

- passear pelas vertentes do Côa e do Águeda, junto a Freixo de espada a Cinta, por alturas do fim do Inverno, e ver as amendoeiras em flor.

- nadar até à Ilha do Pessegueiro num dia quente de Verão.

- apanhar um cacho de uvas nas vertentes do Douro, ali para os lados da Régua.

- apreciar um pôr do Sol a partir da Ponta de Sagres.

- chapinhar à beira Tejo, junto às Portas do Rodão e avistar lá no alto os abutres e as cegonhas pretas.

- sentir os salpinhos do mar, no Cabo Carvoeiro, num dia de tempestade.

- dar um mergulho no rio Vascão e abrir bem os olhos naquelas águas limpas e transparentes

- caminhar por entre pedras e capos de cereais, nas planícies douradas de Castro Verde e espantar um bando de enormes abetardas.

- ver o nascer do Sol das muralhas do castelo de Monsaraz.

- descer as falésias, entre a Foz do Arelho e S. Martinho do Porto, e cheirar profundamente aquele cheiro único a mar salgado.

- deitar nas lages de xisto, junto à ribeira de Alcarrache, e sentir o corpo ser acarinhado pelo calor do Sol e pelo calor da pedra, com o som da ribeira a correr ao fundo (esta maravilha está agora, infelizmente, uns bom metros debaixo de água, sob a Albufeira do Alqueva...)

- apanhar uma chuvada nas matas quase pristinas do Gerês.



Já agora, posso também acrescentar as 7 desgraças:

- todos os membros da Assembleia da Républica.

- praias algarvias atulhadas de turistas do mar até à estrada.

- o futebol português em geral e o livro da Carolina Salgado em particular.

- o caso Maddie e as violações do segredo de justiça.

- a televisão portuguêsa.

- a albufeira do Alqueva.

- emigras a passear com um arraial de filhos pelas ruas de Lisboa em Agosto e a gritar "Fabian vien aussi, vien aussi caralho ou levas nos cornos!"

- gente que trata o filho por você.

- um gajo vestido à manga cava, com o pelâme do peito a saír de fora e tatuagens "Amor de mãe" e "Angola 69" nos braços que deixou o carro mal estacionado, meio em cima de um passeio, meio no lugar de um deficiente e que depois de insultar todas as pessoas à volta e se queixa de falta de respeito pelos veteranos do ultramar quando é multado pela polícia.

- toda e qualquer pessoa que fala à "tia de Cascais".

terça-feira, agosto 28, 2007

Por uma nova literatura...

Nao sei porque tenho por vezes o instinto de tentar explorar questoes dificeis da natureza humana, porque procuro por vezes respostas inexistentes para as mais temiveis inquietacoes do nosso ser, quando essas inquietacoes nao fazem sequer parte da minha vida actual. Penso que algures la no fundo tenho algo de filosofo. De filosofo ou de poeta. Por isso, apesar de já alguém que gosta muito de mim me ter aconselhado por vezes a nao me inquietar com inquietacoes que nao sao minhas, vou questionar mais um capitulo da vivencia humana.
Nada existe de mais tipico na literatura, ou no cinema, do a clássica prova de amor pela morte. Isto é, na literatura, a prova de amor clássica é: "eu morria por ti"... Contudo, faz isto algum sentido? O que é que essa frase prova? Um amor e devocao inquebraveis, ou uma enorme cobardia e egoismo?
Eu morria por ti... diz o herói vitoriano. Morreste, pronto e agora? Depois desse sacrificio maior, o dito Romeu está morto, livre de todas as dores e sofrimentos terrenos, livre de todos os problemas e preocupacoes. Já aqueles que ele deixou para trás, nomeadamente o alvo desse amor inquebrantável, ficaram para sempre com o fardo dessa morte para lidar, com a solidao, com o sentimento de culpa, com a dor, com o luto e possivelmente com o continuar dos problemas que levaram a essa morte, pois achar que a nossa morte vai resolver algum problema deste mundo, por simples que ele parece, e pura megalomania.
Eu digo-vos o que tal morte seria: seria cobardia, seria fuga dos problemas, seria tudo menos um acto de amor.
Querem saber qual eu acho que seria a frase correcta para colocar no tal tipico diálogo literário? Seria algo com: "por ti, eu sofria em cada dia da minha vida as tuas dores, até ao ultimo dos meus dias".

Vá, agora caros escritores vao lá refazer os vossos livros...

quinta-feira, agosto 23, 2007

Holandês, essa bela linguagem

Acabei de descobrir que uma das áreas de estudo do projecto em que estou a trabalhar, aqui na Holanda, tem o bonito nome de Schuilenburgsterpolder. São 22 letras, acham isto normal?


E para melhorar a coisa, pronuncia-se, mais ou menos: Xrraulénburguessterpolder...

segunda-feira, agosto 20, 2007

Maleitas

Gostaria de agradecer do fundo do coração à Lufthansa, companhia aérea alemã que me transportou no regresso à Europa. Como não podia deixar de ser apanhei uma pujante virose a bordo e aqui ando à três dias a fungar e espilrar e tossir, arrastando por esta desgraçada Holanda uma febre uma carga de virus que só visto...
O conceito é simples. Colocam-se umas duzentas pessoas no espaço confinado do avião e recicla-se o ar durante a viajem inteira, de modo a que ao chegarem ao destino já todas respiraram o mesmo ar umas 800 vezes... junte-se a isto as agressões naturais de uma viajem, sejam elas variações bruscas de temperatura e de pressão, o stress da viagem, pouco sono ou alimentação menos que ideal que deixam o corpo mais susceptível aos vírus. É certo e sabido que pelo menos uma pessoa das 200 vai estar doente, é certo que vai propagar o vírus pelos outros 199... e aqui estou eu, à beira do delírio, com 38,5º de febre. Aaaaatchiimm!!

domingo, agosto 19, 2007

Hands-free technology


Hoje em dia a tecnologia toma conta de tudo, dos telefones, dos computadores, qualquer dia até os carros são hands-free. Ora agora... acompanhem este meu raciocínio. A ideia é que com o equipamento hands-free podemos ter as mãos livres (coo o próprio nome indica) para fazer aquilo que realmente importa, que obviamente não é falar ao telefone. Agora eu pergunto, se essa outra coisa é suficientemente complexa para nos ocupar as duas mãos, não seria talvez boa ideia ocupar também o cérebro com ela?

sexta-feira, agosto 10, 2007

Know your religion

Do you not know that the unrighteous will not inherit the Kigdom of God? Do not be led astray; neither fornicators nor idolaters, nor adulters nor effeminate nor homosexuals.
Nor thieves nor covetours, not drunkards, not revilers, nor the rapacious will inherit the Kingdom of God
Corinthians 6:9-10


Ficamos assim a saber que, segundo a bíblia, a homossexualidade, a idolatria, a fornicação e o alcoolismo são crimes mais graves, aos olhos de Deus, do que o homicídio...

quinta-feira, agosto 09, 2007

Gollum's Song

Esta música faz parte da banda sonora do segundo filme do senhor dos anéis, "As Duas Torres". Segundo consta na net, era a Björk que ia cantar esta canção, mas estava na altura numa fase asientada de gravidez pelo que tiveram de procurar uma substituta, tendo sido escolhida esta Emiliana Torrini, cantora italiana que aqui podemos ouvir. Uma substituta à altura eu dizia. Uma bela música e uma excelente voz.

