sexta-feira, abril 13, 2007

Alegoria do herói

Muito sinceramente, acho que nunca serei um muito bom biólogo. Sou demasiado disperso. Passo horas e horas no campo e acabo por me distrair sempre a pensar sobre assuntos tão distantes do que estou de facto a fazer que as vezes me parece que talvez a minha verdadeira vocação fosse a filosofia. Ou talvez não...
Surgiu-me no outro dia uma alegoria que me parece inquietante e de resolução dificil. Coloque-mos dois homens, dois homens banais numa mesma situação. Ambos são judeus, vivem em Varsóvia em 1939, ambos estão agarrados por dois soldados das SS e à sua frente têm o seu filho (ou a mulher, ou o irmão, ou outro alguém que amam verdadeiramente) e um tenente alemão com uma arma apontada à cabeça desse ente querido. Na sua cabeça guardam um segredo que, mantido como tal, poderá salvar a vida de milhares de outros judeus, a escolha, só uma: ou revelam o segredo ou a pessoa amada será morta ali mesmo, a sangue frio.

O primeiro, guardou o segredo, assistiu à morte de uma pessoa que amava e teve de viver o resto da vida com a imagem dessa cena na cabeça e com a certeza que essa pessoa morreu por sua culpa. Contudo, a sua coragem e sacrifício salvaram milhares de vidas.
O segundo, revelou o segredo. Os alemães cumpriram a palavra e ele e outra pessoa sobreviveram e viveram muitos anos felizes, mas teve de viver para sempre com a certeza de que milhares morreram devido à sua indiscrição.

Agora a minha pergunta, qual dos dois é um herói?

sexta-feira, abril 06, 2007

Poesia absurda

White neck
Lots of white
Almost would call it
A satellite

Um momento de poesia absurda resultante de uma observação. Esta foi a minha descrição de um pássaro no campo. Uma colega virasse para mim e diz, "hei Pedro you are a poet, your description rhymes and has perfect metric". E tem mesmo... Ainda dizem que ciência não é arte

Um cheirinho do meu trabalho

Hoje o dia correu-me bem, vi uma série dos meus bichos marcados com anilhas e um deles foi até simpático ao ponto de posar para a foto. Apresento-vos o Y1WYBY:

segunda-feira, abril 02, 2007

Tugazices

Ontem rumei a Amsterdam para ver o Benfica-Porto no mítico "Lusitano" o tasco onde os portugueses do burgo se juntam para os eventos culturais lusos. Foi bonito no centro de Amserdam ver um bando de gente a gritar pelo Benfica e pelo Porto, a chamar nomes bonitos ao árbitro e a discutir as habituais questões inatáceis do futebol, era cartão ou não? Estava fora de jogo ou não? Eu depois de ter sugerido que o Bruno Morais do Porto era um carniceiro que merecia ter sdo expulso nos primeiros 5 minutos recebi um olhar de tal forma amistoso de um gajo com ar de manfio e camisola com o dístico "Super Dragões", achei por bem manter um low profile, ainda assim não resisti a dizer, já perto do final, que o Porto havia de perder com um golo do Mantorras no último minuto. Quando isso quase aconteceu mesmo no jogo apercebi-me que possivelmente os ditos elementos dos Super Dragões ali presentes me teriam possivelmente lançado para um mergulho nocturno num dos canais da bela Amsterdam, com uns sapatinhos de cimento calçados... Ah saudadinhas de Portugal

Foi pena o Benfica não ter ganho, depois do monumental banho de bola que deu ao Porto, mas ao menos sobrevivi à minha noite no "Lusitano"

quinta-feira, março 29, 2007

Quintas-feiras culturais XXXIV

Pois é, até aqui na Holanda é quinta-feira, o fim de semana está quase a chegar e é dia de espalhar um pouco de cultura.

Por que me falas nesse idioma? perguntei-lhe, sonhando.
Em qualquer língua se entende essa palavra.
Sem qualquer língua.
O sangue sabe-o.
Uma inteligência esparsa aprende
esse convite inadiável.
Búzios somos, moendo a vida
inteira essa música incessante.
Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que o seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir.

Cecília Meireles

quarta-feira, março 28, 2007

Lack of faith

Primeiro, bem cedo por sinal, perdi a minha fé na existência de Deus. Substituía por uma fé fortíssima na ciência que foi durante anos o meu deus. Nos últimos tempos perdi também a fé na ciência, que cada vez me diz menos...
Agora resta-me um ultimo resquício de fé... e se esse também desaparecer, o que acontecerá? Tornar-me-rei o "Super homem" de Nietzsche? Ou simplesmente cairei na loucura?

Just wandering...

terça-feira, março 27, 2007

Holanda


E cá estou eu de volta à Holanda. Continua tudo plano, tudo verde, tudo calmo. O tempo está estranhamente bom, solzinho o dia todo e apesar do vento gélido cortante pode-se dizer que se está até bastante bem no campo...

segunda-feira, março 19, 2007

O Nosso Mar - adeus

Na hora de mais uma partida para a Holanda, depois de despedidas e mais despedidas, hoje fui-me despedir dele ali à Foz do Arelho... do mar... do Nosso Mar!

segunda-feira, março 12, 2007

Venha mais Zeca

Não é quinta feira, mas sabe sempre bem lembrar o nosso Zeca.

Venham Mais Cinco

Venham mais cinco
Duma assentada
Que eu pago já
Do branco ou tinto
Se o velho estica
Eu fico por cá

Se tem má pinta
Dá-lhe um apito
E põe-no a andar
De espada à cinta
Já crê que é rei
Dàquém e Dàlém Mar

Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar

A gente ajuda
Havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo
O que eu levantei

A bucha é dura
Mais dura é a razão
Que a sustem
Só nesta rusga
Não há lugar
Pr'ós filhos da mãe


Não me obriguem
A vir para a rua
Gritar
Que é já tempo
D'embalar a trouxa
E zarpar


Bem me diziam
Bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra
Quem trepa
No coqueiro
É o rei

quinta-feira, março 01, 2007

Desbaratar ou não desbaratar...

Desbaratar. Eis uma palavra do léxico português que não se vê com muita frequência. Pessoalmente só a tinha avistado a espaços e geralmente associada a livros de história ou a textos de jornalismo de guerra, associada a frases como "A companhia 23 foi completamente desbaratada pelo avanço rápido das forças inimigas durante a batalha do Monte Calvo".
Que o futebol às vezes é uma guerra já eu sabia, mas foi com alguma surpresa que li no outro dia no Publico, num texto sobre o ultimo jogo do Sporting de Braga, a palavra desbaratar surgir não uma, mas duas vezes.
Dizia então o repórter: "O avançado desbaratou o penalty ao chutar a bola contra o ferro da baliza" Brilhante, não? Mas não se ficou por aí, passadas uma dez linhas lá vinha: "uma grande chance completamente desbaratada pelo jogador que se encontrava isolado frente ao guarda-redes".

Convém agora perguntar, o que significa então desbaratar?

Desbaratar: esbanjar, dissipar, vender por preço baixo, derrotar, destruir

Tenho de dar o braço a torcer e dar razão ao jornalista, desbaratar aplica-se a estas situações! Parabéns pelo bom uso do português! Mas talvez um dicionáriozito de sinónimos para evitar usar a mesm palavra cara duas vezes de seguida, não?

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Ainda o referendo...


Do lado esquerdo um embrião de um rato, do lado direito um embrião humano. Ambos na terceira semana de desenvolvimento intra-uterino. Segundo os habituais argumentos do Não, o da esquerda tem direito à vida, ou não? Então ele não tem mãozinhas, pezinhos, cabecinha e um coraçãozinho a bater? Já o da direita, dificilmente pode ser classificado à primeira vista como um vertebrado, anda mais próximo de um verme. Contudo, os mesmos adeptos do Não que usam os argumentos das mãozinhas, pezinhos e outros inhos dirão que o da esquerda não tem direito à vida, o da direita sim... Em que ficamos afinal?

sábado, fevereiro 03, 2007

Samuel

O metropolitano rugiu por entre os frios túneis de cimento, num percurso repetido vezes e vezes sem conta, submergindo no espaço aberto da estação como uma baleia cinzenta na vastidão azul do oceano. Sentado sob as pardacentas luzes tremeluzentes da estação, Samuel dardejava com o olhar os transeuntes, que se deslocam impacientemente para a plataforma onde chegava o comboio nocturno. Ele sempre fora um indivíduo solitário, suspeitando dos poucos sorrisos que lhe eram dirigidos, mas enquanto observava as faces vazias dos passageiros, não conseguia evitar perder-se nas inimagináveis histórias que podiam estar a decorrer à sua volta.

Talvez a velhinha, de olhar doce e cachecol verde-acastanhado, fosse realmente um agente secreto a soldo de um qualquer poder baseado no Próximo Oriente, cujo único propósito era destruir a vida dos cidadãos honestos e respeitadores da lei deste país. Ou talvez o homem gordo, de roupas bem arranjadas e capachinho de qualidade duvidosa, pertencesse a uma facção alienígena e se preparasse, através de uma cuidadosa dissimulação dos seus três olhos e pele verde, para tomar o lugar do primeiro-ministro e assim abrir caminho para a inevitável invasão. Apesar da sua prodigiosa imaginação, Samuel nunca tentara colocar os seus devaneios sãos no papel e produzir um romance. Não acreditava que o mundo pudesse ser resumido a meros conjuntos de letras, espalhadas sobre uma frágil folha de papel como crianças no pátio de uma escola. Nunca aceitaria que uma frase, um capítulo, ou mesmo um livro inteiro, pudessem sequer aproximar-se de uma descrição fiel do modo como a luz da lua se reflecte num caco de vidro abandonado sobre o asfalto de uma estrada numa sufocante noite de Agosto.

