quarta-feira, janeiro 11, 2006

Cenas de gajo


Vou fazer aqui uma confissão, nunca tive jeito nenhum para cenas de gajo. Na nossa sociedade existe o mito de que homem que é homem tem de saber construír coisas, reparar coisas, fabricar coisas, etc. Não é de todo o meu caso, era um total fracasso na escola, nos trabalhos manuais, olho para a coisa mais simples de mecânica como um boi para um palácio e a mais básica instalação eléctrica é para mim algo tirado de um filme de ficção científica...
Por tudo isto, quando no outro dia, numa tirada bem típica de mim, parti a ficha e a tomada do candeeiro da minha mesa de cabeçeira enquanto arredava a cama, pensei: "tou lixado". Imaginei-me logo a comprar um candeeiro novo só por causa da ficha eléctrica e nem fazia ideia do que fazer quanto à tomada. Mas não, enchi-me de coragem, rumei ao AKI em busca de material eléctrico e pus mãos à obra.
A tomada foi bastante fácil de reparar, era só tirar dois parafusos, encaixar a caixa nova e aparafusar. Já por uma ficha nova no cabo do candeeiro é mais complexo... Cortei o cabo de cada lado, descarnei os fios, enrrolei os aramitos de cobre uns nos outros e só depois me lembrei que aquilo só funciona se estiver bem isolado. Na falta de fita isoladora, enrrolei aquilo tudo com montes e montes de fita adesiva normal... claro que quando liguei o candeeiro à corrente o disjuntor deu um estouro como se não houvesse amanhã e ainda vi por um milésimo de segundo a fita adesiva num tom laranja incandescente. Rumei a uma loja para comprar fita isoladora. Claro que foi uma pequena guerra para conseguir por a fita em cada fio do cabo, sem partir de novo o outro, mas lá acabei por conseguir. Liguei o candeeiro à corrente e sabem que mais: fez-se luz!
Fiquei mesmo orgulhoso!

Something is rotten in the state of...

Acho que finalmente percebi o que não funciona no mundo. Estava a ouvir as tretas dos políticos e de repente apercebi-me, eles estão sempre a falar em crescimento económico e consideram uma catástrofe um país não crescer. Ora, se pensarmos um segundo, toda a economia se baseia, ainda e sempre, nos recursos disponíveis, nos recursos naturais.
Como os recursos naturais são limitados, pois só temos um planeta, os países não podem eternamente crescer sem se atingir um ponto de ruptura. Isso já era óbvio no que toca à população, mas nunca me tinha ocorrido que era o mesmo com a economia. Por isso aquelas tretas dos crescimentos dos PIBs e outras siglas que tais são mesmo uma treta.
Por muito que crescamos as pessoas continuam a viver igualmente mal, porque a economia cresce mas as desigualdades são constantantes, assim, os países deviam na verdade aspirar à estagnação económica, sendo que aquilo que se deviam esforçar por fazer crescer seria algo a que alguns peritos chamam o indice de felicidade. Não estou a gozar, existe mesmo, é um conceito que avalia uma série de variáveis da qualidade de vida em vez de se limitar a algo tão abstracto como a economia.
O objectivo das sociedades modernas deveria ser aumentar a felicidade das populações e não a riqueza das nações!