quarta-feira, agosto 08, 2007

New York, New York

Ponham de parte filosofias, ideologias e preconceitos. Esqueçam ideias pré-feitas e obsessões. Se um dia tiverem oportunidade de visitar New York, corram, saltem, voem até lá, nem que seja só por um dia ou dois. É uma experiência única, inesquecível e imprescindível!
A sério, é uma cidade absolutamente extraordinária. Desde o buliço infernal na imensa sala principal da estação de Grand Central, ao calor sufocante do Subway; desde o inevitável torcicolo de quem passa um dia a olhar maravilhado para cima até às inevitáveis dores de pés que vão sentir depois de palmilharem esta cidade tão enorme, mas também tão misteriosamente bem feita para passear pé.
Passem pelo Central Park, desçam até ao Batery Park para avistar ao longe a Lady Liberty, caminhem pelo Financial District até vos doer o pescoço de tanto olhar para a altura impossível dos prédios. Vão até Canal Street comprar relógios baratos, passeiem por Chinatown à cata de vegetais estranhos, sumos de coco acabado de abrir na rua e sapos vivinhos prontos para irem para a sopa. Ainda em Chinatown, provem alguns Dim Sum, depois dêem um salto a Little Italy e comam um belo gelado italiano para sobremesa, ou ouçam uma competição de cantores de ópera nas ruas, rodeados da habitual massa de pessoas que falam virtualmente todos os idiomas do mundo à vossa volta.
Apreciem uma banda de jazz que toca num qualquer parque da cidade, ou vejam um malbarista a lançar no bolas, pedras, facas, skates e vá-se-lá saber mais o que... E acima de tudo apreciem bem a incrível multi-culturalidade desta cidade feita de pessoas de todos os cantos do mundo. Os Estados Unidos podem ser uma nação racista e xenófoba, mas não é esse o caso de New York.
Depois passeiem pelo SoHo e por Greenwich Vilage, ou dêem um salto a Eastern Village e apreciem o aspecto simpático dos bairros mais acolhedores de New York, com os seus pequenos cafés e bares e pequenas lojas pelas ruas. Para comer vão onde quiserem, comida boa é o que não falta, vinda de todo o mundo, mas não deixem de comer um Hot Dog e um Pretzel comprados nas ruas, fazem parte da experiência novaiorquina, assim como um pequeno almoço de Baggels com cream cheese.Para acabar, não deixem de visitar o Empire State Building. Eu fui lá de noite, como podem ver na foto. Ver aquela cidade lá do alto é uma experiência arrepiante. Ali sim sentimos por um momento que estamos no topo do mundo. Por uns segundos percebemos porque razão os americanos se acham os maiores. Depois descemos, apanhamos um taxi conduzido por um Bangladeshe que tem um irmão a viver em Portugal e percebemos a realidade. New York não é americana, nunca foi. Nasceu Nieuwe Amsterdaam, assente pelos Holandeses sobre a desgraça dos indios americanos. Depois vieram os ingleses e depois vieram todas as nacionalidades do mundo, cada uma contribuindo um pouco para esta cidade que é em todos os aspectos o centro do mundo. New York é de nós todos, não tem nacionalidade. Vão lá e vejam por vocês!

quarta-feira, julho 25, 2007

U.S.A.

Quis o destino, ou antes a minha vontade, que rumasse a terras do Tio Sam para as férias. Aqui tenho estado, no belo estado da Virgínia a apreciar as estranhezas deste país tão diferente da Europa.
Tem coisas boas, muito boas mesmo. Tem muito verde, muito espaço, a Natureza ainda existe, pelo menos fora das grandes cidades, pois este país é imenso e muito longe de ficar sobre-lotado, como a nossa Europa, que é mais estilo lata de sardinhas. As pessoas tendem a ser simpáticas, apesar dessa simpatia ser por vezes excessivamente artificial e na verdade, apesar do que se diz, como-se muito bem por aqui, a começar pelos hamburgeres, os famosos hambrgueres americanos, mas que têm tão pouco que ver com aquelas porcarias que se comem por aí nos McDonalds e afins que nem merecem o mesmo nome. Aqui, talvez pela primeira vez, comi um hamburguer realmente bom! Também recomendo os bolos, as bebidas dos cafés e o clima quase tropical.
Também tem coisas menos boas, muito más mesmo. O nível cultural é muito mais baixo que o da Europa, as pessoas estão mal informadas e gostam de ser assim. A informação é escassa e obviamente controlada e pouco se sabe aqui do que se passa para lá do quintal da vizinha. Mesmo os melhores jornais, como o New York Times ou o Washington Post têm muito pouca informação sobre o que se passa no mundo, sendo essa quase limitada ao Médio Oriente e outras zonas onde existem grandes interesses americanos. Depois há o lado ambiental, cada americano produz uma quantidade inacreditável de lixo, muito mais do que nós na Europa e os carros, gigantescos, gritam a todos o seus imensos consumos.

Para a próxima semana esperam-me New York e Washington, espero ter mais para contar depois de visitar os centros de poder da super-potência...

domingo, julho 08, 2007

Pontapé de bicicleta - parte 2

Se o golo do Hugo Sanchez foi uma das melhores bicicletas de sempre, esta, do grande Marco Van Basten, é quanto a mim o melhor golo marcado em pontapé de bicicleta de sempre!

O Pontapé de bicicleta

Agora que os calores do Verão mantém o futebol longe dos relvados e que os adeptos começam a ficar sequiosos, mostrando os primeiros sinais da tradicional "fome de bola", uma homenagem ao mais belo dos movimentos do desporto rei. O Pontapé de Bicicleta.
Lembro-me de ser pequeno e ver um pequeno mexicano, de seu nome Hugo Sanchez que semana após semana maravilhava a Europa com brilhantes bicicletas ao serviço do Real Madrid. Vejam o vídeo, o ultimo golo, ou o primeiro na verdade, é sem duvida uma das melhores bicicletas da história do futebol!
Fica aqui a inspiração, para as futeboladas de Verão na praia...

sexta-feira, julho 06, 2007

O Holandês Voador

Ontem fui ver o Pirates of the Caribean 3, que recomendo vivamente a todos. Muito divertido mesmo! Mas fiquei cheio de curiosidade quanto à lenda do Holandês Voador, que foi adaptada de uma maneira bastante original nestes filmes. Andei a pesquisar as origens da lenda e, ao que parece, a história original tem muito pouco que ver com o capitão Davy Jones e o seu coração partido pela traição da sua amada deusa do mar Calypso, dos filmes.
Ao que parece, apesar de existirem possivelmente origens ainda mais antigas para a história, o Holandês Voador original foi o Cpt. Bernard Fokke, capitão holandês do século XVII de quem se dizia ter feito um pacto com o diabo devido à fantástica velocidade com que completava as viagens entre a Holanda e Java. Contudo, a lenda do Holandês Voador surge mais tarde em diversos exemplos de literatura e musica, com o Cpt. Hendrik van der Decken, capitão do De Vliegende Hollander, um brigue holandês do início do sec. XIX, que durante uma tempestade ao largo Cabo da Boa Esperança lançou um desafio aos ventos tempestuosos que lhe dificultam a travessia, dizendo que preferia enfrentar a tempestade até ao dia do Julgamento Final a desistir e levar o barco para um porto. Reza a lenda que o diabo lhe fez a vontade, condenando-o e à sua tripulação a percorrerem para sempre os mares sob terríveis tempestades, enquanto o capitão e o diabo em pessoa jogam aos dados pela alma do capitão.
Assim, o Holandês Voador terá sido avistado frequentemente na história naval, sempre em dias de tempestade, em diferentes partes do globo, sendo a sua presença augúrio de tragédias navais. Mais tarde, algumas adaptações literárias e, nomeadamente, numa ópera de Wagner foi introduzida a ideia, adaptada no filme, que era permitido ao capitão ir a terra uma vez em cada 7, 10 ou 100 anos (dependendo da fonte) para visitar, nuns casos, a sua amada, noutros casos uma qualquer mulher disposta a partilhar o seu destino.

Esta música é tão doce, tão bonita, mas ao mesmo tempo tão triste...
Fantástica!

domingo, julho 01, 2007

Manifesto

Aquilo em que um homem acredita é real, se um número suficiente de pessoas acreditar na mesma coisa, esta torna-se a realidade.

Gosto da palavra alienado. Gosto, pronto. Alienado, tornado alienígena, parece que estamos a dizer que antes era normal, mas depois ficou estranho, um estranho em sua casa. Um alienígena é um estranho num local estranho, um alienado é aquele que é simplesmente um estranho na sua própria casa.

É curiosa a expressão: “estão a alienar o X”. Na verdade não faz sentido. Ninguém pode alienar alguém, é sempre alguém que se aliena da realidade. Podemos desprezar, abandonar, rejeitar ou expulsar alguém, alienar não. Qualquer uma das acções resultaria em retirar a casa a alguém, afasta-lo do seu local, não o estaríamos a tornar um estranho em sua casa porque ele teria perdido a casa.

Enfim, estou a desviar-me da questão. Comecei com uma citação de uma personagem do Million Dollar Hotel, um filme fantástico do Wim Wenders. Só me lembrei dos alienados porque era essa a características em comum entre as várias personagens desse filme. Mas, voltando à frase, será a realidade assim tão fácil de perceber?

É preciso ter cuidado ao discutir algo tão complexo como a realidade. Há um risco sério de nos tomarem por loucos, por qualquer razão a nossa sociedade tem como pecado máximo a rejeição da realidade instituída. O nosso apego ao paradigma que convencionamos chamar realidade é tal, que nos forçamos por afastar todos os que põem em dúvida esse ideal. Pudera! Deixar de acreditar na realidade é rejeitar o referencial em que assenta o nosso pensamento, como um avião que a meio da viagem deixa de ter acesso à sua posição x,y,z. Por outro lado, é entrar na filosofia mais profunda. Lembro-me logo da caverna de Platão. Platão questionou a realidade da realidade, foi talvez o primeiro a fazê-lo, o primeiro dos alienados. Depois veio a tornar-se o expoente máximo de uma linha de pensamento que originou todo o arcaboiço do pensamento da nossa sociedade moderna, pelo menos no “Ocidente”.