Samuel levantou-se calmamente, com a lentidão segura de quem já aprendera a valorizar a calma como virtude máxima da vida citadina. As suas passadas, caracteristicamente longas e pesadas, levaram-no na direcção do comboio, onde se sentou à janela. Era um velho hábito, daqueles que são difíceis de perder. Desde pequeno que se habituara a procurar lugares à janela, no metropolitano, como se nas profundezas da sua mente se mantivesse acesa a pequena esperança de um dia, ao olhar pela janela, não ver o cimento enegrecido dos túneis talhados sob a cidade, mas sim uma paisagem verdejante em que esvoaçassem aves brancas sob as nuvens sorridentes de um dia de Primavera. Ao olhar a janela viu-se a si próprio. O seu reflexo relembrava-lhe a sua mortalidade em cada um dos cabelos grisalhos que se começavam a insinuar por entre a sua farta cabeleira escura. Olhava para um homem que já passara a barreira dos quarenta, em que leves rugas deixavam antever a história de vida bem preenchida de aflições e deveres cumpridos, mas cujo olhar mantinha uma jovialidade contagiante por trás das íris castanhas-claras.

O comboio rugiu o seu percurso rápido pelos corredores deste espaço sub-citadino, o expoente máximo da alienação urbana. O passar das diferentes estações, pérolas de cor animadas pelos devaneios artísticos de um qualquer arquitecto, era apenas ritmado pelos sonoros apitos do metropolitano, gritos irritantes de uma criança irrequieta que pareciam gritar “despachem-se, despachem-se, despachem-se”. Uma estação. Arcos verdes, azulejos vermelhos, as cores das luzes reflectiam caras estranhamente familiares, como se todos os habitantes da cidade fossem irmãos à muito perdidos. Segunda estação. Paredes brancas, salpicadas por gotas de vida escritas por um poeta à muito falecido, pequenos farrapos de génio humano ali deixados, abandonados ao desprezo de todos os que por ali passavam a cada dia. Terceira estação. Riscos amarelos quase gritavam num turbilhão de cor, destinado a distrair os olhares perdidos com a subtil esperança de dias mais felizes, menos opressivos. O metropolitano avisava já, histérico, a proximidade da quarta estação quando Samuel o viu. Num relâmpago de impossibilidade, um rosto, talvez humano, olhou para ele, de fora do comboio, para imediatamente ser deixado para trás pelo rápido avanço do metropolitano. Teria sido meramente uma ilusão de óptica, não fora a poderosa impressão que num instante apenas marcara profundamente a alma de Samuel. O olhar suplicante, o desespero gritado a plenos pulmões por um simples brilhar mortiço de dois olhos azuis. Num segundo apenas, Samuel ficou preso naquele túnel para sempre, sem o saber.

O impulso de fazer parar o comboio, recorrendo ao manípulo de emergência expressamente proibido, foi apenas debelada pelo forte instinto cumpridor de quem, durante quarenta anos, aceitou submeter-se às regras e leis de uma cidade sem cor. Samuel ficou sentado no seu lugar, inquieto, ofegante, incapaz de compreender o que se tinha passado. A sua inquietação foi tal que o passageiro que viajava no lugar adjacente lançou-lhe mesmo um improvável olhar de curiosidade, como se a súbita inquietação do seu companheiro de viagem tivesse sido suficiente para o fazer perder a linha de pensamento que o desligava da realidade, tornando, por um segundo apenas, quase humano. Rapidamente mudou a expressão para uma franzida reprovação, retomando o seu frio olhar dirigido ao horizonte inexistente.

A viagem continuou e o metropolitano chegou à estação seguinte, esta a típica estação de metropolitano à antiga, de paredes tão cinzentas como as dos túneis negros por onde deambula esta grande toupeira urbana. Samuel levantou-se e pediu delicadamente licença para passar ao passageiro que se sentava ao seu lado, tendo este apenas respondido com um subtil movimento das pernas para lhe permitir a passagem, enquanto mantinha a expressão de vaga reprovação como quem pensa para si próprio “esta cidade está cheia de loucos, livra!”. Samuel dirigiu-se pausadamente até à porta da carruagem, roçando com o olhar uma jovem rapariga cujas pernas bem torneadas eram evidenciadas pela saia curtíssima. Nunca fora um mulherengo, nem podia gabar-se de grandes façanhas românticas, mas não resistia a lançar um olhar agradado à visão de uma mulher bonita. Ultrapassou a porta do metropolitano enquanto o sinal sonoro começava já a avisar com a sua habitual pressa incontida a eminência do fecho das portas, após o que se dirigiu ao átrio da estação.

Longe de notar a publicidade a filmes, viagens e lâminas de barbear que lhe bombardeavam a mente, o seu pensamento ficara preso aos olhos azuis suplicantes que pensava ter avistado nos túneis do metro. Pensou nesse olhar enquanto permitia que a escada rolante o transportasse até ao piso superior, continuou a relembrar os olhos azuis enquanto passou por dois pedintes cegos que lhe lançaram as habituais súplicas desprovidas de esperança, via as duas orbes azuis como duas manchas gravadas a fogo nos seus olhos enquanto o ultimo lance de escadas o devolveu à alegria da luz solar.

domingo, janeiro 28, 2007

O poema da Natália

Para quem não acompanhou este despique de ideias, à volta da questão do aborto, deixo-vos aqui o genial poema com que a Natália Correia respondeu a João Morgado, deputado do CDS que tinha dito que na sua opinião, muito moral e pia, "o acto sexual é para fazer filhos".


Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.


Natália Correia

sábado, janeiro 20, 2007

Do Tejo ao casario branco

Sabem do que gosto mesmo em Lisboa?

Cada vez mais gosto de tudo. Nao sou alfacinha, nasci e cresci nas Caldas da Rainha, onde ainda vou com frequencia e me sinto bastante em casa, mas a verdade e que a cidade branca a pouco e pouco me adoptou. Ao principio era demasiado grande, demasiado barulhenta, demasiado stressante, demasiado fria e impessoal. Com o tempo fui-lhe reconhecendo as virtudes, o seu lado humano, a sua beleza, a sua luz unica, com o passar do tempo apaixonei-me. Diz o povo que primeiro estranha-se e depois entranha-se, nao e? Pois foi assim. Ja me custa hoje viver sem este Rio Tejo dono e senhor da cidade, imponente em cada vislumbre, relaxante e enternecedor no seu toque clamo para os sentidos. Sem os pequenos bairros, verdadeiras aldeias dentro da metropole. Sem as ruelas e becos de Alfama, da Mouraria, da Se ou do Castelo, das pequenas perolas que encontramos em cada recanto, seja um canteiro florido entre dois pedacos de calcada ou uma escadaria que de tao apertada quase nao deixa passar um homem. Sem os miradouros, seja St. Luzia, no Castelo ou no Adamastor, e sem cada pequeno espaco entre dois predio robustos por entre os quais se vislumbra o azul reluzente do Tejo sempre presente. Sem o casario branco que presentei-a quem atravessa a ponte vindo de Almada (O Rui Veloso que venha ca abaixo a terra dos mouros se quer ver sobre que cidade deveria andar a escrever musicas). Sem as avenidas largas e as ruas pombalinas. Sem os cafes historicos e os recantos culturais. Sem as tascas onde o fado se quer bem esganicado e os restaurantes finos onde os precos assustam. Sem as centenas de cafes e bares que duas vidas nao chegariam para conhecer. Sem os milhares de estrangeiros de mapa na mao. Sem as estacoes de metro exageradamente decoradas, mas tornadas obras de arte. Sem os jacarandas em flor no fim da Primavera. Sem uma igreja em cada esquina e um monumento em cada rua. Sem um jardim em cada bairro e o arvoredo por entre as ruas. Sem Belem e sem Alcantara, sem Campo de Ourique e o Bairro Alto, sem a Graca e a Penha de Franca, sem o Campo Grande e o Campo Pequeno.

Esta cidade acolheu-me a 8 anos, nesses anos tornou-me seu, deu-me a conhecer as melhores coisas e os melhores momentos da minha vida. Nao sei se ja perceberam, adoro Lisboa!

Dias cinzentos

Dias azuis em que chove sem razão,
Dia cinzentos em que o Sol brilha com convicção
Um dia de cada vez,
Por vezes tem de ser assim
Nem sempre é fácil de perceber
Nem sempre é fácil aceitar
Mas com um pouco da tua luz
Aqui e ali
Um novo início afigura-se ao fundo do túnel

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Pontual

Eu sou pontual. Pronto, está dito, eu sou pontual.
Não sei muito bem como tal coisa me foi acontecer, não sei se será de família, se uma má influencia da sociedade, só sei que sempre o fui. Custa-me admiti-lo, mas é verdade, reconheço-o agora que já cresci o suficiente como pessoa para admitir este trágico problema que me desgraça a vida.
É triste nesta sociedade ter um problema assim, ser o único português pontual. A forma como nos olham de lado, como se de um animal perigoso nos tratassemos, a maneira como sentimos que o nosso problema prejudica os outros, a forma como nos fazemos sentir mal quando nos vêm chegar a um compromisso àquela hora em que o combinamos, chegarmos a um jantar a horas, na altura em que as pessoas ainda estão a pensar em começar a pensar em preparar a casa para as visitas.
Peço desculpa aos meus amigos, aos meus colegas, aos meus médicos, aos meus patrões, a todos aqueles que já prejudiquei com este mal que me desgraça a vida. As vezes preferia nunca ter nascido, porque tenho de ser assim?
É triste mas é verdade, sou pontual.

