Olha-se para dentro e já pouco sobeja
Pede-se o descanso, por curto que seja
One more month, one more month, one more month. Depois do sprint final o descanso merecido, espero!
Mais um blog despretensioso que pretende deixar mais algumas ideias à solta na net. Nunca se sabe quem as irá apanhar...
São poucas as músicas que me soam bem à primeira... esta deixou-me maravilhado.
Talvez porque tenha muito que ver comigo.
Apreciem
Vai minha tristeza e diz à ela que sem ela não podeJoão Gilberto
ser. Diz-lhe numa prece que ela regresse, porque eu
não posso mais sofrer.
Chega de saudade, a realidade é que sem ela não há
paz, não há beleza é só tristeza e a melancolia que
não sai de mim, não sai de mim, não sai...
Mas se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda...
que coisa louca... pois há menos peixinhos a nadar no
mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca.
Dentro dos meus braços, os abraços hão de ser milhões
de abraços: apertado assim, colado assim, calado
assim; abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, que
é para acabar com esse negócio de você viver sem
mim,não quero mais esse negócio de você longe de mim.
Vai minha tristeza e diz à ela que sem ela não pode
ser. Diz-lhe numa prece que ela regresse, porque eu
não posso mais sofrer.
Chega de saudade, a realidade é que sem ela não há
paz, não há beleza é só tristeza e a melancolia que
não sai de mim, não sai de mim, não sai...
Mas se ela voltar, se ela voltar, que coisa linda...
que coisa louca... pois há menos peixinhos a nadar no
mar, do que os beijinhos que eu darei na sua boca.
Dentro dos meus braços, os abraços hão de ser milhões
de abraços: apertado assim, colado assim, calado
assim; abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim, que
é pra acabar com esse negócio de viver longe de mim.
Não quero mais esse negócio de você viver assim!
Vamos deixar desse negócio de você viver sem mim!
Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá
Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar
Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar
A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei
A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe
Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar
Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

O metropolitano rugiu por entre os frios túneis de cimento, num percurso repetido vezes e vezes sem conta, submergindo no espaço aberto da estação como uma baleia cinzenta na vastidão azul do oceano. Sentado sob as pardacentas luzes tremeluzentes da estação, Samuel dardejava com o olhar os transeuntes, que se deslocam impacientemente para a plataforma onde chegava o comboio nocturno. Ele sempre fora um indivíduo solitário, suspeitando dos poucos sorrisos que lhe eram dirigidos, mas enquanto observava as faces vazias dos passageiros, não conseguia evitar perder-se nas inimagináveis histórias que podiam estar a decorrer à sua volta.
Talvez a velhinha, de olhar doce e cachecol verde-acastanhado, fosse realmente um agente secreto a soldo de um qualquer poder baseado no Próximo Oriente, cujo único propósito era destruir a vida dos cidadãos honestos e respeitadores da lei deste país. Ou talvez o homem gordo, de roupas bem arranjadas e capachinho de qualidade duvidosa, pertencesse a uma facção alienígena e se preparasse, através de uma cuidadosa dissimulação dos seus três olhos e pele verde, para tomar o lugar do primeiro-ministro e assim abrir caminho para a inevitável invasão. Apesar da sua prodigiosa imaginação, Samuel nunca tentara colocar os seus devaneios sãos no papel e produzir um romance. Não acreditava que o mundo pudesse ser resumido a meros conjuntos de letras, espalhadas sobre uma frágil folha de papel como crianças no pátio de uma escola. Nunca aceitaria que uma frase, um capítulo, ou mesmo um livro inteiro, pudessem sequer aproximar-se de uma descrição fiel do modo como a luz da lua se reflecte num caco de vidro abandonado sobre o asfalto de uma estrada numa sufocante noite de Agosto.