O que é então a realidade? As nuvens são reais, o céu é realmente azul e o oceano é azul, profundo e lindíssimo. As árvores têm, em geral, folhas verdes, alguns animais comem plantas, e aquele bife que comemos ao almoço era realmente um pedaço de uma vaca. Tudo isto é a realidade. O problema é que existe toda uma série de coisas que pensamos fazerem parte da realidade, mas que dificilmente são reais aos olhos de alguém com metade do intelecto de Platão.

Por exemplo, não é realidade que vivemos numa sociedade livre onde a livre expressão é a regra. Na verdade, a livre expressão acaba onde os meios de comunicação querem que ela acabe. O grande feito dos filósofos do renascimento foi anunciarem aos sete ventos que não podemos acreditar nas verdades feitas, que temos de criar as nossas verdades a partir daquilo que nós observamos. O problema é que hoje em dia até aquilo que observamos nos é controlado, a nossa grande fonte de informação é a televisão, e seria difícil encontrar um canal mais filtrado do que esse. Felizmente existe a Internet, esse grande bastião da anarquia, onde a única regra é a total liberdade, a verdadeira liberdade que nos é negada pelas nossas falsas democracias oligárquicas. Mas a Internet tem um senão, é difícil perceber que parte daquela informação é fiável, tal é a quantidade de baboseiras que se acumulam por lá. Penso que é esse o preço a pagar pela verdadeira liberdade, pelo menos a mim não me parece um preço muito elevado.

Se pararem um momento para pensar, quase tudo aquilo em que acreditamos assenta-se em conhecimentos que nos chegaram por via remota, mas em que decidimos acreditar. Não estou a dizer que não sejam reais, estou certo de que realmente existe uma cidade chamada New Orleans que foi arrasada por um furacão, ou que existe um país chamado Iraque, arrasado pelas bombas americanas. O problema é que entre as linhas principais deste conhecimento, é extremamente fácil enfiar pequenas mentiras nas entrelinhas. Não estou aqui a dizer que vivemos num gigantesco Truman Show, pelo menos acho que não. Só queria provar o argumento de que nem tudo o que reluz na televisão é necessariamente ouro.

E foi assim que chegamos ao absurdo da cena política internacional. O preço do petróleo sobe de cada vez que um opossum dá um peido a menos de 80 km de uma refinaria na Venezuela, as bolsas caem por motivos tão absurdos como o clima ou um rumor de um negócio manhoso do outro lado do mundo. A incompetência das classes governantes é de tal forma óbvia que já não é sequer questionada. Na verdade os próprios políticos admitem a sua imbecilidade, limitando-se a anunciar que são um pouco menos imbecis, ou um pouco menos criminosos do que os seus concorrentes. O mais triste, é que as pessoas estão de tal formas apanhadas nesta trama que acreditam neles e votam neles. No ano passado ouvi uma pessoa normalíssima, em Lisboa, sem qualquer ligação a Felgueiras, defender a Fátima Felgueiras sob o argumento que “ela não rouba mais do que os outros”. É verdade, na realidade é já um facto assumido que todos os autarcas são corruptos, o que não é normal é termos chegado ao ponto de aceitar isso como uma falha aceitável, uma inevitabilidade da vida política. Revolta-me profundamente a ideia de que as pessoas estão já tão totalmente apanhadas nesta ilusão. Se chegamos a este ponto, de que forma estamos mais conscientes do que na visão maníaco-catastrofista do Matrix, de toda uma humanidade aprisionada num Universo criado artificialmente por máquinas. A única diferença é que aqui estamos realmente conscientes e mesmo assim aceitamos ter a vista toldada por esta ilusão criada por uns quantos para manter o povo na linha.

Onde começou tudo isto. Quem é que beneficia com tudo isto? É aqui que me demarcarei dos catatónicos teoréticos da conspiração. Porque a verdade é muito mais deprimente do que isso. Não existe nenhuma grande conspiração, montada por extraterrestres, ou por sombrios homens de fato negro, ou pela maçonaria, ou pelo Priorado do Sião. A verdade é muito mais triste. A única conspiração que existe é a conspiração do próprio intelecto humano contra a humanidade. Temos profundamente enraizado o mito do lucro rápido. Viver no momento, ganhar agora sem pensar no que podemos vir a perder no futuro. Em ultima análise, a ganância é mãe de toda a merda que se acumula no mundo. Enquanto isso não mudar, continuaremos a seguir a passos largos o caminho para o fim inevitável que se anuncia impassível. Comecei com uma citação, vou acabar com um provérbio chinês:

Se não mudares de direcção, podes acabar no sítio para onde te diriges

Ahhh, religions...

When one person suffers from a delusion it is called insanity. When many people suffer from a delusion it is called religion.
Robert M. Pirsig
Zen and the Art of Motorcycle Maintenance

Can you Imagine this?

This post shall be written in English so that it can be read by people all over the World, for I am so utterly shocked by what I just read, I must share it with as many people as I possibly can.

According to Desmond Morris, and he is not the kind of man to make up silly stories, in the US, when John Lennon's legendary song "Imagine" is played on the radio, the line "and no religion too" is often expurgated. Worst even, sometimes it is substituted by the line "and one religion too".
How can one country exist under such an obses
sive religious fundamentalist regime, and still believe they are the homeland of justice and democracy. How is this sordid act of artistic mutilation any different from the Taliban destroying ancient statues in Afghanistan? I don't want to go on bashing Americans, as I know that many Americans aren't really like that and don't share the views of their leaders. In fact, most of the 47% (or probably more) American citizens who didn't vote for George “I hear God in my head” Bush Jr. in the last election, are utterly ashamed by things like what I have just described. I am just glad that I live in Europe, where freedom is really real, where religious freedom does exist, where people are truly free to move, think and behave according to their will and belief.

Just to give my final thought on this matter, I will leave you with John Lennon’s poem, imagining a better World where we could truly be free.

Imagine there's no Heaven
It's easy if you try
No hell below us

Above us only sky

Imagine all the people

Living for today


Imagine there's no countries
It isn't hard to do
Nothing to kill or die for

And no religion too

Imagine all the people

Living life in peace


You may say that I'm a dreamer

But I'm not the only one

I hope someday you'll join us

And the world will be as one


Imagine no possessions

I wonder if you can

No need for greed or hunger

A brotherhood of man

Imagine all the people

Sharing all the world


You may say that I'm a dreamer

But I'm not the only one

I hope someday you'll join us

And the world will live as one

sexta-feira, junho 29, 2007

terça-feira, junho 26, 2007

Walk the Line

Estive a ver o "Walk the Line". Curioso, nos últimos tempos interessei-me pela música do Johnny Cash, mas só agora vi o filme. Um grande filme, uma das melhores obras biográficas que vi nos últimos tempos. Um homem em conflito consigo próprio, encurralado pelos seus sentimentos, encontrando como única escapatória a sua música... e as drogas. Ao contrário dos habituais finais trágicos das vidas dos grandes artistas, o filme tem um final feliz. Johnny Cash acabou por convencer a sua eterna paixão, June Carter a casar com ele e, por incrível que pareça, viveram felizes para sempre, ou melhor, até 2003, ano em que ambos faleceram, de causas naturais, com apenas 4 meses de diferença. Há quem diga que depois de June ter falecido, Johnny já não tinha motivos para viver e apenas definhou durante mais 4 meses. A parte de mim que é demasiado romântica para o meu próprio bem quer acreditar nisso, mas a verdade é que uma doença prolongada o molestava desde há já muitos anos... Viveram juntos durante mais de 30 anos, compuseram e cantaram infindáveis músicas juntos, deixaram uma marca na música americana do século XX e um filho para assegurar o futuro destes genes na próxima geração.
Que raio, vou admitir a verdade, acho que o Johnny morreu porque não sabia mesmo viver sem a sua June. O que é hei eu de fazer, gosto de finais felizes... mesmo quando no final morrem todos.

domingo, junho 24, 2007

The clock is ticking?