E pensaram que andaram uns pais a criar um filho para isto...

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Fé na esperança

Entre as inquitetudes de um dia vazio, nasce a esperança de um sorriso,
entre as dúvidas de uma dor que espreita, nasce a certeza de um prazer profundo,
entre o pânico de viver no medo, nasce a esperança de uma paz doce,
entre os pregos de uma cruz despida, nasce o desejo de dar um passo em frente.

Costurada pela languidez e pela proximidade
Enchertada com ramos de compreensão e fé
Semeada com gestos de carinho e atenção
Cresce uma esperança mais forte do que o medo



Não, não estou a falar de religião.

Bem Vindo

E lá chegou ele, meu estremunhado com tanto fogo de artificio e animação, baralhado com tanta gritaria e tanta dança, algo tocado pelos litros e litros de champanhe e um pouco agoniado por tanta passa engolidas em tão pouco tempo. Eis que ele aí está, 2007. Bem vindo rapaz! Vamos fazer companhia um ao outro nos próximos 365 dias, parece...

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Farsas

Vinha na primeira página de um pasquim de qualidade duvidosa que as histórias contadas na primeira pessoa pelas actrizes Margarida Vila-Nova e Joana Solnado, nos últimos anúncios da segurança rodoviária, são falsas. Isto era contado como se se tratasse de um grande escândalo...Ora deixem cá ver, duas actrizes, são pagas para contar uma história inventada num anúncio de rádio/televisão... humm, que coisa tão estranha, actores a serem pagos para representarem histórias fictícias... de facto, um escândalo!
Qualquer dia ainda descobrimos que, sei lá, a história da Floribella não relata a vida real dessa actriz, ou que o Sean Connery foi não foi realmente durante anos o agente secreto 007. Ou que o Clint Eastwood quando era novo não passava os dias a matar indíos no velho Oeste, ou que o George Cloney não costumava ser médico pediatra num hospital de Chicago...

Não me lembro qual era o jornal, algo do nível do Tal & Qual, mas isto nem notícia de rodapé da antepenultima página seria, quanto mais uma primeira página!

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Quintas-feiras culturais XXXIII

Porque além de um inevitável insatisfeito também sou um inevitável romântico... fica aqui hoje um poema do Tom Jobim e do Vinicius Moraes, que todos devem conhecer da versão cantada pelo Caetano Veloso

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida eu vou te amar
A cada despedida eu vou te amar
Desesperadamente eu sei que vou te amar
E cada verso meu será
Pra te dizer que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa ausência tua me causou
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida
António Carlos Jobim & Vinicius de Moraes

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Da Sociedade e da Solidão

Somos 7 biliões, 7000 milhões, 7 milhões de milhares, tantos que não conseguimos sequer imaginar exactamente o que esse número significa. Contudo vivemos sozinhos, nunca vivemos tão sozinhos. Em lugar nenhum se sente tanto isso como no metropolitano, ali, apertados contra todas aquelas faces vagas de olhar distante, perdido no interior das suas próprias solidões. Vivemos cada vez mais sozinhos, trabalhamos sozinhos, com o computador como único verdadeiro colega, chegamos mesma a enviar e-mails ao colega que trabalha do outro lado da sala, demasiado ciosos da nossa solidão para nos levantar e falar-mos em pessoa. Andamos nas ruas, por entre os milhares de formiguinhas humanas que habitam as cidades, e caminhamos sozinhos, os nossos pensamentos como únicos companheiros. Chegamos a casa e vivemos sozinhos, comemos sozinhos, dormimos sozinhos até quando estamos acompanhados.

Não só vivemos sozinhos como nos orgulhamos disso, admiramos a nossa própria força, a nossa heróica capacidade de sobreviver por nós próprios, gostamos tanto de sentir que não precisamos de mais ninguém. Somos como uma rocha, um escolho isolado que resiste sozinho à força de incontáveis ondas e marés.

Mas temos amigos, e gostamos deles, e passamos bons momentos de alegria com eles, só para rapidamente nos despedirmos para voltar à companhia da nossa solidão. E apaixonamo-nos, apaixonamo-nos e amamos, mas não nos entregamos. O apego à nossa solidão é demasiado forte. Precisamos de sentir que somos capazes de viver com a solidão. Temos tanto medo da solidão que nos obrigamos a estar sozinhos para provar a nós próprios que não precisamos de ninguém.

Como foi que isto nos aconteceu? O que se alterou desde os tempos da inocência, dos tempos das tribos e das cavernas? Vivíamos em grupos, a ideia de um ser humano solitário era tão estranha como nos é agora a ideia de uma sardinha sem o seu cardume. Caçávamos em grupo, comíamos em grupo, dormíamos em grupo. Os dias eram passados a lutar em conjunto pela sobrevivência do grupo, as noites, talvez à volta da fogueira, a contar história, a partilhar experiências, a ensinar e a aprender, a beber da sabedoria dos outros.

Vivíamos para os outros e não para nós. Agora somos egoístas, tão completamente egoístas que deixamos de saber o que significa ser generoso. Somos escolhos isolados a resistir contra a força das correntes, sem perceber que aqueles pequenos mexilhões, que crescem em colónias compactas, que vivem juntos sobre o nosso bojo erodido, sabem muitos mais sobre como resistir à força das ondas, pois é em conjunto que se agarram à rocha, e não cada um por si.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Eu voto SIM

Neste regresso a Portugal, descobri com alguma surpresa, e satisfação, que se irá realizar novo referendo relativo à despenalização do aborto. Dia 11 de Fevereiro ao que parece, e bom porque ainda cá estarei, posso dar o meu contributo. O que me irrita, tal como já me irritou da última vez, é que novamente vejo cartazes na rua a dizer coisas como “Aborto é assassínio”, “Não matem os bebés” e alarvidades afins.
Onde, expliquem-me, onde é que alguém disse que o referendo ia perguntar se somos a favor do aborto? Alguém disse que se ia perguntar somos a favor da morte de um embrião? Claro que não!!! A questão é se as mães que têm necessidade de recorrer a essa pratica devem o não ser penalizadas. Se devemos criar nos nossos hospitais condições para que os abortos sejam feitos de forma segura e tão pouco traumática quanto possível em vez de serem feitos ilegalmente e às escondidas por parteiras e afins.
Porque desiludam-se, abortos sempre houveram e sempre haverão.
Aconteceram sempre situações em que as pessoas necessitarão de recorrer a este último recurso. O que o referendo pretende é permitir que as pessoas que o decidam realizar tenham condições médicas e legais para o fazerem.
Seriam preferíveis os abortos ilegais? As mães estropiadas por falsos médicos? O nascimento de crianças para situações de maus-tratos, desprezo e negligência?

O único argumento válido contra a despenalização do aborto é o facto de poder tornar as pessoas mais descuidadas quanto à contracepção. Sinceramente não acredito que aconteça, quem à partida está educado sobre contracepção sabe que o aborto nunca será um método contraceptivo, nunca o equacionaria como tal. Por outro, os mesmos que se apresentam contra o aborto, são os primeiros a atacar o planeamento familiar e os métodos contraceptivos. No fim tudo se resume à necessidade de educar as pessoas.


Eu votarei SIM, porque não aceito que se penalizem pessoas por tomarem uma decisão relativa à sua saúde e ao seu futuro.

Morreu o Pinochet

Tadinho do caixão, da terra e dos vermes que o vão comer...

terça-feira, novembro 28, 2006

And today I feel fine...

It's winter fall
Red skies are gleaming, oh
Seagulls are flying over
Swans are floating by
Smoking chimney tops
Am I dreaming
Am I dreaming

The nights draw in
There's a silky moon up in the sky, yeah
Children are fantasising
Grown ups are standing by
What a super feeling
Am I dreaming
Am I dreaming

Woh, woh, woh, woh
(Dreaming) so quiet and peaceful
(Dreaming) tranquil and blissful (Dreaming) there's a kind of magic in the air (Dreaming) what a truly magnificent view
(Dreaming) a breathtaking scene
(With the dreams of the world)
(In the palm of your hand)
(Dreaming) a cosy fireside chat
(Dreaming) a little this, a little that
(Dreaming) sound of merry laughter skipping by
(Dreaming) gentle rain beating on my face
(Dreaming) what an extraordinary place
(And the dream of the child)
(Is the hope of the, hope of the man)

It's all so beautiful
Like a landscape painting in the sky, yeah
Mountains are zooming higher, mmm
Little girls scream and cry
My world is spinning, and spinning, and spinning
It's unbelievable
Sends me reeling
Am I dreaming
Am I dreaming

Ahhh
Ooooh, it's bliss


Queen, "A Winter's Tale"

sexta-feira, novembro 24, 2006

Quando irão compreender?

Um hindu é um cristão sem cabelo, um muculmano é um hindu de barba, um judeu é um muculmano de chapéu.

É esta frase simples que todas essas pessoas que se degladiam em guerras absurdas motivadas por fundamentalismos religiosos deviam compreeder. Pessoalmente, não me incluo em nenhuma religião, mas quando vão todos eles perceber que andam todos a adorar o mesmo apenas dando-lhe nomes diferentes?
Se Deus existe ou não, não me perguntem a mim, sempre me pareceu que essa pergunta é retórica, depende provavelmente da semântica, do significado que cada um dá a essa palavra. Agora percebam é uma coisa: não ganham nada em matar-se uns aos outros a discutir que nome dar àquilo que não compreendem.
As vezes as coisas mais simples são as mais dificeis de compreender...