terça-feira, janeiro 10, 2006


Apresento-vos o maçarico-de-bico-direito, Limosa para os amigos. Os próximos quatro anos da minha vida vão ser dedicados, em grande medida, a estes simpáticos bicharocos.
Passam o Verão no norte da Europa, no Inverno vêm para sul, alguns ficam pela Península Ibérica, outros continuam para sul até aos campos alagadiços da África Ocidental, em países exóticos como o Mali, o Níger e o Senegal.
Comem bichezas várias, alguns têm uma predilecção por minhocas-da-pesca e lambujinhas, enquanto outros com gostos mais requintados, perferem ir comer bagos de arroz aos arrozais, por exemplo, do Sado.
No Inverno são um bocado cinzentões, mas na Primavera enchem-se de magnifícos matizados entre o laranja, o ocre e o vermelho-ferrugem, em preparação para a época de reprodução, em que têm de impressionar os seus parceiros com as suas belas plumagens. Têm o estranho hábito de escolher um parceiro para toda a vida, tão incomum no reino animal, contudo, passam o Inverno separados, por vezes por milhares de quilómetros, mas de alguma forma os dois membros de cada casal arranjam maneira de voltar todos os anos ao mesmo prado para originarem mais uma ninhada de fofinhas bolas de penugem acastanhada.
Poucos meses depois de nascerem, partem para a sua primeira migração, em percursos de milhares de quilometros em busca do bom tempo, só para no ano seguinte voltarem, precisos como pombos correio ao local onde nasceram para continuarem o legado da sua espécie.
Na Holanda, pátria da maior população desta espécie, chamam-lhes "Grutto", um nome que corresponde à onomatopeia da sua vocalização típica nos territórios de reprodução. Por isso gosto mais desta nome. Despeço-me para voltar ao meu trabalho e estudar estes gruttos que são uns animais fantásticos.

O nojo e o ódio

Acho que não preciso de escrever aqui mais nenhuma vez o ódio profundo que o mero nome Cavaco Silva causa em mim. Não é ódio, é asco, repugnância, aquela sensação vaga e visceral que sentimos quando vemos um bicho morto coberto de vermes. Mas vou tentar ser mais racional e menos visceral. Alguém me explica porque é que alguém, no seu perfeito juízo, pode sequer ponderar a hipótese de votar nessa avantesma?
Já se esqueceram do tempo em que na garganta do povo morava o cântico “A luta contínua, Cavaco para a rua”. Já se esqueceram das cargas policiais sobre os vidreiros da Marinha Grande, já se esqueceram como acabou o buzinão da ponte? Já se esqueceram do tempo em que o primeiro-ministro de uma democracia europeia ousava dizer coisas como “tenho sempre a certeza e raramente me engano”? Só esta frase, bem analisada, diz tudo sobre o bicho.
Nojo é um sinónimo de luto, mas será nojo verdadeiro, assim como um profundo luto nacional, aquilo que vou sentir se ele for o nosso próximo presidente. Não pode acontecer, não deve acontecer, não acontecerá! Sei que não acontecerá porque me recuso a acreditar, como esses senhores gostam de nos fazer pensar, que os portugueses são um povo estúpido, ignorante e crédulo. Mostrámos novos mundos ao mundo, também havemos de enxergar qualquer coisa aquém-fronteiras! Não era minha intenção cair nestas perigosas deambulações patrióticas, nem tão pouco faz o meu estilo, mas porra: Contra o Cavaco marchar, marchar!

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Pensamento do dia

Será que já alguém tentou confirmar a idade do Mário Soares pelo método de datação do Carbono 14 radioactivo? É um método que costuma ser bastante eficaz para fósseis e outras coisas antigas...

Mea culpa

Retiro o que disse sobre as palavras. Retiro o que disse por causa das palavras que recebi em resposta. Foram estas as palavras que me fizeram mudar de opinião:

"Nao te esquecas das palavras doces, nao te revoltes tanto com elas: fresco, doce, palpitante, terno, justo. limpo, verde, luminoso, ondulante, riso, fadas, fruta,...."


E não voltarei a culpar as palavras injustamente.

domingo, janeiro 08, 2006

Meras palavras

As palavras são fracas. São estranhos desavindos, perdidos num mar tão profundo. São ricos e gordos tiranos, dominando um mundo que não é o deles.
As palavras não sentem, as palavras não choram, as palavras não vivem, as palavras não morrem. Duram um segundo e perduram uma vida.
As palavras são desconexas, descabidas, desprovidas de sentido. Não me servem para o que as quero. Falta-lhes a fúria e a paixão de uma vida longamente sofrida.
São as palavras que me deixam sem palavras.

Porquê?


Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Sérgio Godinho

Não quero abusar dos plágios aqui no blog. Aliás, não são plágios, são citações, porque ponho sempre o nome do autor, mas é sempre melhor ser original. Ainda assim, vou deixar aqui hoje a letra de uma das músicas mais bonitas do Sérgio Godinho. "A Noite Passada" já foi escrita à mais de 30 anos, ainda o Sérgio Godinho era um puto rebelde (no fundo ainda é, por isso é que continuamos a gostar dele). É uma letra tão simples e ao mesmo tempo tão complexa. Gosto mesmo!


A Noite Passada

A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas "sou gaivota e fui sereia"
ri-me de ti "então porque não voas?"
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste

A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas água
se então falámose então dissemos
aqui vivemos muitos anos

A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho "olá",
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste "ainda bem que voltaste"

Sérgio Godinho

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Quintas-feiras culturais XVII

Quantas vezes não damos por nós a rir, quando o que nos apetece realmente é chorar. Não estou a dizer que se seja o meu caso hoje, mas há dias assim. Assim como os devia haver para o poeta António Patrício que escreveu este poema:

De que me rio eu?... Eu rio horas e horas
só para me esquecer, para me não sentir.
Eu rio a olhar o mar, as noites e as auroras;
passo a vida febril inquietantemente a rir.

Eu rio porque tenho medo, um terror vago
de me sentir a sós e de me interrogar;
rio para não ouvir a voz do mar pressago
nem a das coisas mudas a chorar.

Rio para não ouvir a voz que grita dentro de mim
o mistério de tudo o que me cerca
e a dor de não saber porque vivo assim.

António Patrício

Insatisfação

Queria ser peixe e nadar, ou ser ave e voar. Ser baleia e cantar, ou rã e coaxar. Queria talvez ser cão e ladrar, gato e miar ou cavalo e trotar. Ou ser crocodilo e chorar, ser golfinho e saltar.
Só não queria ser humano e pensar…



Pensamentos de um biólogo (eu) enquanto olha com olhar vago e distante o lento fluír das águas do Sado sob o casco do ferry de Tróia para Setúbal.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Por uns momentos...

As vezes, por momentos, todos os quarcks e neutrinos do Universo parecem encaixar nas posições certas e tudo bate certo. Por um momento compreendemos tudo, tudo faz sentido e percebemos que tudo era afinal muito mais simples do que parecia. Por uns momentos...

A mamute caçado não se olha o dente

Quando um gajo vai às compras, e enfatizo aqui a palavra gajo, porque as mulheres não parecem padecer desse problema, a coisa ganha sempre contornos de missão impossível. Por mais vezes que vá à porcaria do supermercado tenho de passar sempre horas a procurar as coisas que quero.
Há quase três anos que vou ao mesmo Feira Nova, mas mesmo assim continuo a deambular pelos corredores, meio perdido, à procura dos produtos. Ainda ontem, precisava de comprar molas para estender roupa, ora na minha infinita ingenuidade, achei que as molas estariam perto do detergente para a roupa, afinal, o uso das molas vem no seguimento do uso do detergente. Nem andei muito longe, mas o raciocino deles foi o inverso e puseram as molas ao pé das tábuas de engomar…
Depois foi o caos da escolha do champô. Escolher uma das trezentas marcas é fácil, escolho sempre a mais barata (passo a publicidade, mas é o Fructis). Por acaso até era engraçado comparar a composição química dos champôs para ver se realmente tem alguma diferença. Depois vem a parte realmente difícil. Há os champôs para cabelos oleosos, secos, semi-secos, com tendência a oleosos, etc. Depois há um champô contra a caspa, outro para evitar o regresso da caspa. Existem uns que são fortalecedores, outros são amaciadores, outros rejuvenescem o cabelo, tornam-no mais moldável, ou mais brilhante, até deve haver um que faz o cabelo falar. Também há uns para cabelos louros ou morenos, no meio disto tudo como é que se escolhe? Como? Antigamente existiam uns que diziam simplesmente “para cabelos normais”, o que eu imagino que queria dizer que era uma espécie de champô standard, agora já não existe esta versão tão simples.
Nível seguinte: escolher iogurtes. Antigamente os iogurtes serviam para comer, mas agora não. Curam o colesterol, ou a aterosclerose, fortalecem o sistema imunitário ou facilitam a digestão. Quanto isto é fácil, estou-me pouco marimbando, escolho apenas pelo sabor, mas até aqui me conseguem lixar. Inevitavelmente, quando aparece um sabor novo que me agrada, desaparece imediatamente e nunca mais o volto a ver. Ainda há duas ou três semanas experimentei uns iogurtes com sabor a batido de morango (eu sei… mas há coisas mais estranhas!). Ora já os procurei várias vezes mas nunca mais os vi. Não, não sonhei com os iogurtes!
Deve ser a história dos caçadores-recolectores. Os homens não evoluíram no sentido de recolher produtos de supermercado, costumávamos caçar. Escolher cenas para comprar está para lá das capacidades do nosso pequenito cromossoma Y. Afinal, não existiam dezenas de variedades de mamute à escolha para caçar, se apanhássemos um já era muito bom. A mamute caçado não se olhava o dente…