Samuel levantou-se calmamente, com a lentidão segura de quem já aprendera a valorizar a calma como virtude máxima da vida citadina. As suas passadas, caracteristicamente longas e pesadas, levaram-no na direcção do comboio, onde se sentou à janela. Era um velho hábito, daqueles que são difíceis de perder. Desde pequeno que se habituara a procurar lugares à janela, no metropolitano, como se nas profundezas da sua mente se mantivesse acesa a pequena esperança de um dia, ao olhar pela janela, não ver o cimento enegrecido dos túneis talhados sob a cidade, mas sim uma paisagem verdejante em que esvoaçassem aves brancas sob as nuvens sorridentes de um dia de Primavera. Ao olhar a janela viu-se a si próprio. O seu reflexo relembrava-lhe a sua mortalidade em cada um dos cabelos grisalhos que se começavam a insinuar por entre a sua farta cabeleira escura. Olhava para um homem que já passara a barreira dos quarenta, em que leves rugas deixavam antever a história de vida bem preenchida de aflições e deveres cumpridos, mas cujo olhar mantinha uma jovialidade contagiante por trás das íris castanhas-claras.
O comboio rugiu o seu percurso rápido pelos corredores deste espaço sub-citadino, o expoente máximo da alienação urbana. O passar das diferentes estações, pérolas de cor animadas pelos devaneios artísticos de um qualquer arquitecto, era apenas ritmado pelos sonoros apitos do metropolitano, gritos irritantes de uma criança irrequieta que pareciam gritar “despachem-se, despachem-se, despachem-se”. Uma estação. Arcos verdes, azulejos vermelhos, as cores das luzes reflectiam caras estranhamente familiares, como se todos os habitantes da cidade fossem irmãos à muito perdidos. Segunda estação. Paredes brancas, salpicadas por gotas de vida escritas por um poeta à muito falecido, pequenos farrapos de génio humano ali deixados, abandonados ao desprezo de todos os que por ali passavam a cada dia. Terceira estação. Riscos amarelos quase gritavam num turbilhão de cor, destinado a distrair os olhares perdidos com a subtil esperança de dias mais felizes, menos opressivos. O metropolitano avisava já, histérico, a proximidade da quarta estação quando Samuel o viu. Num relâmpago de impossibilidade, um rosto, talvez humano, olhou para ele, de fora do comboio, para imediatamente ser deixado para trás pelo rápido avanço do metropolitano. Teria sido meramente uma ilusão de óptica, não fora a poderosa impressão que num instante apenas marcara profundamente a alma de Samuel. O olhar suplicante, o desespero gritado a plenos pulmões por um simples brilhar mortiço de dois olhos azuis. Num segundo apenas, Samuel ficou preso naquele túnel para sempre, sem o saber.
O impulso de fazer parar o comboio, recorrendo ao manípulo de emergência expressamente proibido, foi apenas debelada pelo forte instinto cumpridor de quem, durante quarenta anos, aceitou submeter-se às regras e leis de uma cidade sem cor. Samuel ficou sentado no seu lugar, inquieto, ofegante, incapaz de compreender o que se tinha passado. A sua inquietação foi tal que o passageiro que viajava no lugar adjacente lançou-lhe mesmo um improvável olhar de curiosidade, como se a súbita inquietação do seu companheiro de viagem tivesse sido suficiente para o fazer perder a linha de pensamento que o desligava da realidade, tornando, por um segundo apenas, quase humano. Rapidamente mudou a expressão para uma franzida reprovação, retomando o seu frio olhar dirigido ao horizonte inexistente.