And it finally hit me has I was reading something about Inuit legends and how they have roamed the white covered ice plains of the high artic.
Time. Even more tragic then money, time was the most awful creation of our modern western society. Time is the prison in which we chose to lock our selves.
An Inuit said that the difference between their original way of life and the newly acquired western like living that the modern world brought into the Artic was this new concept of time. The idea that time spent waiting is time of your life that goes to waste. The concept that when you are not doing something "usefull", you are wasting your life. The Inuit believe that things happen in their own course, time is of no importance. If you must wait for two days until the seal you are trying to hunt shows her self over the hole in the ice, those two days were not wasted, and it was just the way the world is.
This simple concept, this apparently easy way of accepting the world has it is without imposing our own logic, without expecting things to follow our ever-tighter schedules is, in my opinion, the main reason for the downfall of our way of living.

Or do people still think that everything around us is still OK, that we are evolving towards the perfect society (and I don't mean this in a socialistic framework)?

Read the statistics, look around you... People are unhappy, depression plagues western countries like the dark cloud of the bubonic plague of the Middle Ages. Stress related diseases, heart conditions, anorexia burns like fire within our youth, psychiatric disorders are at an all time high, suicide rates reach absurd levels in countries were life quality is believed to be the best in the world. A greyish gloom hovers over our fast paced lives. People can't leave without consuming absurd amounts of caffeine, anseolithics, anti-depressives. Why not make marijuana legal everywhere? It would be just another quick solution to a far more overwhelming problem.
The problem is easy to pin-point, but extremely hard to solve: we were made believe that every second of our lives not spent doing something useful is time when we are wasting our life, the only one we have. This means that even in does few moments of rest we still have, we must try to keep ourselves busy, if we are not working we are studying, hobbying, filling our time in any way possible to avoid the emptiness of wasted time. We drain our selves to a ragged piece of tiered human cells and organs, too drained to go on without chemical or psychiatric comfort.

Throw your clocks away. Tell your employers to screw themselves when they ask you absurd deadlines, cherish the time you have for doing absolutely nothing. Go to nearest and beach and spend a few hours staring at the never-ending beauty of the see, visit the closest forest and let your self be comforted by the sights and sounds that surround you. Take the one you love in your harms and hold them regardless of the time that passes, of the many things you "must be doing" elsewhere. Forget about time, forget that it ever existed. Maybe there is still hope for us, if we can ever forget this dreadful idea that time is our enemy...

quarta-feira, junho 20, 2007

The grim reaper


The grim reaper lurked behind the shadows, his scythe standing motionless just inches away from the darkened window of the room. His black empty eyes stared at the scene that went on inside, in the dark, in the deadly silence that shouted out the terror within.

Inside the room a young girls looked at her self in the mirror. She was pretty. Long brown hair, sweet round face with a perky little nose, big green eyes, and a mouth that could open up into a smile able to melt the coldest ice.

Over the table a 13 page long letter explaining the world why the thing she wanted the most in this world was to die, in her end a pair of scissors ready to cut through her perfectly shaped white wrists. Ready to carve deeply into her flesh, ready to open up veins and arteries, ready to spread all across the floor the fluid of her life.

Death waited silently for the play to continue its tragic course. That was her true purpose, to wait for as long as necessary for human lives to come to her and join her in their last journey.

The letter talked about a great many things, about beauty, about affection, about ugliness and rejection. Mostly it talked about loneliness. The girl was lonely. Despite the daily presence of her family, the conversations with her school friends, during the dark watches of the night she felt the solemn despair of the lonely. Loneliness and the feeling of being unwanted is the most terrible poverty that can afflict man, for it is not good for man to be alone. She ached for a soul mate with whom to share her gloom, for a pair of ears to listen to her pains, for some words to ease her sorrow.

Slowly, yet purposely, her hand grasped the handles of the scissors and started to cut her own flesh. Without a single murmur, without a single tear, the red line of blood started to drip into the floor of the room. She went without a sound, her life slowly dripping away from her like the blood that now soaked the carpets.

The grim reaper held out its hand towards her and as she took its bony fingers in hers, they both started a journey to a place from where no man as ever returned.

terça-feira, junho 19, 2007

Life Wasted

Ever felt like you were wasting your life on a job that doesn't give you credit, on people who don't realize how much you have to offer them? At a certain point you can't avoid thinking if there was ever a point...

domingo, junho 17, 2007

Desculpem a falta de inspiracao. Excesso de trabalho, falta de descanso, excesso de saudades, falta de animo... O post de hoje fica por cargo dos grandes U2 e daquele que foi talvez o melhor video da historia do Rock!

quarta-feira, junho 13, 2007

Cansaços

Depois vêm cansaços e o corpo fraqueja
Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja

One more month, one more month, one more month. Depois do sprint final o descanso merecido, espero!


The Luckiest

São poucas as músicas que me soam bem à primeira... esta deixou-me maravilhado.
Talvez porque tenha muito que ver comigo.
Apreciem

quinta-feira, maio 31, 2007

Quintas-feiras Culturais XXXVI

Hoje a cultura fica por minha conta. Tudo bem, eu aceito bem comentários negativos...

No teu olhar nasci
Num dia igual a outro qualquer
Nos teus braços vivi,
Respirei em cada segundo pela primeira vez
Longe de ti cresci
Chorei, sofri, aprendi que viver é sobreviver
No teu sorriso, um dia, renasci
Sorri, cantei, dancei
No meu íntimo um dia percebi
Eu sem ti não existo, não sou nada, não faço sentido
E numa palavra apenas o escrevi
Amo-te

terça-feira, maio 29, 2007

Do cansaço e da vida

Quando a carne fraqueja sob o peso do seu fardo
Quando o espírito quebra sob o peso da responsabilidade
Quando o alento se esvai como sangue numa ferida aberta
Quando a hora se alonga como um pêndulo sem fim

Está na hora de erguer um olhar desafiador
e enfrentar o chicote da vida sem qualquer temor


Eu próprio, prostrado aqui depois de mais um dia de trabalho sem fim

domingo, maio 27, 2007

When did we ever need god?

Isn't it enough to see that a garden is beautifull without having to believe that there are fairies at the bottom of it to?

sábado, maio 19, 2007

Song to song

Usando uma linha dos REM, deixo por aqui pelo ciberespaço alguma ternura e saudade.

This one goes out to the one I love...

Vai minha tristeza e diz à ela que sem ela não pode
ser. Diz-lhe numa prece que ela regresse, porque eu
não posso mais sofrer.

Chega de saudade, a realidade é que sem ela não há
paz, não há beleza é só tristeza e a melancolia que
não sai de mim, não sai de mim, não sai...

Mas se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda...
que coisa louca... pois há menos peixinhos a nadar no
mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca.

Dentro dos meus braços, os abraços hão de ser milhões
de abraços: apertado assim, colado assim, calado
assim; abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, que
é para acabar com esse negócio de você viver sem
mim,não quero mais esse negócio de você longe de mim.


Vai minha tristeza e diz à ela que sem ela não pode
ser. Diz-lhe numa prece que ela regresse, porque eu
não posso mais sofrer.

Chega de saudade, a realidade é que sem ela não há
paz, não há beleza é só tristeza e a melancolia que
não sai de mim, não sai de mim, não sai...

Mas se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda...
que coisa louca... pois há menos peixinhos a nadar no
mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca.

Dentro dos meus braços, os abraços hão de ser milhões
de abraços: apertado assim, colado assim, calado
assim; abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, que
é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim.

Não quero mais esse negócio de você viver assim!
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim!
João Gilberto

quinta-feira, maio 17, 2007

Shit Happens

Atravessando a floresta, depois de dias de caminho árduo, ele procurava pistas. Nos cheiros da floresta, nos tons do arvoredo, nas folhas pisadas no chão. Seguía o caminho que a justiça lhe tinha indicado, a crença cega em que depositara todo o seu ser, aquela chama, por vezes tão pálida, que o mantinha no seu caminho.
Parecia difícil acreditar que seguía o percurso correcto, duvidas assaltavam a sua mente como ondas numa costa rochosa.Naquela floresta, naquele bosque lindo onde as flores e os aromas inundavam o ar com todas as cores, naquele local onde a própria luz parecia arder de alegria, ele duvidava. Estaria a sua crença correcta, seria realmente aquele o percurso que o levaria ao seu percurso correcto.
Parou numa clareira luminosa, por um instante apenas parou para pensar, deixou-se apreciar o delicado misturar das cores da luz por entre as mil folhas caducifólias. O cansado tentilhão pousou num ramo e suspirou. Pensou naquele instante de descanso que se permitira, pensou nas esperanças que o levaram a iniciar o seu vôo pela floresta. No quanto desejava uma vida calma, descansada, feliz e preenchida, ter a calma e ternura da floresta a preencher o seu caminho.
Por azar, um gavião avistou-o. Num ápice, ágil como um gavião em voo, a ave de rapina caçou a pequena ave e estripou num segundo, com um corte ríspido e certeiro, toda a sua construção de sonhos e esperanças, toda a sua existência sonhadora e idealista.
No ninho do gavião, foi dia de festa, comida para toda a pequenada. Já dizia o escaravelho-bosteiro: "shit happens"...

segunda-feira, maio 14, 2007

Hayfields

Beauty is in the blossoming colour of flowers
In chicks peaking through an hatching egg
In the wind blowing in your hair

In the love that two people can share


Pain lays only in the loneliness of the human heart




oh lord thou art in heaven, hallowed be thy name

quinta-feira, abril 26, 2007

Quintas-feiras Culturais XXXV

Diz que hoje e quinta-feira, dia de espalhar alguma cultura por este mundo. Para hoje, Garrett...