P.S. A frase li-a num livro excepcional, "A Vida de Pi" por Yann Martel.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Something Odd?


Este vídeo prova que há pessoas que têm demasiado tempo livre nas suas mãos!! Prova também que essas pessoas têm um excelente gosto musical. Tenho a certeza que o próprio David Bowie apreciará esta versão do "Space Oddity".
A música é das minha favoritas... achei piada à animação.

sábado, novembro 18, 2006

quinta-feira, novembro 16, 2006

Quintas-feiras culturais XXXII

Das Utopias

Se as coisas são inatingíveis... ora!
não é motivo para não querê-las.
Que tristes os caminhos, se não fora
a mágica presença das estrelas!

Mário Quintana

terça-feira, novembro 14, 2006

TV Holandesa no seu melhor

A televisão holandesa tem um programa, um bocado à americana, feito com excertos de vídeos da polícia a mostrar criminosos no acto. No outro dia mostraram um caso absolutamente delicioso...

Primeiro mostram o vídeo de uma câmara de trânsito fixa, que detecta um carro em excesso de velocidade, o carro ía a 110 numa estrada de limite 70. O indivíduo recebeu a multa pelo correio, como é normal nestes casos, e a coisa teria acabado assim, não fosse um momento de génio deste condutor brilhante. "Ora se o sinal em vez de dizer 70, dissesse, digamos, 120, então esta multa não seria justificada"
Assim o pensou, assim o fez. Infelizmente esta mente brilhante não se lembrou que a mesma câmara de segurança que o filmou da primeira vez continuaria no mesmo local...

Depois do primeiro vídeo, mostram um segundo, vemos o mesmo carro a parar na estrada, junto ao sinal de trânsito, primeiro vemos o nosso genial amigo a saír do carro com uma pá e a atirar-se ao sinal como se não houvesse amanhã. Arrancou o sinal, arrastou-o até ao carro e colocou-o na bagageira. De seguida este ser de insofismável inteligência saca do carro um sinal de limite 120, roubado noutro sítio qualquer, que colocou cuidadosamente no sítio onde estava o primeiro.

Resultado:
em vez de uma multa de excesso de velocidade, que lhe custaria uns 200 euros, foi acusado de excesso de velocidade, obstrução à justiça, vandalismo de propriedade pública e ainda uma outra multa, esta particularmente mázinha, por parar um automovel numa autoestrada sem motivo para tal, pois o sinal de limite 120 foi obviamente roubado numa autoestrada. Tudo somado, seis meses na prisão para não ser tão incrivelmente estúpido...

domingo, novembro 12, 2006

Para inspirar a malta

Isto do Youtube tem a sua piada! Fica aqui um bonito momento do ano passado, para animar a rapaziada. Sei que o meu amigo Quim irá apreciar de certeza! Que sirva de inspiracao para os proximos tempos...
No I'm not an android

Memória de uma das grandes músicas dos radiohead, "Paranoid Android" e de um tempo, não assim tão distante, em que me sentia exactamente assim.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Quintas-feiras culturais XXXI

Peco desculpa à dona deste blog por ter vergonhosamente copiado o seu post aqui nesta quinta-feira cultural, mas este poema era hoje exactamente o que me apetecia por aqui...


Se tu viesses ver-me
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços…

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca… o eco dos teus passos…
O teu riso de fonte… os teus abraços…
Os teus beijos… a tua mão na minha…

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca…
Quando os olhos se me cerram de desejo…
E os meus braços se estendem para ti…

Florbela Espanca

Aprendendo

Don't analyse
Don't analyse
Don't analyse
Don't analyse

Just step back and apreciate how lucky you are!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Tadinho do crocodilo


Finalmente, mudancas a oeste. Comecaram a mudar as coisas nos EUA, esperemos que agora com uma maioria democrata no congresso, o país volte a fazer lembrar uma democracia... E agora o Rumsfeld despediu-se o que é extremamente positivo. Mais um anito e picos e segue-se o amigo Bush...

quinta-feira, novembro 02, 2006

quinta-feira, outubro 26, 2006

Space above and behond

Domingo, 23 de Janeiro de 4677

Hoje visitamos o planeta Gedfel, um pequeno planeta num sistema ali para os lados do Enxame Central. Mal saí da nave de aplanetagem, percebi que o dia ía correr mal. Os sensores expectrais não identificaram o tipo de solo correctamente e aplanetámos num lago de areias movedicas, ainda eu não tinha descido a rampa e já a nave se tinha comecado a enterrar.
Depois de duas hora de trabalho árduo com os desmaterializadores autossincrónicos, lá conseguimos libertar as pernas de aterragem e deslocar a nave para um local mais firme.
Novamente saí da nave para a encontrar desta vez rodeada por nativos, infelizmente, alguém da equipa de navegacão cometeu um erro e estavamos no continente errado, estes eram os nativos maus, não os bons a quem iamos oferecer ajuda. Comecaram quase de imediato a disparar projecteis metálicos com pequenas armas de explosão, não fora o meu colete de policromílio assetinizado e lá teria o médico de bordo de passar umas horas a refazer novamente a minha matriz orgânica. Perante a ameca óbvia, não tivemos outra alternativa que não fosse recorrer novamente ao desmaterializador autossincrónico. Felizmente, antes de dessincronizarmos a matriz de um dos nativos alguém lembrou, bem, que desde o acidente de Marketon 3, foi proibido o uso de desmaterializadores em seres vivos orgânicos, aparentemente porque o processo pode ser excessivamente doloroso para as vítimas e também porque em pelo menos um caso um pequeno satélite foi destruído no processo. Disparamos antes a nossa arma secundária, um robot dentista autoprocessável que imediatamente desbaratou as forcas inimigas com ameacas de desvitalizacões e brocagens sem anestesia.
Rumamos finalmente ao continente certo, só para descobrir que um velho satélite de comunicacões Vespertiliano tinha caído sobre a principal cidade dos nativos bons, tendo eliminado numa onda de fogo e destruicão toda a sua jovem civilizacão numa questão de poucos minutos.
Sinceramente, à anos em que nem vale a pena não saír das câmaras de hibernacao instantânea...

sábado, outubro 21, 2006

Saudade

Não são longos os Invernos, nem os anos, nem as décadas,
Não são longos os séculos, nem os milénios, nem as eras,
Longos, verdadeiramente longos,
São todos os dias que passo longe de ti...

quinta-feira, outubro 19, 2006

Quintas-feiras Culturais XXX

Lembrei-me agora que ainda é quinta-feira, deixo-vos com Alberto Caeiro no seu melhor:

O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...

E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial

Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento

Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele

Porque pensar é não compreender...
O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar...

Alberto Caeiro


É dificil encontrar às vezes essa inocência, que deixámos pelo caminho à muitos tempo. Mas às vezes encontramo-la pelo caminho, é por esses momentos preciosos que o caminho merece ser percorrido

As saudades que eu tenho...


Do cheiro a castanhas assadas nas ruas de Lisboa!!!


terça-feira, outubro 10, 2006

Slaap leker

Hoje descobri que escolhi o tema errado para a minha tese de doutoramento!!! Sim, claro, a migração das aves é um tema interessantíssimo, mas o que eu gostava mesmo era de um dia publicar um artigo nesta revista:
O meu lema seria: não chefe, não estou a dormir, estou a recolher dados para o meu próximo artigo... AHAHAHAHAH!


P.S. Fica a informação, Slaap leker é o que os holandeses diz quando quer dizer a alguém "Dorme bem".

sábado, outubro 07, 2006

(in)satisfeito


Nada para dizer, nada para dizer, nada para dizer...

Apesar das saudades, este ser não tem andado insatisfeito...

quinta-feira, setembro 28, 2006

The Wind That Shakes The Barley

No outro dia fui ver o The Wind That Shakes The Barley, um filme sobre a luta pela independência da República da Irlanda. Um filme duro, pesado, por vezes a roçar a violência excessiva, mas que deixa um retrato brutal de um período bastante conturbado da história da Irlanda. Quando falo em violência, não me refiro às habituais cena de membros cortados ou sangue espalhado pelas paredes à la Hollywood, trata-se de violência muito mais opressiva e muito mais realista, a incomportável injustiça com que os soldados britâncicos tratam os civis, ou espancam inocentes até à morte (não se vê o espancamento, ficamos com a prespectiva da mãe do desgraçado que assiste a tudo do lado de fora, ouvindo os gritos do filho e as ordens abusivas dos soldados). Na cena em que um prisioneiro irlandês é torturado, por e simplesmente tive de desviar o olhar. Mas não estou a dizer que a violência era excesiva, na verdade era talvez a necessária para se compreender o período em que decorre o filme.
Mais impressionante ainda, pelo menos para mim, é a parte do filme em que, depois de conquistada uma primeira independência muito limitada, os irlandeses se dividem em duas facções, acabando por se chegar ao ponto de ver amigos a matar amigos, irmãos a ordenar a morte de irmãos, uma personagem que escreve uma carta à pessoa que ama a explicar que tem de se despedir dela porque tem de morrer pela sua causa. Foram estas partes que me deixaram a pensar muito depois do filme ter acabado...

Sempre me considerei uma pessoa idealista, tenho os meus ideais e sempre achei que se a necessidade o exigisse, e espero que nunca o exija, eu seria capaz de lutar por esses ideais, como a liberdidade, a justiça ou a igualdade de direitos. Contudo, visto este filme, apercebi-me que existem valores aos quais eu seria incapaz de sobrepôr os meus ideais. Será admissível lutar pela nossa liberdade se para isso temos de matar o nosso próprio irmão? Que liberdade é essa porque estamos a lutar? De que vale lutar pela justiça se por ela temos de abandonar quem amamos?
Não tenho duvidas que um homem que viva em total isolamento do mundo teria toda a liberdade e justiça que podesse desejar, mas de que lhe serviriam se não tem ninguém mais com quem partilhar esses ideais porque lutou?