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Floresta de Faias


O silêncio adensava-se na atmosfera, cobrindo o mundo como um pano do mais imaculado branco. Era este o silêncio que ele procurava, o silêncio calmo da floresta de faias que o Inverno cobrira de neve, era ali que encontraria o fio de pensamento, a reflexão que necessitava de trazer à sua vida.
Longe da sua habitual depressão, era à felicidade que encontrara que necessitava de dar rumo. Vagueara perdido, por vários dias, abandonado à sua própria euforia perdera-se no colorido vitral de emoções que o assaltara. Chegara agora a altura de se reencontrar.
Sob as faias despidas, acompanhado apenas pelo leve sussurro do vento invernal que acariciava com dedos gélidos as frágeis gemas das árvores, sentou-se sobre a neve pronto a passar tanto tempo quanto fosse necessário na procura de um ponto de equilibro naquele deserto branco. Pensou longamente na sua vida, desde a infância à velhice. Perdeu longos momentos a relembrar os muitos dias perdidos, ganhos ao lado de quem sempre fora o centro da sua vida. Afagou docemente as memórias da infância e relembrou, com tremores que poderiam ser de frio, as dores sentidas na adolescência. Reviveu num segundo a vida da juventude, as boas e más memórias perduraram demoradamente no fundo da sua mente. Matutou no seu lento maturar, viveu as ideias e ideais que sofregamente apoiou. Relembrou todos os que foram a sua vida, carimbou com o olhar interior as doçuras amargas e as amarguras doces. Sentiu-se definhar ao recapitular o lento decair do seu vigor, nos últimos anos.
Horas, dias, talvez tenham passado meses, este ente da floresta olhou profundamente o mar branco que o rodeava até achar o seu destino. Encontrara por fim o seu lugar final, ali entre flocos de neve e raízes nodosas. Foi aí que se ergueu, abriu os olhos e estendeu os braços aos céus. Sentiu a energia da terra fluir nas suas veias e artérias, experimentou um forte enrijar dos músculos e a sua pele pareceu ganhar a consistência da cortiça.
Morreu o homem, nasceu a árvore, pois fora nisso que se tornara. Uma nova faia estendia agora os seus ramos aos céus cinzentos do Inverno.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Sem título

Parece que anda aí uma praga de fim de ano na blogosfera, tudo quanto é blog está a fazer a lista do melhor não sei quê do ano, do melhor não sei que mais do ano... Que enjoo! De 2005 já nós estamos mais que fartos, Katrina para aqui, atentados em Londres para acolá, o Socrates, a morte do Cunhal, Benfica campeão... é pá, 2005 já lá vai.
Venha daí 2006 com mais corrupção, com mais escândalos, com mais injustiça, com mais desgraças que é disso que o povão gosta! Basta ver que o telejornal mais visto é o TVI...


Em nome do ano novo, que é jovem e ainda não sabe ao que vem, vou amenizar o tom, só para lembrar que o dia 1 de Janeiro, tal como todos os outros, é "o primeiro dia do resto da tua vida".

Boas entradas e melhores saídas, porque este inevitável insatisfeito só volta à blogosfera em 2006. Até para o ano!