A viagem continuou e o metropolitano chegou à estação seguinte, esta a típica estação de metropolitano à antiga, de paredes tão cinzentas como as dos túneis negros por onde deambula esta grande toupeira urbana. Samuel levantou-se e pediu delicadamente licença para passar ao passageiro que se sentava ao seu lado, tendo este apenas respondido com um subtil movimento das pernas para lhe permitir a passagem, enquanto mantinha a expressão de vaga reprovação como quem pensa para si próprio “esta cidade está cheia de loucos, livra!”. Samuel dirigiu-se pausadamente até à porta da carruagem, roçando com o olhar uma jovem rapariga cujas pernas bem torneadas eram evidenciadas pela saia curtíssima. Nunca fora um mulherengo, nem podia gabar-se de grandes façanhas românticas, mas não resistia a lançar um olhar agradado à visão de uma mulher bonita. Ultrapassou a porta do metropolitano enquanto o sinal sonoro começava já a avisar com a sua habitual pressa incontida a eminência do fecho das portas, após o que se dirigiu ao átrio da estação.
Longe de notar a publicidade a filmes, viagens e lâminas de barbear que lhe bombardeavam a mente, o seu pensamento ficara preso aos olhos azuis suplicantes que pensava ter avistado nos túneis do metro. Pensou nesse olhar enquanto permitia que a escada rolante o transportasse até ao piso superior, continuou a relembrar os olhos azuis enquanto passou por dois pedintes cegos que lhe lançaram as habituais súplicas desprovidas de esperança, via as duas orbes azuis como duas manchas gravadas a fogo nos seus olhos enquanto o ultimo lance de escadas o devolveu à alegria da luz solar.
Eu sei que vou te amarAntónio Carlos Jobim & Vinicius de Moraes
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
Somos 7 biliões, 7000 milhões, 7 milhões de milhares, tantos que não conseguimos sequer imaginar exactamente o que esse número significa. Contudo vivemos sozinhos, nunca vivemos tão sozinhos. Em lugar nenhum se sente tanto isso como no metropolitano, ali, apertados contra todas aquelas faces vagas de olhar distante, perdido no interior das suas próprias solidões. Vivemos cada vez mais sozinhos, trabalhamos sozinhos, com o computador como único verdadeiro colega, chegamos mesma a enviar e-mails ao colega que trabalha do outro lado da sala, demasiado ciosos da nossa solidão para nos levantar e falar-mos em pessoa. Andamos nas ruas, por entre os milhares de formiguinhas humanas que habitam as cidades, e caminhamos sozinhos, os nossos pensamentos como únicos companheiros. Chegamos a casa e vivemos sozinhos, comemos sozinhos, dormimos sozinhos até quando estamos acompanhados.
Não só vivemos sozinhos como nos orgulhamos disso, admiramos a nossa própria força, a nossa heróica capacidade de sobreviver por nós próprios, gostamos tanto de sentir que não precisamos de mais ninguém. Somos como uma rocha, um escolho isolado que resiste sozinho à força de incontáveis ondas e marés.
Mas temos amigos, e gostamos deles, e passamos bons momentos de alegria com eles, só para rapidamente nos despedirmos para voltar à companhia da nossa solidão. E apaixonamo-nos, apaixonamo-nos e amamos, mas não nos entregamos. O apego à nossa solidão é demasiado forte. Precisamos de sentir que somos capazes de viver com a solidão. Temos tanto medo da solidão que nos obrigamos a estar sozinhos para provar a nós próprios que não precisamos de ninguém.
Como foi que isto nos aconteceu? O que se alterou desde os tempos da inocência, dos tempos das tribos e das cavernas? Vivíamos em grupos, a ideia de um ser humano solitário era tão estranha como nos é agora a ideia de uma sardinha sem o seu cardume. Caçávamos em grupo, comíamos em grupo, dormíamos em grupo. Os dias eram passados a lutar em conjunto pela sobrevivência do grupo, as noites, talvez à volta da fogueira, a contar história, a partilhar experiências, a ensinar e a aprender, a beber da sabedoria dos outros.