Porque faz um retracto impressionante de um período pouco conhecido da história do século XX, e porque dá que pensar, recomendo o filme. Mas se forem ver, preparem o estômago!

terça-feira, setembro 26, 2006

Amigos do Gaspar


Estando tantos blogistas na faixa etária dos 25 aos 35, haverá por aí muita gente que tem no seu imaginário infantil "Os Amigos dos Gaspar" e nomeadamente as músicas que o Sérgio Godinho escreveu para acompanhar os bonecos animados.
À uns tempos saquei da net a banda sonora dos "Amigos do Gaspar", é como um passeio pelas memórias de tempos bem alegres e inocentes.


Deixo-vos aqui o genial poema que o Velho Pires Marinheiro dedicou à sua amada Felismina, envolto nas dores do seu amor:

Ai, o amor quando nos toca
é como se tocasse um sino
um hino, um trino
de um alegre passarinho
Vou voar para o teu ninho
vou tentar fazer o pino
vou ser bailarino
argentino, desatino

Mas que hei-de eu fazer?
O amor é um furacão
desgovernando
a minha embarcação

Este é apenas um pequeno exemplo das pérolas que fazem parte do álbum, como "É tão bom", "Na cidade", "Canção dos abraços", "Viva o futebol", "Pico pico manjerico" ou "Embalo". Em três palavras: Soió, toió, voió.

Ah, bons tempos!

segunda-feira, setembro 25, 2006

Verdes Anos

Esteja onde estiver, por mais longe que me sinta de casa, é impossível ouvir a música do "Verdes Anos" da autoria do grande mestre Carlos Paredes e dedilhada ao seu estilo inconfundivel numa guitarra portuguesa, e não me sentir de imediato de volta a Portugal.
Agora que já não estás entre nós, estejas onde estiveres, um grande bem haja para ti Carlos!

sexta-feira, setembro 22, 2006

Canja de Galinha

Hoje descobri que as maquinas automáticas de café aqui da Universidade em Groningen dão café, chá, chocolate quente e... kipsoepen, que é como quem diz canja de galinha!
Ora acontece que ando um bocado constipado, e sempre acreditei no conselho da minha avó, de que a canja de galinha é o melhor remédio para gripes e constipações. Toca de tirar uma canja de galinha da máquina, que vem naqueles copitos de plástico branco em que se costuma ter o café. Podia ser completamente artificial, mas que soube bem soube e até me sinto um pouco melhor. Daqui a bocado vou lá buscar outra!

FC Groningen


Groningen exulta cheia de euforia pela equipa local, o FC Groningen. Depois da brilhante época passada, em que acabaram em 5º lugar no campeonato holandês e garantiram o apuramento para a Taça UEFA, a equipa arrancou este ano para o melhor inicio de campeonato da sua história, estando à 4ª jornada em segundo lugar com os mesmos pontos que o AZ Alkmar, que está de momento em primeiro.
Sinto uma certa simpatia pela equipa cá do sítio... se não fossem aqueles equipamentos verde e brancos que me deixam cheio de alergias...

Força Groningen! No domingo vem cá o impronunciavel RKC Waalwijk, claro que só uma vitória se admite!

segunda-feira, setembro 18, 2006

Back in Orange


De volta à Holanda. O céu está cinzento, os colegas que não me viam há dois meses cumprimentam-me com um "hei" carregado de indiferença. Sem duvida, estou de volta à Holanda...

quinta-feira, setembro 14, 2006

Quintas-feiras culturais XXIX

Mais uma quinta-feira cultural, esta com aroma a despedida, pois volto amanhã para a Holanda. O meu próximo post será já escrito em terras holandesas...


AUSÊNCIA

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, setembro 12, 2006

Essa tão lusa angustia de viver

Passei por este blog e deparei com este texto com que me identifiquei de tal maneira que não pude resistir a transcreve-lo aqui. Não sei se esta tão nossa angustia de viver se aplica a todos os portugueses, mas aplica-se a mim de tal forma que por um momento pensei que poderia ter sido eu a escrever este texto:

"One of things that makes us portuguese is the fact that we “like” to hold to the negative side of things. Even in our best moments we can’t prevent thinking “what if this had gone wrong?”, or “what it things were different?”. When some one succeeds in something, there’s always someone saying a “but…”. We are always ready to criticize the good things of life, or fear for their finish. The ghost is always there. We call it “national negativism”.
I don’t consider myself a negative person. But sometimes I can’t do nothing about being portuguese. Specially when something happens in my life. Something so good that I wonder what I’ve done to deserve it. And because I can’t find the reason I tend to think that Someone got distracted when making this happen in my life or placed someone on my train. Then the “ghost” of losing that something or that person leaving my train, wakes up with me sometimes
."
Caro tripeiro, desculpa o pelágio. Mas gostei mesmo! Será mesmo este o nosso fado de ser português?

A minha vida é um sketch do gato fedorento!

Chego ao café e peço:
- Era um rissol e um galão.
- Um donuts e o quê? - responde a empregada.
- Um rissol e um galão. - repeti eu.
- Ah, um donuts, um rissol e um galão.
- Não, eu não pedi um donuts, quero só um rissol e um galão.
Neste ponto a rapariga olha para mim como se eu lhe tivesse assaltado o carro, arranca com alguma violência o recibo da maquina, faz um rabisco e diz:
- Nesse caso são 1,65€.
Pago, recebo o recibo que inclui um donuts, um salgado com um risco a caneta por cima e um galão. Por um momento não quis acreditar na estupidez da mulher e dei o recibo à outra empregada que servia os pedidos.
- Bom dia quer um donuts com ou sem chocolate?
- O quê!!??!
- O seu donuts, quer com recheio de chocolate ou não?
Olho com profunda descença para a mulher e repito novamente:
- Mas eu não pedi um donuts, pedi um rissol.
- Não, pediu um donuts. Quer ou não com recheio.
- Não, eu quero um rissol. - Repeti eu olhando para a empregada da caixa.
Esta olha para mim com um olhor capaz de mandar abaixo uma parede.
- Tinha pedido um donuts, se quer um rissol tem de pagar mais cinco cêntimos.
Foi neste momento que tive a certeza que isto não podia estar a acontecer, tinha de estar a ter um sonho inspirado vagamente num quadro do Salvador Dalí. Não sei como mantive a calma, olhei para a rapariga e dei-lhe os cinco cêntimos, enquanto dizia, só por dizer:
- Já lhe disse três vezes que queria um rissol.
Deram-me o rissol e o galão enquanto olhavam para mim como se eu fosse um criminoso de guerra. Peguei nas coisas e fui comer para um canto do café. Ainda ficaram a sussurar bocas certamente dirigidas a mim...

(factos verídicos ocorridos ao autor deste blog hoje de manhã na gare de Expressos de Sete Rios)

segunda-feira, setembro 11, 2006

9-11, se é que foi mesmo a 11 e em Setembro...

Fazem hoje cinco anos sobre o dia em que todos passamos longos momentos de descrença enquanto olhavamos para a televisão e viamos as imagens aparentemente irreais dos aviões a embaterem nas torres gémeas que, pouco depois, ruiam de forma trágica e espectacular.
Em cinco anos, tornou-se óbvio que os grandes beneficiados pela tragédia desse dia foram os ultra-conservadores republicanos que controlam o governo americano. Re-elegeram o pior presidente da história do país, obtiveram carta branca para atacarem todo e qualquer país que lhes apeteça, reduziram as liberdades do seu povo de uma forma agressiva e perfeitamente fascista, conseguiram mesmo excluir-se às regras dos direitos humanos.
Passados cinco anos, muita água correu sobre muitas pontes, muito se disse e muito se fez. Mas alguns dados não deixam de ser curiosos:
No célere escândalo Monica Lewinski as investigações oficiais custaram 200 milhões de dólares, para investigar o maior atentado de todos os tempos só foram gastos 20 milhões...
Ao longo da história, vários edificios sofreram colisões de aviões, muitos sofreram graves incêndios, nenhum ruiu, muito menos da forma perfeita e cuidadosa com que abateram as torres gémeas...
Um terceiro edificio do WTC também ruíu, nunca ninguém explicou porquê...
Três dias antes dos atentados, a autoridade portuária de Nova Iorque, dona dos edificios, segurou as torres com um seguro no valor de quase 3 mil milhões de dólares, numa apólice que claramente incluía o caso de terrorismo...
A semana anterior aos atentados foi a semana em que mais acções da Boeing (empresa construtora de todos os aviões usados nos atentados) foram transaccionadas, desde que a empresa existe...
Em poucos dias sabia-se já a identidade de todos os terroristas envolvidos no ataque e até, imagine-se, foi encontrado o passaporte de um deles nos destroços das torres, apesar de nem as caixas negras dos aviões terem resistido ao embate...
No pentágono, o avião embateu na única secção do edifício que tinha sofrido obras para resistir a ataques terroristas...
Apesar do buraco na fachado do pentágono ser ridiculamente inferior às dimenssões de um Boeing 757, curiosamente nenhuma parte da fuselagem do avião foi encontrada no exterior...
O piloto desse avião, que fez a manobra mais complexa desse dia levando o avião a descer quase a pique para depois o fazer razar o chão até embater no edificio de poucos andares tinha aprendido a pilotar um mês antes e segundo o seu instrutor, não tinha muito jeito para a coisa...
No local onde caíu o quarto avião, não foram encontrados cadáveres e quase nenhns destroços...
Daqui podemos concluír muitas coisas. Que passaportes são mais resistentes do que aviões inteiros; que os terroristas são mais facilmente identificados depois de mortos; que os maiores edificios do mundo são também os mais frágeis; que os aviões são como os gatos, capazes de se expremer através de aberturas do tamanho da sua cabeça; que qualquer pessoa com meia duzia de aulas pode pilotar um jacto de passageiros; e acima de todo que nos andam a contar tantas mentiras à cerca deste assunto que eu arriscaria dizer que a única verdade foi a data do incidente, o tal 11 de Setembro.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Quintas-feiras culturais XXVIII

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

Alberto Caeiro

Estatística

Regressão
Regressã
Regress
Regres
Regre
Regr
Reg
Re
R

terça-feira, setembro 05, 2006

Finanças em Portugal

Numa casa sem condições nenhumas vivia um casal sem empregos que tinha dois filhos sem nada para comer, que estudavam numa escola sem qualidade e, quando adoeciam, tinham de se contentar com um hospital sem médicos.