As Minhas Asas
Eu tinha umas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Que, em me eu cansando da terra,
Batia-as, voava ao céu.
– Eram brancas, brancas, brancas,
Como as do anjo que mas deu:
Eu inocente como elas,
Por isso voava ao céu.

Veio a cobiça da terra.
Vinha para me tentar;
Por seus montes de tesouros
Minhas asas não quis dar.
– Veio a ambição, co'as grandezas,
Vinham para mas cortar
Davam-me poder e glória
Por nenhum preço as quis dar.

Porque as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Em me eu cansando da terra
Batia-as, voava ao céu.
Mas uma noite sem lua
Que eu contemplava as estrelas,
E já suspenso da terra,
Ia voar para elas,

– Deixei descair os olhos
Do céu alto e das estrelas...
Vi entre a névoa da terra,
Outra luz mais bela que elas.
E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu,
Para a terra me pesavam,
Já não se erguiam ao céu.

Cegou-me essa luz funesta
De enfeitiçados amores...
Fatal amor, negra hora
Foi aquela hora de dores!

– Tudo perdi nessa hora
Que provei nos seus amores
O doce fel do deleite,
O acre prazer das dores.

E as minhas asas brancas,
Asas que um anjo me deu
Pena a pena me caíram...
Nunca mais voei ao céu.

Almeida Garrett

quinta-feira, abril 19, 2007

Monday, Bloody Monday

Corria o ano de 1983 quando os U2 cantavam "Sunday, Bloody Sunday" para criticar uma guerra sem fim e sem sentido que rasgava a sangue e lágrimas uma Irlanda partida ao meio por eternos ódios religiosos seculares. Quando vai o todo poderoso governo americano perceber que a sua posição em relação ao porte de armas leva o seu país a arrastar-se numa absurda guerra interna. Quanto mais sangue de inocentes terá de ser espalhado pelas escolas, escritórios e hospitais americanos até que os governantes deixem de dar ouvidos ao poderoso lobby da NRA e tornem o óbvio uma realidade no "país mais poderoso do mundo": As armas não são brinquedos que toda a gente pode ter em casa.

terça-feira, abril 17, 2007

Deus?

Imaginem que têm uma premonição de que algo de horrível vai acontecer. Na forma de um sonho por exemplo. Imaginem que acordam e passam o dia inteiro a tentar mandar o mal-estar que vos consome o estômago para trás das costas. Imaginem que depois de finalmente se terem conseguído acalmar, descobrem que a vossa premonição estava certa.
Posso dizer que não tem graça absolutamente nenhuma.

Será que afinal Deus existe, mas é simplesmente uma criança maquiavélica que nos usa para alimentar o seu perverso sentido de humor?

sexta-feira, abril 13, 2007

Alegoria do herói

Muito sinceramente, acho que nunca serei um muito bom biólogo. Sou demasiado disperso. Passo horas e horas no campo e acabo por me distrair sempre a pensar sobre assuntos tão distantes do que estou de facto a fazer que as vezes me parece que talvez a minha verdadeira vocação fosse a filosofia. Ou talvez não...
Surgiu-me no outro dia uma alegoria que me parece inquietante e de resolução dificil. Coloque-mos dois homens, dois homens banais numa mesma situação. Ambos são judeus, vivem em Varsóvia em 1939, ambos estão agarrados por dois soldados das SS e à sua frente têm o seu filho (ou a mulher, ou o irmão, ou outro alguém que amam verdadeiramente) e um tenente alemão com uma arma apontada à cabeça desse ente querido. Na sua cabeça guardam um segredo que, mantido como tal, poderá salvar a vida de milhares de outros judeus, a escolha, só uma: ou revelam o segredo ou a pessoa amada será morta ali mesmo, a sangue frio.

O primeiro, guardou o segredo, assistiu à morte de uma pessoa que amava e teve de viver o resto da vida com a imagem dessa cena na cabeça e com a certeza que essa pessoa morreu por sua culpa. Contudo, a sua coragem e sacrifício salvaram milhares de vidas.
O segundo, revelou o segredo. Os alemães cumpriram a palavra e ele e outra pessoa sobreviveram e viveram muitos anos felizes, mas teve de viver para sempre com a certeza de que milhares morreram devido à sua indiscrição.

Agora a minha pergunta, qual dos dois é um herói?

sexta-feira, abril 06, 2007

Poesia absurda

White neck
Lots of white
Almost would call it
A satellite

Um momento de poesia absurda resultante de uma observação. Esta foi a minha descrição de um pássaro no campo. Uma colega virasse para mim e diz, "hei Pedro you are a poet, your description rhymes and has perfect metric". E tem mesmo... Ainda dizem que ciência não é arte

Um cheirinho do meu trabalho

Hoje o dia correu-me bem, vi uma série dos meus bichos marcados com anilhas e um deles foi até simpático ao ponto de posar para a foto. Apresento-vos o Y1WYBY:

segunda-feira, abril 02, 2007

Tugazices

Ontem rumei a Amsterdam para ver o Benfica-Porto no mítico "Lusitano" o tasco onde os portugueses do burgo se juntam para os eventos culturais lusos. Foi bonito no centro de Amserdam ver um bando de gente a gritar pelo Benfica e pelo Porto, a chamar nomes bonitos ao árbitro e a discutir as habituais questões inatáceis do futebol, era cartão ou não? Estava fora de jogo ou não? Eu depois de ter sugerido que o Bruno Morais do Porto era um carniceiro que merecia ter sdo expulso nos primeiros 5 minutos recebi um olhar de tal forma amistoso de um gajo com ar de manfio e camisola com o dístico "Super Dragões", achei por bem manter um low profile, ainda assim não resisti a dizer, já perto do final, que o Porto havia de perder com um golo do Mantorras no último minuto. Quando isso quase aconteceu mesmo no jogo apercebi-me que possivelmente os ditos elementos dos Super Dragões ali presentes me teriam possivelmente lançado para um mergulho nocturno num dos canais da bela Amsterdam, com uns sapatinhos de cimento calçados... Ah saudadinhas de Portugal

Foi pena o Benfica não ter ganho, depois do monumental banho de bola que deu ao Porto, mas ao menos sobrevivi à minha noite no "Lusitano"

quinta-feira, março 29, 2007

Quintas-feiras culturais XXXIV

Pois é, até aqui na Holanda é quinta-feira, o fim de semana está quase a chegar e é dia de espalhar um pouco de cultura.

Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

Cecília Meireles

quarta-feira, março 28, 2007

Lack of faith

Primeiro, bem cedo por sinal, perdi a minha fé na existência de Deus. Substituía por uma fé fortíssima na ciência que foi durante anos o meu deus. Nos últimos tempos perdi também a fé na ciência, que cada vez me diz menos...
Agora resta-me um ultimo resquício de fé... e se esse também desaparecer, o que acontecerá? Tornar-me-rei o "Super homem" de Nietzsche? Ou simplesmente cairei na loucura?

Just wandering...

terça-feira, março 27, 2007

Holanda


E cá estou eu de volta à Holanda. Continua tudo plano, tudo verde, tudo calmo. O tempo está estranhamente bom, solzinho o dia todo e apesar do vento gélido cortante pode-se dizer que se está até bastante bem no campo...

segunda-feira, março 19, 2007

O Nosso Mar - adeus

Na hora de mais uma partida para a Holanda, depois de despedidas e mais despedidas, hoje fui-me despedir dele ali à Foz do Arelho... do mar... do Nosso Mar!

segunda-feira, março 12, 2007

Venha mais Zeca

Não é quinta feira, mas sabe sempre bem lembrar o nosso Zeca.

Venham Mais Cinco

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar


Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

quinta-feira, março 01, 2007

Desbaratar ou não desbaratar...