The End

Os americanos têm uma tradição muito estranha. Gostam de pré-seleccionar a música que vai tocar no seu próprio funeral. Mórbido? Sem dúvida. Foleiro? Ainda mais. Deprimente? Claramente. Mas vou então ser mórbido, foleiro e deprimente. Demorei apenas dois segundos a pensar que música escolheria, uma música tão óbvia como seria de esperar num ritual tão fatela: “The End” na voz do grande Jim Morrison, ao som dos míticos Doors.
Não quero com isto denegrir a música, que até é das minhas favoritas, e sempre ajuda a melhorar o pior post da história deste blog. No comments please!

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Quintas-feiras culturais XVI

Em vésperas de ano novo, anda sempre no ar um certo aroma a esperança. A eterna esperança enganada de que o novo ano traga tudo de novo, que todos os males sejam lavados num copo de champanhe e se construa um mundo novo com 12 passas e muitos sonhos. É sobre a esperança o poema de hoje.

Esperança

Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
bom de verdade
bem feito de sonho
podia segui-lo como realidade

Esperança:
isto de sonhar bom para diante
eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
nada mais do que esperança
pura esperança
esperança verdadeira
que engana
e promete
e só promete.
Esperança:
pobre mãe louca
que quer pôr o filho morto de pé?

Esperança
único que eu tenho
não me deixes sem nada
promete
engana
engano que seja
engana
não me deixes sozinho
esperança.

Almada Negreiros

quarta-feira, dezembro 28, 2005

The Simpsons


Uma singela homenagem à melhor série de televisão de todos os tempos, os Simpsons. Que a mais divertida família amarela de quatro dedos da história nos possa continuar a divertir por muitos e bons anos!
Ay caramba!

Que coisa curiosa são as fotografias


Que curiosa coisas são as fotografias. Agora, na era digital, o contacto com as fotos já não é tão íntimo, à sempre a distância necessária dos “objectos” que estão do lado de lá do ecrã. O pior defeito da fotografia digital é que acabamos por olhar menos para as fotografias, um slide show para as ver, outro para mostrar aos amigos e acabamos por ficar por aqui.
Ontem à noite estava sozinho em casa, supostamente a trabalhar. Distraidamente, abri a pasta das minhas fotografias, no computador. Comecei a ver o manancial de momentos irrepetíveis e, alguns, inesquecíveis que por lá andam. Amigos que já não vejo há muito tempo, outros que vejo todos os dias mas já não me lembrava de ter visto naquelas situações, fotos de pessoas que na altura ainda não eram amigas, até fotos de pessoas muito especiais de quem não me lembrava ter fotografias.Fiquei perdido em devaneios revivalistas durante muito tempo, quanto não sei, só sei que quando parei já eram bem horas de me ir deitar! Tanto revivalismo, devo estar a ficar velho, os velhos é que vivem o presente a relembrar o passado. Se calhar são as fotografias que nos fazem velhos. E se calhar ser velho não é assim tão mau. Lá chegarei um dia, por agora ainda tenho muitos momentos para fotografar. Que coisa curiosa são as fotografias.

terça-feira, dezembro 27, 2005

Letargia Invernal


Começou o Inverno. Oficialmente os dias já começaram a crescer. Começaram a crescer, mas o corpo ainda não os nota maiores. A letargia adensa-se e a vontade de nada fazer vai pesando sobre tudo o que faço. Acho que é a forma de o meu corpo me dizer: "Vai mas é hibernar! Voltamos a falar na Primavera." Hoje invejo os ursos.
Se fico assim aqui, no nosso país ensolarado, o que seria de mim num Inverno escandinavo? Numa noite de meses, entrecortada por períodos de cinzento em que o Sol parece tão distante como se estivesse numa galáxia longínqua. Ao menos aqui vemos o Sol, mas ainda assim estes dias curtos não me satisfazem. Deixam-me vago e vazio, incapaz de me concentrar. Hoje sou um farrapo de mim.
Só me apeteçe enrroscar-me debaixo dos cobertores e abandonar-me a um dolce fare niente por dois ou três meses. Era bom, mas não pode ser. Tenho de trabalhar...