Um dia chegou lá a casa o fiscal das finanças e disse:
100, mais 100, mais 100, mais 100, mais 100 dá 500. Agora paguem seus caloteiros.

sexta-feira, setembro 01, 2006

Na terra Média

Vi esta coisa do blog da minha amiga Nokas e não resisti a por aqui, porque também sou um aficionado do Senhor dos Anéis.
Ora diz este site que o meu nome élfico seria:
Erestor Inglorion

Já se eu fosse um hobbit, a minha graça seria:
Hob Chubb-Baggins of Pincup

Os porquês da vida...

Porque razão é que é sempre quando precisamos de mandar um mail importante e urgente ao nosso chefe que o nosso e-mail escolhe não funcionar?

É nestas alturas que me apetece fazer isto:

quarta-feira, agosto 30, 2006

Branco, amarelo, laranja, lilás

Quando o Sol acorda de manhã e brilha só para nós,
Quando o céu azul tem todas as cores do arco-íris,
Quando o vento frio é uma carícia refrescante na pele,
Sabemos que a vida nos corre bem

segunda-feira, agosto 28, 2006

Jazz Feliz em Lisboa

Aparentemente, quase ninguém soube de uma inicitiva cultural que ocorreu este fim de semana em Lisboa, o festival Happy Jazz que levou às ruas da baixa diversas bandas que animaram os finais de tarde nos últimos três dias.
Vi no sábado a Always Drinking Marshing Band (na foto), um grupo espanhol muito alegre e divertido que tocavam bastante bem e manteve o publico bem divertido durante cerca de uma hora e meia, em plena rua Augusta. Os meus parabéns aos responsaveis pela organização desta actividade. Só foi pena que tenha sido tão pouco publicitado, poucas pessoas souberam do festival.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Quintas-feiras culturais XXVII

Para hoje uma música/poema imortal do Vinicius Moraes e do Tom Jobim. Uma música inesquecível para momentos inesqueciveis:

Garota de Ipanema

Olha que coisa mais linda,
Mais cheia de graça.
É ela a menina que vem e que passa,
Num doce balanço a caminho do mar.
Moça do corpo dourado do sol de Ipanema,
O seu balançado é mais que um poema,
É a coisa mais linda que eu já vi passar.

Ah, por que estou tão sozinho
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe,
A beleza que não é só minha,
Que também passa sozinha.

Ah, se ela soubesse
Que, quando ela passa,
O mundo sorrindo se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor....

Ah, por que estou tão sozinho
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe,
A beleza que não é só minha,
Que também passa sozinha.

Ah, se ela soubesse
Que, quando ela passa,
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor,
Por causa do amor, por causa do amor...

Vinicius Moraes & Tom Jobim

When I Was 17...

Quando tinha 17 anos devo ter feito muitas coisas. Tantas que já nem me lembro. Umas melhores outras piores. Devo ter visto filmes, lido livros, fiz parte de uma equipa de volei, partilhei muitos momentos com os meus amigos da altura. Mas nunca fiz nada de muito mau, nunca aleijei ninguém, nunca assaltei ninguém, nunca fiz mal a ninguém. Seria justo virem agora crucificar-me se nesse período da minha vida tivesse feito parte de alguma associação com fins menos nobres?
Quem tem acompanhado as últimas noticias do mundo literário deve ter já percebido de que estou a falar. Günter Grass, escritor alemão galardoado com o prémio Nobel da literatura em 1999, reconheceu recentemente que aos 17 anos fez parte das SS do regime nazi. Caíu-lhe tudo em cima. Tanto quanto percebi, nunca cometeu homicídios brutais, nunca cometeu crimes de guerra ou outros barbarismos a que geralmente associamos às SS. Tinha 17 anos, tal como a maioria dos jovens alemães da altura, acreditava que tinha o dever de lutar pelo seu país. Foi artilheiro de tanque na 10ª divisão Panzer das SS e combateu na guerra durante alguns meses, em 1944, até a sua companhia se ter rendido aos aliados. Tal como milhões de outros jovens alemães, arrastados numa espiral de violência que tomou conta da Alemanha devido à loucura de Hitler e companhia. É verdade que numa guerra não há inocentes, mas também é verdade que na guerra todos são vítimas, também os soldados. Deixem o homem em paz...

quarta-feira, agosto 23, 2006

Benfica 3 - Austria Viena 0

Ontem rumei à catedral para ver o jogo entre o Benfica e a Associação Gay de Viena... Há não era? Então mas... com aqueles equipamentos lilases pensei... Pois exacto, era o Austria de Viena, mas de qualquer forma, que jogavam como umas meninas lá isso jogavam.
De qualquer forma o Benfica esteve à altura e despachou os adversários austriacos com um 3-0 bem descansado. Mas a graça de ir ver um jogo ao estádio ultrapassa largamente o mero acto de ver um jogo de futebol. A piada é mesmo o ambiente. Em primeiro lugar, em lugar algum do mundo se vê tanta xungaria e mau aspecto como entre os adeptos do Benfica, onde o mau gosto parece ser a filosofia de vida. Mas tirando isso, a irmandade que se gera entre adeptos do mesmo clube é algo de muito engraçado. Só porque o tipo que está ao nosso lado se veste também de vermelho, isso torna-se suficiente para falarmos como se fossemos amigos de longa data. Depois, o tipo que está sentado na cadeira atrás, que por sinal tem ar de ser um traficante de droga ali da Amadora mantém-nos informados com informações constantes sobre quem vai jogar, quem não vai jogar, porque não vão jogar, quem é o árbitro, e ainda fala sobre os últimos detalhes da vida pessoal de metade da equipa, treinador incluído. Ao que parece a filha do Fernando Santos (para quem não sabe é o actual treinador do Benfica) casou-se recentemente...
Mas é quando começa o jogo que o espectaculo começa. A cada salva de palmas por mais uma boa finta, ou defesa esforçada, segue-se um chorrilho de inpropérios dedicados ao imbecil do defesa que perdeu a bola a meio campo. A cada minuto os jogadores passam de deuses a bestas. Mas no fundo, o que todo o adepto está realmente ali para fazer é: insultar o árbitro. Não interessa nada se a decisão dele foi ou não correcta, se decidiu contra nós tem de ser crucificado logo ali. Com pérolas como: "abre os olhos ó morcego do car...", "não vias a falta nem que ta enfiasse pelo nariz a cima" ou "amarelo? amarelo ficavas tu se eu te pusesse as mãos em cima" cada vez mais cresce em mim a vontade de escrever um livro dedicado a essa verdadeira arte portuguesa que é o insulto ao árbitro. Já estou a imaginar o título e tudo: "O impropério no futebol português, a arte esquecida"

sexta-feira, agosto 18, 2006

A inevitável insatisfação do ser... humano?

Ontem, ouvi no telejornal que três jovens madeirenses foram hospitalizados depois de terem tomado um chá de erva do diabo, uma planta tóxica com propriedades alucinogénicas que, pelo menos para um deles, acabou por ser letal.
Fiquei a pensar um bocado sobre o assunto, a pensar sobre esse fascínio que os alucinogénicos têm sobre o Homem, a pensar em como os alucinogénicos têm sido uma constante da história da humanidade.
Desde tempos imemoriais que os xamãs das tribos consumiam plantas ou fungos alucinogénicos para "contactarem o mundo espiritual", tribos inteiras usavam venenos vários para entrar em estados de transe, os vikings usavam frequentemente a Amanita muscaria, um cogumelo com propriedades psicoactivas, para entrarem num estado alterado de consciência que lhes dava a sensação de invunerabilidade que os tornava guerreiros temíveis. Muitos filósofos e pensadores da antiguidade clássica recorriam a chás e infusões de diversas plantas para estimularem o seu génio, diversos cientistas recentes, por exemplo Carl Sagan, reconheceram que usavam Cannabis como forma de se inspirarem para a escrita dos seus livros.
O uso de drogas alucinogénicas e psicoactivas é hoje bem patente na sociedade, com todos os problemas de toxicodependência que são bem conhecidos. Mas porquê?