Desbaratar. Eis uma palavra do léxico português que não se vê com muita frequência. Pessoalmente só a tinha avistado a espaços e geralmente associada a livros de história ou a textos de jornalismo de guerra, associada a frases como "A companhia 23 foi completamente desbaratada pelo avanço rápido das forças inimigas durante a batalha do Monte Calvo".
Que o futebol às vezes é uma guerra já eu sabia, mas foi com alguma surpresa que li no outro dia no Publico, num texto sobre o ultimo jogo do Sporting de Braga, a palavra desbaratar surgir não uma, mas duas vezes.
Dizia então o repórter: "O avançado desbaratou o penalty ao chutar a bola contra o ferro da baliza" Brilhante, não? Mas não se ficou por aí, passadas uma dez linhas lá vinha: "uma grande chance completamente desbaratada pelo jogador que se encontrava isolado frente ao guarda-redes".

Convém agora perguntar, o que significa então desbaratar?

Desbaratar: esbanjar, dissipar, vender por preço baixo, derrotar, destruir

Tenho de dar o braço a torcer e dar razão ao jornalista, desbaratar aplica-se a estas situações! Parabéns pelo bom uso do português! Mas talvez um dicionáriozito de sinónimos para evitar usar a mesm palavra cara duas vezes de seguida, não?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Ainda o referendo...


Do lado esquerdo um embrião de um rato, do lado direito um embrião humano. Ambos na terceira semana de desenvolvimento intra-uterino. Segundo os habituais argumentos do Não, o da esquerda tem direito à vida, ou não? Então ele não tem mãozinhas, pezinhos, cabecinha e um coraçãozinho a bater? Já o da direita, dificilmente pode ser classificado à primeira vista como um vertebrado, anda mais próximo de um verme. Contudo, os mesmos adeptos do Não que usam os argumentos das mãozinhas, pezinhos e outros inhos dirão que o da esquerda não tem direito à vida, o da direita sim... Em que ficamos afinal?

sábado, fevereiro 03, 2007

Samuel

O metropolitano rugiu por entre os frios túneis de cimento, num percurso repetido vezes e vezes sem conta, submergindo no espaço aberto da estação como uma baleia cinzenta na vastidão azul do oceano. Sentado sob as pardacentas luzes tremeluzentes da estação, Samuel dardejava com o olhar os transeuntes, que se deslocam impacientemente para a plataforma onde chegava o comboio nocturno. Ele sempre fora um indivíduo solitário, suspeitando dos poucos sorrisos que lhe eram dirigidos, mas enquanto observava as faces vazias dos passageiros, não conseguia evitar perder-se nas inimagináveis histórias que podiam estar a decorrer à sua volta.

Talvez a velhinha, de olhar doce e cachecol verde-acastanhado, fosse realmente um agente secreto a soldo de um qualquer poder baseado no Próximo Oriente, cujo único propósito era destruir a vida dos cidadãos honestos e respeitadores da lei deste país. Ou talvez o homem gordo, de roupas bem arranjadas e capachinho de qualidade duvidosa, pertencesse a uma facção alienígena e se preparasse, através de uma cuidadosa dissimulação dos seus três olhos e pele verde, para tomar o lugar do primeiro-ministro e assim abrir caminho para a inevitável invasão. Apesar da sua prodigiosa imaginação, Samuel nunca tentara colocar os seus devaneios sãos no papel e produzir um romance. Não acreditava que o mundo pudesse ser resumido a meros conjuntos de letras, espalhadas sobre uma frágil folha de papel como crianças no pátio de uma escola. Nunca aceitaria que uma frase, um capítulo, ou mesmo um livro inteiro, pudessem sequer aproximar-se de uma descrição fiel do modo como a luz da lua se reflecte num caco de vidro abandonado sobre o asfalto de uma estrada numa sufocante noite de Agosto.

Samuel levantou-se calmamente, com a lentidão segura de quem já aprendera a valorizar a calma como virtude máxima da vida citadina. As suas passadas, caracteristicamente longas e pesadas, levaram-no na direcção do comboio, onde se sentou à janela. Era um velho hábito, daqueles que são difíceis de perder. Desde pequeno que se habituara a procurar lugares à janela, no metropolitano, como se nas profundezas da sua mente se mantivesse acesa a pequena esperança de um dia, ao olhar pela janela, não ver o cimento enegrecido dos túneis talhados sob a cidade, mas sim uma paisagem verdejante em que esvoaçassem aves brancas sob as nuvens sorridentes de um dia de Primavera. Ao olhar a janela viu-se a si próprio. O seu reflexo relembrava-lhe a sua mortalidade em cada um dos cabelos grisalhos que se começavam a insinuar por entre a sua farta cabeleira escura. Olhava para um homem que já passara a barreira dos quarenta, em que leves rugas deixavam antever a história de vida bem preenchida de aflições e deveres cumpridos, mas cujo olhar mantinha uma jovialidade contagiante por trás das íris castanhas-claras.

O comboio rugiu o seu percurso rápido pelos corredores deste espaço sub-citadino, o expoente máximo da alienação urbana. O passar das diferentes estações, pérolas de cor animadas pelos devaneios artísticos de um qualquer arquitecto, era apenas ritmado pelos sonoros apitos do metropolitano, gritos irritantes de uma criança irrequieta que pareciam gritar “despachem-se, despachem-se, despachem-se”. Uma estação. Arcos verdes, azulejos vermelhos, as cores das luzes reflectiam caras estranhamente familiares, como se todos os habitantes da cidade fossem irmãos à muito perdidos. Segunda estação. Paredes brancas, salpicadas por gotas de vida escritas por um poeta à muito falecido, pequenos farrapos de génio humano ali deixados, abandonados ao desprezo de todos os que por ali passavam a cada dia. Terceira estação. Riscos amarelos quase gritavam num turbilhão de cor, destinado a distrair os olhares perdidos com a subtil esperança de dias mais felizes, menos opressivos. O metropolitano avisava já, histérico, a proximidade da quarta estação quando Samuel o viu. Num relâmpago de impossibilidade, um rosto, talvez humano, olhou para ele, de fora do comboio, para imediatamente ser deixado para trás pelo rápido avanço do metropolitano. Teria sido meramente uma ilusão de óptica, não fora a poderosa impressão que num instante apenas marcara profundamente a alma de Samuel. O olhar suplicante, o desespero gritado a plenos pulmões por um simples brilhar mortiço de dois olhos azuis. Num segundo apenas, Samuel ficou preso naquele túnel para sempre, sem o saber.

O impulso de fazer parar o comboio, recorrendo ao manípulo de emergência expressamente proibido, foi apenas debelada pelo forte instinto cumpridor de quem, durante quarenta anos, aceitou submeter-se às regras e leis de uma cidade sem cor. Samuel ficou sentado no seu lugar, inquieto, ofegante, incapaz de compreender o que se tinha passado. A sua inquietação foi tal que o passageiro que viajava no lugar adjacente lançou-lhe mesmo um improvável olhar de curiosidade, como se a súbita inquietação do seu companheiro de viagem tivesse sido suficiente para o fazer perder a linha de pensamento que o desligava da realidade, tornando, por um segundo apenas, quase humano. Rapidamente mudou a expressão para uma franzida reprovação, retomando o seu frio olhar dirigido ao horizonte inexistente.

A viagem continuou e o metropolitano chegou à estação seguinte, esta a típica estação de metropolitano à antiga, de paredes tão cinzentas como as dos túneis negros por onde deambula esta grande toupeira urbana. Samuel levantou-se e pediu delicadamente licença para passar ao passageiro que se sentava ao seu lado, tendo este apenas respondido com um subtil movimento das pernas para lhe permitir a passagem, enquanto mantinha a expressão de vaga reprovação como quem pensa para si próprio “esta cidade está cheia de loucos, livra!”. Samuel dirigiu-se pausadamente até à porta da carruagem, roçando com o olhar uma jovem rapariga cujas pernas bem torneadas eram evidenciadas pela saia curtíssima. Nunca fora um mulherengo, nem podia gabar-se de grandes façanhas românticas, mas não resistia a lançar um olhar agradado à visão de uma mulher bonita. Ultrapassou a porta do metropolitano enquanto o sinal sonoro começava já a avisar com a sua habitual pressa incontida a eminência do fecho das portas, após o que se dirigiu ao átrio da estação.

Longe de notar a publicidade a filmes, viagens e lâminas de barbear que lhe bombardeavam a mente, o seu pensamento ficara preso aos olhos azuis suplicantes que pensava ter avistado nos túneis do metro. Pensou nesse olhar enquanto permitia que a escada rolante o transportasse até ao piso superior, continuou a relembrar os olhos azuis enquanto passou por dois pedintes cegos que lhe lançaram as habituais súplicas desprovidas de esperança, via as duas orbes azuis como duas manchas gravadas a fogo nos seus olhos enquanto o ultimo lance de escadas o devolveu à alegria da luz solar.

domingo, janeiro 28, 2007

O poema da Natália

Para quem não acompanhou este despique de ideias, à volta da questão do aborto, deixo-vos aqui o genial poema com que a Natália Correia respondeu a João Morgado, deputado do CDS que tinha dito que na sua opinião, muito moral e pia, "o acto sexual é para fazer filhos".


Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.


Natália Correia

sábado, janeiro 20, 2007

Do Tejo ao casario branco

Sabem do que gosto mesmo em Lisboa?

Cada vez mais gosto de tudo. Nao sou alfacinha, nasci e cresci nas Caldas da Rainha, onde ainda vou com frequencia e me sinto bastante em casa, mas a verdade e que a cidade branca a pouco e pouco me adoptou. Ao principio era demasiado grande, demasiado barulhenta, demasiado stressante, demasiado fria e impessoal. Com o tempo fui-lhe reconhecendo as virtudes, o seu lado humano, a sua beleza, a sua luz unica, com o passar do tempo apaixonei-me. Diz o povo que primeiro estranha-se e depois entranha-se, nao e? Pois foi assim. Ja me custa hoje viver sem este Rio Tejo dono e senhor da cidade, imponente em cada vislumbre, relaxante e enternecedor no seu toque clamo para os sentidos. Sem os pequenos bairros, verdadeiras aldeias dentro da metropole. Sem as ruelas e becos de Alfama, da Mouraria, da Se ou do Castelo, das pequenas perolas que encontramos em cada recanto, seja um canteiro florido entre dois pedacos de calcada ou uma escadaria que de tao apertada quase nao deixa passar um homem. Sem os miradouros, seja St. Luzia, no Castelo ou no Adamastor, e sem cada pequeno espaco entre dois predio robustos por entre os quais se vislumbra o azul reluzente do Tejo sempre presente. Sem o casario branco que presentei-a quem atravessa a ponte vindo de Almada (O Rui Veloso que venha ca abaixo a terra dos mouros se quer ver sobre que cidade deveria andar a escrever musicas). Sem as avenidas largas e as ruas pombalinas. Sem os cafes historicos e os recantos culturais. Sem as tascas onde o fado se quer bem esganicado e os restaurantes finos onde os precos assustam. Sem as centenas de cafes e bares que duas vidas nao chegariam para conhecer. Sem os milhares de estrangeiros de mapa na mao. Sem as estacoes de metro exageradamente decoradas, mas tornadas obras de arte. Sem os jacarandas em flor no fim da Primavera. Sem uma igreja em cada esquina e um monumento em cada rua. Sem um jardim em cada bairro e o arvoredo por entre as ruas. Sem Belem e sem Alcantara, sem Campo de Ourique e o Bairro Alto, sem a Graca e a Penha de Franca, sem o Campo Grande e o Campo Pequeno.

Esta cidade acolheu-me a 8 anos, nesses anos tornou-me seu, deu-me a conhecer as melhores coisas e os melhores momentos da minha vida. Nao sei se ja perceberam, adoro Lisboa!

Dias cinzentos

Dias azuis em que chove sem razão,
Dia cinzentos em que o Sol brilha com convicção
Um dia de cada vez,
Por vezes tem de ser assim
Nem sempre é fácil de perceber
Nem sempre é fácil aceitar
Mas com um pouco da tua luz
Aqui e ali
Um novo início afigura-se ao fundo do túnel

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Pontual

Eu sou pontual. Pronto, está dito, eu sou pontual.
Não sei muito bem como tal coisa me foi acontecer, não sei se será de família, se uma má influencia da sociedade, só sei que sempre o fui. Custa-me admiti-lo, mas é verdade, reconheço-o agora que já cresci o suficiente como pessoa para admitir este trágico problema que me desgraça a vida.
É triste nesta sociedade ter um problema assim, ser o único português pontual. A forma como nos olham de lado, como se de um animal perigoso nos tratassemos, a maneira como sentimos que o nosso problema prejudica os outros, a forma como nos fazemos sentir mal quando nos vêm chegar a um compromisso àquela hora em que o combinamos, chegarmos a um jantar a horas, na altura em que as pessoas ainda estão a pensar em começar a pensar em preparar a casa para as visitas.
Peço desculpa aos meus amigos, aos meus colegas, aos meus médicos, aos meus patrões, a todos aqueles que já prejudiquei com este mal que me desgraça a vida. As vezes preferia nunca ter nascido, porque tenho de ser assim?
É triste mas é verdade, sou pontual.

E pensaram que andaram uns pais a criar um filho para isto...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Fé na esperança

Entre as inquitetudes de um dia vazio, nasce a esperança de um sorriso,
entre as dúvidas de uma dor que espreita, nasce a certeza de um prazer profundo,
entre o pânico de viver no medo, nasce a esperança de uma paz doce,
entre os pregos de uma cruz despida, nasce o desejo de dar um passo em frente.

Costurada pela languidez e pela proximidade
Enchertada com ramos de compreensão e fé
Semeada com gestos de carinho e atenção
Cresce uma esperança mais forte do que o medo



Não, não estou a falar de religião.

Bem Vindo

E lá chegou ele, meu estremunhado com tanto fogo de artificio e animação, baralhado com tanta gritaria e tanta dança, algo tocado pelos litros e litros de champanhe e um pouco agoniado por tanta passa engolidas em tão pouco tempo. Eis que ele aí está, 2007. Bem vindo rapaz! Vamos fazer companhia um ao outro nos próximos 365 dias, parece...

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Farsas

Vinha na primeira página de um pasquim de qualidade duvidosa que as histórias contadas na primeira pessoa pelas actrizes Margarida Vila-Nova e Joana Solnado, nos últimos anúncios da segurança rodoviária, são falsas. Isto era contado como se se tratasse de um grande escândalo...Ora deixem cá ver, duas actrizes, são pagas para contar uma história inventada num anúncio de rádio/televisão... humm, que coisa tão estranha, actores a serem pagos para representarem histórias fictícias... de facto, um escândalo!
Qualquer dia ainda descobrimos que, sei lá, a história da Floribella não relata a vida real dessa actriz, ou que o Sean Connery foi não foi realmente durante anos o agente secreto 007. Ou que o Clint Eastwood quando era novo não passava os dias a matar indíos no velho Oeste, ou que o George Cloney não costumava ser médico pediatra num hospital de Chicago...

Não me lembro qual era o jornal, algo do nível do Tal & Qual, mas isto nem notícia de rodapé da antepenultima página seria, quanto mais uma primeira página!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Quintas-feiras culturais XXXIII

Porque além de um inevitável insatisfeito também sou um inevitável romântico... fica aqui hoje um poema do Tom Jobim e do Vinicius Moraes, que todos devem conhecer da versão cantada pelo Caetano Veloso

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
António Carlos Jobim & Vinicius de Moraes

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Da Sociedade e da Solidão

Somos 7 biliões, 7000 milhões, 7 milhões de milhares, tantos que não conseguimos sequer imaginar exactamente o que esse número significa. Contudo vivemos sozinhos, nunca vivemos tão sozinhos. Em lugar nenhum se sente tanto isso como no metropolitano, ali, apertados contra todas aquelas faces vagas de olhar distante, perdido no interior das suas próprias solidões. Vivemos cada vez mais sozinhos, trabalhamos sozinhos, com o computador como único verdadeiro colega, chegamos mesma a enviar e-mails ao colega que trabalha do outro lado da sala, demasiado ciosos da nossa solidão para nos levantar e falar-mos em pessoa. Andamos nas ruas, por entre os milhares de formiguinhas humanas que habitam as cidades, e caminhamos sozinhos, os nossos pensamentos como únicos companheiros. Chegamos a casa e vivemos sozinhos, comemos sozinhos, dormimos sozinhos até quando estamos acompanhados.

Não só vivemos sozinhos como nos orgulhamos disso, admiramos a nossa própria força, a nossa heróica capacidade de sobreviver por nós próprios, gostamos tanto de sentir que não precisamos de mais ninguém. Somos como uma rocha, um escolho isolado que resiste sozinho à força de incontáveis ondas e marés.

Mas temos amigos, e gostamos deles, e passamos bons momentos de alegria com eles, só para rapidamente nos despedirmos para voltar à companhia da nossa solidão. E apaixonamo-nos, apaixonamo-nos e amamos, mas não nos entregamos. O apego à nossa solidão é demasiado forte. Precisamos de sentir que somos capazes de viver com a solidão. Temos tanto medo da solidão que nos obrigamos a estar sozinhos para provar a nós próprios que não precisamos de ninguém.