Vivíamos para os outros e não para nós. Agora somos egoístas, tão completamente egoístas que deixamos de saber o que significa ser generoso. Somos escolhos isolados a resistir contra a força das correntes, sem perceber que aqueles pequenos mexilhões, que crescem em colónias compactas, que vivem juntos sobre o nosso bojo erodido, sabem muitos mais sobre como resistir à força das ondas, pois é em conjunto que se agarram à rocha, e não cada um por si.Neste regresso a Portugal, descobri com alguma surpresa, e satisfação, que se irá realizar novo referendo relativo à despenalização do aborto. Dia 11 de Fevereiro ao que parece, e bom porque ainda cá estarei, posso dar o meu contributo. O que me irrita, tal como já me irritou da última vez, é que novamente vejo cartazes na rua a dizer coisas como “Aborto é assassínio”, “Não matem os bebés” e alarvidades afins.
Onde, expliquem-me, onde é que alguém disse que o referendo ia perguntar se somos a favor do aborto? Alguém disse que se ia perguntar somos a favor da morte de um embrião? Claro que não!!! A questão é se as mães que têm necessidade de recorrer a essa pratica devem o não ser penalizadas. Se devemos criar nos nossos hospitais condições para que os abortos sejam feitos de forma segura e tão pouco traumática quanto possível em vez de serem feitos ilegalmente e às escondidas por parteiras e afins.
Porque desiludam-se, abortos sempre houveram e sempre haverão.
Aconteceram sempre situações em que as pessoas necessitarão de recorrer a este último recurso. O que o referendo pretende é permitir que as pessoas que o decidam realizar tenham condições médicas e legais para o fazerem.
Seriam preferíveis os abortos ilegais? As mães estropiadas por falsos médicos? O nascimento de crianças para situações de maus-tratos, desprezo e negligência?
Eu votarei SIM, porque não aceito que se penalizem pessoas por tomarem uma decisão relativa à sua saúde e ao seu futuro.
It's winter fall
O meu lema seria: não chefe, não estou a dormir, estou a recolher dados para o meu próximo artigo... AHAHAHAHAH!
Esteja onde estiver, por mais longe que me sinta de casa, é impossível ouvir a música do "Verdes Anos" da autoria do grande mestre Carlos Paredes e dedilhada ao seu estilo inconfundivel numa guitarra portuguesa, e não me sentir de imediato de volta a Portugal.
Chego ao café e peço:
Os meus parabéns aos responsaveis pela organização desta actividade. Só foi pena que tenha sido tão pouco publicitado, poucas pessoas souberam do festival.
Quando tinha 17 anos devo ter feito muitas coisas. Tantas que já nem me lembro. Umas melhores outras piores. Devo ter visto filmes, lido livros, fiz parte de uma equipa de volei, partilhei muitos momentos com os meus amigos da altura. Mas nunca fiz nada de muito mau, nunca aleijei ninguém, nunca assaltei ninguém, nunca fiz mal a ninguém. Seria justo virem agora crucificar-me se nesse período da minha vida tivesse feito parte de alguma associação com fins menos nobres?
Para os outros 99.999% de leitores que se estão positivamente marimbando para os maçaricos, deixem que vos diga uma coisa: onde vocês vêm manchinhas coloridas, eu vejo potenciais destinos de viagem!!!
Como é bem sabido, o grande pináculo da tecnologia nipónica, o marco da evolução oriental que mais influenciou o Ocidente, foi o Karaoke.
O Sol esticava-se vermelho sobre as ondas do oceano, lacrando o final de tarde com um tom carmesim que relembrava a cada um as melhores memórias de verões passados. Com a graça de uma gaivota que esvoaçava sobre o mar, com a calma das velas brancas que pontuavam no infinito o eterno encontro entre o azul do oceano e o azul do céu, os olhares acompanhavam o astro-rei na sua despedida a mais um dia.
Parece por demais obvio que a grande maioria das populações israelitas e árabes da região do médio oriente não deseja a guerra. Como quaisqueres pessoas normais, gostariam que os loucos e radicais que governam os seus países e as suas religiões os deixassem levar a sua vida descansados, sem borbardearem as suas casas, sem arrasarem os seus hospitais, sem destruirem as escolas dos seus filhos, no fundo, sem os matarem.