Bem vistas as coisas, os seres humanos andam à milénios em busca da alienação, a tentar fugir à sua própria existência. Drogas e alcoól, música e filmes, jogos de computador, até a incessante vontade de viajar que sou o primeiro a reconhecer, não são todas estas formas de alienação, de fuga à realidade, ou pelo menos a uma realidade? Porquê esta insatisfação, porque este mal estar connosco próprios? Na minha opinião, a nossa espécie sofre de um trade-off evolutivo. Na natureza nada é gratuito, tudo tem um custo. O supra-desenvolvimento acelerado dos nossos cérebros, para lá de tudo o que alguma vez ocorrera no mundo animal, originou inúmeros benefícios, uma linguagem, uma sociedade mais complexa e intrincada, tecnologia, cultura, garantiu a nossa segurança num mundo perigoso, assegurou a nossa preponderância num planeta em mudança, mas tinha talvez um senão. Com a explosão de capacidades intelectuais, com as infinitas possibilidades que resultam da interacção de miríades de neurónios hiperactivos, começamos a questionar a nossa existência. Inventamos o porquê. Não nos contentamos com a resposta porque sim.
Agora estamos condenados a procurar para sempre um significado para a nossa existência, que até podemos encontrar por vezes, nas palavras de algum filosofo ou teólogo, ou no olhar de alguém especial. Mas lá bem no fundo, no âmago da nossa existência, estará lá empre enterrado como um espinho esse "Porquê?"
Mas não estou a dizer que isto seja algo de mau. Haverá algo mais genuinamente humano que a sensação de eternamente viver à procura de algo sem saber o que procuramos nem onde o encontrar?

quarta-feira, agosto 16, 2006

Maçaricos à conquista do Mundo

Alguns dias de pesquisa bibliografica, algumas horas a bricar no Paint e no PowerPoint e eis o único mapa que conheço com a distribuição a nível mundial do Maçarico-de-bico-direito, os tais passarocos que eu estudo. Como sou um gajo porreiro, ponho-o aqui online para que outros "maçaricologos" o usem a seu bel prazer. Para os outros 99.999% de leitores que se estão positivamente marimbando para os maçaricos, deixem que vos diga uma coisa: onde vocês vêm manchinhas coloridas, eu vejo potenciais destinos de viagem!!!

segunda-feira, agosto 14, 2006

Timing

Toda a gente já ouviu falar dos sete pecados mortais, quanto mais não seja por terem visto o filme "Se7en". Seriam aqueles pecados que nos garantiam automaticamente um bilhete directo para o Inferno. São eles a avareza, a gula, a luxúria, a preguiça, a ira, a inveja e a vaidade. Acho que não conheço nenhuma pessoa que não os tenha cometido já a todos, numa ocasião ou outra, por isso, se o catolicismo estiver certo, lá nos encontraremos todos no Inferno.
Menos conhecidas são as sete virtudes, que teriam como função manter os crentes fora do Inferno. São elas a generosidade, a abstinência, a pureza, a diligência, a paciência, a compaixão e a humildade. Mais uma vez, penso que todas as pessoas que conheço já demonstraram todas estas virtudes em algum ponto das suas vidas, talvez afinal vamos todos para o céu.
Abandonando esta visão tão medieval e católica da realidade, sugeriria uma outra virtude fundamental. A verdadeira virtude é o timing. Mesmo pegando nas quatorze atitudes antes referidas, e analisando-as numa prespectiva menos presa ao dualismo certo-errado, parece-me que em algumas ocasiões a atitude certa pode e deve ser um pecado capital, e nem sempre essas sete virtudes são a atitude mais virtuosa, tudo depende do timing. Há uma altura para ser guloso e uma altura para ser abstinente, uma altura para ser generoso e uma altura para ser aváro, uma altura para a luxúria e uma altura para a pureza, uma altura para a preguiça e uma altura para a diligência, etc. Deitando abaixo a dialética ultrapassanda do bem e do mal e olhando o mundo como ele é, um matizado de infinitos tons de cinzento, é o timing a verdadeira virtude, aquilo que nos faz tomar a atitude certa no momento certo. E isso aplica-se em todos os aspectos.
É o seu timing que faz do Jack Nicholson ou do Robert de Niro grandes actores, é o timing que define os grandes homens de negócios, é o timing a grande virtude dos diplomatas, até no desporto é o timing que distingue os melhores dos piores. É o nosso timing que define os momentos chave da nossa vida. O nosso timing, ou a falta dele.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Karaoke

Como é bem sabido, o grande pináculo da tecnologia nipónica, o marco da evolução oriental que mais influenciou o Ocidente, foi o Karaoke.
Ora o Karaoke, como conceito, não me incomoda. Até acho alguma piada, dá sempre espaço para muitas gargalhadas e diversão e, ocasionalmente, até se descobre um bom cantor(a) à conta disso. Agora o que me incomoda, e incomoda profundamente, é que as pessoas que cantam nos Karaokes escolhem sempre, sempre, sempre as mesmas músicas.
Não venham com a desculpa que é pela falta de escolha, porque eu já vi as listas e são intermináveis, mas, por qualquers motivo, não à noite de Karaoke que não tenha: dois ou três prantos do Paulo Gonzo, o "Telepatia" da Lara Li, duas músicas da Dulce Pontes, diversas aberrações de cantores brasileiros com nomes como Beto, Marcos ou Carlinhos, alguma coisa dos Delfins e pelo menos uma música da Barbara Streisand...
Depois à outros clássicos do Karaoke já mais do meu agrado, coisas dos Xutos, algumas músicas mais recentes estilo Cold Play, a ocasional balada de algum monstro sagrado do Rock, como o "Stairway to Heaven" dos Led Zeppelin (Raúl esta foi a pensar em ti!) e todos os clássicos da nossa juventude, sem esquecer o mítico e inevitável "Dunas" dos GNR ou o "Anzol" dos Rádio Macau.
Já agora, gostaria de relembrar a alguns amigos das Caldas o triste espectaculo que foi um certo trio à já uns anos atrás, a tentar cantar o "Não sou o Único" dos Xutos & Pontapés... Só posso dizer uma coisa: "Tim, Zé Pedro e companhia, perdoem-nos!"

segunda-feira, agosto 07, 2006

Tardes de Verão

O Sol esticava-se vermelho sobre as ondas do oceano, lacrando o final de tarde com um tom carmesim que relembrava a cada um as melhores memórias de verões passados. Com a graça de uma gaivota que esvoaçava sobre o mar, com a calma das velas brancas que pontuavam no infinito o eterno encontro entre o azul do oceano e o azul do céu, os olhares acompanhavam o astro-rei na sua despedida a mais um dia.
Enquanto o disco escaldante começava a esconder a face sob o frio refrescante das águas, as ondas, miríades de espelhos lançados pelo vento, reflectiam a sua luz em mil cores e tonalidades que pareciam dançar ao som da mais bela valsa, com o toque carinhoso de uma canção de embalar.
Mais duas gaivotas passaram junto à praia, com batimentos de asa ao mesmo tempo fortes e gentis, cheirava a maresia o seu vôo cuidadosamente orquestrado pelas brisas marinhas. Junto ao areal, o mar encarneirava-se em ondas de espuma branca que se espraiavam avidamente por sobre os seixos, rolados por anos sem fim de rebentação.
Com a lentidão das coisas boas, o Sol escondeu-se por fim atrás do horizonte, iniciando a sua viagem nocturna sob as profundezas pétreas do planeta com destino há próxima alvorada. Susurrando, procurando não interromper com a sua voz o espectaculo que lhes fora oferecido, os espectadores começaram a abandonar aquele anfiteatro de areia, pedras e mar. Era Verão, e nos seus sorrisos aquele pôr-do-sol prometia tornar-se eterno.

Olimpiadas do Médio Oriente

Parece por demais obvio que a grande maioria das populações israelitas e árabes da região do médio oriente não deseja a guerra. Como quaisqueres pessoas normais, gostariam que os loucos e radicais que governam os seus países e as suas religiões os deixassem levar a sua vida descansados, sem borbardearem as suas casas, sem arrasarem os seus hospitais, sem destruirem as escolas dos seus filhos, no fundo, sem os matarem.
Ora então, eu propuria uma solução para o conflito do médio oriente. Juntavam-se todas aqueles que, de facto, desejam matar, trocidar, rebentar, arrasar, ou mutilar pessoas da facção oposta, fechamo-los todos numa grande arena, estilo circo romano e depois propunha-lhes um combate mais saudavel. Competições dsportivas. Desde há milénios que o desporto é usado para resolver ódios e rivalidades internacionais. Em vez de chacinarmos os nossos enimigos, o que quase sempre envolve sermos nós próprios chacinados, que melhor satisfação haveria para um árabe que ganhar a uma equipa de futebol israelita com um golaço de fora da área no último minuto? Que melhor satisfação para um israelta que bater os adversários árabes numa corrida de 5000 metros? Organizavam-se as olimpiadas do médio oriente que, fieis às olimpiadas clássicas seriam acompanhadas por uma trégua. Depois era ver árabes e israelitas a lutarem (no bom sentido) pelas medalhas de ouro. Findas as olimpiadas, anunciavam-se logo outras para o ano seguinte. Na ânsia de se vingarem das derrotas desportivas, cada lado escolheria abandonar a guerra para se dedicar ao treino intensivo dos seus melhores atletas, de forma a garantir que no ano seguinte a medalha de ouro seria sua.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Quintas-feiras Culturais XXVI

Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...


Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...


Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
— Ai a dor de ser — quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que,desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...


Mário de Sá Carneiro

quarta-feira, agosto 02, 2006

Frases soltas

The exercise of centring oneself is a simple one. Stop thinking of what you intend to do. Stop thinking of what you have just done. Then, stop thinking that you have stopped thinking of those things. Then you will find the Now, the time that strerches eternal, and is really the only time there is. Then, in that place, you will finally have time to be yourself.