Como foi que isto nos aconteceu? O que se alterou desde os tempos da inocência, dos tempos das tribos e das cavernas? Vivíamos em grupos, a ideia de um ser humano solitário era tão estranha como nos é agora a ideia de uma sardinha sem o seu cardume. Caçávamos em grupo, comíamos em grupo, dormíamos em grupo. Os dias eram passados a lutar em conjunto pela sobrevivência do grupo, as noites, talvez à volta da fogueira, a contar história, a partilhar experiências, a ensinar e a aprender, a beber da sabedoria dos outros.

Vivíamos para os outros e não para nós. Agora somos egoístas, tão completamente egoístas que deixamos de saber o que significa ser generoso. Somos escolhos isolados a resistir contra a força das correntes, sem perceber que aqueles pequenos mexilhões, que crescem em colónias compactas, que vivem juntos sobre o nosso bojo erodido, sabem muitos mais sobre como resistir à força das ondas, pois é em conjunto que se agarram à rocha, e não cada um por si.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Eu voto SIM

Neste regresso a Portugal, descobri com alguma surpresa, e satisfação, que se irá realizar novo referendo relativo à despenalização do aborto. Dia 11 de Fevereiro ao que parece, e bom porque ainda cá estarei, posso dar o meu contributo. O que me irrita, tal como já me irritou da última vez, é que novamente vejo cartazes na rua a dizer coisas como “Aborto é assassínio”, “Não matem os bebés” e alarvidades afins.
Onde, expliquem-me, onde é que alguém disse que o referendo ia perguntar se somos a favor do aborto? Alguém disse que se ia perguntar somos a favor da morte de um embrião? Claro que não!!! A questão é se as mães que têm necessidade de recorrer a essa pratica devem o não ser penalizadas. Se devemos criar nos nossos hospitais condições para que os abortos sejam feitos de forma segura e tão pouco traumática quanto possível em vez de serem feitos ilegalmente e às escondidas por parteiras e afins.
Porque desiludam-se, abortos sempre houveram e sempre haverão.
Aconteceram sempre situações em que as pessoas necessitarão de recorrer a este último recurso. O que o referendo pretende é permitir que as pessoas que o decidam realizar tenham condições médicas e legais para o fazerem.
Seriam preferíveis os abortos ilegais? As mães estropiadas por falsos médicos? O nascimento de crianças para situações de maus-tratos, desprezo e negligência?

O único argumento válido contra a despenalização do aborto é o facto de poder tornar as pessoas mais descuidadas quanto à contracepção. Sinceramente não acredito que aconteça, quem à partida está educado sobre contracepção sabe que o aborto nunca será um método contraceptivo, nunca o equacionaria como tal. Por outro, os mesmos que se apresentam contra o aborto, são os primeiros a atacar o planeamento familiar e os métodos contraceptivos. No fim tudo se resume à necessidade de educar as pessoas.


Eu votarei SIM, porque não aceito que se penalizem pessoas por tomarem uma decisão relativa à sua saúde e ao seu futuro.

Morreu o Pinochet

Tadinho do caixão, da terra e dos vermes que o vão comer...

terça-feira, novembro 28, 2006

And today I feel fine...

It's winter fall
Red skies are gleaming, oh
Seagulls are flying over
Swans are floating by
Smoking chimney tops
Am I dreaming
Am I dreaming

The nights draw in
There's a silky moon up in the sky, yeah
Children are fantasising
Grown ups are standing by
What a super feeling
Am I dreaming
Am I dreaming

Woh, woh, woh, woh
(Dreaming) so quiet and peaceful
(Dreaming) tranquil and blissful (Dreaming) there's a kind of magic in the air (Dreaming) what a truly magnificent view
(Dreaming) a breathtaking scene
(With the dreams of the world)
(In the palm of your hand)
(Dreaming) a cosy fireside chat
(Dreaming) a little this, a little that
(Dreaming) sound of merry laughter skipping by
(Dreaming) gentle rain beating on my face
(Dreaming) what an extraordinary place
(And the dream of the child)
(Is the hope of the, hope of the man)

It's all so beautiful
Like a landscape painting in the sky, yeah
Mountains are zooming higher, mmm
Little girls scream and cry
My world is spinning, and spinning, and spinning
It's unbelievable
Sends me reeling
Am I dreaming
Am I dreaming

Ahhh
Ooooh, it's bliss


Queen, "A Winter's Tale"

sexta-feira, novembro 24, 2006

Quando irão compreender?

Um hindu é um cristão sem cabelo, um muculmano é um hindu de barba, um judeu é um muculmano de chapéu.

É esta frase simples que todas essas pessoas que se degladiam em guerras absurdas motivadas por fundamentalismos religiosos deviam compreeder. Pessoalmente, não me incluo em nenhuma religião, mas quando vão todos eles perceber que andam todos a adorar o mesmo apenas dando-lhe nomes diferentes?
Se Deus existe ou não, não me perguntem a mim, sempre me pareceu que essa pergunta é retórica, depende provavelmente da semântica, do significado que cada um dá a essa palavra. Agora percebam é uma coisa: não ganham nada em matar-se uns aos outros a discutir que nome dar àquilo que não compreendem.
As vezes as coisas mais simples são as mais dificeis de compreender...


P.S. A frase li-a num livro excepcional, "A Vida de Pi" por Yann Martel.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Something Odd?


Este vídeo prova que há pessoas que têm demasiado tempo livre nas suas mãos!! Prova também que essas pessoas têm um excelente gosto musical. Tenho a certeza que o próprio David Bowie apreciará esta versão do "Space Oddity".
A música é das minha favoritas... achei piada à animação.

sábado, novembro 18, 2006

quinta-feira, novembro 16, 2006

Quintas-feiras culturais XXXII

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

Mário Quintana

terça-feira, novembro 14, 2006

TV Holandesa no seu melhor

A televisão holandesa tem um programa, um bocado à americana, feito com excertos de vídeos da polícia a mostrar criminosos no acto. No outro dia mostraram um caso absolutamente delicioso...

Primeiro mostram o vídeo de uma câmara de trânsito fixa, que detecta um carro em excesso de velocidade, o carro ía a 110 numa estrada de limite 70. O indivíduo recebeu a multa pelo correio, como é normal nestes casos, e a coisa teria acabado assim, não fosse um momento de génio deste condutor brilhante. "Ora se o sinal em vez de dizer 70, dissesse, digamos, 120, então esta multa não seria justificada"
Assim o pensou, assim o fez. Infelizmente esta mente brilhante não se lembrou que a mesma câmara de segurança que o filmou da primeira vez continuaria no mesmo local...

Depois do primeiro vídeo, mostram um segundo, vemos o mesmo carro a parar na estrada, junto ao sinal de trânsito, primeiro vemos o nosso genial amigo a saír do carro com uma pá e a atirar-se ao sinal como se não houvesse amanhã. Arrancou o sinal, arrastou-o até ao carro e colocou-o na bagageira. De seguida este ser de insofismável inteligência saca do carro um sinal de limite 120, roubado noutro sítio qualquer, que colocou cuidadosamente no sítio onde estava o primeiro.

Resultado:
em vez de uma multa de excesso de velocidade, que lhe custaria uns 200 euros, foi acusado de excesso de velocidade, obstrução à justiça, vandalismo de propriedade pública e ainda uma outra multa, esta particularmente mázinha, por parar um automovel numa autoestrada sem motivo para tal, pois o sinal de limite 120 foi obviamente roubado numa autoestrada. Tudo somado, seis meses na prisão para não ser tão incrivelmente estúpido...

domingo, novembro 12, 2006

Para inspirar a malta

Isto do Youtube tem a sua piada! Fica aqui um bonito momento do ano passado, para animar a rapaziada. Sei que o meu amigo Quim irá apreciar de certeza! Que sirva de inspiracao para os proximos tempos...
No I'm not an android

Memória de uma das grandes músicas dos radiohead, "Paranoid Android" e de um tempo, não assim tão distante, em que me sentia exactamente assim.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Quintas-feiras culturais XXXI

Peco desculpa à dona deste blog por ter vergonhosamente copiado o seu post aqui nesta quinta-feira cultural, mas este poema era hoje exactamente o que me apetecia por aqui...


Se tu viesses ver-me
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…

Florbela Espanca

Aprendendo

Don't analyse
Don't analyse
Don't analyse
Don't analyse

Just step back and apreciate how lucky you are!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Tadinho do crocodilo


Finalmente, mudancas a oeste. Comecaram a mudar as coisas nos EUA, esperemos que agora com uma maioria democrata no congresso, o país volte a fazer lembrar uma democracia... E agora o Rumsfeld despediu-se o que é extremamente positivo. Mais um anito e picos e segue-se o amigo Bush...

quinta-feira, novembro 02, 2006