Robin Hoob in "Royal Assassin"

segunda-feira, julho 31, 2006

Um homem muito certinho

O senhor Justino Certo era um homem muito certinho.
O Justino era sempre bem educado, nunco faltou ao respeito de ninguém. Respeitou sempre os patrões e tratou sempre com justiça os seus subalternos. Nunca excedeu os limites de velocidade nem estacionou o carro sem pagar no parquímetro. Nunca chamou nomes a ninguém, nem mesmo aos árbitros que roubavm o seu clube. Pagou sempre todos os impostos, tinha sempre as contas em dia. Na praia, nunca nadou com bandeira amarela e nunca tomou banho com bandeira vermelha, nunca chegou sequer perto da água quando era hasteada a bandeira de xadrez. Para os amigos foi sempre correcto, nunca deixou de por o bem-estar deles à frente do seu, nunca os incomodou com os seus problemas. À sua esposa nunca levantou a voz, aos filhos nunca levantou a mão. Nunca respondeu torto aos pais, nunca deixou de cumprir os conselhos dos mais velhos. Nunca fumou, nunca bebeu, nunca se divertiu em demasia. Foi sempre ordeiro e respeitador, nunca faltou ao cumprimento das leis e deveres.
Os seus amigos diziam dele que era um homem às direitas, os vizinhos chamavam-no uma pessoa muito honrada. Nas costas todos o tinham como a criatura mais aborrecida à face da terra.
Um dia, quando justino voltava do trabalho, encontrou a mulher na cama com outro homem, não querendo armar um escandalo, afastou-se surrateiramente e saíu de casa sem ser notado. Há porta do prédio encontrou os seus filhos a consumirem heroína, ouviu horrorizado os filhos a dizerem que o faziam porque não queriam um dia ser como ele.
Nao sabendo ao certo o que fazer, meteu-se no automóvel, mas tendo excedido pela primeira vez na vida o limite de velocidade ao passar a 95 numa estrada de limite 90, deixou o carro derrapar numa curva onde um camião tinha largado óleo. Envolveu-se num terrível acidente em que faleceram dois peões que passavam ao lado da estrada. Quando acordou, um mês depois, estava preso a uma cadeira de rodas, todas as suas poupanças haviam sido gastas a pagar indeminizações às famílias das vítimas. Telefonou à mulher, que vivia agora com um produtor de filmes pornograficos que colecionava BMWs e tinha uma vivenda no Estoril, mas esta desejou-lhe apenas boa sorte e pediu-lhe para nunca mais a voltasse a incomodar. Os filhos, agora heroínomanos sem retorno, disseram-lhe que contasse com eles quando necessitasse de uma autorização para lhe desligarem as máquinas.
Quando teve alta do hospital, sem dinheiro, sem sítio para onde ir e sem direito a ajudas do estado devido às suas dívidas para com o hospital, procurou abrigo debaixo de uma ponte. Quando, no meio de uma chuvada, os sem abrigo o expulsaram daquele local por ser "o pouso deles", disse pela primeira vez na vida: "Porra, puta de vida". Matou-se no dia seguinte, lançando-se para a frente de um comboio apesar da culpa que sentia por ir perturbar a vida dos passageiros da CP.
Ninguém compareceu no funeral.

Contradições

The lonelier I get the more I feel like being alone.

sábado, julho 29, 2006

Sem Surpresas

No caminho para Portugal, passei um dia em Barcelona, foi a minha primeira visita a capital da Catalunha e fiquei bastante bem impressionado, aliás, com muita vontade de lá vontar com mais tempo para desfrutar dos encantos da cidade.
A vida cosmopolita da cidade fez-me de imediato recordar um excelente filme passado em Barcelona, "A Residência Espanhola". No filme há uma música dos Radiohead que surge surrateiramente em vários momentos importantes, discretamente, sem se fazer notar. Tal como na vida do protagonista, também na minha vida esta música parece surgir por vezes, sorrateiramente, e por isso aqui fica with "No Surprises".

A heart that's full up like a landfill,
a job that slowly kills you,
bruises that won't heal.
You look so tired-unhappy,
bring down the government,
they don't, they don't speak for us.
I'll take a quiet life,
a handshake of carbon monoxide,

with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
Silent silence.

This is my final fit,
my final bellyache,

with no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises please.

Such a pretty house
and such a pretty garden.

No alarms and no surprises,
no alarms and no surprises,
no alarms and no surprises, please.


Do que eu precisava era de uns tempos de puro descanso, sem fazer nada e, sobretudo, sem pensar em nada. Silence... no alarms... no (bad) surprises... please!

quinta-feira, julho 27, 2006

Back in White

Parem as rotativas, cancelem os matutinos porque a notícia de ultima hora chegou às redacções. O Inevitavel Insatisfeito chegou a Portugal, acentando por hora arraias na bela localidade de Caldas da Rainha com passagem nas próximas horas pela Foz do Arelho onde exibirá o seu corpo atrozmente branco.
As saudades eram muitas, mas em apenas meio dia em Portugal já me lembrei de três coisas que me dão vontade de fugir já para a Holanda: eucaliptos onde antes haviam sobreiros, tias na televisão e o José Carlos Malato, seguidas de perto pelas notícias da silly season lusa e pela avalanche de possiveis contratações do Benfica. Enfim, nada que um mergulho refrescante no oceano não faça esquecer.

quinta-feira, julho 20, 2006

Looks familiar?

Farto...

Estou farto de ligar a televisao e ver que Israel continua a matar arabes impunemente...

Estou farto de ligar a televisao e ver que o Hezbolla e outras confederacoes arabes continuam a incitar Israel a violencia...

Estou farto de ver politicos a enganarem os seus povos com odios faceis e outras falacias historicas...

Estou farto de ver os EUA a apoiarem a violencia um pouco por todo o mundo, desde que favoreca os seus interesses...

Estou farto das demagogias e falsidades do conselho de seguranca da ONU...

Estou farto de ver o Bush, sentado numa cadeira com poder sobre milhares de ogivas nucleares, a criticar as brincadeiras infantis da Coria do Norte com misseis de medio alcance...

Estou farto de ver o povo coreano a morrer a fome sob o poder de um louco que prefere ver o seu povo morrer a abdicar das suas loucuras de poder...

Estou farto de ver o mundo a baixar as calcas perante cada apetite imperialista americano...

Estou farto de ver guerras interminaveis em Africa, que ja nem sao motivo de noticia, criadas, geridas e potenciadas pelos mesmos que falam abertamente da necessidade de combater a pobreza nesse continente...

Estou farto de ver a Europa algemada por ideologias politicas ultrapassadas que acreditam que a economia das nacoes e mais importante que o bem estar e a liberdade dos seus cidadaos...

Estou farto de xenofobias e racismos...

Estou farto de ver Portugal inteiro a arder em cada Verao sem que ninguem sequer admita que as causas e solucoes sao bem conhecidas mas nao sao do interesse dos poderosos...

Farto...


P.S. Peco desculpa pela ausencia de pontuacao... teclado holandes!

(Bad) Luck

Esta musica dos Radiohead tem passado com frequencia na playlist pseudo-aleatoria do meu MediaPlayer. Alienado da realidade enquanto analiso incontaveis videos com passaros, apanhamo-me a decifrar as letras das musicas. "Lucky".

Lucky
I'm on a roll,
I'm on a roll this time
I feel my luck could change.

Kill me Sarah,
kill me again with love,
it's gonna be a glorious day.

Pull me out of the aircrash,
Pull me out of the lake,
'cause i'm your superhero,
we are standing on the edge.

The head of state has called for me by name
but I don't have time for him.
It's gonna be a glorious day!
I feel my luck could change.

Pull me out of the aircrash,
Pull me out of the lake,
'cause i'm your superhero,
we are standing on the edge.

We are standing on the edge.


No fundo, nao andamos sempre todos a espera que a nossa sorte mude?

segunda-feira, julho 17, 2006

Return Home

Regressado da Islandia.
Uma semana quase perfeita, repleta de paisagens extraordinarias e momentos muito divertidos, pulvilhados por algum trabalho tambem. Logo que possivel apresentarei aqui algumas muitas fotografias que tirei por la. Na verdade bastaria andar de olhos fechados a tirar fotos aleatoriamente que era dificil mesmo assim nao tirar fotos magnificas.
De regresso a Groningen e de regresso ao trabalho. Brevemente o "bliss" da viagem a Islandia passara e poderei regressar aos habituais posts psico-depressivos. Por hora estou demasiado satisfeito para escrever esta Inevitavel Insatisfacao...
Deixo alguma poesia islandesa:

Íslands minni
Þið þekkið fold með blíðri brá,
og bláum tindi fjalla,
og svanahljómi, silungsá,
og sælu blómi valla,
og bröttum fossi, björtum sjá
og breiðum jökulskalla ---
drjúpi' hana blessun drottins á
um daga heimsins alla.


ou em ingles...


A Toast to Iceland
Our land of lakes forever fair
below blue mountain summits,
of swans, of salmon leaping where
the silver water plummets,
of glaciers swelling broad and bare
above earth's fiery sinews ---
the Lord pour out his largess there
as long as earth continues!

Jónas Hallgrímsson

quinta-feira, julho 06, 2006

Islândia

Eis onde eu vou estar na próxima semana. Espero que o ar frequinho e o Sol da meia noite ajudem a arejar as ideias!

In the Dead Cock of Night


Hoje acordei com uma vontade irresistível de depenar, torturar e eventualmente matar galináceos, especialmente os de cor azul...
Será que Freud saberia explicar esta psicose?

terça-feira, julho 04, 2006

Sera?

You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometimes well you just might find
You get what you need

The Rolling Stones